II Colóquio Internacional - Práticas e Usos do Corpo na Modernidade Imprimir E-mail
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O Laboratório de Epistemologia Genética do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e o LATESFIP, Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise, convidam a todos para o II Colóquio Internacional de Práticas e Usos do Corpo na Modernidade. O evento faz parte do convênio internacional CAPES/COFECUB entre a USP e a Université Rennes 2 - Haute Bretagne.
Este evento é aberto e gratuito.
O colóquio realizar-se-á no Instituto de Psicologia da USP

 

Programação – clique aqui

 

Para outras informações, acesse o blog: http://praticaseusosdocorpo.wordpress.com

Local: 

Instituto de Psicologia da USP
Av. Prof. Mello Moraes, 1721, CEP 05508-030

São Paulo, Brasil.


Atenciosamente,


A Comissão Organizadora:
Prof. Dr. Nelson da Silva Junior/ Prof. Dr. Christian Dunker/Prof. Dr. Jean-Luc Gaspard/Profa. Dra. Tatiana Assadi/Profa. MS. Gláucia Faria/Profa. Dra. Maria Vilela Nakasu/Danielle Brulhart/Luiz Eduardo de Vasconcelos Moreira/Maíra Mamud Godoi Mourão/Marcela Rezende Géa/Mayra Santos Temperine/Pedro Eduardo Silva Ambra/Rafael Alves Lima/ Raphaël Gelas/Renata Penalva/Viviana Venosa


Apoio

Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo

Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
FAPESP
Convênio CAPES/COFECUB


Divulgação

ATOESP – Associação de Terapia Ocupacional do Estado de São Paulo

Projetos Terapêuticos
Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae
Fórum do Campo Lacaniano – São Paulo


Organização

Laboratório de Epistemologia Genética

Laboratório de Teoria Social Filosofia e Psicanálise – LATESFIP

 

Coordenador

Nelson da Silva Junior
Professor Livre-docente do Instituto de Psicologia da USP
Departamento de Psicologia Social e do Trabalho
Tel. 11-30914184

 

 

Programação de Mesas Redondas

27 de outubro15h30 às 17h00

28 de outubro15h30 às 17h00

29 de outubro15h30 às 17h00

30 de outubro 9h00 às 10h30

Mesas

Redondas

1, 2, 3, 4

Mesas

Redondas

5, 6, 7, 8

Mesas

Redondas

9, 10, 11, 12

Mesas

Redondas

13, 14, 15

27 de outubro, quarta-feira, 15h30 ás 17h00

MESA 1: A confirmar.

MESA 2: Experiência do Corpo no Imaginário,Simbólico e Real.

1. Caso clínico: Palavras de peso: Considerações sobre o emagrecimento na experiência analítica.

Maria Letícia de Oliveira Reis

Psicanalista. Psicóloga formada pela PUC Minas. Mestre em Psicologia pela Universidade São Marcos. Doutoranda Universidade Andrés Bello – Chile. Pesquisadora da Rede Clínica (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo) e do Laboratório de Estudos em Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP – USP).

Depois de um percurso de análise, a paciente emagrece consideravelmente. Sem ter colocado o excesso de peso como queixa, o trabalho analítico parece incidir no corpo que emagrece. O presente trabalho visa discutir o desejo do analista nas intervenções que alcançam o que aparentemente não era sintomático e colocado a ser trabalhado. A economia do corpo sofre alterações em seu cálculo quando esse inclui o desejo do analista. Sem nenhuma intervenção específica que visasse o emagrecimento ou o corpo obeso, o corpo magro revela que antes, havia excessos.

Se consideramos que o objeto perdido tem também o caráter de objeto vazio ou falta é interessante observar que o gozo está dirigido a um esforço de realização. Freud alertava que na economia psíquica o sujeito responde sempre tentando substituir uma coisa por outra, sem renunciar a nada. Sugerimos então que o esvaziamento do gozo se coordena com o objeto para sempre perdido. E nesse cálculo a paciente pode perder, inclusive peso. Se o que não mata engorda, o que vive e deseja, emagrece.

2. Corpo imaginário: uma interpretação do sujeito.

Jonas de Oliveira Boni Júnior

Psicanalista. Psicólogo graduado pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Especialista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo no curso de Psicologia Clínica Hospitalar em Aids. Mestre pelo Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Este trabalho tem como intuito apresentar a articulação entre o corpo e o sujeito segundo o escopo psicanalítico de Jacques Lacan, a partir da teoria do estádio do espelho.  A tese primordial concentra na afirmação de que o corpo imaginário é efeito da interpretação do sujeito de sua própria materialidade orgânica, pela via da assunção da imagem especular. Compreendemos a teoria do estádio do espelho em sua extensão cronológica de 1936 a 1964, cuja gênese ocorre no ano de 1936, com a apresentação “The looking-glass phase” na Sociedade Psicanalítica de Paris e no XIV Congresso Internacional da IPA em Marienbad. Em 1949, há a apresentação e publicação amplamente conhecida por “O estádio do espelho como formador da função do eu tal como nos é revelada na experiência psicanalítica” (1949/1998). Entre 1954 e 1964, Lacan agrega à teoria do estádio do espelho o recurso do esquema óptico sob o intuito de esclarecer sua extensão conceitual. Nesta perspectiva teórica, recortamos as principais contribuições do autor para sustentar a tese, de que na encruzilhada estrutural do sujeito humano, a organização do corpo próprio em sua dimensão imaginária é efeito da interpretação do sujeito de sua própria realidade orgânica. Este tempo coincide com as primeiras referências para a arquitetura do eu. Portanto, o imaginário do corpo e a instância do eu são apresentadas enquanto soluções interpretativas do sujeito diante do Real. A assunção da imagem especular implica num ato de reconhecimento antecipatório do sujeito que permite tanto a organização de um contorno corporal quanto uma primeira referência para o eu.

3. Marcas corporais em Lévi-Strauss: a eficácia simbólica entre os tristes trópicos dos Caduveo.

João Felipe Guimarães de Macedo Sales Domiciano

Psicólogo formado pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, atualmente é membro participante do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP) e do Fórum do Campo Lacaniano (FCL-SP).

Tomando como referencial as pinturas corporais realizadas pelas mulheres Caduveo, o antropólogo Claude Lévi-Strauss em duas ocasiões distintas produziu interpretações que, se não estritamente antagônicas, decerto marcam uma mudança de perspectiva acerca deste objeto. O presente trabalho tem como objetivo assinalar as díspares incidências do corpo na experiência etnológica lévi-straussiana. Encontramos, num primeiro momento, quando da tentativa de sistematização de seu campo, as pinturas faciais Caduveo entendidas como fruto de um desdobramento que teria como função marcar a prevalência do simbólico sobre o corpo, onde este e suas ressonâncias no discurso aparecem, através daeficácia simbólica, mortificados pelo significant Posteriormente, Lévi-Strauss, retomando sua experiência de campo, acentua a assimetria, falta de palavras e o saber-fazer dessas mulheres. O gesto feminino nesta sedutora arte efêmera traz a marca de uma prática do sem sentido, que trataria do impossível de se representar. Por fim marcamos a formalização do conceito de mana, correlato da estruturação dos fenômenos míticos e da revisão das organizações dualistas, como fonte de uma virada de perspectiva em sua obra que nos aproximaria de um corpo outro.

MESA 3:  Políticas Corpor-ativas: reality shows, cyberespaço e artes plásticas.

