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1a SESSÃO - EIXO 1 - LINGUAGENS

MESA A - INTERLINGUAGENS

Camila Dazzi
Citações e ecos pictóricos na obra cinematográfica de Luchino Visconti
Resumo: A obra de Luchino Visconti (1906-1976) sempre foi uma referencia para os estudiosos interessados na correspondência entre cinema e pintura. Diferentemente de outros cineastas, cujas citações à arte figurativa são de forçada imobilidade, ao tipo tableaux vivant - reprodução literal de esquemas compositivos, fisionomias e costumes -, em Visconti as referências às obras pictóricas são inseridas em um continuun, no qual também a música ocupa função capital: é o caso, por exemplo, da famosa citação ao quadro Beijo, de Francesco Hayez, o ápice de uma seqüência de crescente paixão amorosa no filme Senso. Dessa maneira, a imagem estática da pintura ganha um dinamismo renovador, oferecendo ao espectador uma experiência singular, que favorece a unificação dos sentidos da visão e da audição. È esta relação entre pintura, música e cinema na obra de Visconti que procuraremos discutir em nossa comunicação, enfocando quatro de seus filmes que retratam a Europa oitocentista: Senso (1954), O Leopardo (1963), Ludwig (1973) e O Inocente (1976).

Arthur Gomes Valle

 
O paralelo entre a pintura e a música no pensamento e na obra de Paul Klee
Resumo:“Cada vez mais, sou forçado a enxergar paralelos entre a música e as arte plásticas [...] Não há dúvida de que as duas são artes temporais, o que é fácil de se comprovar”, escreveu certa feita o artista suiço Paul Klee (1879-1940): além de desenhista e pintor, Klee era um violonista de talento e, logo, não é de se estranhar que ele tenha assimilado à sua produção visual procedimentos tomados de empréstimo à arte da música. Em oposição a um certo pensamento moderno que frisava a especificidade das artes - cuja formulação talvez mais célebre pode ser encontrada no Laocoonte de Lessing -, Klee via a pintura e a música ligadas por laços profundos, baseados na analogia entre os sentidos da visão e da audição, nos parentescos estruturais entre as duas artes e, sobretudo, na sua concepção da obra enquanto formação, que o levava com freqüência a desnudar o processo de execução de seus trabalhos. É essa peculiar concepção das correspondências entre pintura e música elaborada por Klee que procuramos discutir na presente comunicação.
Vanessa da Cunha Prado D’Afonseca
Coisas-pensamento. Da mundaneidade da arte em Hannah Arendt
Resumo:Em Hannah Arendt a perda do senso comum – que no âmbito desse colóquio poderia remeter a São Tomás de Aquino, significando perda da unidade dos sentidos – confere peculiaridade às mais diversas crises da modernidade. Nas descrições arendtianas dessas crises e em sua problematização da moderna ruptura com a tradição, há o chamado ao reconhecimento da fragilidade da relação entre o equipamento humano dos cincos sentidos e uma mundaneidade fundamental a um agir e a um pensar marcados pela qualidade de, para o Homem, Ser e Aparência serem uma só e mesma coisa. Definidas por Arendt como coisas-pensamento, as obras de arte carregariam em sua aparição a memória de tal articulação, revelando, na relação que também carregam entre aparência e linguagem, as formas de um pensar assentado no tempo, capaz de nos guiar, diante da ruptura com a tradição, no cuidado com o mundo.

1a SESSÃO - EIXO II - SUBJETIVIDADES

MESA R - ARTE E (RE)CONSTRUÇÃO

Leda Maria Codeço Barone
Maria de Lourdes Manzini Covre
 

Texto na íntegra

O leitor e o texto: função terapêutica da literatura
Resumo:É comum o depoimento de leitores atribuir função terapêutica à leitura de algum texto literário. O caráter reparador da literatura tem sido sobejamente reconhecido ao longo do tempo e basta pensar no papel que a literatura desempenhou para tantos deportados nos campos nazistas, no genocídio Armênio e no exílio stalinista. A contribuição da literatura é reconhecida não apenas nestas situações extremas, mas em outras em que a representação de si e o sentido de vida são abalados por perdas e traumas diversos.
O presente trabalho tem por objetivo aproximar a psicanálise de algumas idéias desenvolvidas por críticos literários como Antônio Cândido, Umberto Eco e Walter Benjamin de maneira a fundamentar o valor terapêutico da leitura.
Maria Lúcia Duarte Geloski
 
Montando o Jardim de Djanira: a utilização de recursos expressivos na terapia centrada na pessoa de idade avançada
Resumo:O trabalho consta de um atendimento psicológico domiciliar a uma cliente de 95 anos que na época apresentava-se depressiva em razão da perda de um dos filhos. Foram usados recursos expressivos como literatura, música, pintura, como forma de estimular a cliente a entrar em contato com a sua interioridade. Em 1 ano e oito meses, a cliente apresentou uma expressiva melhora retomando sua trajetória existencial e sua alta foi considerada possível tanto pela terapeuta como pela cliente.

Maria Fernanda Zorzi Gatti
Maria Júlia Paes da Silva
Eliseth Ribeiro Leão

 

 

Música, arte e saúde: uma proposta para redução do stress dos profissionais de emergência
Resumo:A complexidade das relações entre os eventos estressores no âmbito profissional e pessoal e a saúde do indivíduo tem sido reconhecidos como um desafio a ser transposto a fim de garantir maior qualidade no ambiente de trabalho e a arte pode constituir um caminho potencial nesse contexto. O estudo teve como objetivo verificar a influência da música barroca (JS Bach) sobre o Estado de ansiedade dos profissionais de um serviço de emergência mediante a utilização do Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE). Observamos que houve uma tendência à diminuição do Estado de ansiedade dos profissionais à medida que a demanda de trabalho aumentou, denotando que a música, com seu elevado teor de arte, possibilita uma forma de cuidado aos profissionais de saúde no gerenciamento do stress.
Elizabeth Medeiros Pacheco

Texto na íntegra

Entre Clínica e Literatura – A Tradição do Imemorável
Resumo:A estratégia desta escrita está na interlocução entre a novela Le Horla de Guy de Maupassant, séc. XIX, a noção de espaço potencial do psicanalista D. W. Winnicott, séc. XX, e o relato de oito sonhos de uma paciente durante nosso percurso terapêutico. A articulação entre tais espaços - literário, clínico e onírico - se tece a partir dos comentários de M. Blanchot, M. Serres e M. Foucault os quais, por uma filosofia da diferença, problematizam o sentido de experiência, deslocando-a do lugar interior e íntimo de um sujeito único, para fazê-la valer enquanto experiência da alteridade de si. Tal abordagem nos permite a crítica ao paradigma identitário e à noção de conhecimento como representação, abrindo-nos ao plano intensivo que portamos como afetabilidade ao que nos é estranho e impessoal - paradoxal condição pática de nos tornarmos efeito das relações que constituímos através de nossas práticas.

1a SESSÃO - EIXO III - PRÁTICAS

MESA N - VOZES DA LOUCURA

Maria Regina Margini Marques

Texto na íntegra

O caminho da expressão é atividade
Resumo:O Atelier Bricoleur foi fundado em 1989 com o objetivo de criar uma nova atitude diante daquele que vive mergulhado em estado de saúde adverso.
O caminho, desde o primeiro dia, tem sido a opção pelas vivências que levam para a casa do sensível,que promovam sentimentos de realização e pertencimento social. Neste processo priorizamos a oportunidade de vivenciar ofícios expressivos e significativos que ampliam repertórios e revelam potencialidades.
A entrada na casa do sensível é:
transformação, mudança de estado e tomada de conhecimento.
O Atelier é recurso e acesso às sensibildades. Inscrições no corpo e encantamento.
Elizabeth Maria Freire de Araújo Lima

Texto na íntegra

Arte, loucura e clínica: composições e devires
Resumo:Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa histórica sobre a constituição das relações entre arte, clínica e loucura no Brasil. Através do acompanhamento de experiências clínicas e experimentações estéticas que articularam esses campos, pudemos mapear: o momento, no final do século XIX, em que as relações entre arte e clínica não estavam ainda claramente configuradas; o estabelecimento, no início do séc. XX, da trama moderna que articulou arte, loucura e clínica, quando as práticas ergoterápicas, a psiquiatria, e a arte moderna brasileira entraram em contato com o pensamento psicanalítico; e as diferenças, em relação a essa configuração moderna, que aparecem por volta da 2ª metade do séc XX, quando uma importante inflexão no pensamento e nas práticas abre um novo horizonte para as relações entre clínica, loucura e arte no contemporâneo.
Tatiana Fecchio da Cunha Gonçalves
A Nau de Sebatian Brant e de Bispo do Rosário
Resumo: Numa tradição iconográfica na qual identificamos diversas representações da figura da barca, como a egípcia e medieval, este estudo contempla, na produção cultural de duas épocas distintas, as relações possíveis entre as imagens criadas a partir do poema satírico de Sebastian Brant, de 1494, por Albrecht Dürer e Jerónimus Bosh e a nau na obra de Bispo do Rosário a fim de identificar e ampliar as possibilidades de compreensão simbólica deste elemento iconográfico.
Mariane Pontes da Silva
Artaud e Van Gogh - Os Loucos Sociais – Breve análise da obra “Van Gogh – o suicida da sociedade” de Antonin Artaud
Resumo:A literatura para Artaud é uma possibilidade de escrever no corpo, de experimentar, de provocar, funciona como uma máquina agenciadora do desejo. Abandonando a prisão do significar, abre-se a possibilidade da palavra que traz o viver, uma palavra que confunde e desorganiza, a palavra esquizo é agenciada através da obra artaudiana.
E é o que este artigo visa entrar em contato com esta obra para tornar possível a utópica idéia de uma sociedade tolerante e respeitosa à diversidade, tornar possível um agenciamento através de Artaud, da realidade das teorias esquizoanáliticas, mostrar a arte esquizo como um portal de existência do devir esquizofrenico, mas , acima de tudo, a tarefa de conferir visibilidade ao ser que continua existindo independente do estigma que recebe, mostrar o homem que a sociedade ajudou a tornar um louco indesejável.

