Disciplina/Curso - PST: Antropologia da pele e condutas de risco dos jovens Imprimir E-mail
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ANTROPOLOGIA_
David Le Breton, importante antropólogo francês , professor de sociologia na Université Marc Bloch de Estrasburgo (França). Membro do Institut Universitaire de France ; membro do laboratório UMR-CNRS « Cultures et sociétés en Europe »,  oferecerá, pelo programa de Pós-graduação em Psicologia Social, o curso “ Antropologia da pele e condutas de risco dos jovens.”.
O Prof. Le Breton é um dos mais conhecidos autores do tema da corporeidade, tem como obras publicadas no Brasil: “A sociologia do corpo” (Vozes, 2006) e “Adeus ao corpo. Antropologia e sociedade” (Papirus, 2003), dentre outros títulos.
Convido a todos a participarem deste interessante evento, assim como os alunos de graduação e pós-graduação.

O curso  será ministrado no período de 8 a 10 de fevereiro de 2011, das 9h00 às 13h00, no auditório Aurora (sala 20), no Instituto de Psicologia da USP . As aulas serão ministradas em português.

 
Professor Associado Nelson da Silva Junior

 NOME DA DISCIPLINA:
Antropologia da pele e condutas de risco dos jovens.
 
PROGRAMA/ÁREA: Psicologia Social, antropologia
  
Nº DE CRÉDITOS: 2
 
DOCENTES RESPONSÁVEIS :
 
David Le Breton/ Nelson da Silva Junior
 
PROGRAMA

OBJETIVOS:
- Adequar o seminário aos participantes, enquadrando a intervenção em função das pesquisas conduzidas no interior do laboratório e da faculdade que convidam, suscitando curiosidade e induzindo um campo de questionamento, uma possibilidade para os participantes intervirem para aumentar a contribuição de conhecimento.
- Destacar as lógicas antropológicas que alimentam as condutas de risco e ver em que medida os elementos culturais estão em jogo entre a sociedade brasileira e a sociedade francesa.
- Mostrar que a pele, enquanto órgão de contato que é, de uma só vez, real e metafórica, é uma instancia de regulação das tensões vividas pelo sujeito.
- Mostrar as convergências e as diferenças que separam as abordagens psicanalíticas e antropológicas.
 
JUSTIFICATIVA:
 
As condutas de risco são maneiras ambivalentes de lançar um apelo aos mais próximos, aos que importam. Elas formam uma última maneira de fabricar sentido e valor, testemunham a resistência ativa do jovem e suas tentativas de se recolocar no mundo. A despeito do sofrimento que elas acarretam, elas possuem um lado, apesar de tudo, positivo: elas favorecem a autonomização do jovem, a busca de suas marcas; elas abrem-lhe uma imagem melhor de si; elas são um meio de se construir uma identidade. Elas não são menos dolorosas que suas conseqüências através dos ferimentos ou das mortes que elas originam, a dependência. Não esqueçamos, no entanto, que o sofrimento está no começo, perpetuado por uma conjunção complexa entre uma sociedade, uma estrutura familiar e uma história de vida.
As provas que os jovens se infligem espontaneamente no grupo, mesmo se elas são perigosas e dolorosas, respondem a esta necessidade interior de se desenraizar de si mesmo e renascer em uma outra visão de si, melhor, após ter encarado realmente ou simbolicamente a morte. Essas provas são ritos íntimos, privados, auto-referenciais, não-sabidos, desprovidos de qualquer crença, e dão as costas a uma sociedade que busca preveni-los. Talvez mesmo elas provoquem um sentimento de renascimento pessoal, transformando-se em formas de auto-iniciação (Le Breton, 2003, 2007).
 A adolescência é, em sentido figurado, uma existência a flor da pele, mas também real no sentido de que as fronteiras do sentido ainda penam para se estabelecer. A pela é uma metáfora da relação com outrem, ela mede, com efeito, a qualidade de contato (Le Breton, 2007; 2003). Ela é o lugar da interface com outrem. A pele encerra o corpo, os limites de si; ela estabelece a fronteira entre o dentro e o fora de maneira viva, porosa, porque ela é também abertura para o mundo, memória viva. A pele é objeto de uma reivindicação estética, mas simultaneamente, através da importância dos ataques ao corpo nas gerações jovens, notadamente por meio das escarificações, encarna o lugar sensível da identidade contemporânea, traduzindo a ambivalência, a fronteira ambígua e difícil entre si e o outro que implica uma mobilização e uma preocupação sem descanso. A pele é saturada de inconsciente e de cultura, ela desvela o psiquismo do sujeito, mas também a parte que ele toma no interior do laço social, a história que o banha. O privado e o público se juntam nela. Sempre matéria de sentido, a pele é o ponto de contato com o mundo e os outros. Lugar de saudação através de uma identidade anunciada e fortemente investida, o corpo é para outros (ou os mesmos) aquele da queda, do ensimesmamento do qual se deve livrar riscando, apagando e subvertendo a forma do corpo para, enfim, aceder a si.
 Apoiando-se sobre as pesquisas realizadas no curso dos últimos anos e em relação às pesquisas efetuadas pelos membros do laboratório de psicologia, trata-se de amarrar uma troca aprofundada durante o seminário. Assim sendo, estando o laboratório fortemente implicado em uma pesquisa sobre as marcas corporais, uma parte do seminário será a elas consagrado. Da mesma maneira, condutas de risco de jovens, como os transtornos alimentares, por exemplo, objeto de teses ou pesquisas serão igualmente abordados.
 
 
CONTEÚDO (EMENTA):

 
-      Apresentação das pesquisas, metodologia, percurso do professor convidado em relação à antropologia do corpo e à antropologia as condutas de risco das gerações jovens etc.

-      As marcas corporais: da assinatura ao apagamento ou das tatuagens e piercings aos ataques ao corpo.

-      Abordagem antropológica das condutas de risco.

-      O corpo nas sociedades contemporâneas.



BIBLIOGRAFIA GERAL
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Instituto de Psicologia da USP

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