1. Meu Corpo é Minha Empresa

Débora Tabacof

Psicóloga formada pela PUC-SP em 1990.  Psicanalista, está em formação continuada no Fórum do Campo Lacaniano – SP. É especialista em acompanhar os participantes de Reality Shows desde o primeiro programa lançado no Brasil em 2001.

O fenômeno dos Realitys Shows invadiu a cultura mundial e no Brasil possui como característica peculiar o foco nas formas corporais semi-nuas. Abundam banhos, biquínis minúsculos e músculos. Também os corpos masculinos são exibidos, sendo sua boa forma a medida de sucesso ou fracasso daquele “EU”. O Show de Realidade será abordado como um JOGO DO EU, num confinamento sem contato com as informações do mundo exterior.

Muitos participantes do Reality referem-se ao próprio corpo como “a minha empresa” e os cuidados dedicados ao mesmo como “a saúde da minha empresa”. O “sucesso da empresa” tem como objetivo tornar-se o melhor produto de venda e exibição no mercado.

Nessa lógica, o uso de aditivos alimentares, medicamentos para excitar, medicamentos para dormir são utilizados indiscriminadamente em prol da excelência da performance da empresa. O adestramento rigoroso das funções alimentares, do sono e dos afetos está permitido e endossado como auto-estima e auto-cuidado.

O resultado dessa construção meticulosa de identificação com a mera aparência desejável mostra suas consequencias quando há uma ruptura. Se o sujeito não é também sua própria subjetividade, se é apenas objeto de uso e consumo de si e dos demais, seus afetos e expressões facilmente o surpreendem como irrupção. A expressão de algo que se veicula através do corpo, não sendo apenas corpo, já foi visto como ato de violência, assombro e choque, desconcertando quem buscava controlar-se plenamente numa micro-sociedade de controle permanente.

2. O corpo: lugar de potência, convergência e resistência.

Christina Gontijo Fornaciari

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas, Universidade Federal da Bahia. Professora do Departamento de Artes Cênicas – UFOP.

A presente comunicacão pretende propor reflexões acerca do corpo enquanto lugar de expressão e experiência estético-política na arte contemporânea. Observaremos o corpo como elemento mediador de vivências artísticas de caráter participativo, colaborativo e multidisciplinar, analisando o trabalho de artistas como a espanhola La Ribot, o brasileiro Hélio Oiticica e o argentino Rirkrit Tiravanija, que utilizam o corpo para criar uma arte que é essencialmente fundamentada na centralidade dos corpos – do artista e/ou do espectador. Rompendo com a passividade da fruição artística e com o culto ao objeto, e visando uma maior comunicação e participação na sociedade em geral, o presente artigo analisará em que aspectos o corpo pode ser entendido como lugar privilegiado nos fenômenos estético-politizantes.

3. Corpo digitalizado: psicanálise e ciberespaço

Patrícia P. Ferreira-Lemos

Doutoranda em Psicologia Social PUC-SP

Ao se propor pensar o contemporâneo, deve-se estar a tento para os acontecimentos que o permeiam. Certamente, o surgimento da internet e, por decorrência, da cibercultura, é um dos eventos mais significativos em nossa sociedade. Com este advento, somos espectadores e atores da cultura em transformação, seja nos aspectos sociais, seja nos tecnológicos. Pierre Lévy, filósofo da informação, considera que a virtualização produz uma mudança nos corpos, especialmente por possibilitar que o corpo ‘se multiplique’, fazendo um ‘hipercorpo híbrido’; os cyborgs, termo introduzido por Donna Haraway, apontam para o desaparecimento do corpo tomado como natural e permite que Arthur Kroker pontue ‘nervos de chips’ e ‘visão espectral’; “metade carne, metade ciberespaço”, completa André Lemos. Para psicanálise, a dimensão do corpo é pensada através dos três registros fundamentais: real, imaginário e simbólico; onde a relação entre corpo e cultura, pode ser ponderada a partir da proposta de Lacan de que a pulsão expressa os efeitos da linguagem no plano do corpo. Assim, a ideia deste trabalho é trazer contribuições da psicanálise para refletirmos a dimensão do ‘corpo digitalizado’.

MESA 4: Destinos da Libido.

1. Ligação e desligamento pulsional na sublimação: efeitos do e no corpo

Adriana Barbosa Pereira

Psicóloga, psicanalista, mestre e doutoranda em psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

A descrição inconclusiva e frágil da noção de sublimação na teoria freudiana exige revisão, especialmente no que se refere ao problema da dimensão corporal em psicanálise e diante dos fenômenos corporais de ansiedade que se manifestam na clínica psicanalítica contemporânea.

Este trabalho pretende problematizar o chamado processo de dessexualização tão articulado à noção de sublimação na descrição freudiana das atividades humanas sem fins sexuais diretos.

A sublimação pretende ser pensada a partir de duas dimensões não excludentes entre si:

1- A transformação da sexualidade pela sublimação, o que permite com que outras atividades que não as sexuais promovam experiências com satisfação sexual, ainda que indireta.

2- A ‘negação da sexualidade’ na sublimação, explícita no termo dessexualização, e  sua posição  paradoxal no texto “ O ego e o id”. Nesse, os efeitos nefastos da pulsão de morte, através do desligamento pulsional, fruto da dessexualização, são destacados e nos auxilia na compreensão de fenômenos sublimatórios marcados pela ambigüidade de serem criativos e disruptivos, transformadores e repetitivos, de ligação e desligamento.

Pretendemos, ainda, questionar a compreensão da sublimação como um processo exclusivamente de elevação do psiquismo em níveis superiores de funcionamento.  Essa concepção, que organiza o psiquismo em uma série de níveis de complexificação e abstração, impõe para noção de sublimação uma descorporificação e toma o corpo como uma dimensão primitiva incompatível com os aspectos mais abstratos do funcionamento psíquico, que será problematizada.

2. Uma introdução à etnografia da comunidade BDSM brasileira

Maurício Amaral de Almeida

Programa de Mestrado do Centro Paula Souza

Nelson da Silva Júnior

Psicanalista, Doutor pela Universidade Paris VII, Professor Livre Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

Uma quantidade crescente de pessoas que não se encaixam nas definições patológicas de fetichistas têm apresentado preferência, ou obtém grande prazer, na associação do erotismo à atividades não convencionais. Em função do preconceito percebido por essas pessoas com relação aos seus desejos e suas preferências a maioria delas os mantêm em segredo.

Quando esses desejos encontram seu caminho e rompem as barreiras do medo e do preconceito alguns passam a procurar pares que se identifiquem com suas fantasias. Esta busca geralmente se inicia no mundo virtual para em seguida penetrar na mundo real. As diversas pessoas que viveram esse processo acabaram por formar uma comunidade que se identifica pela sigla BDSM , que é uma forma resumida de “Bondage e Disciplina, Dominação e submissão e Sadomasoquismo”.

Serão apresentados aqui aspectos obtidos em vários anos de pesquisa etnográfica  iniciando no mundo virtual e seguindo até as reuniões, festas e eventos fechados onde o uso do corpo constrói prazer através de rituais elaborados e práticas surpreendentes.

28 de outubro, quinta-feira, 15h30 ás 17h00.

MESA 5: A pele como vel do sujeito.

1. Tatuagem, um tanto de real e cultural.

Stella Ferraretto

Psicanalista. Doutora em Psicologia Social pela PUC-SP, Programa Sociedade e Psicanálise. Participante do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo e da Rede de Sintoma e Corporeidade na mesma Instituição. Pesquisadora do grupo Marcas Corporais do Departamento de Psicologia Social na USP.