1a SESSÃO - EIXO IV - TEORIAS

MESA M - TEORIAS DA ARTE

Cynthia Maria Jorge Viana
Kety Valéria Simões Franciscatti
O fazer cego da expressão: estudos sobre a fatalidade do processo de criação artístico
Resumo:Discute-se, com base na Teoria Crítica, a formação cultural e as possibilidades de individuação articulando a ciência psicológica e a potencialidade epistemológica da arte. Problematizando o processo de criação artístico, propõe-se o estudo da participação subjetiva com foco no fazer cego da expressão e a fatalidade imanente a este processo. Para tanto, recorre-se aos conceitos de expressão em Adorno e de sublimação em Freud. Se para Freud a arte está ligada à sublimação como mecanismo de defesa, para Adorno o que está presente é a expressão, não como censura subjetiva e sim como fuga que permite o contato com a realidade. Para este autor, deve-se pensar o objeto da psicologia da arte não apenas como algo semelhante ao artista, mas como algo diferente: como trabalho em algo que resiste.
Gisele Toassa
A crítica de arte russa e as vivências estéticas segundo Vigotski
Resumo:Esta comunicação oral tem o objetivo de problematizar a presença da crítica de arte russa na obra de Vigotski, especialmente no que se refere à inefabilidade das vivências estéticas. Pretende pontuar o debate sobre a inefabilidade na crítica literária russa e as rotas históricas da influência do simbolismo sobre o conceito de vivência (estética) na obra “A tragédia do Hamlet, Príncipe da Dinamarca” (1916). Traçará a condições especiais que posteriormente sensibilizam o autor tanto à militância racionalista do trotskismo (“Psicologia da Arte”, 1925), no que se refere às funções da arte, quanto ao formalismo, no que toca às categorias de análise da reação estética e ao seu conceito de vivência. Debate, por fim, a conceituação madura dos termos “vivência” e “sentido” na teoria histórico-cultural e suas relações com a imperfeição da palavra na obra “A construção do pensamento e da linguagem” (1934), esta apoiada, entre outras fontes, no realismo emocional de Konstantin Stanislavski.
Fábio Dias da Silva
Edson Olivari de Castro
Invisível: paixão por uma imagem sem corpo
Resumo:Esse trabalho se aventura a explorar a arte enquanto terreno de saber humano em interlocução com a psicanálise. Discorre acerca dos componentes não-lingüísticos presentes tanto na pintura quanto nos processos de subjetivação e singularização. Tais processos, permeados pelo olhar significante do Outro, evidenciam a intersecção entre os registros Simbólico e Imaginário, num movimento identificatório explicitado pelo Estádio do Espelho. Se no sintoma, o sujeito, por força de sua natureza pulsional, tenta recobrir a angústia que a falta no Outro lhe provoca, na sublimação ele tira proveito de sua condição de desamparo produzindo uma obra cuja contemplação permite vislumbrar o estranho / familiar, presença invisível que dá à plasticidade da imagem de si, dos outros e do mundo, o estatuto de Coisa (das Ding).
Maria Regina Namura
O aporte da estética na categoria sentido no pensamento de Vygotsky
Resumo:A partir dos fundamentos filosóficos e epistemológicos do pensamento de Vygotsky identifica-se o elemento estético do seu pensamento na Psicologia da Arte, evidenciando o caráter ontológico e não só epistemológico da anealise do sentido, É possível estabelecer a sintonia entre Vygotsky, Marx e Lukcás que permite compreender o sentido como categoria que responde pelo sujeito social e no social o sujeito individual explicitada pelo autor em “A arte o é social em nós”.
Imprimir uma epistemologia estético-ontológica na análise do sentido esclarece a formação dinâmica, fluída e complexa do sentido sem polarizar significado e sentido , sem reificar a natureza subjetiva e a dimensão semiológica, mas antes, concebe-lo na processualidade do social, individual e particular, expressando as motivações mais íntimas do sujeito cravado na dinâmica do real.

1a SESSÃO - EIXO V - INQUIETAÇÕES

MESA Z - PERSPECTIVAS DA CRIAÇÃO

Juliana Michelli da Silva Oliveira
Multiversos autopoiéticos de Remedios Varo: convergências simbólicas
da errância, criação e cura na educação de sensibilidade
Resumo:Nesta comunicação buscamos elaborar uma reflexão acerca dos significados das convergências simbólicas da criação, errância e cura, elencadas em nosso ensaio mitohermenêutico da obra de Remedios Varo (pintora surrealista), para uma educação de sensibilidade. Este ensaio é integrante de pesquisa inscrita no paradigma do imaginário que visa relacionar de maneira conceitual e simbólica, autopoiese e mitopoiese, sob a postulação do aprendizado como auto-organização e criação. A organização dos elementos imagéticos presentes na obra da pintora em uma “narrativa pictórica”, cujos mitemas relacionam-se às narrativas de Athena e Hefesto, bem como Médusa e Asclépio, conduziu-nos a um complexo de imagens arquetípicas cujos entrelaçamentos e semantismos intentamos discutir.
Sandra Maria Antoniazzi Ferrini
Fabio Yasoshima
Alessandra Rachel Antonelli Palaia
Modelar o som: contribuições do ensino conjunto das Artes Plásticas e da Música para alunos com necessidades educacionais especiais.
Resumo:Este trabalho é o resultado de um projeto interdisciplinar realizado em uma Escola de Educação Especial (São Paulo-SP), durante o ano de 2006. A partir de uma proposta de criação musical coletiva, surgiu a idéia de um trabalho em parceria com o ateliê de Cerâmica da escola, no qual os alunos confeccionariam seus próprios instrumentos musicais. Com efeito, durante este processo, os alunos tiveram a oportunidade de perceber e experienciar possíveis relações entre as linguagens artísticas em questão. Devido à riqueza dos resultados obtidos após a concretização deste projeto, os seus autores foram levados a refletir acerca da relevância do ensino integrado das Artes para o desenvolvimento afetivo e cognitivo de alunos com necessidades educacionais especiais.
Luiz José da Mota Filho
Maira Allucham da Silva Goulart Naves
“Quero falar com você!”
Resumo:O cinema é uma arte que permite um espaço de recorte da realidade e expressão de sensibilizações do sujeito. Destina-se a ser um suporte para a expressão do simbólico, das manifestações de desejo e de registro dos sentidos, que possam ou não, serem atribuídos a ações concretas e as necessidades de um grupo, podendo mostrar configurações sociais ou elementos reais de colocações do sujeito. Nesta abordagem trazemos o olhar do sujeito surdo através da expressão cinematográfica, concretamente em um filme criado e produzido pelos mesmos, num intuito de levar a sua angustia e percepção de ser/estar no mundo e as relações com o cotidiano e a comunidade. O filme mostra como o surdo é atravessado por estas unidades de sentido.
Cérise Alvarenga
O Pesquisador como espectador-intérprete:
dando voz a uma experiência de pesquisa
Resumo:Neste trabalho, penso a experiência da escuta e da escrita, empreendidas na investigação de mestrado, dentro de uma perspectiva psicanalítica. Para dar passagem a essa reflexão, conto com idéias de alguns autores sobre a relação pesquisa-psicanálise e as contribuições de Frayze-Pereira ao pensar a relação entre estética e psicanálise implicada. Tomando o texto dissertativo como “obra” que expressa a experiência do pesquisador com outras “obras” - textos (pesquisa bibliográfica), pacientes (estudo de caso), ou pelos entrevistados - exponho a idéia de que o fazer investigativo transita entre uma ação que descobre e ao mesmo tempo cria. O pesquisador se aproxima de um espectador- intérprete na medida em que deixa se habitar e surpreender pelas “obras”, permitindo que desse encontro o singular se expresse na escrita ou texto dissertativo.

1a SESSÃO - EIXO VI - PROCESSOS

MESA U - LUGARES DA ARTE NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

Monica Ribeiro
Pesquisa Participante e Educação Infantil
Resumo:A partir da Pesquisa Participante, segundo Carlos Rodrigues Brandão, pesquiso cinco escolas municipais de Educação Infantil (em Sumaré, interior de São Paulo) situadas no Centro, compostas de realidades divergentes (favelas, MST, população mais favorecida economicamente de toda a cidade,...) que se caracterizam por desigualdades sociais e participam de uma educação que a meu ver apresenta, num primeiro olhar, indícios dos princípios metodológicos dessa proposta de pesquisa. Nestas escolas, existem projetos que valorizam a arte, a música, a comunidade e possuem características que, no meu entender, vem desvendar o porquê as ONGs que se vinculam às Artes, à Cultura e aos Esportes favorecem a inclusão social, destacando a relevância da comunidade e da desburocratização.
Tiago Cassoli
Do perigo das ruas ao risco do picadeiro:
circo social e práticas educacionais não governamentais
Resumo:Trata-se de pesquisa que tenta analisar o chamado circo social, cujo objetivo refere-se à inclusão de jovens das periferias através do circo. Temos como recorte as práticas circenses desenvolvidas por organizações não governamentais no contexto das políticas neoliberais. Utilizamos como referências teóricas a genealogia de Michel Foucault; o conceito nietzscheano de arte trágica; de cultura cômica popular em Bakhtin e de pesquisadores do circo no Brasil. Traçaremos algumas análises no cotidiano das práticas de circo social. Para tanto, faremos algumas indagações: como esta tecnologia dialoga com as disciplinas; como estão se produzindo os embates entre saberes e poderes das tecnologias de controle social e a resistência da arte circense; como vem se dando a aliança, não mais da filantropia e a ciência, mas atualmente com as artes, particularmente o circo.
Eduardo Fragoaz
O econômico e o artístico: antagonismo ou interdependência?
Resumo:A arte - assim como outras formas de simbolização, como a religião e o pensamento científico e intelectual – sempre manteve relações conflituosas e dinâmicas com as instâncias econômicas e materiais da vida social. Mesmo antes da instauração das formas capitalistas de racionalização econômica, a relação dos artistas com os grupos sociais que dispunham de mecanismos capazes de lhes assegurar a sobrevivência engendrou formas recíprocas de trocas, interesses, subordinações e dependências. O objetivo do trabalho é tentar descortinar qual o sentido da interação social que se estabelece entre os atores produtores de bens simbólicos e aqueles que detêm o poder econômico na configuração atual do capitalismo. A partir de um balanço bibliográfico da literatura sociológica, procura-se entender como se dá a “contaminação simbólica” entre o prestígio artístico e a imagem de empresas patrocinadoras, através do chamado “marketing cultural”.
Silvia Maria Cintra da Silva
Ana Carolina Abdala Goya
Paulo Estevão Rodrigues Machado
Reflexões sobre o (não) lugar da Arte na Universidade
Resumo:A Universidade, como promotora da formação pessoal e profissional dos estudantes, deve criar possibilidades de contato com diferentes formas de produção de conhecimento, que inclui o saber científico e o artístico-cultural. A academia precisa oferecer condições para que os alunos vejam no ensino superior a oportunidade de conhecer e apreciar as diferentes linguagens da arte. Entretanto, muitas vezes o ingresso neste universo representa o contrário, quando os estudantes são levados a priorizar atividades e leituras estritamente científicas, geralmente em detrimento de atividades artísticas das quais participavam anteriormente. Considerando a necessidade de criar espaços de discussão a respeito dessa temática, propomos, enquanto sujeitos implicados nesse contexto, uma reflexão sobre o (não) lugar da Arte na Universidade, a partir de experiências na Universidade Federal de Uberlândia.

