Sublimação, responsabilidade política e ausência – colóquio no IPUSP discute a carga do “teórico” na atualidade - 15/6/2012 Imprimir E-mail
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O IPUSP, em conjunto com a Universidade Paris Diderot - Paris 7, organizou recentemente o colóquio Sublimação e Responsabilidade Política do Teórico. Este foi o terceiro colóquio internacional da Rede de Pesquisas Sublimação e Processos Culturais realizado nas dependências do IPUSP, o primeiro após o convênio firmado entre as duas universidades.

Daniel Kupermann, vice-chefe do Departamento de Psicologia Clínica - PSC-IPUSP e um dos organizadores do evento, explica que a rede de pesquisas em questão tem escala global, com a participação de pesquisadores de laboratórios do mundo todo, e visa refletir sobre a sublimação e sua relação com a cultura. A iniciativa de desenvolvimento da rede foi da professora Sophie de Mijolla-Mellor, diretora da École Doctorale “Recherches em Psychanalyse” da Paris 7 e uma das conferencistas do colóquio.

 

Kupermann esclarece que o conceito de sublimação tem origem freudiana e “basicamente se refere à possibilidade de transformar energia libidinal, ou sexual, em cultura”. O professor alerta para a complexidade de se estudar tal conceito, por conta da sua interface com diversos campos da psicologia e pelo peso que tem para a vida humana: ”pois a sublimação é exatamente a possibilidade humana de viver em sociedade. Como é que você, um animal pulsional, vamos dizer assim, de alguma maneira consegue sublimar essas pulsões para poder conviver com o outro, produzir cultura, ciência, arte, ser educado e educar?”. E destaca a importância da sublimação como objeto de estudo relevante nesse momento justamente pela sua ausência: “nesse sentido, por certas características da cultura contemporânea, a sublimação seria um conceito chave para entender aquilo que está acontecendo [na sociedade], que impede que as pessoas sublimem”.

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Sobre a “responsabilidade política do teórico”, o professor chama atenção para a pluralidade de sentido do termo teórico, que se refere “tanto a aquele que produz teoria quanto ao adjetivo referente à teoria propriamente dita”, o que amplia a discussão. E explica que, ao discutir uma “responsabilidade política”, traz-se a ideia de que a psicanálise precisa dialogar com outros saberes e discutir questões que permeiam a sociedade, como a política, a economia e a violência.


O professor Kupermann foi responsável pela abertura do colóquio, que se desenvolveu em três conferências: “Dada a morte – implicação e responsabilidade política dos intelectuais”, explanada pela profa. Sophie de Mijolla-Mellor, “O incontornável desejo de servidão como fonte de violência”, proferida pelo prof. Christian Hoffmann, também da Universidade Paris 7, e a conferência de encerramento realizada pelo professor Joel Birman, do Instituto de Medicina Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro IMS – UFRJ e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ. A profa. Ana Maria Loffredo, do departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade - PSA-IPUSP, e o prof. Nelson da Silva Júnior, do departamento de Psicologia Social e do Trabalho - PST-IPUSP, - ambos também organizadores do evento - foram responsáveis por debater, respectivamente, a primeira e a segunda conferência.


A respeito do texto da prof. de Mijolla-Mellor, Loffredo destaca uma contribuição no sentido de pensar o papel específico que a psicanálise e os psicanalistas tem a ocupar no cenário político contemporâneo, cenário este global e calcado na violência. Pensando no desenvolvimento da psicanálise ao longo do tempo, colocou-se em questão ainda a contribuição única da área a partir de recursos, instrumentos e teorias próprios. Nas palavras da prof. Loffredo: “como o psicanalista de alguma forma entra no campo político por meio daquilo que o seu referencial teórico tem a oferecer.” Abordou ainda a questão do engajamento político dos intelectuais, levantando dúvidas sobre a circulação de suas teorias: “Nós estamos ou não implicados com os efeitos do nosso trabalho?”.


Sobre a importância do colóquio, Ana Maria Loffredo destacou o incentivo ao convênio internacional, a participação dos alunos de graduação e pós-graduação, o contanto entre profissionais, além da posterior publicação de periódicos sobre o tema.


Ainda, colocou o evento como uma posição na discussão da responsabilidade do psicanalista: “Estamos, de alguma forma, fazendo o que comentamos acerca do que a psicanálise tem a oferecer no debate contemporâneo”.


Por Ana Paulo Machado

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Sublimação, responsabilidade política e ausência – colóquio no IPUSP discute a carga do “teórico” na atualidade

 

Programação


Abertura – Prof. Dr. Daniel Kupermann (Vice-Chefe do Departamento de Psicologia Clínica - PSC-IPUSP)


Conferência:
Dada a morte – implicação e responsabilidade política dos intelectuais - Sophie de Mijolla-Mellor – Universidade Paris 7 – Denis-Diderot
Debatedor: Profa. Ana Maria Loffredo ( Departamento de  Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade - PSA-IPUSP)


Conferência:
O incontornável desejo de servidão como fonte de violência - Christian Hoffmann – Universidade Paris 7 – Denis-Diderot
Debatedor: Prof. Dr. Nelson da Silva Jr. (Departamento de Psicologia Social e do Trabalho PST-IPUSP)        


Conferência de Encerramento:
Prof. Dr. Joel Birman (UFRJ-IMS/UERJ)


Coordenação do Evento:
Ana Maria Loffredo (PSA -IPUSP), Daniel Kupermann (PSC- IPUSP) e Nelson da Silva Jr. (PST-IPUSP).


Comitê Científico:
Christian Hoffmann (Universidade Paris 7); Joel Birman (UFRJ/IMS-UERJ); Marília Arreguy (FE-UFF); Sophie de Mijolla-Mellor (Universidade Paris 7).


Realização:
Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica, Programa de Pós-graduação em Psicologia Social e Programa de Pós-graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano.


Apoio institucional:
psiA - Laboratório de Pesquisas e Intervenções Psicanalíticas; LATESFIP - Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise; Laboratório de Psicanálise e Análise do Discurso - LAPSI/PSA; Laboratório de Psicologia Genética e Reabilitação Psicossocial; e Laboratório de Estudos e Pesquisas Psicanalíticas e Educacionais sobre a InfânciaApoio Financeiro: Pró-reitoria de Pós-graduação e IPUSP


 


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