O trabalho que pretendo apresentar no II Colóquio Internacional Práticas e Usos do Corpo na Modernidade trata da tatuagem, como seu uso além de marcar e modificar o corpo simbólico, traz sempre algo de real. Nesse texto apresento trechos de entrevistas com sujeitos tatuados, evidenciando que as tatuagens portam sempre significantes que parecem fazer sentido para o sujeito, mas que o real insiste e a sustenta num sem sentido, de forma que aquele símbolo escolhido como uma pretensa significação torna-se signo.

Trago, também, a questão da cultura, de que a tatuagem comunga a idéia de que o corpo porta marcas de toda uma vida, então, ao modificar o corpo, o sujeito expõe algo de si, o de si passado pela cultura e que não cessa de ser re-fabricado.

A presença do estruturalismo lévi-straussiano na obra de Lacan, manifesta-se na passagem do mito coletivo ao mito individual. Os elementos dessa combinatória têm por característica a repetição e são nessas repetições que se revela a estrutura do mito e sua invariância. Lacan, depois de Freud, mais do que reconhecer tal estrutura, a relaciona com o mito do Édipo, a ponto de concluir que a intersecção entre mito social e o mito individual é um mito familiar. E isso fica claro nas entrevistas com os tatuados.

2. Marcado na Carne: Fenômeno de Pele e Tatuagem.

Tatiana Carvalho Assadi.

Pós-doutoranda do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de São Paulo, com financiamento Fapesp. Psicanalista, Membro do Fórum do Campo Lacaniano.

Heloísa Helena Aragão e Ramirez.

Psicanalista. Membro da EPFCL e FCL-SP.

Nervoso Leonardo acalma-se ao contemplar e escutar as ondas da maré que se chocam com as partículas da areia ou ao avistar os raios solares avisando a aproximação da hora do primeiro mergulho. Ao mesmo tempo são estes olhar e som que o rememoram que seu corpo existe e encontra-se adoecido. Escuta os estalidos das feridas que rompem sua pele e produzem vermelhidões espalhadas na carne ferindo sua visão. Desde que recebeu o diagnóstico de psoríase sua vida se transformou em um filme de terror – cenas se repetem sem alteração.  Inversamente, sua alegria estava locada no jiu-jitsu e no surfe, deste feito tatuou na pele desenhos para eternizar esta paixão. Depois de tentativas falidas e tratamentos ineficazes com o objetivo de regredir a lesão optou em adornar sua pele com outros desenhos buscando encobrir a psoríase, como conseqüência a lesão aumentou com os contornos da tinta colorida. Em conclusão Leonardo não sabia mais aonde começava sua tatuagem e tampouco aonde terminava sua psoríase. As marcas foram se misturando umas as outras até produzirem uma fusão indiferenciada. O objetivo deste trabalho é através deste caso clínico articular as marcações corporais que acometeram o sujeito, seja a tatuagem ou mesmo o fenômeno psicossomático, à escrita no corpo, como apresentada por Lacan em 1975[1]. Sendo que “O Outro, no fim de tudo se não tiverem ainda adivinhado, o Outro, lá como está escrito, é o Corpo!”[2], assim, não é necessário um escrito no corpo, como no FPS ou na tatuagem, basta que este corpo seja escrito, ou melhor, inscrito e possibilite um gozo decifrado.

3. Psicossomática: do corpo marcado ao corpo como marca da posição subjetiva.

Daniele Sanches.

Psicanalista. Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Membro do Fórum do Campo Lacaniano em São Paulo, colaboradora da Rede de Sintoma e Corporeidade da mesma instituição. Docente e supervisora clínica da Universidade Bandeirante de São Paulo.

O trabalho parte da pesquisa clínica da Rede de Sintoma e Corporeidade do FCL-SP em parceria com o Instituto da Pele (UNIFESP) junto aos pacientes com Vitiligo e Psoríase. Um caso clínico será usado como instrumento condutor do debate tanto de hipóteses gerais sobre a questão psicossomática bem como de particularidades de um caso onde o corpo marcado pelo vitiligo e os laços denunciam uma posição subjetiva obscura e uma clínica cujo diagnóstico e direção do tratamento estão em constante questionamento. Lacan desde 1964[3] localiza o fenômeno psicossomático como uma espécie de posição inaugural de uma tríade seguida pela debilidade e pela psicose, condições entrelaçadas em alguns pacientes psicossomáticos e denunciadas por uma estranha relação com a fantasia. Tal “esquize” na fantasia pode ser analisada à luz da proposta de ausência de afânise – se seguirmos com Lacan no seminário VIII[4] ao seminário XII – entretanto, a clínica parece evidenciar que há que se considerar também uma segunda diagnóstica que abarca a modalidade de gozo, proposta desenvolvida por Lacan em 1972, no Seminário XX[5]. Para além da diagnóstica, a apresentação do caso clínico pretende também trazer uma interrogação sobre a transmissão de tal posição subjetiva, hipótese cujo percurso passará por uma contribuição de Käes[6]. Assim, do corpo marcado ao corpo como marca interroga-se a clínica diagnóstica, a função da fantasia e da posição subjetiva tendo como diretriz a psicossomática.

MESA 6: Do Corpo Marcado: o Constitutivo, o Traumático, e o Psicopatológico.

1. As manifestações corporais do trauma e o funcionamento em exterioridade.

Maria Manuela Assunção Moreno

Doutoranda Departamento de Psicologia Experimental, Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Integrante do projeto de intervenção Anorexias e Bulimias, Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

O presente trabalho tem como objetivo articular as modalidades de defesa precoces suscitadas pelo trauma à incapacidade de representação. Nossa hipótese é de que o que não pode se inscrever, interrompendo o processo de memória, e ser secundariamente recomposto em linguagem verbal, resta como excedente de energia ou como marca sensorial, que se manifestará em formas de linguagem não verbal que pedem ao corpo, à motricidade e ao ato, sua forma de expressão privilegiada. As defesas precoces parecem incidir na possibilidade de transformação da excitação em afeto e representação, representantes psíquicos da pulsão, podendo produzir tanto uma zona de insensibilidade como uma necessidade de expressão desta excitação que tem o corpo e os atos como últimos recursos, conduzindo a funcionamento psíquico particular, denominado funcionamento em exterioridade. Tal funcionamento tem por característica a impossibilidade da formação de um sentido.

2. Corpos Marcados: Adolescência, Identidade e Cuidados com o Corpo na Contemporaneidade.

Marcela Rezende Géa

Psicóloga graduada pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Mestranda integrante do programa de pós-graduação em Psicologia Social desta mesma universidade. Bolsista CNPQ e pesquisadora integrante do Laboratório de Epistemologia Genética e Reabilitação Psicossocial e do Grupo Marcas Corporais Auto-Infligidas à Luz do Laço Social Contemporâneo (ambos IPUSP).

A adolescência caracteriza-se como período de reorganização identitária no qual as mudanças do corpo e dos papéis sociais exigem um intenso trabalho de elaboração psíquica. A supervalorização corporal contemporânea e a escassez de possibilidades de mediação da pulsionalidade despertam atenção para as consequências ao relacionamento do adolescente com seu corpo, portador imediato das repercussões de um transbordamento libidinal. Esta apresentação aborda uma reflexão acerca da repercussão de uma reestruturação de valores da contemporaneidade em sua relação com a revolução psíquica característica da adolescência, especialmente no que diz respeito à recomposição de um estatuto da corporeidade. Analisa ainda a relação destes com o lugar da crescente adesão às marcas corporais, a partir das noções de historicidade corporal, consumo e massificação.