2a SESSÃO - EIXO I - LINGUAGENS

MESA B - CINEMA: IMAGEM E MEMÓRIA

Emi Koide
Immemory de Chris Marker e as relações entre imagem, palavra e som
Resumo:Chris Marker, cineasta francês, fotógrafo e escritor, ou antes “bricoleur” - como se auto denomina - cuja obra é de grande importância ainda que desconhecida do grande público, sobretudo no Brasil, cria novas relações e efeitos de sentido através de articulações entre imagem, som e texto na montagem. Sua exploração da linguagem explora as fronteiras entre o denominado cinema documentário e ficcional, criando uma auto-reflexão sobre o próprio cinema e o estatuto da imagem.
Experimentações em multimídia e instalações também foram realizadas pelo autor, dentre estas o CD-rom Immemory - originalmente concebido como uma instalação para o Centro Georges Pompidou em 1997 - que cartografa uma geografia da memória, trazendo fotos, poemas, fragmentos de filmes e sons.
Danilo Sergio Ide
Cinema, Psicanálise; Espectador, Analista: Campo, Contracampo
Resumo: Freud (1914) analisa o Moisés de Michelangelo seguindo a regra fundamental da psicanálise, tomada, porém, como regra de recepção: a obra é analisada segundo a mesma atenção dedicada pelo analista a um paciente. Nesse caso, obra e paciente tornam-se contrapontos: "o paciente como obra de arte" (Frayze-Pereira, 2004). Entretanto, na aproximação entre cinema e psicanálise, busca-se comumente o paralelo entre espectador e paciente. Ambos se assemelham pelo fato de estarem submetidos a regras. Regra de produção, proposta pelo analista ao paciente: tudo merece ser dito. Regra de recepção, proposta pelo diretor ao espectador: tudo merece ser visto. Entretanto, o analista também está submetido a uma regra de recepção: tudo merece ser ouvido. No cinema, melhor seria contrapor dois planos, um do espectador e outro do analista, montados como campo e contracampo.
Leo dos Reis Rodrigues
Fotografia e Pintura: reflexões sobre Memória e Educação Visual
Resumo:Este é um trabalho sobre fotografias, mais especificamente, retratos de família – aqui encarados como um aspecto da memória. No fluxo visual desencadeado pela fotografia, pela memória, e também pela pintura, reflito sobre como podemos ser educados por imagens: uma educação visual. Esse percurso me levará a estabelecer relações entre a fotografia e a pintura. O caminho escolhido na busca por tais reflexões é a Arte da Memória. Herdada da Retórica grega e latina, foi – e persiste até hoje – um instrumento utilizado com o objetivo de fortalecer e educar nossas memórias. A Arte da Memória nos liga ao passado da Renascença, época em que se desenvolveu a perspectiva artificial, técnica que plasma o real a partir de cálculos matemáticos e que é, até hoje, o princípio ótico norteador das câmeras fotográficas.

2a SESSÃO - EIXO II - SUBJETIVIDADES

MESA J - O HOMEM E A OBRA: IDENTIFICAÇÕES

Renata Caruso Mecca
Eliane Dias de Castro
Experiência Estética e Construção de Significados na
Atenção da Terapia Ocupacional em Saúde Mental
Resumo:O trabalho aborda a experiência estética como facilitadora da construção de significados para as vivências dos sujeitos atendidos na terapia ocupacional em saúde mental e para seus processos de fazer artístico a partir de conceitos da teoria de Winnicott. Esta enfatiza os processos de constituição que se atualizam na experiência que se tem com as obras, que dizem respeito ao sentir-se existindo, vivo e real em um mundo também vivido como real. Pretendemos discorrer sobre os fenômenos que operam na zona intermediária e que baseam-se na indiferenciação e separação eu-outro, sentimentos de estranheza e familiaridade em relação à produção. Descrições de um paradoxo, que a princípio será explorado em suas polaridades, mas que ao longo do texto pretendemos transbordá-las para habitar de fato esta zona sem dissecá-la e, a partir disso, abrir campo para o entendimento da relação com o produto do fazer artístico como um encontro e as maneiras de fazer como campos de experimentação e de inscrição do humano no mundo.
Cristiane Valéria da Silva
Claudia Mariza Braga
Tele-dramaturgia: reflexões acerca dos elementos
dramáticos na telenovela brasileira
Resumo:A partir do caminho percorrido pela dramaturgia, da tragédia à telenovela, passando pelo melodrama, discute-se a necessidade da dramaturgia na teledramaturgia para que ocorra a identificação do público com o que é representado. Além de uma boa fábula, uma boa idéia, é necessário saber contar: o telespectador busca possibilidades de, no entretenimento, se identificar e de, ao se identificar e sofrer a história, purgar, purificar as emoções vividas no cotidiano. Mas para que isto ocorra não basta uma simples representação da realidade, é necessário que esta representação conduza o público de forma a levá-lo a uma solução ficcional para os conflitos reais. Neste sentido, pretende-se refletir acerca do papel dos elementos de dramaturgia na telenovela e sua relação com os processos de identificação.
Denise Maia
Auto-Retrato: a pintura como expressão da alma
Resumo:Este trabalho surgiu a partir da contemplação de 3 obras de arte que me provocaram sonhos e elaboração de várias perguntas, cujo interesse girou em torno dos auto-retratos. Além da observação e da reflexão sobre estas telas, procurei buscar a compreensão do tema narcisismo numa visão arquetípica, que ampliasse a noção clássica já tão bem estudada.
Maria Paula M. S. Bueno Perrone
A imaginação criadora: Jung e Bachelard
Resumo:Para Jung, psique é imagem. Nessa concepção o trabalho do artista se enraiza no inconsciente coletivo, onde estão as fontes da capacidade de criação. Portanto para ele a obra de arte não diz respeito à psicologia pessoal do artista. Vem de Jung o pensamento de Bachelard relativo à obra de arte e à imaginação criadora, para quem acontece uma corrente de comunicação entre o receptor da obra de arte e seu criador, que rompe as relações causais através do retentissement. È uma relação intersubjetiva. A imagem primordial presente na obra de arte age sobre seu autor e sobre o espectador; Jung vê nesse impacto uma corrente impressiva e com isso pode-se aproximar as noções de retentissement e de sincronicidade, como emergências do novo através do ato criativo.

2a SESSÃO - EIXO III - PRÁTICAS

MESA Q - ATELIÊ/OFICINA: INDAGAÇÕES

Erika Alvarez Inforsato
Elizabeth M. F. de Araújo Lima
Eliane Dias de Castro
Experimentação, construção e reflexão: a formação em Terapia Ocupacional e as ações na interface da arte e da saúde
Resumo:A experiência de formação de estudantes de Terapia Ocupacional da USP, no Estágio Supervisionado “Terapia Ocupacional e as Ações na Interface Arte e Saúde” tem apresentado linhas de reflexão sobre um campo assistencial no qual as ações desenvolvidas abrem possibilidades de experimentação e construção do conhecimento. Recursos artísticos e corporais auxiliam no trabalho com populações excluídas em função de deficiências, sofrimento mental, e/ou situação de vulnerabilidade social. As experiências dos estagiários são organizadas e distribuídas em atividades que procuram contemplar várias linguagens artísticas (música, dança, teatro, artes plásticas) e participação em eventos culturais. Estudos sobre produção cultural, promoção de saúde, inclusão social, processos de criação, expressão e construção de linguagens, arte/educação, oficinas e ateliês de atividades artísticas são realizados e acolhidos em discussões em equipes, supervisões, grupos de estudos e seminários temáticos. Os resultados desta formação apontam a importância de conjugarmos ações interdisciplinares para ampliarmos a atuação profissional e atuarmos criticamente nos processos de transformação cultural necessários ao trabalho de construção de redes sociais inclusivas com produção de subjetividade.
Fernanda Andrade de Oliveira
Antonio Augusto Pinto Junior
A Arte como meio de intervenção no tratamento do paciente esquizofrênico: uma investigação nos equipamentos
de saúde mental do vale do Paraíba
Resumo:No que se refere à intervenção psiquiátrica, os pacientes esquizofrênicos foram, historicamente, cuidados a partir de abordagens caracterizadas pelo preconceito, intolerância, tortura e desconsideração à sua subjetividade. Diante deste fato é essencial o desenvolvimento de formas de intervenção que procurem amenizar o sofrimento mental do paciente e propiciar o resgate de sua condição de ser humano digno de respeito.
A partir deste exposto, o objetivo do presente estudo é verificar as contribuições da arte no tratamento e recuperação do paciente esquizofrênico, através de uma pesquisa com profissionais de Saúde mental que utilizam a referida intervenção.
José Otávio Motta Pompeu e Silva
Lucia Reily
A psiquiatra e o artista: Nise da Silveira e Almir Mavignier
encontram as Imagens do Inconsciente
Resumo:A literatura já mostrou como a psiquiatra Nise da Silveira associou-se ao jovem artista Almir Mavignier para criar um ateliê que usava a arte como recurso terapêutico no tratamento de internos do hospital psiquiátrico. O presente estudo buscou reconstituir partes ignoradas desta história: como os internos foram convidados a freqüentar o ateliê, a atuação de Mavignier no desenvolvimento das atividades de arte, como se deu a confluência de outros artistas ao Engenho de Dentro, instigados pela produção plástica dos pacientes psiquiátricos e a organização de exposições em espaços culturais bem como em eventos de saúde mental. O estudo sugere que o fato de um artista plástico desenvolver os trabalhos no ateliê no contexto psiquiátrico representa um diferencial nos resultados.
Naiada Dubard Barbosa
Luís Felipe Ferro
Eliane Dias de Castro
Resistência expressiva e o silêncio retomado
Resumo:Este estudo é uma ação reflexiva sobre práticas que se constituem na interface dos campos da arte e promoção da saúde, mais especificamente no tocante às produções plásticas oriundas de oficinas e ateliês que ocorrem na contemporaneidade. As transformações no campo da saúde mental engendradas pelas propostas de reabilitação psicossocial trazem mudanças culturais que exigem novos percursos nos territórios da cultura. As críticas às produções realizadas em ateliês terapêuticos, observadas em meados do século XX, se dividiam: não classificavam a produção em ateliês terapêuticos como arte, pautadas na procedência e intencionalidade dos autores; ou procuravam classificar essa produção como arte bruta, naïf, arte virgem, incomum... Na contemporaneidade o trabalho crítico referente a estas produções está silenciado. As produções artísticas continuam numa pluralidade de abordagens e formas e a construção de novas entradas culturais para os autores deste território apresentam fios de ação e reflexão que pedem novos olhares e diálogos. A pergunta que se faz é: o que vem provocando o silêncio da crítica sobre esta produção? Como grito de pertencimento, propomos a quebra da reificação deste fazer para a visualização dos sujeitos, que, se de vontade deles, possam se inserir no campo da arte como autores, produtores ou artistas.

