Lançamento do Livro: Estrutura e Constituição da Clínica Psicanalítica - 2/9/2011 Imprimir E-mail
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A história da psicanálise é tema do livro do psicanalista e professor da USP Christian Dunker

livro

Depois de fazer sucesso na Inglaterra, onde foi lançado pela Karnac Books em dezembro de 2010, Estrutura e constituição da clínica psicanalítica: uma arqueologia das praticas de cura, psicoterapia e tratamento, do psicanalista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Christian Ingo Lenz Dunker, é editado no Brasil pela AnnaBlume. O livro oferece uma análise profunda das raízes da psicanálise ao refazer a história das práticas de cura, tratamento e terapia da Grécia antiga ao século XXI. Constrói, assim, um retrato de como enfrentamos as mais diversas formas de sofrimento ao longo do tempo, servindo tanto para psicanalistas e psicólogos como para médicos e aqueles que lidam com a saúde mental.



Em entrevista ao site da Karnac Books (http://karnacbooks.blogspot.com/2010/11/constitution-of-psychoanalytic-clinic.html), o autor explica que sua obra é resultado de um desafio proposto por Erica Burnan e Ian Parker, professores da Manchester Metropolitan University, instituição na qual Christian Dunker concluiu seu pós-doutorado ("poderia alguém escrever uma espécie de história das práticas que constituem a psicanálise”, da mesma forma que Hegel esceveu a Fenomenologia do Espírito, mas que seja conectada às relações de poder e às estruturas de práticas sociais?), bem como de uma demanda prática de seus alunos do curso de psicologia da USP, que, diante da necessidade de atender pacientes pela primeira vez, procuram se informar sobre a história da atividade que começam a exercer.


“A única resposta que temos diz respeito à história da própria psicanálise, não à história das habilidades especiais que você deve ter para enfrentar as questões de tratamento, cura e terapia como uma experiência clínica. Desta forma, o livro resulta de uma demanda prática, mas eu tento responder de forma articulada e crítica, não simplesmente em termos de um repertório de práticas, mas como uma lógica histórica”, comenta Christian, acrecentando que fez em seu livro uma espécie de arqueologia e de genealogia de práticas sociais que subsidiaram historicamente o tratamento psicanalítico. “Elas são agrupadas em torno das noções de restabelecimento, sanação e cura, que explicam porque a psicanálise é ao mesmo tempo uma forma de clínica, um tipo de psicoterapia e um modo de cura. “O que distingue essas três linhagens de tratamento da alma não são as suas técnicas nem as suas concepções de mundo ou de homem, mas a sua maneira de articular o problema do poder que se expressa na ideia de influência, sugestão ou carisma (na prática psicoterapêutica); ou no poder que é conferido ao médico dentro do dispositivo clínico; ou, ainda, no poder que é conferido à palavra na experiência da cura.”


Em cada capítulo, de forma articulada e crítica, o autor analisa um caso-modelo, ligando-o às estruturas de poder subjacentes: a mitologia, o xamanismo, a retórica e terapias de compromisso narrativo, a medicina da alma (Platão, Empédocles, Hipócrates), a encenação das tragédias gregas, o cuidado de si helênico, a arte da escrita como uma cura da alma (no trabalho, por exemplo, de Montaigne), entre outras, até chegar às estratégias clínicas da modernidade (Descartes, Kant e Hegel são examinados com relação à prática que inspiram: método, meditação, regulamentação da alma, patologia, experiência da loucura, hipnotismo e auto-historicização).


 “Temos de confrontar essa tendência que temos em ver a nossa prática como algo imune às relações de poder ou como uma simples extensão do tratamento médico. Há muito discurso psicoterapêutico na política, na religião, na educação e em outras atividades moralizantes. A ideia de que a autoridade para tratar e curar requer faculdades incompreensiveis e habilidades ocultas é muitas vezes empregada para silenciar a crítica e apoiar a atitude obediente em diferentes tratamentos de "saúde"  (médicos, nutricionais, psicológicos, de reeducação etc.). Em contraste, a perspectiva psicanalítica de que a clínica é um tipo de risco que o paciente tem de assumir, para embarcar na aventura de descobrir coisas sobre si mesmo e sobre a sociedade em que vive, é realmente muito simples e poderosa. O princípio de que a psicanálise, em particular, envolve necessariamente uma espécie de relação de poder é importante: a análise não é consenso.”