3. Patologias alimentares, o ato de cortar-se e as marcas corporais: possibilidades para pensar o estatuto do corpo na contemporaneidade.

Viviana Senra Venosa

Psicanalista. Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Membro da Equipe Fixa do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares, Proata/Unifesp-EPM. Pesquisadora do Grupo Marcas Corporais e Laço Social Contemporâneo.

Este trabalho tem como objetivo propor uma articulação entre as patologias alimentares, o ato de cortar-se e os fenômenos que denominamos “marcas corporais” (tatuagens,piercings, escarificações etc.) tal qual se apresentam na contemporaneidade. Os transtornos alimentares (anorexias e bulimias) são patologias cuja epidemiologia tem aumentado significativamente nos tempos atuais. E o ato de cortar-se é observado com relativa freqüência nesta clínica, mesmo que o fato não seja exclusividade desta. Recorrendo aos conceitos, presentes na metapsicologia, de compulsão à repetição à impulsividade, podemos pensar quais aspectos do laço social desta sociedade dita “narcísica” propicia terreno fértil para o aparecimento de patologias com este tipo de sintomatologia. Ou seja, o aparecimento crescente de fenômenos sintomatológicos ligados diretamente ao corpo, a partir de uma economia de descarga libidinal. E, por fim, se as marcas corporais na atualidade poderiam ser pensadas como uma espécie de “psicopatologia da vida cotidiana” da contemporaneidade.

MESA 7: Ritmo Pulsional: Tempo e Espaço na Trama Corporal

1. Quando o vazio ganha corpo: articulações entre arte e psicanálise na contemporaneidade.

Luís Henrique de Oliveira Daló

Este trabalho propõe algumas reflexões relativas às expressões do vazio no campo das artes: na cena artística contemporânea, o vazio ganha corpo, antecipando um movimento urgente de simbolização. Essa possibilidade se sustenta em um paradoxo, na medida em que um corpo em cena, em exposição, ainda que esteja a expressar a inexpressão, pulsa, demanda trabalho do olhar. São examinados dois experimentos em dança contemporânea e a 28º Bienal de São Paulo, em especial seu saguão vazio, e situações de violência que surgem nesses contextos: formas de agressão aos bailarinos e pichação do saguão da Bienal seguida de reação policial. Considerando tais acontecimentos diante da imposição que a arte contemporânea faz a seu público de digerir o intragável, segue uma reflexão psicanalítica quanto às experiências nesse campo, incluindo as pulsões de morte no conceito de sublimação (mais-além de uma primeira leitura da obra artística como sublimação de Eros). Por fim, as questões relativas às expressões do vazio na arte são entrelaçadas às que surgem na cena psicanalítica contemporânea.

2. O corpo que dança: entre a imagem e o tempo

Pedro Rodrigo Peñuela Sanches

Mestrando pelo Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Desde seu início a psicanálise tem testemunhado os avessos de um pensamento que separa sujeito e corpo e o “inventa” como objeto análogo à máquina[7].

No entanto, apesar da inequívoca importância do corpo para a psicanálise, e apesar, também, do fecundo diálogo já constituído entre psicanálise e arte, a dança, como “arte do corpo”, tem recebido pouca atenção na literatura psicanalítica.

Nesse sentido, este trabalho pretende defender a importância desse campo de conhecimento nas discussões sobre a corporeidade dentro e fora da Psicanálise.

Para isso, discutiremos, a partir de um exame do conceito de fetichismo, a maneira como certa tradição de desconfiança da experiência da imagem marca o pensamento psicanalítico. A partir do que será levantado nesta discussão, examinaremos os raros momentos de atenção da psicanálise sobre a dança, propondo, em seguida, um olhar atento às questões trazidas por essa arte ao longo do século XX, e detendo-nos, então, na chamada dança pós-moderna[8], que nos permitirá aprofundar uma compreensão dos meandros de uma persistente ideologia de negação e superação do corpo[9], que marcou o surgimento e o desenvolvimento da dança no ocidente bem como marca amiúde a compreensão psicanalítica sobre o corpo.

3. Corpo e Música: Proposta de Oficina como Dispositivo de uma Formação em Saúde Centrada na Experiência.

Flavia Liberman

Professora Adjunta do Curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Paulo- Baixada Santista.

Larissa Finochiaro

Docente Universidade Federal de São Paulo – Baixada Santista

Marcos Cipullo

Docente Universidade Federal de São Paulo – Baixada Santista

Esta apresentação tem como objetivo discutir a importância de oficinas de música e trabalho corporal na formação do profissional de saúde. Para tanto, serão apresentadas e analisadas duas oficinas: “Música e Escuta no Coração da Música” e “Música, Corpo e Escuta Clínica”, que fizeram parte da experiência interdisciplinar – realizada no espaço do Laboratório de Sensibilidades, do Programa de Extensão “Arte e Saúde”, cujos dados encontram-se em fase de análise.

As oficinas foram criadas por professores dos cursos de Terapia Ocupacional e Psicologia e contaram com a participação de funcionários e estudantes dos seis diferentes cursos de graduação da Universidade Federal de São Paulo – Campus Baixada Santista. Entre os dados produzidos até aqui, estão: as concepções de corpo pulsante, potente, criativo e vivo; as relações profícuas entre música, trabalho corporal e escuta clínica; a importância do gesto e do movimento como expressão e comunicação; as discussões sobre integralidade na saúde e o corpo; a importância das Artes na formação do profissional de saúde; a oficina como dispositivo de formação centrada na experiência.

Entendemos que estas oficinas sensibilizaram os estudantes, que além de suas competências técnicas, precisam: refletir sobre suas questões pessoais; conhecer e ampliar seus modos de olhar; escutar o outro e o mundo de modo a mobilizar seu corpo para captar e intervir junto aos sujeitos acompanhados nos diferentes contextos de sua prática profissional.

MESA 8: Sujeitos do Capital: Psicanálise e Contemporaneidade

1.     A produção do corpo: identidade e mercado

Pedro Eduardo Silva Ambra

Bacharel em Psicologia pela Universidade de São Paulo. Pesquisa junto ao grupo de marcas corporais auto-infligidas à luz do laço social contemporâneo a relação entre Travestismo, marcas corporais e laço social na contemporaneidade. Faz parte do grupo de Transtornos Corporais: Marcas, Códigos e Traços, do projeto de pesquisa das Patologias do Social e Crítica da Razão Diagnóstica do LATESFIP, Laboratório de Estudos em Teoria Social, Filosofia e Psicanálise.

A comunicação abordará questões referentes à identidade e à incidência do social no corpo em travestis sob a ótica da psicanálise. Nosso estudo terá como ancoragens teóricas algumas formulações acerca da contemporaneidade e da modificação nas modalidades narrativas, bem como desenvolvimentos da teoria lacaniana dos discursos e a teoria da sexuação. Buscaremos investigar  a constituição da imagem, o estatuto das marcas corporais e possíveis elementos inconscientes da função do corpo nestes indivíduos. A partir da inclusão de componentes sociais e históricos, o corpo será apresentado também dentro de uma chave maior de análise que compreende o fenômeno travesti como acontecimento de fronteira entre normal e patológico.