2a SESSÃO - EIXO IV - TEORIAS

MESA 0 - PROCESSO CRIATIVO, RECEPÇÃO ESTÉTICA

Laís Barreto Barbosa
Cássio Santiago
Elisa Band
Todo mundo é um artista
Resumo:Relato sobre o grupo de teatro e performance Zaum e sua constituição tomando-se como objeto de pesquisa os possíveis desdobramentos de sua cena e processo de criação. As fronteiras do grupo Zaum são móveis porque são constantemente atravessadas por multiplicidades: teatro, performance, psicanálise, psicologia, psiquiatria, inclusão, artes plásticas, mídias eletrônicas, música, dança e poesia. No “work in process” entre fusão de mídias e criação de hipertexto o fluxo criativo passa por um corte que é apresentado como espetáculo, o momento em que assume forma diante do espectador. O trabalho busca investigar a relação que se estabelece entre os atores e o público, afirmando: “Todo mundo é um artista”.
Aline Mocó Silva Miklos
Mudanças na forma de percepção artística: uma breve
análise entre Baudelaire e Duchamp
Resumo:Este ensaio tem o objetivo de fazer algumas reflexões sobre a mudança na forma de conceber a arte a partir de duas grandes personalidades: Baudelaire e Duchamp. Baudelaire porque é considerado o “pai” da arte moderna. Duchamp devido a enorme influência que exerceu sobre os artistas contemporâneos. Para esta análise, foi levado em conta o tempo, o espaço e a dinâmica da sociedade na qual eles estavam inseridos e como este processo de transformação da percepção artística está relacionado com estas três categorias. É a partir desta reflexão que coloco em questão algumas causas da falta de compreensão do espectador em relação a obra de arte em nosso tempo, pois a falta de sintonia entre o objetivo do artista e a expectativa do público pode gerar o ruído, a não-compreensão da obra.
Ana Paula Felicíssimo de Camargo Lima
Arte e Vida de mãos dadas: Percepção e Criação em Fluxus
Resumo:Em 1952, John Cage apresentou sua composição musical 4’33” na qual, durante o intervalo temporal que intitula a obra, ao silêncio do intérprete somaram-se barulhos ocasionais do público na sala de audição. Seu autor declarou “tout est musique” acolhendo o acaso e participação da platéia como elementos construtivos em sua produção.
Atraídos pela chamada ‘nova música’ de Cage, seus jovens alunos da Black Mountain College e New School for Social Research, ambas em Nova Iorque, levaram sua premissa para a Arte. Numa explosão de criatividade, somaram Vida à Arte acreditando que todo ato cotidiano poderia ser considerado artístico ampliando sensibilidades consideravelmente. Reunidos nesta convicção, artistas, escritores, musicistas, dançarinos, cineastas entre outros, formaram o movimento Fluxus sob a ‘batuta’ do lituano George Maciunas. Assim, no início dos anos de 1960, num processo criativo coletivo e democrático (propunham que qualquer pessoa poderia, desenvolvendo suas atividades diárias, ser artista) e contrário àquele presente nas instituições designadas legitimadoras da arte como os museus e o mercado, os Fluxartistas experimentaram um processo criativo aberto e acessível, impregnado de humor e atividades lúdicas incluindo a participação do público como elemento artístico.
Deste modo durante os anos de 1960 e 1970 principalmente, uma explosão libertadora Fluxus – defensora da não-arte, herdeira do futurismo italiano, dadaísmo, zen budismo e música experimental – deslocou balizas antes dadas como fixas, desmaterializando o objeto de arte por meio de hibridizações de linguagens e sentidos enquanto questionava o local da arte. Em festivais ocorridos em lugares inusitados e numa estética desamarrada de padrões, reforçavam arte e vida como instâncias indissociáveis.
Nossa comunicação abordará algumas dessas escolhas por meio de obras Fluxus nas quais transparecem elementos abertos e fluídos misturados à cooperação poética (e política) casada à percepção resultando em novas configurações e deslocamentos que posteriormente se tornaram intrínsecos à Arte.
Lilian Monaro Engelmann Coelho
Sandro Leite
Música-Imagem: estudo sobre a potência clínica da arte
Resumo:O uso da instalação como recurso potencializador de estados perceptivos alia-se a uma idéia bastante difundida no Romantismo e que ganhou força na arte contemporânea: a relação entre as artes e o processo de sinestesia. Na clínica, apresenta-se como importante ferramenta de trabalho ao aproximar o sujeito da criação; idéia esta que perpassou o percurso artístico (da arte à clinica) da artista plástica Lygia Clark, personalidade cujas idéias ajuda a fundamentar o presente estudo. A partir de uma breve experienciação a ser realizada com a platéia e que relaciona música e imagem (a partir da idéia de instalação), pretende-se desenvolver uma reflexão acerca da potência clínica da arte ao valorizar o processo de sensibilização como princípio para o desencadeamento de estados de transformação do sujeito.

2a SESSÃO - EIXO V - INQUIETAÇÕES

MESA S - OS SENTIDOS FAZEM SENTIDO?

Daniela Nery Bracchi
Contribuições da psicologia da percepção para uma análise
sobre a construção do sentido visual na fotografia
Resumo:Através da análise de quatro fotografias produzidas pelo fotógrafo Ansel Adams, selecionadas como exemplares do emprego de leis perceptivas na produção do sentido visual, pretendo expor o modo como a organização perceptual ajuda a configurar a mensagem visual e, desse modo, propor novas relações entre representação e percepção visuais.
Maira Allucham da Silva Goulart Naves
André Luís Masiero
A produção de sentidos na arte fotográfica de Evgen Bavcar
Resumo:A fotografia é uma arte visual calcada em um espaço representacional de um recorte da realidade. Por outro lado, o fotógrafo esloveno Evgen Bavcar (cego por volta dos 12 anos de idade), possibilita pensarmos a fotografia como uma construção por vias do discurso, articulando significados e sentidos em uma imagem alimentada por outra visibilidade, a qual é ligada a desejos que constituem um caráter interpretativo da imagem. Assim, a fotografia transcende o registro científico e/ou mecânico de movimentos. A arte fotográfica de Evgen Bavcar é circunscrita por um “terceiro olho”, o qual vincula a representação, imaginação e produção de sentido à uma arte do (in) visível.
Maria Cecília do Amaral Campos de Barros Santiago
Caixa de Pandora: Uma diálogo entre a experiência estética e os portadores de baixa-visão
Resumo:O trabalho aqui apresentado compreende a arte como linguagem que pode contribuir para o diálogo com os portadores de baixa-visão,provocando neles o encontro sensível com a experiência estética,levando-os a refletir sobre suas possibilidades em superar obstáculos.Ao serem tratados como cegos os portadores de baixa-visão ficam impedidos de desenvolver seu resíduo visual,vivendo um ajustamento pouco harmonioso,conseqüência de sentimentos conflitantes que experimentam, tais como: ansiedade,frustações,medos que acarretam aspectos limitadores em suas funções cognitivas.A abordagem da referida pesquisa é qualitativa pelo estudo de caso que prioriza a necessidade de educadores e psicólogos de pensar as possibilidades e habilidades dos portadores de baixa-visão,tendo a arte como elemento auxiliador do seu trabalho de conhecimento e de reaproxima-los a vida.
Lídice Cassis
Ana Alice Francisquetti
Avaliação da imagem mental em crianças portadoras de Paralisia Cerebral através da história de “Alice no País das Maravilhas”
Resumo:Este artigo relata a experiência de contar a história de “Alice no País das Maravilhas” para crianças portadoras de Paralisia Cerebral, cujo objetivo é avaliar a representação da imagem mental através de desenhos feitos em cada sessão. A história foi dividida e contada com objetos concretos, resultando também na avaliação do grafismo infantil e aos estudos de Piaget sobre a imagem mental, observando-se o desenvolvimento global dessas crianças.

2a SESSÃO - EIXO VI - PROCESSOS

MESA G - ARTE E CULTURA POPULAR

Mara Salgado
Kety Valéria Simões Franciscatti
Contraponto entre arte, artesanato e trabalho: a falsa diferenciação e a atrofia da fantasia
Resumo:Discorre-se, com base na Teoria Crítica, sobre a formação cultural tendo como foco de análise o ofício do artesão na aproximação e diferença com a arte e as exigências do mundo do trabalho. Os resultados indicam que hoje o que se manifesta como formação cultural sustenta-se na pseudoformação socializada, onde o homem com seu espírito alienado não encontra meios para a resistência à dominação, possível com a expressão de sua subjetividade por meio do exercício da fantasia. Talvez a promessa da arte em reconciliar o princípio do prazer e o princípio da realidade, seja o que aproximou o artista e o antigo artesão, aos poucos separados pela rendição à realidade, ambos oprimidos pelos obstáculos à individuação acenam da arena, impotentes diante das imposições da produtividade.
Aureliano Lopes da Silva Junior
O trickster e o palhaço: a permanência da transgressão
Resumo:O presente trabalho pretende estudar a figura mítica do trickster aproximando-a da figura do palhaço (ou clown). O trickster esteve inicialmente relacionado ao ciclo do herói de tribos indígenas norte-americanas, porém, adquiriu uma maior abrangência e este nome passou a ser aplicado a diversos personagens da cultura mundial. Estes apresentam como traço comum o fato de serem astutos, trapaceiros, anarquistas, questionadores e perturbadores de uma ordem social instaurada. O palhaço se encaixa neste padrão e, visto se encontrar inserido em diferentes locais da sociedade – como o teatro, a rua, a escola, hospitais, entre outros –, pensamos ser relevante a análise de sua permanência à luz de estudos que contemplam o mito e os arquétipos, como os levados a cabo por Campbell, Eliade e Jung.
Kátia Maria Roberto de Oliveira Kodama
Folia de Reis: manifestação psico-social e estética da cultura subalterna brasileira
Resumo:As manifestações artísticas dos pertencentes às culturas subalternas guardam tradições que se articulam com a estrutura psico-social das populações e fundamentam o conceito de cultura nacional. Portanto fez-se estudos sobre o folguedo Folia de Reis, em Ourinhos/SP e cidades vizinhas, assim como uma análise das produções plásticas do acervo do “Museu de Arte Primitiva de Assis Nazareno Mimessi”. Observaram-se as características estéticas, simbólicas, os processos de assimilação e acomodação de novas informações.
As festas e as artes iconográficas perpetuam as tradições no cotidiano das comunidades da região . Estas manifestações são fonte de conhecimento para avaliar como se constituem, sobrevivem, processam e recriam-se as formas comunicacionais e estéticas representantes da cultura do Brasil.
Claudemir Gimenez
Vania Ramos
Sylvia Regina P. Louzada Badue
Expressões Culturais Tradicionais: Proposta para a Preservação do Folclore
Resumo:As Expressões Culturais Tradicionais, tradicionalmente conhecidas como folclore consideram a orientação de um grupo para a criação baseada na tradição refletindo as expectativas de uma comunidade como uma expressão adequada de sua identidade cultural e social, cujos padrões são transmitidos oralmente, por imitação ou outro meio. Suas formas incluem, entre outras, arquitetura, arte, dança, jogos, língua, literatura, mitologia, música, rituais, etc. O trabalho pretende: a) apresentar os resultados de uma pesquisa sobre alguns países (exemplo: Austrália) com experiência na preservação de seu folclore; b) propor um modelo brasileiro de preservação do folclore.