Originalmente, a tese de livre-docência de Dunker deu origem à obra, o que serve de ótimo exemplo da crescente importância e do reconhecimento que a pesquisa brasileira tem recebido no exterior. O lançamento pela Karnak Books ocorreu simultaneamente na London School of Economics (Londres), na Manchester Metropolitan University (Manchester) e na Independent University (Dublin), em conjunto com os trabalhos dos professores Stephen Frosch (Birckbeck University) e Ian Parker (Manchester Metropolitan University). A capa é do premiado artista plástico paulista Sérgio Fingermann e a primorosa tradução, de Terence Hill.


Christian Ingo Lenz Dunker nasceu em 1966. É psicanalista-membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano e professor da Universidade de São Paulo (USP). Fez pós-doutorado na Universidade Metropolitana de Manchester e é professor livre-docente do Instituto de Psicologia da USP. Dirige, junto com o professor Vladimir Safatle, o Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP. É autor dos livros Lacan e a Clínica da Interpretação (Editora Hacker, 1996) e O Cálculo Neurótico do Gozo (Editora Escuta, 2002) e articulista permanente das revistas Mente e Cérebro e Carta Maior. Publicou dezenas de capítulos e artigos científicos sobre psicanálise e teoria de clínica, crítica da cultura e ciências da linguagem.

 

Nunca antes a história da clínica psicanalítica foi coberta de forma tão abrangente e com tanto discernimento crítico. Neste volume-marco, Christian Ingo Lenz Dunker demonstra que o surgimento e o desenvolvimento da psicanálise como prática clínica não podem ser compreendidos sem levar em conta os minuciosos e extensos debates filosóficos sobre a subjetividade e a cura mental precedentes. A Constituição da Clínica Psicanalítica: História de Sua Estrutura e Poder (The Constitution of the Psychoanalytic Clinic: A History of Its Structure and Power) faz para os princípios do tratamento psicanalítico o que Henri Ellenberger fez para a psiquiatria dinâmica em A Descoberta do Inconsciente (The Discovery of the Unconscious): enciclopédico mas ainda assim crítico, o autor oferece um relato histórico da disciplina clínica, dando aos psicanalistas, sociólogos e historiadores da cultura um novo objeto de estudo para as gerações vindouras.  Dany Nobus, professor da Universidade de Brunel



Se estamos interessados em tudo o que constitui o estudo adequado da evolução histórica das práticas que caracterizam a psicanálise, então tomemos um par de coisas a sério: a observação de Freud de que devemos estudar a história da civilização,  a mitologia,  psicologia da religião , a história literária e a crítica literária; e a ideia de Lacan de que adicionamos retórica, dialética, gramática e poética a essa lista. Com esse fabuloso livro, Chris Dunker sinaliza todas as arcas de uma arqueologia lindamente esboçada nos tipos de conhecimento que tornam possíveis, por um lado, a emergência da psicanálise e, por outro, a genealogia de sua prática. Carol Owens, psicanalista, Dublin


Por que a psicanálise tem sido isenta, até agora, de inquéritos arqueológicos e genealógicos? Quais são as fissuras, "as zonas de instabilidade", no discurso da psicanálise?  Ética e poder têm natureza distinta? Que poder e influência os psicanalistas têm sobre seus analisandos? O que dizer do “contrapoder”da psicanálise? E o que dizer da possibilidade de nos libertarmos de nós mesmos? A análise acadêmica de Dunker da estrutura e da constituição da clínica é uma contribuição positiva para o discurso da psicanálise. É um trabalho de profundidade considerável e uma leitura essencial para qualquer pessoa que tenha envolvimento com a psicanálise e está preocupada com as consequências e as possibilidades de seu poder. Revelli Simona, psicanalista, Londres


Titulo: Estrutura e constituição da clínica psicanalítica: uma arqueologia das praticas de cura, psicoterapia e tratamento
Autor: Christian Ingo Lenz Dunker

Editora: AnnaBlume  (657 páginas)
Lançamento: 2 de setembro de 20110


 


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