2. Inconsciente $.A.: a encarnação dos significantes-mestres do capital

Vinicius de Azevedo Silva

Psicanalista e Sociólogo. Mestre em Psicologia Social pela PUC-SP. Tem formação em Ciências Sociais e Políticas pela FESP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo). É membro do Núcleo de Pesquisa Psicanálise e Sociedade do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social da PUC-SP. Sua área de pesquisa envolve as inscrições do capital no inconsciente e suas conseqüências para a estruturação do homem moderno.

Nesse trabalho aproximaremos os conceitos de sujeito e mercadoria, destacando que os dois apresentam uma dimensão imaginária de totalidade: eu ideal (moi) e equivalência na troca (equivalente geral). Veremos como a forma-mercadoria, por meio do fetiche, interpela o sujeito inscrevendo nele os significantes do capital. O “equivalente geral” produz um basteamento na cadeia infinita de mercadorias, constituindo dessa forma uma totalização. Sua função estruturante é a mesma do “significante-mestre” que totaliza a cadeia significante. Ela nos permite pensar sobre inscrições de significantes do modo de produção capitalista na estrutura do sujeito. Essa inscrição pode ainda ser pensada na sujeição dos indivíduos ao fetichismo. A forma mercadoria é também a forma da “mercadoria força de trabalho”, portanto se materializa no corpo e na psique dos sujeitos, podendo retornar até mesmo como sintoma.

Finalmente discutiremos como esta interpelação constitui e se atualiza no ato. “Disso eles não sabem, mas o fazem”, nos diz Marx em “O Capital”. Decorre que agimos como fetichistas na prática, a despeito do que sabemos. Ao fazê-lo, acreditamos. Dessa forma, a dimensão ideológica, que já estava estruturalmente presente, pode ser expressa inscrevendo-se no sujeito.

3. O capitalismo, a modernidade e o corpo: uma leitura a partir da psicanálise.

Camille Apolinário Gavioli

Psicóloga, psicanalista, mestre em educação pela FEUSP, professora na Universidade São Marcos.

Tomaremos a via da psicanálise para refletir sobre esta problemática. Neste sentido, a proposição do discurso capitalista, cujos efeitos têm se tornado cada vez mais agudos, devem servir de referencia para a discussão.

O avanço acentuado do capitalismo e de todo o imperativo por ele estabelecido sob a forma ‘consuma’ e ‘goze’ conduzem a um gozo constante e, ‘naturalmente’ a sujeitos que não se saciam. Os objetos de ‘satisfação’ tornam-se muito fácil e rapidamente obsoletos e os sujeitos sem condições de aceder àquilo que lhes é ofertado pelo mundo contemporâneo do consumo. Nessa linha, a cultura toma novas formas, virando apenas mais um produto de mercado, assim como qualquer outro conhecimento adquirido no Wikipedia ou no Google. Ou seja, os saberes aparecem como mais um produto da cultura, e aí se confundem com a informação e o mero conhecimento. Que lugar tem o corpo neste contexto e os saberes a respeito deste mesmo corpo?

Comumente ouvimos falar no surgimento de ‘novos sintomas’ que revelam o não adiamento do prazer, mas vêm caracterizar a busca pela satisfação imediata. Cabe indagar a que esta categoria de ‘novos sintomas’ vem responder. É a cultura do consumo que prepara a todos para usufruir dos produtos que estão à venda. Quais os efeitos desse discurso na subjetividade?

29 de outubro, sexta-feira, 15h30 ás 17h00.

MESA 9: Corpo (Ex)Tenso.

1. Doença Somática e Neurose: sacrifício de um corpo, sacrifício de uma vida.

Cristiana Rodrigues Rua

Psicóloga; Psicanalista; Coordenadora do projeto de atendimento e pesquisa em Psicossomática da Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae. Professora do Curso “Introdução à Psicossomática Psicanalítica – uma visão teórico-clínica” do Instituto Sedes Sapientiae Especialização em Psicossomática Psicanalítica pelo Instituto Sedes Sapientiae e em Psicanálise pelo Departamento de Psicanálise do mesmo Instituto. Atuação em consultório particular e em instituição hospitalar. Título de especialista em Psicologia Hospitalar pelo CFP.

No presente trabalho será apresentado um atendimento psicoterápico realizado em um ambulatório de psicologia de um hospital público da cidade de São Paulo. Trata-se de um atendimento permeado por uma série de questionamentos relativos à complexidade  no manejo analítico devido à variedade de sintomas apresentados. A paciente foi encaminhada pela clínica de Endocrinologia do hospital por apresentar sérias dificuldades em seguir as orientações médicas para o tratamento de diabetes mellitus. Além de pensamentos obsessivos há uma fobia bastante intensa que no decorrer de três anos de atendimento tornou-se a principal queixa. Será discutido a entrada do sintoma somático no circuito já instaurado de uma neurose infantil que parece não ter sofrido grandes modificações ao longo do desenvolvimento. O eixo principal do trabalho serão as hipóteses a respeito da “travessia edípica”, observando-se a existência de uma ligação muito intensa à figura materna.

2. A máscara como marca corporal: as noções de limite e o encontro com o outro.

Júlia Catani

Psicóloga, Especialista em Psicopatologia e Saúde Mental na Instituição Psiquiátrica pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Também Especialista em Psicologia Hospitalar pelo Centro de Estudos em Psicologia da Saúde (CEPSIC) e Divisão de Psicologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICHC/FMUSP). Atualmente realiza atendimentos no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP e consultório particular.

Objetiva-se aqui discutir o recurso ao uso de acessórios no corpo como modo de construção de marcas corporais e as implicações para a vida do sujeito. Analisa-se o caso de uma paciente que há cinco anos usava máscara cirúrgica para esconder os dentes, pois, estes a envergonhavam. Para ela, a máscara provocava nas pessoas reações como: curiosidade e aproximação ou afastamento por medo de doença contagiosa. Contava isto ora com angústia, ora com satisfação. Pode-se pensar o uso deste acessório como recurso para impor marcas corporais ou como algo que oferece limites ao corpo e funciona para fazer laços sociais. No caso dela estas delimitações permitem relacionar-se com o mundo exterior, ser observada e “ouvida” pelo outro, já que a expressão verbal não dá conta de dizer do seu sofrimento psíquico. O uso da máscara é apelo e pedido de contorno para poder ser percebida e entender os limites que definem o seu corpo. Ela afirma que a máscara afasta as pessoas, mas, é também pelo seu uso que ocorre a relação do olhar, isto é, ao chocar o outro ela pode ser reconhecida e assim, consegue compreender, experimentar e vivenciar os próprios sentimentos. A máscara serve como forma de expressar algo que não pode ser simbolizado e como busca de representação e reconhecimento fornecendo elementos que auxiliam no encontro com o outro.

3. Corpo – possibilidades de subjetivação

Cinthia Mayumi Saito.