3a SESSÃO - EIXO 1 - LINGUAGENS


A LEITURA DA OBRA LITERÁRIA

Gabriel Cid de Garcia
A primordialidade da sensação e as componentes poéticas da existência
Resumo:A teoria da intelectualização das sensações, tal qual exposta por Fernando Pessoa e enfatizada por José Gil, é uma tentativa de se evidenciar quão tributárias da sensibilidade são as nossas experiências e seus efeitos, a partir de conceitos provenientes da reflexão acerca da arte. A possibilidade, na poesia, de se vivenciar estados de alma que não se tem, propiciaria uma compreensão das emoções levando em conta uma atuante componente intelectual de despersonalização. Dada esta hipótese, atrelada ao método de dramatização pensado por Gilles Deleuze, a expressão artística poderia ser tomada em sua dispersão impessoal, inconsciente, sem remissão à identidade que a representa, tensionando a fronteira entre o subjetivo e o objetivo.
Sávio Passafaro Peres
Marina Massimi
O singular e o universal na obra de Machado de Assis
Resumo:O objetivo deste trabalho consiste em compreender as concepções presentes na obra de Machado de Assis que dizem respeito à relação entre psique e comportamento. Para isso, selecionamos alguns contos, romances ou fragmentos de sua obra que se referem ao tema. Consideramos três diferentes níveis em que as idéias se encontram presentes na obra: nas descrições de estados subjetivos das personagens; nas exposições feitas pelos narradores e personagens acerca de motivos psicológicos; na estrutura da trama. Como resultado, podemos observar como a literatura pode revelar, com grande precisão, a complexa dinâmica homem- mundo.
Tania Souza Emídio
Renata Nicizak Villela
Tatiana Machado Silva
“A terceira margem do rio”: uma visão psicanalítica do conto de Guimarães Rosa
Resumo:“A terceira margem do rio” traz uma temática universalista, constante na obra de Guimarães Rosa, fundamentando questões ligadas ao humano, presentes em diferentes meios sócio-culturais, e seus personagens são marcados por uma sina a cumprir ou a herdar. Este trabalho não tem como objetivo abranger todas as interpretações conhecidas, mas sim, a partir de uma abordagem psicanalítica, dar atenção a temas como transmissão psíquica, segredos de família, não-ditos, melancolia, culpa e silêncio, todos, passíveis de serem trabalhados no texto. E, assim, chegar a uma leitura da dinâmica das relações familiares. Ao longo da exposição, estabelecemos uma aproximação entre literatura e psicanálise por acreditarmos que ambas fazem uma leitura do humano. Ao longo da pesquisa, percebemos que a análise de uma obra de arte contribui para a prática clínica, pois pudemos observar nos personagens a presença de conceitos e, em grupo, discutir a teoria psicanalítica.

3a SESSÃO - EIXO II - SUBJETIVIDADES

MESA I - ARTE, GÊNERO E SEXUALIDADE

Flávia Fernandes de Carvalhaes
Marcio Alessandro Neman do Nascimento
Do Barroco à cultura contemporânea: análise comparativa de imagens da sexualidade velada na obra de Caravaggio às expressões existenciais na atualidade.
Resumo:A sexualidade se constrói a partir de dispositivos históricos e, nesse sentido, esse trabalho se propõe a analisar a expressão da sexualidade andrógina na arte, mais especificamente nas obras do pintor Caravaggio, presentes no período Barroco, e, nas diversas vestimentas que compõem o mundo da moda na atualidade. O visual andrógino é ambíguo, uma vez que permite o transito entre o que é considerado como sendo, por exemplo, vestimentas masculinas e femininas, demarcando uma sexualidade que não se encaixa no paradigma do binário sexual. A Androginia nega a idéia de um sexo verdadeiro, nega a real verdade do corpo, constrói um corpo estranho e camaleônico. Portanto, o objetivo desse trabalho é refletir sobre quais as condições históricas e culturais que dimensionam a androginia como um dispositivo histórico de poder e resistência e qual a função da arte andrógena no mundo contemporâneo.
Maria Julia Stella Martins
A utilização de processos artísticos como recursos para
a interação junto às profissionais do sexo
Resumo:Este trabalho é o resultado de intervenções feitas pelo grupo de Pesquisa e Extensão em Trabalho Sexual da UFSCar.
As intervenções junto as profissionais do sexo de uma casa noturna de São Carlos objetivaram a vivência da experiência artística-terapeutica, tomando como principal referência a obra de Lygia Clark. Diversos recursos artísticos e corporais foram utilizados: a dramatização, a prática do yoga, da massagem, da dança, a observação de obras de artistas plásticos, em que estão representadas mulheres e em muitas destas representações, a mulher prostituta. Também foram apresentadas imagens arqueológicas de templos hindus em que as posições do ato sexual são esculpidas nas paredes e de Deusas-Prostitutas presentes em algumas culturas da Antiguidade. Estes exercícios de observação geraram experimentações corporais, com e sem “objetos relacionais” e debates sobre diversos temas relacionados ao trabalho sexual e a condição da mulher. Dessa forma, buscou-se fortalecer a identidade cultural do grupo possibilitando a percepção do trabalho sexual em diversas épocas e contextos.
Alessandra Monachesi Ribeiro
O grotesco o estranho e a feminilidade na obra de Cindy Sherman
Resumo:Através do acompanhamento do trabalho de uma artista plástica contemporânea - Cindy Sherman - aproximo-me da discussão acerca do feminino em suas aproximação com o grotesco e o estranho, tal qual conceituado pela psicanálise. Diferentemente do que se sugere por um certo enfoque da crítica sobre a obra da artista, ela aponta para a feminilidade como aquilo que escapa à castração e, consequentemente, à lógica fálica, não podendo ser reduzida à mesma. Seguindo seu trajeto, nos defrontamos com a possibilidade de que, se é do feminino que a artista trata, o faz ao apontá-lo em uma região de borda, para além da idéia de desmascaramento e de castração como lugar último da mulher. Com isso, aponta um viés instigante para a psicanálise pensar sobre a feminilidade.
Thassia Souza Emidio
Maria Luisa Louro de Castro Valente
Picasso, feminino e arte moderna - A representação do feminino em alguns quadros de Pablo Picasso
Resumo:Este trabalho tem a proposta de refletir sobre a representação do feminino nas pinturas de Pablo Picasso. A partir da teoria de gênero e sexualidade, e utilizando dos recurso da Psicanálise, pretendemos pensar a representação do feminino na pintura moderna e relacionar assim, a posição que este ocupa na sociedade, uma vez que as representações artísticas refletem, além do inconsciente do autor e a sua visão, a realidade da época.

3a SESSÃO - EIXO III - PRÁTICAS

MESA L - TRATA-SE DE ARTE? (INTERMEDIAÇÕES)

Kátia Hardt
Maíra Bonafé Sei
Conscientização dos ritmos internos através de recursos artísticos
Resumo:Percebe-se, no contexto atual, um desrespeitar constante dos ritmos internos, que resultam numa dissociação mente-corpo e no adoecimento. Com isso, buscou-se desenvolver um trabalho com alunos, entre 16 e 19 anos, de uma escola pública do interior paulista. Objetivava-se a observação e conscientização da influência do ritmo nas relações, tanto no campo ambiental como emocional, proporcionadas pela utilização da linguagem artística. Percebeu-se que a transformação dos padrões rítmicos, através do trabalho com arte, pôde proporcionar mudanças nos jovens, principalmente nos momentos de conflito, propiciando melhor qualidade de vida aos mesmos e configurando-se como uma experiência a ser repetida, aprimorada e aplicada com outras populações em contextos de promoção de saúde.
Luciane Maria Schlindwein
Maria Luiza Passos Soares
Estética e Educação: construindo significados
e sentidos a partir de vivências
Resumo:Neste trabalho investigamos os significados, os sentidos, a sensibilidade estética de um grupo de doze professoras da educação básica. Trata-se de uma pesquisa longitudinal, efetivada entre 2004 e 2006, totalizando seis semestres letivos. Foram realizados encontros quinzenais, nos quais as professoras envolvidas puderam vivenciar experiências estéticas no âmbito das artes visuais, da literatura e da música. Estas vivências intencionaram, por um lado, a tomada de consciência do sensível, ou seja, do olhar, do ouvir, do sentir e, por outro, e, concomitantemente, a elaboração conceitual. Todos os encontros foram videogravados, transcritos e analisados na perspectiva da psicologia histórico-cultural, especialmente dos estudos de Vigotski e Bahktin. Os resultados aqui discutidos centram-se nos encontros cujos focos foram a literatura e a música.
Mauro Lana Vieira
Oficina de criatividade com pacientes e acompanhantes na sala de espera do ambulatório de oncologia: em busca de ganhos com a troca de vivências
Resumo: Os paradigmas do diagnóstico de câncer em sua maioria vêm como um prelúdio para a morte e interrupção da linguagem durante o tratamento. A realização de grupos com pacientes e acompanhantes em sala de espera, com a utilização da arte como recurso expressivo, proporcionou uma nova maneira de abordarmos esta questão, na troca de experiências entre os participantes e identificação com a dificuldade do outro, que ao compartilhar no grupo, permitiu despertar no ouvinte um “olhar” diferenciado, de cuidador. A exteriorização dos sentimentos e o “estar-com-outro” os remete a (re)ver os significados atribuídos à doença, vida e morte. Esta (re)significação faz com que este momento terapêutico se torne propício para modificações no momento em que a morte e as questões existenciais básicas estão em pauta.
Patrícia Pinna Bernardo
Mithohermenêutica e recursos artísticos – fundamentos, alcance e aplicação dos diferentes recursos artísticos nos campos terapêutico, preventivo e pedagógico
Resumo:Esse trabalho, baseado em minhas pesquisas de doutorado (IPUSP) e Pós-doutorado (FEUSP), apresenta como a perspectiva mithohermenêutica, em sua interface com a Psicologia Analítica, pode embasar teoricamente a utilização de diferentes recursos artísticos nos campos terapêutico, preventivo e pedagógico, elucidando o seu alcance e possibilidades de aplicação. Tecendo pontes entre a nossa história de vida e a trama coletiva na qual ela está inserida, nos religamos ao solo ancestral que sustenta a nossa caminhada pela via simbólica, favorecendo o trabalho sobre nossa mitologia pessoal. Nos processos de criação, o fio que liga a consciência à dimensão inconsciente é afrouxado, sendo passível de ser tocado. A vibração decorrente desse toque promove o tremor do ser, presentificando cosmogonias possíveis e nos convidando a dançar...

