| Discplina no IP fala sobre a importância de gestos comunicativos entre pais e crianças - 16/5/2012 |
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O Departamento de Psicologia Experimental promoveu entre os dias 8 e 10 de maio de 2012, a disciplina de pós-graduação intitulada "Atenção Conjunta e Comunicação Gestual: uma perspectiva comparativa”, ministrada pela pesquisadora Dra. Monika Abels, da Universidade Osnabrück, na Alemanha.
Esta é uma cena típica de sociedades "ocidentais", mas é típico em outras partes do mundo também? Nas sociedades ocidentais, bebês saudáveis com cerca de 9 meses de idade começam a compartilhar o foco de sua atenção com os outros. Nessa idade, eles começam a seguir a direção do olhar, apontar e mostrar coisas para as pessoas verem. A habilidade de compartilhar atenção continua a se desenvolver ao longo do segundo ano de vida da criança. A proposta desta disciplina é apresentar os principais aspectos da atenção conjunta e da comunicação gestual numa perspectiva comparativa. Por um lado, incluindo comparações com primatas não humanos e, de outro, abordando a perspectiva transcultural. Os alunos irão aprender sobre a importância da atenção conjunta e dos gestos, particularmente o comportamento de apontar, para o desenvolvimento da comunicação em humanos e como estes se desenvolvem. Conhecerão ainda os procedimentos metodológicos para identificar, medir e analisar gestos comunicativos como, apontar e seguir com olhos, utilizados como representantes da habilidade de se engajar em atenção conjunta. A Disciplina destina-se a compreender de como as crianças e as mães em diferentes comunidades culturais, que tem sido o foco de pesquisa da Dra. Monika Abels, produzem atenção conjunta. Os estudos sugerem que as culturas diferem muito em como as crianças são tratadas. Comunidades culturais divergem na forma como tratam a criança, algumas colocam mais ênfase nas interações corporais (por exemplo, carregando o filho ou fazendo massagem), outros se concentram mais no contato face a face e na estimulação por meio de brinquedos. Além disso, algumas comunidades veem o bebê como um indivíduo capaz de se engajar em interações desde o nascimento e de obter atenção exclusiva da mãe. Outras comunidades consideram que os membros mais velhos da sociedade também participam da educação do bebê, e a atenção não é exclusiva, as interações acontecem em grupos maiores ou dentre outras atividades que a mãe executa. Espera-se que estas diferenças sejam encontradas também no modo como a atenção é dirigida. Monika Abels analisou este comportamento nas famílias rurais e urbanas na Índia e encontrou algumas diferenças nas situações em que o apontar e os sinais corporais são usados, refletindo estilos diferentes de interação: as mães urbanas seguem um estilo em que tanto a criança quanto a mãe determinam a interação e as mães rurais seguem um estilo em que principalmente a mãe comanda a interação. É importante entender essas diferenças porque o comportamento de apontar está relacionado ao desenvolvimento de outras habilidades da criança, por exemplo, a rapidez com que aprendem a língua. Esta pode ser uma conexão exagerada ao comportamento de apontar, uma vez que, outras comunidades culturais podem produzir atenção conjunta de outras maneiras. Por exemplo, para as crianças indianas o comportamento de voltar-se para objetos interessantes também foi relacionado com o desenvolvimento da linguagem. O comportamento de apontar também tem sido utilizado como um indicador de distúrbios do desenvolvimento que afetam as interações sociais, tais como desordens do espectro do autismo. É importante saber como os sinais corporais são usados e compreendidos em outras comunidades culturais para entender qual aspecto estes distúrbios podem assumir. A disciplina ainda propõe-se a esclarecer as possíveis continuidades entre o comportamento humano e de outros animais, discutindo temas como o comportamento apresentado pelos cães de seguir a direção da cabeça dos humanos quando estes se voltam para algo e como macacos jovens aprendem gestos para indicar para suas mães que querem brincar ou comer. Por Monika Abel e Ana Karina |