Terapeuta Ocupacional do CAPS Infanto-Juvenil Recriar (Guarulhos/SP). Mestranda em Ciências da Reabilitação pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Priscyla Mamy Okuyama

Terapeuta Ocupacional do CAPS Infanto-Juvenil Sé (São Paulo-SP). Especialista em Linguagens das Artes pelo Centro Universitário Maria Antônia da Universidade de São Paulo. Mestranda em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

O trabalho realizado num CAPS Infanto-juvenil, da região metropolitana de São Paulo, exigiu a criação de um novo dispositivo de intervenção junto aos jovens com sofrimento psíquico e grande dificuldade de interação social. Este deveria constituir-se num momento onde os participantes encontrassem possibilidades de ser e de conhecer novas maneiras de estar no mundo, favorecendo o desenvolvimento de novos recursos para o manejo de si, prejudicado devido ao quadro clínico e aos seus percursos de vida. Constitui-se, assim, o Grupo Corpo e Movimento. O grupo propõe-se, semanalmente, a um encontro entre os jovens e profissionais do serviço através de vivências e experimentações corporais, que ensejam aos usuários e também aos técnicos novas experiências de si e de um comum, que possibilitou a constituição desse espaço com funcionamento grupal. Os trabalhos corporais são balizados por recortes teóricos fundados no pensamento complexo, mas, sobretudo pelo desejo de estar junto, corpo a corpo, com os atores deste encontro. Os poucos meses de trabalho deste grupo apontamnos para a importância das intervenções corporais no campo da saúde mental infantojuvenil, assim como para a valorização do estar-junto, do encontro fundante com um outro.

MESA 10: Bordas da subjetivação: desconstrução, intercorporeidade e arte.

  1. O corpo e o feminino na arte contemporânea

Alessandra Monachesi Ribeiro

Psicanalista, doutora em teoria psicanalítica pelo Programa de pós-graduação em Teoria Psicanalítica da UFRJ, com estágio doutoral no Centre de Recherches en Psychanalyse et Médecine da Université Paris VII. Membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos de São Paulo e do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

A partir de reflexão iniciada em minha tese de doutorado, pretendo propor uma discussão acerca do corpo e do corpo feminino como os lugares de borda nos quais se pode fazer obra, ou seja, construir uma subjetividade em tempos pouco propícios a que hajam possibilidades de subjetivação. Por meio de uma aproximação às artes visuais contemporâneas, através do trabalho de uma artista atual que traz para a cena a problematização de tais temas – Marina Abramovic, artista sérvia baseada em Nova Iorque, que produz performances – buscarei construir uma relação entre a obra de arte, a economia do olhar, o fetichismo, o feminino e a sublimação. Daí, para o campo psicanalítico será possível trabalhar tais conceitos desconstruindo os lugares destinados ao corpo e ao feminino segundo uma lógica fálica a fim de recolocá-los em tensão, a partir das questões trazidas pelos trabalhos da artista.

2. Suspensão Corporal e as três dimensões da intercorporeidade.

Daniel Lírio

Psicólogo, mestre pelo Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de São Paulo.

A Suspensão corporal caracteriza-se pela elevação voluntária de uma pessoa por meio de ganchos cravados em sua pele. Originária de costumes de tribos americanas e indus, ela tem se tornado muito popular entre os adeptos das modificações corporais nas grandes cidades do mundo. As variáveis são inúmeras, tais como o número de ganchos, os locais de inserção e o local onde a suspensão é realizada. Em boa parte dos casos, os praticantes relatam intensidades corporais extremas, euforia e sensação de liberdade.  Contudo, essas sensações só adquirem sentido pelos processos intersubjetivos constituídos. Assim, para compreender a complexidade e heterogeneidade da suspensão, torna-se necessário analisar a cena em que ela se desenrola: uma pessoa suspendida, uma pessoa que agencia a suspensão e uma plateia que assiste. A partir da interação entre essas 3 personagens, podemos conceber a presença de 3 dimensões da intercorporeidade: a fusional, concernete às sensações corporais, a, resultado de seu apelo estético que fascina o olhar do outro;  e a simbólica, referente à ordenação de todos esses significantes em um campo de sentido.

  1. Corpos coletivos: a série “Body Builders” de Alex Flemming e reflexões sobre o corpo na sociedade contemporânea

Viviana Senra Venosa

Psicanalista. Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Membro da Equipe Fixa do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares, Proata/Unifesp-EPM. Pesquisadora do Grupo Marcas Corporais e Laço Social Contemporâneo.

As imagens da série “Body Builders” – multicoloridos torsos “tatuados” com mapas, envoltos por letrinhas de música e impressos em banners gigantes – oferecidas ao olhar do espectador, provocam um impacto pelo seu caráter, ao mesmo tempo, familiar e estranho. Familiar, pois a linguagem utilizada na obra é muito próxima da linguagem publicitária e estranho pelo exagero, pelo excesso de cores e formas e pelo texto (letras) que não se consegue ler da forma usual. Utilizando as ferramentas teóricas da teoria da estética e da psicanálise, a autora faz uma leitura dessa proximidade com a publicidade e desse estranhamento como modos e possibilidades para pensar o estatuto do corpo na modernidade. A hipótese é de que o discurso sobre o domínio do corpo, veiculado na publicidade, implica em um modo de relação com o corpo onde o discurso sobre sua verdade biológica, e as possibilidades de transformação do corpo pelas tecnologias da medicina, passa a ser a sua única verdade e pode escravizar o sujeito psíquico numa relação exclusiva e majoritária com o ego ideal. Portanto, este texto parte da análise da exposição “Body Builders” do artista plástico Alex Flemming, como disparador de questionamentos sobre o estatuto do corpo, da constituição do sujeito e da sociedade contemporânea. A reflexão sobre estas questões visa, portanto, problematizar a existência de um discurso hegemônico sobre o corpo na contemporaneidade.

Mesa 11: Joyce e Heidegger: leituras do conceito de corpo em Lacan

1. O corpo e o ego de James Joyce.

Pedro Teixeira Castilho

Mestre em literatura e psicanálise – UFMG

Doutor em teoria psicanalítica – UFRJ

A relevância de se trabalhar esta concepção de corpo é uma passagem na obra do escritor irlandês James Joyce em seu livro O retrato do artista enquanto jovem. Para Jacques Lacan, existe uma relação que o escritor faz de seu corpo que não pode ser capturada apenas com o conceito de narcisismo. O uso que Joyce faz do “pai” é de um enodamento do imaginário com o real. Lacan aponta para o efeito de suplência do pai, em Joyce, para constituir um ego. Essa passagem interessa a Lacan por ser o instante em que o escritor abandona seu corpo. Lacan verifica que a relação de Joyce com seu corpo não passa pela imagem. Desse modo, o sin-thome de Joyce será o que introduz uma articulação entre imaginário e real, fazendo surgir o corpo e o ego de Joyce.

A descrição que Joyce faz de uma surra que levou de uns amigos, presente no romance Um retrato do artista quando jovem é retomada na última aula do Seminário 23, e articulada por Lacan como determinando a relação de Joyce com seu corpo. Esse episódio da vida de Joyce foi por ele descrito como tendo o efeito de fazê-lo sentir que seu corpo caía como uma casca, como uma roupa. Lacan deu uma importância fundamental a esse acontecimento, e sugeriu que ele produzira, em Joyce, uma relação alterada com o próprio corpo, fazendo com que ele o sentisse como corpo alheio.

2. O Corpo no Heidegger de Lacan

Fabíola Menezes de Araújo

Doutoranda do Curso de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica da UFRJ.

Lacan, durante a década de 50, se confronta com algumas teses do filósofo Martin Heidegger, trazendo-as para o campo da clínica psicanalítica, e abrindo-as para uma outra perspectiva, em que o corpo passará a desempenhar um papel preponderante. Sobretudo a partir da noção de palavra plena e de futuro anterior, nossa comunicação pretende trazer à tona a contribuição desse autor para pensarmos a questão do corpo na modernidade. É importante frisarmos que nessa abordagem será acentuado o caráter transcendental de certos significantes, que, surgindo a partir de uma dinâmica circular, ocasionam o espaço necessário para a aparição tanto do corpo, como da verdade. É interessante ainda apontarmos que essa tese será re-elaborada, posteriormente, no conceito de stádio do espelho. Nossa análise se fundamenta nos seguintes textos: Discurso de Roma – Função e Campo da palavra e da linguagem em Psicanálise, de 53, Introdução ao comentário de Jean Hyppolite sobre a ‘Verneinung’ de Freud, de 54, Variantes do Tratamento Padrão, de 55, O Seminário sobre ‘a Carta roubada’, de 55 e  A significação du phallus, de 58.

