| Sublimação, responsabilidade política e ausência – colóquio no IPUSP discute a carga do “teórico” na atualidade - 15/6/2012 |
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Kupermann esclarece que o conceito de sublimação tem origem freudiana e “basicamente se refere à possibilidade de transformar energia libidinal, ou sexual, em cultura”. O professor alerta para a complexidade de se estudar tal conceito, por conta da sua interface com diversos campos da psicologia e pelo peso que tem para a vida humana: ”pois a sublimação é exatamente a possibilidade humana de viver em sociedade. Como é que você, um animal pulsional, vamos dizer assim, de alguma maneira consegue sublimar essas pulsões para poder conviver com o outro, produzir cultura, ciência, arte, ser educado e educar?”. E destaca a importância da sublimação como objeto de estudo relevante nesse momento justamente pela sua ausência: “nesse sentido, por certas características da cultura contemporânea, a sublimação seria um conceito chave para entender aquilo que está acontecendo [na sociedade], que impede que as pessoas sublimem”.
Sobre a “responsabilidade política do teórico”, o professor chama atenção para a pluralidade de sentido do termo teórico, que se refere “tanto a aquele que produz teoria quanto ao adjetivo referente à teoria propriamente dita”, o que amplia a discussão. E explica que, ao discutir uma “responsabilidade política”, traz-se a ideia de que a psicanálise precisa dialogar com outros saberes e discutir questões que permeiam a sociedade, como a política, a economia e a violência. O professor Kupermann foi responsável pela abertura do colóquio, que se desenvolveu em três conferências: “Dada a morte – implicação e responsabilidade política dos intelectuais”, explanada pela profa. Sophie de Mijolla-Mellor, “O incontornável desejo de servidão como fonte de violência”, proferida pelo prof. Christian Hoffmann, também da Universidade Paris 7, e a conferência de encerramento realizada pelo professor Joel Birman, do Instituto de Medicina Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro IMS – UFRJ e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ. A profa. Ana Maria Loffredo, do departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade - PSA-IPUSP, e o prof. Nelson da Silva Júnior, do departamento de Psicologia Social e do Trabalho - PST-IPUSP, - ambos também organizadores do evento - foram responsáveis por debater, respectivamente, a primeira e a segunda conferência. A respeito do texto da prof. de Mijolla-Mellor, Loffredo destaca uma contribuição no sentido de pensar o papel específico que a psicanálise e os psicanalistas tem a ocupar no cenário político contemporâneo, cenário este global e calcado na violência. Pensando no desenvolvimento da psicanálise ao longo do tempo, colocou-se em questão ainda a contribuição única da área a partir de recursos, instrumentos e teorias próprios. Nas palavras da prof. Loffredo: “como o psicanalista de alguma forma entra no campo político por meio daquilo que o seu referencial teórico tem a oferecer.” Abordou ainda a questão do engajamento político dos intelectuais, levantando dúvidas sobre a circulação de suas teorias: “Nós estamos ou não implicados com os efeitos do nosso trabalho?”. Sobre a importância do colóquio, Ana Maria Loffredo destacou o incentivo ao convênio internacional, a participação dos alunos de graduação e pós-graduação, o contanto entre profissionais, além da posterior publicação de periódicos sobre o tema. Ainda, colocou o evento como uma posição na discussão da responsabilidade do psicanalista: “Estamos, de alguma forma, fazendo o que comentamos acerca do que a psicanálise tem a oferecer no debate contemporâneo”. Por Ana Paulo Machado ========================================================== Sublimação, responsabilidade política e ausência – colóquio no IPUSP discute a carga do “teórico” na atualidade
Programação Abertura – Prof. Dr. Daniel Kupermann (Vice-Chefe do Departamento de Psicologia Clínica - PSC-IPUSP) Conferência: Conferência: Conferência de Encerramento: Coordenação do Evento: Comitê Científico: Realização: Apoio institucional: |