3a SESSÃO - EIXO IV - TEORIAS

MESA F - ARTE, FILOSOFIA E PSICANÁLISE

Sandra Faria de Resende
Kety Valéria Simões Franciscatti
Morte e Vida nos Contos de Clarice Lispector: reflexões sobre as potencialidades da literatura e os limites da formação cultural
Resumo:Objetiva-se, por meio da Teoria Crítica e da obra em contos de Clarice Lispector, refletir sobre as possibilidades de individuação na articulação com o que a literatura, em sua negatividade, possa desvelar dos impedimentos objetivos e subjetivos à formação cultural. Toma-se como foco de análise o entrelaçamento vida e morte, e o quanto este contraste pode revelar uma vida que não é adquirida quando se nasce, mas sim, quando esta se realiza. Os contos selecionados retratam, direta ou indiretamente, tanto a morte biológica quanto as exigências da morte-em-vida impostas por uma ordem social opressora e podem revelar indícios para a elaboração do medo da morte, seja como destruição física e/ou como enrijecimento resultante de uma existência circunscrita à esfera da sobrevivência.
Maria de Lourdes Manzini Covre
 
Clarice Lispector:relações paradoxais do ser humano mulher
Resumo:Faz-se uma reflexão sobre o possível envolvimento entre arte e ciência, tangenciando-se aspectos da literatura de Clarice Lispector. Sentimos no pano literário de fundo de Clarice a sinalização de somos o outro( Simone Beauvoir). Clarice desenrola esse paradoxo angustiante –de como ser o outro e sermos nós mesmas– com tamanha beleza, ao mesmo tempo fazendo-nos re-sentir em seus passos a evocação dos rastros do conceitual da Psicanálise, o Inconsciente, o Masculino e o Feminino(Winnicott) etc Seria a arte, de uma forma sentida, evocando esse cabedal filosófico/científico transfigurado de achar os rumos, nos fazer sentir/refletir sobre os caminhos paradoxais do ser humano mulher? Apenas como rastros, o paradoxo acima, que poderia também ser pensado como ser e não ser, está ali em O amor (Laços de família), no estar tranqüila, segura, infeliz, mas, sob a incógnita emergência do perigo de ser "enlouquecida", feliz, com a mais "ruim" vontade de viver.
Nivaldo Alexandre de Freitas
 
Apontamentos sobre mímesis em Adorno e Benjamin
Resumo:A comunicação visa abordar o conceito de mímesis em alguns textos de Theodor Adorno e Walter Benjamin, focando principalmente a relação entre mímesis e linguagem, relação esta que talvez permita pensar o estabelecimento da noção de temporalidade no contato entre obra e receptor. Nessa reflexão teórica, a psicanálise possui importância para ambos os autores, já que alguns conceitos freudianos se tornaram importantes para se pensar a arte em seu aspecto pulsional. Pretende-se, ainda, expor como Adorno e Benjamin operam o conceito de mímesis no interior do debate estético da primeira metade do século XX e perguntar pela importância do mesmo no debate estético da atualidade.
Daniela Pinotti Maluf
 
Maurice Merleau-Ponty e Lygia Clark: uma costura
Resumo:Este trabalho tem como objetivo encontrar pontos de ligação entre a obra filosófica de Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) e a obra plástica de Lygia Clark (1920-1988), ressaltando a “empatia” entre os pressupostos teóricos de um e as obras de outro. Para tanto utilizo-me da metodologia fenomenológica, que propõe que devemos “ir às coisas mesmas”, valorizando uma visão particularizada. Traço, portanto, um caminho que aproxima as obras de Merleau-Ponty e de Clark, a fim de perceber o modo e o como elas poderiam se entrelaçar, enfatizando dois pontos de ligação: a obra em processo; no qual apresento a importância do fazer e do processo como modo de ser da obra, e a questão sujeito-objeto; na qual a obra plástica se dissolve e evidencia-se o papel do participante, além de abordar a noção de corpo elaborada por Merleau-Ponty a partir do pensamento fenomenológico.

3a SESSÃO - EIXO V - INQUIETAÇÕES

MESA V - O ESTRANHO

Jaquelina Maria Imbrizi
Angela Aparecida Capozzolo
Alexandre de Oliveira Henz
Sidney José Casetto
 
Cinema e Saúde - Ciclo Almodóvar
Resumo: Esta comunicação apresenta o projeto Cinema e Saúde que, em sua primeira etapa, projeta alguns filmes do diretor Pedro Almodóvar – escolhido porque sua obra oferece elementos para resistir à padronização que permeia o cinema contemporâneo. Não se trata aqui de fazer a distinção entre o cinema de arte e o comercial, posto que Almodóvar trafega nesses espaços considerados dicotômicos e, mais que isto, oferece imagens, idéias e personagens que quebram preconceitos. A hipótese é que o cinema deste diretor problematiza as noções de original, autêntico, falso, verdadeiro e belo. Nesse sentido, um dos objetivos do projeto é, por meio da linguagem cinematográfica, ampliar concepções sobre o processo saúde/doença/cuidado e ultrapassar dicotomias morais e estéticas relativas ao sofrimento e suas condições sociais de emergência.
Sofia Dionizio Santos
 
A evocação do fantasiar adulto através da literatura fantástica
Resumo:O estudo surge do interesse pelo envolvimento do ser humano com a literatura, em suas formas oral ou escrita. A literatura fantástica, mais do que qualquer outro gênero, é capaz de provocar um estranhamento superado apenas pela contraditória sensação de reconhecimento que atravessa o leitor do texto. A pós-modernidade, impondo um ritmo acelerado e descontínuo no relacionamento dos homens entre si e dos homens com suas produções, afeta a forma como a literatura fantástica é apropriada entre seus leitores. Através de pesquisa, objetivamos aprofundar o entendimento sobre os processos psíquicos envolvidos no contato dos adultos com a literatura fantástica. O método psicanalítico delineia a interpretação dos dados.
Laura Moneta
Jimena García Menéndez
 
Humor, surrealismo e absurdo na obra da Alejandra Pizarnik
Resumo:A intenção do trabalho é analisar textos da autora argentina Alejandra Pizarnik vinculados à estética surrealista do humor. Assim, partimos de considerações teóricas para diferenciar o cômico do humor, tentando estabelecer as especificidades deste último. A distinção entre comicidade e humor foi um tema que preocupou enormemente aos românticos. Grande parte das reflexões sobre o humor surgiu neste período e resultou referência obrigatória para estudos posteriores, que proliferaram no começo do século XX. Portanto, o texto abordará, primeiramente, o estudo de autores românticos, para chegar às maiores teorizações sobre o tema do começo do século XX (Bergson, Freud, Pirandello) e acabar no humor absurdo e no humor negro surrealista. O diálogo entre as abordagens psicológicas, filosóficas e literárias permite o redimensionamento dos textos de Pizarnik dentro das tendências mais importantes da arte moderna.
Lucia Reily
 
Soldados mutilados na história da arte: reflexões sobre
a representação da deficiência à luz da psicologia social
Resumo: A deficiência é representada na História da Arte por artistas de todas as épocas com as mais variadas intenções: transmissão visual de narrativas, ensino moralizante, expurgo do mal, meio de reivindicar direitos, crítica social, ou até o simples registro de uma condição. Mapeamos em estudo recente centenas de obras de arte que retratam a deficiência; neste estudo, buscamos investigar as representações de soldados que se tornaram deficientes por ferimentos em campo de batalha. Na condição de herói que se sacrificou pelos seus compatriotas, o soldado deficiente ocupa um lugar social polissêmico. Como o artista retrata a ambivalência dos múltiplos papéis do soldado, que passou de defensor a indefeso? Com base na psicologia social, o estudo discute representações sociais dinâmicas e mutantes.

3a SESSÃO - EIXO VI - PROCESSOS

MESA T - ENSINAR, TRANSMITIR, APRENDER

Leda Maria Codeço Barone
Beatriz Scoz
 
Através das vidraças da escola, vi uma cousa soberba
Resumo:No célebre Conto de Escola, Machado de Assis tece, com a finura e a ironia que lhe são peculiares, crítica à escola. O aluno narrador, Pilar, confessa seu desinteresse pela escola e seu desejo de brincar e vagar pelas ruas do Rio de Janeiro à procura de aventuras. Porém premido por castigos, do pai e do professor, acaba dirigindo-se à escola mais por obrigação do que por prazer. Aluno inteligente e capaz termina suas lições com rapidez o que lhe deixa um tempo ocioso em que arde por estar lá fora.
Embora a escola hoje não seja a mesma retratada no conto de Machado, ela ainda está longe de valorizar o gosto pela aprendizagem. Sejamos francos: a escola está em crise e aprender está em baixa.
A leitura do conto de Machado de Assis vai nos servir para discutir duas questões importantes e entrelaçadas: o desejo de aprender e as produções de sentidos do aprender para professores e alunos.
Eda Maria de Oliveira Henriques
 
Textos literários e a (re)leitura de sentidos sobre a formação do professor
Resumo:O presente trabalho pretende abordar a importância do uso do texto literário em uma turma de Licenciatura da Universidade Federal Fluminense como veículo de (re)leitura de sentidos sobre processo de formação do professor e processos envolvidos nas relações do ensinar e do aprender. Para isso será realizado uma análise do relato de alunos desta turma, oriundos de diversos cursos, a partir da leitura e discussão do conto O Retrato Oval de Edgar Allan Poe. A possibilidade de estabelecer relações entre a temática do conto e as experiências do contexto escolar viabiliza um canal de expressão capaz de afetar o leitor emocional e cognitivamente, oferecendo novas oportunidades de análise de tais experiências. Para isso serão utilizados a concepção de leitura e análise subjetiva estética nomeada crítica de leitor por Vygotsky e suas contribuições sobre a relação entre o pensamento e a palavra.
Regina Machado de Araújo
 
Linguagens da Artes – O caminho para a intervenção consciente
Resumo:Os pesquisadores em Educação refletiram durante muito tempo sobre “qual o melhor método de ensino?”, concluindo que não é o professor que ensina, mas o aluno que aprende. Homens como Piaget, Vygotsky e Wallon desenvolveram seus estudos para responder “como o indivíduo aprende?”.
Considerando estes estudos e a pesquisa de Carl C. Jung sobre os tipos psicológicos, o processo de aprendizagem é uma experiência impar, construída sobre uma base que recebe influências diversas. Neste contexto, nossa proposta é refletir de que forma o Educador, utilizando-se das ferramentas das diferentes linguagens artísticas como expressão mais inconsciente e espontânea, pode planejar com antecedência sua intervenção no processo de aprendizagem.
Paulo da Silva Quadros
 
Princípios da mediação estética na decodificação de
significados com valores estéticos e pedagógicos
Resumo:O objetivo deste trabalho é levantar algumas questões expostas pela arte contemporânea em diversos suportes e mídias. Percebe-se, muitas vezes, uma consonância entre valores e significados elaborados por artistas de diferentes mídias. Notadamente, os produtos audiovisuais e fonográficos têm um grande papel de influência em nossa sociedade, atualmente. No entanto, a discussão de como eles refletem uma visão de mundo com fundo pedagógico na formação educacional ainda é uma questão muito incipiente, que requer olhares interpretativos mais atentos. Neste trabalho, o autor pretende ilustrar como alguns produtos culturais contemplam significados, nem sempre a princípio claramente identificáveis, os quais contribuem para se ter uma visão de mundo a partir da inter-relação entre pensamento crítico, sentimento estético e fundo pedagógico para a vida em sociedade.