MESA 12: Corpo, Subjetividade e Ciência

1. “Sai deste corpo que sim, te pertence”: notas para uma história da corporeidade na clínica psicanalítica.

Rafael Alves Lima

Psicólogo, mestrando pelo Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

O presente trabalho visa levantar alguns elementos do solo discursivo no qual se torna possível uma escuta do corpo a partir de dois eixos do tratamento analítico: a associação livre e a transferência. Revisitando as clínicas de Ferenczi e de Reich, busca-se circunscrever o problema da irrepresentabilidade do corpo na clínica dos chamados “casos difíceis”; em seguida, far-se-á uma problematização histórica do corpo enquanto imagem, palavra e contingência, visando os três registros de Lacan. Por fim, analisaremos, a partir de um fragmento de caso clínico, as condições para a criação de categorias capazes de dar conta da questão do corpo para um estudo histórico da clínica psicanalítica.

2. Para pensar o corpo em psicanálise: ciência e clínica

Luiz Eduardo de Vasconcelos Moreira

3. Efeitos de uma saúde totalizante

Daniel Hamer Roizman

Psicólogo e psicanalista

Programa de estudos pós graduados em Psicologia Social.

NUPS – Núcleo de psicanálise e sociedade (PUC-SP)

Freqüentemente tidos como antagônicos, organismo e psique têm deixado de ser articulados, dando fomento à clássica oposição entre as ciências biológicas e humanas. A carência de diálogo leva muitas vezes não só a um impasse intelectual, mas também ao mútuo descrédito no âmbito prático. Para ilustrar a referida polêmica trouxe dois recortes da questão do corpo na sua condição de organismo contraposto à sua dimensão imaginária que está retratada no delineamento espacial do “eu”, bem como suas representações sociais. Isto, pois se de um lado o corpo não se resume à herança genética, ou a processos de aprendizado e desenvolvimento ocorridos na ontogênese dos indivíduos é por que de outra forma, ele é um corpo erógeno, pois marcado pela linguagem e, assim, representado. Esta condição imaginário-simbólica nunca está em concordância com o “real” do organismo, já que sua origem e seus delineamentos são de outra ordem.

30 de outubro, sábado, 9h00 ás 10h30.

MESA 13:Incorporações Filosóficas

1. As relações entre o corpo e a vontade em Schopenhauer: considerações sobre o lugar do corpo no mundo globalizado

Marinella Morgana de Mendonça

Psicóloga, Psicanalista, Mestre em Psicologia pela UFMG, Doutoranda em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Nosso objetivo é discorrer sobre o estatuto do corpo na filosofia de Arthur Schopenhauer, como tentativa de pensar um contraponto à maneira consumista e mortificante de apreensão do corpo pela lógica moderna. Nossa hipótese sugere que o fato de conceber o corpo como sendo um cenário no qual se manifestam, de modo excepcional, os movimentos e efeitos do que o filósofo denominou como “vontade” ajude-nos a entender melhor nossas escolhas na vida cotidiana, incluídas aí as práticas e os usos que fazemos do corpo. Para tanto, partiremos dos conceitos de vontade, representação, autoconsciência e princípio de razão suficiente, indicando o modo como Schopenhauer compreende o mundo e o ser humano.

Ora, para nosso autor, o corpo não pode ser considerado uma coisa entre outras coisas, um mero objeto a ser consumido, mas converte-se numa dimensão constitutiva do humano, num palco privilegiado de manifestação da subjetividade e da condição existencial do homem no mundo. Por isto, o corpo é o lugar essencial de manifestação do sentido da vida humana, não certamente como um sentido racional e pacificador, mas como aquele onde se tornam visíveis os nossos conflitos e que bem pode ser interpretado, portanto, como sendo um sentido trágico da vida.

2. O esquema corporal enquanto uma estrutura libidinal, mas também social – Merleau-Ponty leitor de Paul Schilder

Ronaldo Manzi Filho

Possui graduação em filosofia pela Universidade Católica de Goiás e mestrado em filosofia pela Universidade de São Paulo. Atualmente é doutorando em Filosofia nesta universidade e aluno do curso de formação em Psicanálise no Centro de Estudos Psicanalíticos. Participa do grupo de pesquisa do Laboratório de Estudos em Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP / USP).

Em 1950, Paul Schilder publica uma obra de grande valia para as reflexões de Merleau-Ponty. Trata-se de um estudo sobre a “energia construtiva do psíquico”, denominado The image and appearance of the humain body. O livro é importante para as análises de Merleau-Ponty não só por trazer um tema caro à sua filosofia, o esquema corporal, mas também por propor uma espécie de promiscuidade entre os esquemas corporais, nos termos do filósofo. Ou seja, Schilder irá propor ao mesmo tempo uma estrutura libidinal entre os esquemas corporais como uma sociologia desses esquemas utilizando-se principalmente da psicanálise em seus estudos. Pretendo mostrar como a incorporação desse tema na experiência filosófica de Merleau-Ponty possibilitava-o a repensar as relações intersubjetivas. Doravante, seria preciso falar de uma intercorporeidade, ou seja, numa promiscuidade entre os corpos, como se ele estivesse propondo aquilo que Klein denominou de projeção-introjeção da criança com a mãe…

3. O que pode um corpo jovem?

João Batista de Menezes Bittencourt

Doutorando em Ciências Sociais (IFCH/UNICAMP)

Espinosa escreveu em sua Ética, que não sabemos o que pode um corpo, se referindo a impossibilidade do domínio deste e de suas paixões pelos decretos da consciência. Ao fazer essa afirmação, o filósofo não estava querendo fundamentar a superioridade de uma instância sobre outra, mas, se contrapor ao principio moral que instituiu a cisão entre corpo e alma. A teoria espinosista das afecções indica que as modificações nos corpos e nas idéias são resultados de encontros, que podem aumentar ou diminuir nossa potencia de pensar e agir. Entendo, que as idéias de Espinosa, que posteriormente foram desenvolvidas por Deleuze & Guattari, fornecem pistas importantes para a construção de uma teoria contemporânea do corpo, que deixa de ser percebido como um construto biossocial para ser pensado em sua constituição afetiva. Inspirado pelo questionamento de Espinosa lanço a seguinte pergunta: o que pode um corpo jovem? O intuito dessa proposta é compreender quais os afetos estão em jogo na produção da experiência corporal dos jovens em nossos dias. Nesse artigo, privilegiaremos as práticas ascéticas encabeçadas pelos/as adeptos/as do estilo de vida straightedge, jovens que utilizam o corpo como lócus privilegiado para a exposição de seus posicionamentos e visões de mundo.

MESA 14: Corpos Em Cena.

