Professora do IP apresenta projeto que investigará aspectos psicológicos que levam profissionais da saúde a não aderir as práticas de prevenção e controle de infecção hospitalar - 22/5/2012 Imprimir E-mail
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IX_SIMPOSIO_IH_2012_105A convite da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, a Profa. Dra. Maria Lívia Tourinho Moretto, do Departamento de Psicologia Clínica do IPUSP, proferiu a palestra intitulada “Entre o saber e o fazer – sobre as dificuldades e os desafios propostos nas práticas de controle de infecção hospitalar”, durante o IX Simpósio Estadual de Infecção Hospitalar, que aconteceu no dia 10 de maio de 2012, na Casa de Portugal, em São Paulo.


A Profa. Maria Lívia apresentou para um público de 450 profissionais de assistência à saúde o projeto “Investigação das dificuldades humanas de profissionais de saúde nas práticas de controle de infecção relacionada à assistência à saúde”. Trata-se de uma pesquisa solicitada ao IP, pela Secretaria de Saúde do Estado que visa investigar os aspectos psicológicos que levam um profissional a não aderir às práticas de prevenção e controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). Com os resultados deste trabalho, vai possibilitar a criação de estratégias mais eficazes de controle das infecções hospitalares.


O Projeto

Em outubro de 2011, a Secretaria de Saúde do Estado incumbiu a Profa. Anna Sarah Levin, responsável pelo controle de infecção nos hospitais da rede, a procurar o Instituto de Psicologia e propor uma parceria com as outras duas instituições da USP, a Faculdade de Medicina e a Escola de Enfermagem, para estudar a gravidade do problema central da pesquisa que leva a cerca de 100 mil mortes por ano no Brasil.


Segundo Maria Lívia, não fosse o comportamento dos profissionais, muitas situações poderiam ser evitadas: “Uma das principais causas da ocorrência dessas infecções é a não adesão dos profissionais de assistência à saúde às práticas de controle de infecção hospitalar, entre elas a lavagem das mãos”, diz.


Existem pesquisas que comprovam que a maioria dos profissionais de saúde conhece as normas de prevenção. Eles passam por avaliação, recebem as melhores notas e estão aptos a trabalhar em UTIs. Portanto, apesar de a educação continuada ser importante, ela não é suficiente para evitar o problema. “A pesquisa tenta entender a dissociação dos profissionais faz entre o que se sabe e o que se faz na prática”, acrescenta Maria Lívia. Ainda segundo a professora, é provável que haja alguma relação entre os aspectos psicológicos e as taxas de adesão dos profissionais de saúde às práticas de controle de infecção hospitalar.


A implantação do projeto acontecerá em quatro UTIs do Instituto Central do HC, e o público-alvo serão médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. A primeira etapa será a de observação e ficará a cargo das Faculdades de Medicina e de Enfermagem. Por três meses profissionais observarão o comportamento com base no protocolo de observação das comissões de controle de infecção hospitalar e essa observação vai permitir que a classificação de duas categorias: uma de adesão e outra de não adesão. Em seguida, os profissionais desses dois grupos serão convidados a serem sujeitos de pesquisa para o Instituto de Psicologia, que prosseguirá com avaliação psicológica, entrevistas e investigações de aspectos que possam traduzir as dificuldades humanas ligadas ao controle de infecção.


Duas hipóteses apontadas pela Profa. Maria Lívia tentam explicar essas dificuldades: o nível de stress dos profissionais (fator que não é levado em conta em dados oficiais) e o nível de autonomia dos profissionais (quanto mais eles se acham autônomos, mais eles deixam de cumprir as práticas de prevenção).


A Secretaria de Saúde deposita expectativas na investigação para minimizar o problema, uma vez que, além do risco de morte, o montante gasto com treinamentos e tratamentos dessas infecções tem sido consideravelmente alto para o Estado. “A previsão é de que, em dois anos, possa ser possível fazer o rastreamento das dificuldades”, completa a Profa. Maria Lívia.


Além da Profa. Dra. Maria Lívia Tourinho Moretto, são também coordenadoras do projeto a Profa.  Dra. Anna Sarah Levin, da Faculdade de Medicina, e a Profa. Dra. Maria Clara Padoveze, da Escola de Enfermagem. A equipe do IPUSP conta com a participação da psicóloga Cláudia Vidigal e dos alunos de iniciação científica Marina Lopes, Cesar Dias de Oliveira, Bruna Assunção, Daniella Silva Almeida e Tereza Cristina de Cala.

Mais informações:  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.  

Relatório Acadêmico – clique aqui


Por Islaine Maciel
Informações: Maria Lívia Tourinho Moretto

Fotos: Cecilia SS Abdalla (Cissa) – Comunicação/ CVE/
Secretaria de Estado da Saúde

 


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