4a SESSÃO - EIXO I - LINGUAGENS

MESA E - A PALAVRA DA DANÇA

Fernando Martins Neto
Edson Olivari de Castro
 
Pas de deux: do corpo exilado ao corpo que dança
Resumo:Partindo dos estudos da histeria como "dança catártica primordial", pretende-se recuperar o lugar do eu e do corpo diante da estranheza que acomete o sujeito e se manifesta no corpo, uma vez que sintoma e corpo são a expressão máxima do Real. Esta experiência de manifestação corporal desprovida de sentido, é entendida como alienação da imagem do próprio corpo, dificuldade de habitá-lo, o que leva o sujeito a perder a noção de leveza que alivia o peso da existência e a capacidade do corpo de porvir no tempo e espaço, transitar entre desamparo e a angústia. É no reflexo de seu corpo sublimado que o sujeito que dança acede a um lugar de alteridade na relação com o Outro.
Márcia Bozon de Campos
 
Recordar, repetir, criar: intensidades pulsionais na obra de Pina Bausch
Resumo:A dança-teatro da Pina Bausch expõe o corpo simultaneamente como origem do estímulo e veículo de expressão das pulsões, portador da sexualidade infantil, perversa e polimorfa, atravessado pela fantasia, carregado de memória e de linguagem. Em seus espetáculos o movimento ganha estatuto de palavra, passando a ser utilizado em seu potencial de comunicação, conferindo às imagens sensoriais a capacidade de gerar significados. A narrativa fragmentada convida à construção de múltiplos sentidos, estabelecendo com o espectador uma comunicação “corpo a corpo” que o afetará em sua subjetividade, transpondo a experiência estética à esfera do simbólico.
Sandra Marques
 
A Dança do Ventre como Instrumento de Reconstrução da Imagem Corporal em Mulheres Obesas
Resumo:Este trabalho foi resultado da parceria entre o departamento de Nutrologia da Escola Paulista de Medicina e o Núcleo de Extensão e Qualidade de Vida da Universidade São Marcos. A proposta teve como objetivo prestar atendimento a grupos de mulheres obesas através de um trabalho estruturado no corpo. Partiu-se do pressuposto de que a mulher obesa não tem de si e do corpo a experiência de unidade, apresentando uma perda significativa da imagem corporal feminina. Como método foram utilizados os conceitos básicos de movimentos da dança do ventre, bem como a utilização do material gráfico projetivo. Cada grupo de mulheres foi acompanhado ao longo de doze encontros e como resultado foram observadas mudanças em relação à ampliação da auto-imagem feminina e percepção corporal também verificadas através do material gráfico. Como iniciativa desenvolvida na promoção de saúde por organizações este trabalho recebeu o Prêmio Racine 2005.
Carolina de Carvalho Ramos
Edson Fernandes
 
Dança contemporânea: uma estratégia de promoção de saúde mental

Resumo:Este é um projeto de parceria entre psicóloga do serviço de saúde e bailarino de dança contemporânea com apoio da Secretaria da Cultura e da Saúde do município de Serrana-SP, que tem como intuito a inclusão sócio-cultural, transformação e desenvolvimento do potencial humano. Através da associação de recursos criativos da arte aos da psicologia, o projeto proporciona espaço para expressão simbólica do universo inconsciente favorecendo o desenvolvimento da potencialidade integral, da autonomia, a ampliação da consciência do indivíduo sobre a sua própria realidade e um direcionamento construtivo da energia vital no corpo. São oferecidos encontros de dança contemporânea gratuitos, semanalmente, a jovens, adultos e idosos da comunidade, sendo que muitos participantes são portadores de algum transtorno psíquicos.


4a SESSÃO - EIXO II - SUBJETIVIDADES

MESA Y - VOZES DA INFÂNCIA

Renata Monteiro Buelau
Elizabeth M. F. de Araújo Lima
Érika Alvarez Inforsato
 
Ação e Criação no Mundo: experiências estéticas em um acompanhamento de Terapia Ocupacional
Resumo: Através de um atendimento de Terapia Ocupacional, utilizando o dispositivo do Acompanhamento Terapêutico, buscamos abrir espaços para vivências da criatividade e de experiências estéticas na vida de uma criança em situação de risco pessoal e desvantagem social, ajudando-a a instaurar uma processualidade na vida e a transitar de forma mais saudável pela realidade compartilhada. A arte, o gesto, a metáfora e o brincar se configuraram, nesta experiência, como formas de possibilitar a inserção de sua singularidade no mundo, abrindo portas para uma outra forma de viver, mais rica e colorida, onde experiências, sensações e sentimentos podem ser compartilhados.
Ana Gabriela Leirias
 
Identicidades: Imagens produzidas por jovens. Um convite ao pensar-se
Resumo:O trabalho apresenta o percurso de uma oficina de fotografia realizada com jovens da cidade de São Paulo que resultou na exposição “Identicidades”. A fotografia é tratada como um instrumento de reflexão que possibilita a construção de um olhar, cujas imagens produzidas revelam um pensar sobre si, sobre o cotidiano e sobre a relação com a cidade.
No desenvolvimento do curso de fotografia trabalhamos, não apenas quatro temas, mas quatro escalas de abordagem que se ampliam sucessivamente. Parte-se da escala mais próxima do corpo, referencial para a percepção no/do espaço, a seguir o espaço da casa, expandindo para o bairro até a escala mais ampla da cidade. Este trajeto possibilitou ao jovem a apropriação de uma linguagem expressiva e a construção um discurso (um pensar) sobre como ele se insere e quais a relações que estabelece com seu entorno e com a cidade.
Marina Marcondes Machado
 
Fenomenologia da personagem criança
Resumo:Este trabalho desdobra a pesquisa de mestrado da autora em torno da “representação” da personagem criança. Seu mestrado, agora publicado em livro, intitulado Cacos de infância/ teatro da solidão compartilhada, trabalhou junto a uma atriz e dois músicos maneiras de representação do modo de ser da criança, na linguagem do teatro. A autora defende a necessidade de desenvolvimento de pesquisas sobre como representar a infância longe dos estereótipos e perto da criança mesma; para tal, o ator deve trabalhar em um tripé bachelardiano que envolve memória, imaginação e poesia bem como compreender as noções de infância propostas por Merleau-Ponty em seus cursos na Sorbonne sobre psicologia e pedagogia.
Maíra Bonafé Sei
Isabel Cristina Gomes
 
Arte e famílias: o uso de recursos artísticos na violência familiar (FAPESP)
Resumo:A violência familiar traz conseqüências para membros envolvidos e sociedade em geral e intervenções junto ao grupo familiar, que visem minorar o sofrimento da família, se fazem necessárias. Assim, esta pesquisa busca explorar o uso dos recursos artísticos como estratégia de intervenção no atendimento de famílias. Através da linguagem artística, oferece-se meios para que a expressão da criança seja valorizada, com a contribuição desta tendo igual importância que a dos demais participantes. Além disso, percebe-se, que tais recursos se mostram como um rico instrumento, revelando aspectos e conteúdos não aparentes de outra maneira. De forma geral, facilitam o processo terapêutico da família, ao diminuir as dificuldades existentes em tal tipo de intervenção e ampliar a compreensão do grupo familiar.

4a SESSÃO - EIXO III - PRÁTICAS

MESA X - TRÂNSITO DO SENSÍVEL

Sidney José Casetto
Alexandre de Oliveira Henz
Jaquelina Maria Imbrizi
Angela Aparecida Capozzolo
 
Laboratório de Sensibilidades/Clube dos Saberes
Resumo:O laboratório busca oferecer – aos alunos e à comunidade – contato com obras/reproduções de artes plásticas, literatura e música de diferentes âmbitos da cultura e universos simbólicos. Trata-se de um espaço aberto para a realização de atividades com materiais de modelagem, pintura, som, fotografia, filmagem, etc. Esse espaço também é utilizado para o Clube dos Saberes que consiste em uma rede de intercâmbio de conhecimentos e práticas de alunos, professores, funcionários e comunidade, independente de status social, acadêmico e posição institucional. O objetivo do projeto é colocar em prática uma perspectiva ético-estética que valorize coletivos e singularidades. Serão analisadas, nesta apresentação, as atividades desenvolvidas neste semestre no laboratório e no Clube dos Saberes.
Raquel Carneiro Amin
 
Lygia Clark: no presente-agora do ato.
Um estudo sobre o fazer, a Gestalt e a Arteterapia
Resumo:O presente estudo intenciona estudar o trabalho terapêutico da artista plástica brasileira Lygia Clark, focalizando uma etapa específica de sua produção plástica, nos idos da década de 70: os chamados “objetos relacionais”. Objetos que envolviam o receptor, convidando-o à prática de uma experiência corporal - condição de realização da própria obra - que acabava por trazer à tona conteúdos latentes do seu inconsciente, com o intuito de alcançar um equilíbrio entre corpo-organismo-meio, do homem consigo mesmo.
Este projeto propõe-se a analisar essa determinada produção, comparando-a com a visão fenomenológico-existencial da Gestalt, com o objetivo de verificar a presença, ou não, de elementos Arteterapêuticos.
Julio Cezar Giudice Maluf
Marisa Trench de Oliveira Fonterrada
 