1. A carpideira e seu duplo: corpo em lamentação na sociedade do espetáculo hoje-em-dia.

Marios Chatziprokopiou

Mestre em Antropologia Social (EHESS)

Doutorando em Estudos Teatrais/Etnocenologia

(Universidade Paris8/UFBA)

Neste trabalho propomos uma reflexão sob a relação entre o corpo em lamentação e o seu registro audiovisual, ou seja, entre a performance fúnebre e a sua mediatização digital. Este estúdio é o resultado de pesquisas e filmagens em dois campos distantes: os ameríndios Krahô do Brasil Central e as mulheres da região grega de Epiros. Ambos foram examinados não como territórios “tradicionais” ou “isolados”, mas como lugares–fronteiras entre o passado e a surmodernité (segundo Marc Augé) do espetáculo globalizado.

Contrariamente aos protagonistas dos primeiros etno-documentáis, os Krahô e as mulheres de Epiros parecem bastante familiarizados com o seu duplo. Mostram-se conscientes do grau de sedução que seu corpo performático exerce sobre seus numerosos caçadores. Assim, ousamos falar de corpos em via de (auto)espectacularização.

Contudo, o que acontece nestes corpos, cômodos ou gozados com o lente, quando  se doam à performance de um lamento? O que acontece quando alguém tenta espetacularizar um momento assim? Como e por que imortalizar com a imagem gravada o rito para a morte? Que acontece quando alguém pede registrar um lamento fora do seu contexto ritual? E, o que se faz com as imagens destes corpos em dor?

Será que estas reflexões ajudar-nos-iam a compreender porque nas nossas sociedades os cadáveres e o seu luto público são cada vez mais censurados ao mesmo tempo que a morte e a dor se transformam cada vez mais em espetáculo?

2. Notas sobre práticas e usos do corpo no Teatro Pós-Dramático.

Hayaldo Copque Fraga de Oliveira

Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFBA

Em 2007, foi lançado no Brasil o famoso e polêmico livro do teórico alemão Hans-Thies Lehmann intitulado “Teatro pós-dramático”, no qual o autor reúne um abrangente conjunto de grupos e encenadores que se desvinculam de toda uma tradição do teatro nos moldes aristotélicos. Uma extensa e multifacetada lista que inclui nomes como Robert Wilson, Jan Fabre, Peter Brook, Robert Lepage, Pina Bausch, Tadeusz Kantor, Jerzy Grotowski, DV8 e Heiner Muller. O presente artigo aborda, panoramicamente, as características de alguns desses grupos e encenadores em relação a utilização do corpo, buscando entender as causas e o que representa esse novo direcionamento.

3. Sabores e perfumes de uma prática corporal criativa: a dança pelos sentidos

Patrícia Leal

Docente da escola de Dança da UFBA

Para o presente colóquio apresento parte de minha pesquisa[10] de doutoramento intitulada “Amargo Perfume: a dança pelos sentidos”, orientada pela Profa. Dra. Elisabeth Zimmermann, e concluída no Instituto de Artes da Unicamp. A pesquisa desenvolve processos de criação que utilizam os sentidos do olfato e do paladar como estímulos primeiros e propõe propostas metodológicas baseadas nos sentidos, utilizando a improvisação em sua perspectiva integradora entre preparação corporal, interpretação e criação.

Para a discussão no colóquio verticalizo a reflexão sobre a prática criativa baseada nos sentidos do olfato e do paladar e na relação destes sentidos com os sentimentos, a partir da compreensão das tipologias Junguianas, já citadas nos trabalhos de Laban para qualificar a atitude interna relacionada aos fatores do movimento. Sentimento, neste caso, qualifica a fluência, que modifica como os movimentos são feitos, em termos de fruição, progressão, integração. A fluência se exercita logo nos primeiros meses de vida, até mesmo na vida intra-uterina quando o bebê experimenta através do mamar, do chupar o dedo, do ritmo da respiração e do coração da mãe as qualidades de liberdade e controle da fluência, extremamente relacionadas às percepções olfativas e gustativas.

A linguagem da dança pelos sentidos é uma opção pelo conhecimento lento e contínuo. Promove a presença, a atitude sem ansiedade, a reflexão do saber, o sabor sentido e significativo.

MESA 15: Alienação, Narcisismo e Simulacro – corpo capital.

1. A dimensão do corpo na alienação

Valesca Bertanha

Psicanalista, integrante do Laboratório de Estudos em Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da Universidade de São Paulo (LATESFIP / USP).

O conceito de alienação em Marx está diretamente relacionado ao trabalho. A apresentação pretende tratar da questão do corpo sob a óptica da alienação em Marx; mas também pretende apontar para uma tendência atual de se tomar o corpo como um produto, resultado de intervenções que parecem buscar transformá-lo em objeto de fetiche; ou seja, trata-se de um corpo reificado. Isso parece surgir como uma alienação a mais, sobreposta àquela inerente ao trabalho. Para uma melhor compreensão dessa segunda alienação, teve-se de recorrer à idéia de alienação imaginária em Lacan.

2. Corpo e consumo: simulacro e narcisismo dirigido

Luiz Moreno Guimarães Reino

Graduado em Psicologia na Universidade de São Paulo (2007), estudante de letras clássicas pela FFLCH – USP e mestrando do Instituto de Psicologia desta mesma Universidade.

Passando em frente a qualquer banca de jornal – folheando qualquer revista, ou assistindo a um canal de televisão – depara-se, sem muito esperar, com o uso do corpo na publicidade, ou seja, o uso do corpo para vender. E, de fato, o corpo vende. Vende algum produto, vende a si mesmo, vende uma imagem, vende também princípios que coordenam o uso do próprio corpo, como se vendesse o corpo a si mesmo.

Neste trabalho pretendo tecer algumas considerações entre corpo e consumo. Para tanto faremos um pequeno passeio fenomenológico por algumas propagandas que usam o corpo para vender, ou matérias que visam incidir na relação do leitor com o próprio corpo. Jean Baudrillard será nosso teórico central, principalmente nos livros A sociedade de consumo(1970) e Simulacro e Simulações (1981). Mais especificamente, veremos em que medida os conceitos de narcisismo dirigido e simulacro nos ajudam a pensar as escusas, porém transparentes, relações entre corpo e consumo.

3. As modificações corporais como produção de um Corpo Simulacro.

Daniel Lírio

Psicólogo, mestre pelo Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de São Paulo.

Jean Baudrillard desenvolve o conceito de simulacros, produtos culturais que dissimulam a ausência de um elemento real de forma tão perfeita que esse elemento parece estar ainda mais presente do que se poderia esperar, ele está hiperpresente. A “vantagem” é a eliminação de efeitos indesejáveis desse elemento, mas garantindo o funcionamento esperado do produto. Os exemplos mais banais seriam a cerveja sem álcool, o café sem cafeína e o doce sem açúcar. Por sua vez, as redes de relacionamento, como Orkut e FaceBook promovem relacionamentos entre “pessoas reais”, cuja  realidade pode  ser trabalhada e purificada de seus detalhes chocantes. Desta forma, a vida passa pelo photoshop, pessoas e conteúdos inconvenientes são suprimidos e a comunidade continua como se jamais tivessem existido.

Nesta apresentação, discuto os exemplos de modificadores corporais, como o homem-lagarto e Stelarc (em busca do cyber-humano) e tantos outros que constroem uma noção de corpo cuja  humanidade não pode ser negada ou afirmada. Esses corpos funcionam para o espectador como se houvessem superado os limites do corpo humano, mas seus “sujeitos” devem ter muito claro seus limites e fragilidades. Por embaçarem a distinção entre realidade e imaginário, pode-se dizer que esses praticantes atingiram a 4a fase das simulações, a simulação do simulacro.

 


Instituto de Psicologia da USP

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CEP 05508-030
Cidade Universitária - São Paulo - SP

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