A produção de sentidos no trabalho do Coral Cênico Cidadãos Cantantes
Resumo:O objetivo da referida pesquisa foi descrever o que é e como se desenvolve o processo de trabalho do Coral Cênico Cidadãos Cantantes como política pública de inclusão social pela convivência de diferentes atores sociais em espaços públicos, visando a constituição de grupos heterogêneos em torno de uma tarefa comum. Para se discutir a respeito da interface possível entre música, arte e saúde, utilizou-se das idéias de Samuel Kerr, Ana Mae Barbosa, Elizabeth M. F. Lima, Peter P. Pelbart e Foucault, principalmente pela conformação do conceito de biopolítica, que propõe uma sociedade na qual o controle, a categorização e a vigilância estão cada vez mais presentes. Este estudo recupera o sentido da arte como um atributo humano capaz de transformar atitudes, lugares do saber e lugares de existência.
Andrea Siomara de Siqueira
 
Música e Participação Social: experiências em corais litúrgicos católicos
Resumo:O objeto dessa pesquisa são as experiências de indivíduos participantes de corais litúrgicos em duas igrejas católicas na cidade de São Paulo: a Basílica Nossa Senhora da Penha (Penha) e a Paróquia Nossa Senhora da Saúde (Vila Mariana). Foram aplicados 2 questionários (um aberto e um fechado) a 40 indivíduos com os seguintes objetivos: a) conhecer e caracterizar as experiências individuais dos participantes; b) refletir se a participação no coral litúrgico é atividade significante na vida social desses membros. Os dados são analisados a partir da perspectiva da Psicologia Social da Música.
Verusya Santos Correia
 
A encenação performática da diferença: o corpo
como discurso e seu ativismo sociopolítico
Resumo:Este trabalho tem o objetivo de investigar de que maneira a diferença (no sentido foucaultiano) como tática de sujeição entre indivíduos pode ser atualizada cenicamente, através do confronto entre os universos simbólicos culturais e sua ação na constituição dos sujeitos.
O propósito deste projeto para os contextos de arte no Brasil é chamar atenção para os cenários complexos ou não familiares, onde o sujeito tende a classificar o corpo que vê de acordo com categorias simples e genéricas, baseadas em estereótipos sociais.
A diferença que aqui tratamos desdobra-se nos aspectos do comportamento, da origem geográfica de nascimento e escolha profissional. Tais características balizam a maneira como se estabelecem as relações entre os sujeitos muitas vezes marcados por uma disputa de força através do confronto entre as auto-imagens do sujeito em questão e uma outra imagem ideal construída e valorada socialmente. E qual o poder que o corpo exerce no confronto com essa diferença?

4a SESSÃO - EIXO IV - TEORIAS

MESA C - VIDA E OBRA: UMA RELAÇÃO POSSÍVEL?

Lívia Gonsalves Toledo
Ediana Roberta Duarte Manhas
 
Frida Kahlo: “Um laço de fita em torno de uma bomba”
Resumo:A obra de arte enquanto um elemento que constrói, é construída em conformidade com seu contexto social e histórico. Esse trabalho discorre sobre as possíveis associações entre a Obra da pintora Frida Kahlo com os movimentos sociais e políticos da época em que a artista viveu. Será utilizado como referencial teórico estudos e teorias oriundos das ciências humanas e sociais que abordam as relações de gênero e as sexualidades sob uma perspectiva social, histórica e construcionista. Consideramos especialmente as obras de Frida Kahlo como um trabalho ímpar, especialmente em sua maneira de externar as suas sensações, valores, sofrimentos físico e psíquico os quais não eram condizentes com as normas e regras patriarcais, capitalistas, hierárquicas e machistas de sua época.
Margareth Maria Mendes Carvalho
 
A construção de uma subjetividade estética
Resumo:Neste artigo aborda-se a obra do poeta português Fernando Pessoa, que ao criar os heterônimos como Bernardo Soares, Alberto Caieiro, Álvaro de Campos e outros, nos mostra a construção uma subjetividade estética. Pois o homem que se aprisiona no seu eu pessoal deixa de ser uma singularidade, ou seja, deixa de se prolongar até a vizinhança de outros seres, impedindo-se de estabelecer relações, de emitir sensações e intensidades, ficando assim prisioneiro da sua interioridade e de suas interpretações, das suas faltas, medos, culpas e ressentimentos. Fernando Pessoa, ao contrário, traça linhas de relação com as coisas, e nestas experimentações ele fragmenta o eu substancial, porque o seu interior está em fusão com todos os outros seres. Ele nos ensina que é possível tornar-se uma singularidade, capaz de múltiplas metamorfoses, enfim, que é possível transformar o eu em uma obra de arte.
Neli Klix Freitas
 
Em Busca da Categoria de Sentido: Simbiose e Individuação na Obra de Ana Mendieta
Resumo:Tendo como base os dados da pesquisa Imagens Formadoras, Significados e Representações mentais na Trajetória de Professores de Artes Visuais, por nós desenvolvida, este trabalho busca problematizar questões implícitas na vida e obra da artista plástica cubana, Ana Mendieta, mais especificamente, os processos psicológicos de simbiose e individuação.Nascida em Havana, em 1948,Ana Mendieta foi encaminhada aos Estados Unidos aos doze anos, em função da perseguição política e da prisão do pai.Formada em Artes Plásticas pela Universidade de Iowa, sua obra funde-se com a terra (mãe terra) em um abraço místico, por razões regressivas e criativas. O sentido de sua obra insere-se nas leituras sobre simbiose e individuação de Mahler, com o significado de que a obra dos artistas não se dissocia de sua biografia.

4a SESSÃO - EIXO V - INQUIETAÇÕES

MESA H - PERCEPÇÕES DO ESPAÇO: DO ÍNTIMO AO INFINITO

João Batista Neto
 
Recepção estética e turismo nas ruínas jesuíticas
de São Miguel Arcanjo - RS
Resumo:As ruínas da Redução Jesuítica dos Guarani de São Miguel Arcanjo (RS) são um Patrimônio Cultural da Humanidade e recebem milhares de turistas por ano. Ela contempla uma grande igreja em ruínas e o maior acervo público de imagens missioneiras, localizadas no Museu das Missões. O objetivo dessa comunicação é destacar como a arte barroca guarani é percebida por esse visitante, utilizando como metodologia a Recepção Estética na arte. Para tanto, foi utilizado um questionário misto (com questões qualitativas e quantitativas) e uma série de entrevistas. Esse estudo se insere na transdisciplinariedade entre o Turismo Cultural e Arte, utilizando a Recepção Estética como ponte entre essas áreas.
Alexandre Emilio Lipai
Sergio Roberto de França Mendes Carneiro
 
Arquitetura, Psicologia & Arte: múltiplas realidades do sentir e perceber o espaço
Resumo:A realidade utilitária da construção física de fatos arquitetônicos permite materializar o plano objetivo da percepção dos espaços pela “forma” e principalmente pelos “vazios” habitáveis, porém a realidade simbólica sempre recorrente irá construir sentidos e significados que transcendem as dimensões mensuráveis do espaço transportando-nos, consciente ou inconscientemente, para o plano da realidade subjetiva, incomensurável das significações e da emoção! Arquitetura, Psicologia e Arte constroem juntas possíveis pontes de interligação do Belo e do Sublime com o sentir das múltiplas realidades da razão e da emoção.
Ana Tereza Costa Galvanese
Sylvio Coutinho
Elizabeth Araújo Lima
 
Compondo parcerias: uma experiência de terapia ocupacional em um museu de arte
Resumo:O Laboratório de Estudos e Pesquisas Arte e Corpo em Terapia Ocupacional da FMUSP desenvolve, desde 1997, atividades conjuntas de ensino, pesquisa e extensão universitária com a Divisão Técnico-Científica de Educação e Arte do MAC USP, configurando um importante campo de formação, atuação e reflexão interdisciplinar para as áreas envolvidas.
Através dessa parceria, estagiários e terapeutas ocupacionais participam do Programa Lazer com Arte para a Terceira Idade, desenvolvendo acolhimento, escuta, holding e continência através de dinâmicas de grupo, rodas de conversa, vivência da corporeidade e acompanhamento aos desafios da criação. A prontidão para o trabalho criativo, o suporte às experiências desencadeadas no processo e a transformação dos seus impedimentos norteiam essa atenção em Terapia Ocupacional, cujo horizonte é a produção de uma qualidade no acesso de diferentes populações ao território da cultura.

4a SESSÃO - EIXO VI - PROCESSOS

MESA P - OS SÍMBOLOS NA OBRA DE ARTE

Alcimar Veiga Lima de Melo
 
A Anima e o Imago Dei - um olhar junguiano sobre a expressão simbólica de Ismael Nery
Resumo:Esta pesquisa buscou confrontar a obra pictórica de Ismael Nery com as teorias de C.G. Jung.
Este artista modernista foi considerado o primeiro representante do surrealismo no Brasil. Partindo da premissa de que o surrealismo foi um movimento ligado às teorias de Freud, o olhar junguiano sobre a sua obra traz uma nova forma de interpretação sobre este artista pouco conhecido, mas muito importante para a produção artística nacional.
Através de seus auto-retratos foi possível verificar alguns dos pontos principais da teoria de Jung, principalmente no que diz respeito a anima e ao imago dei.
Sandra Midori Kuwahara Sasaki
Raimundo Wilson Ribeiro Teixeira
 
Símbolos e Arquétipos na Arte de Yayoi Kusama: um contato sem palavras
Resumo:Este trabalho consiste na análise das obras da artista plástica japonesa Yayoi Kusama, enfatizando a função do símbolo no processo de individuação teorizado por Jung. Como objeto de estudo foram selecionados noventa e um trabalhos realizados da década de 30 até os dias de hoje, tais como pinturas, esculturas, gravuras, performances e instalações. As obras foram reunidas em categorias, de acordo com os símbolos arquetípicos, e em seguida analisadas à luz da Psicologia Analítica, juntamente com os aspectos da vida e da cultura da artista. Apesar de Kusama ter sido diagnosticada com Transtorno Obsessivo Compulsivo e relatar ter alucinações com “redes” e “pontos” desde sua infância, ela é considerada atualmente uma das grandes artistas que atuaram nos EUA nas décadas de 50 e 60, ganhando em 1999 uma exposição individual no MOMA.
Hugo Fortes
Água: significados e simbologias na arte contemporânea
Resumo: O trabalho é um desdobramento da tese de doutorado “Poéticas Líquidas: a água na arte contemporânea”, desenvolvida na ECA-USP e na Universität der Künste Berlin, Alemanha. Após um estudo inicial da significação dos mitos e usos tradicionais da água na cultura são analisados trabalhos de artistas contemporâneos que relacionam as poéticas líquidas ao corpo e à performance, como Rebecca Horn, Marina Abramovic, Lygia Clark, etc, além de trabalhos do próprio autor como artista plástico. Questões e personagens relacionados à purificação, à sexualidade e à fluidez da vida, que habitam o imaginário ancestral humano, como Narciso, Ofélia, etc., são tematizadas pela arte contemporânea em propostas contundentes e inovadoras.

 

 
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