A vida com instruções - Revista Veja Especial - 09/01/2008 Imprimir E-mail
Notícias - Na Mídia

Num mundo cada vez mais complexo, em que os desafios no convívio social, familiar e profissional aumentam em progressão geométrica, adotar regras se tornou uma questão de sobrevivência. Mas é preciso saber escolher as que funcionam  

     

A certa altura do livro O Apanhador no Campo de Centeio, o célebre romance de J.D. Salinger, o professor Spencer diz ao aluno rebelde Holden Caulfield: "A vida é um jogo, rapaz. E ele deve ser jogado de acordo com as regras". O Apanhador foi escrito no início dos anos 50, em um tempo em que as regras para viver em sociedade eram em sua maioria guiadas pelo instinto, pelo bom senso, pela naturalidade, dando-se chance à sorte, ao destino, às surpresas. Hoje é diferente. As regras são produzidas em linhas de montagem e viraram mercadorias cada vez mais valorizadas. Jamais houve tanta gente vendendo e comprando ensinamentos sobre como se comportar no trabalho, conquistar o parceiro ideal, ficar mais bonito, melhorar o casamento, educar os filhos, falar bem em público, ganhar mais dinheiro... A lista é interminável.

Espalhou-se com força na corrente cultural do nosso tempo uma febre por regras que, teoricamente, podem garantir sucesso no enfrentamento das mais diversas situações. A evidência mais estridente dessa febre são os livros de auto-ajuda, um ramo de negócios que no último ano, no mundo, arrecadou 8,5 bilhões de dólares. No site da livraria virtual Amazon há nada menos que 37.000 livros diferentes que carregam no título a palavra rule (regra, em inglês). A essa enxurrada de regras compiladas em livros somam-se outras tantas transmitidas em programas de TV e palestras. Elas se tornaram rotina nas empresas como forma de motivar funcionários e lhes inculcar as regras de convivência, quando não de sobrevivência, corporativa.

A busca incessante por regras resulta da necessidade de organizar a vida num mundo cada vez mais complexo em todos os aspectos. Os desafios no convívio social, familiar e profissional aumentaram em proporção geométrica. Os casamentos tradicionais perderam terreno, enquanto famílias formadas por filhos de várias uniões se tornaram mais comuns. Como educá-los na nova ordem familiar?
Como devem ser as relações entre os descasados e destes com os novos companheiros de seus ex? Mais gente ainda escolhe viver sozinha, o que acarreta uma mudança na forma de ver e ser visto pela sociedade. No trabalho, os funcionários de perfil tradicional, especializados em sua função, deram lugar à exigência de que todos na empresa tenham habilidades múltiplas. Além do mais, a pressão da sociedade para obter sucesso na vida profissional a todo custo é tremenda. Paralelamente a isso, o volume de informações que circulam pelos meios de comunicação e pela internet é uma algaravia. Todas essas mudanças causam perplexidade e, sobretudo, fazem com que as relações humanas sejam mais complicadas e conturbadas. Daí a necessidade de buscar regras que tornem menos dolorosa, ou mais prazerosa, a adaptação ao admirável mundo novo. Um mundo, enfim, que exige manual de instruções. "A globalização e a crise de valores provocada pela rápida mudança nos costumes no século XX criaram um vácuo de paradigmas na sociedade. Por isso as pessoas buscam novas regras em que se apoiar", diz Roberto Romano, professor de ética da Universidade Estadual de Campinas.

Na pré-história, quando os homens eram apenas caçadores e coletores, não havia grande necessidade de regras senão aquelas básicas, ditadas pela frágil condição humana diante das forças descomunais da natureza. A escassez de espaço e de comida no período subseqüente, o da Idade do Gelo, que se encerrou há 11.000 anos, desencadearia a criação de regras que acompanham a humanidade desde então. Nossos antepassados tiveram a necessidade premente de estabelecer normas mais complexas de convivência. Foi nesse período que o Cro-Magnon, o Homo sapiens, desenvolveu os conceitos de família, de religião e de convivência social. Sabe-se disso porque os homens da Idade do Gelo legaram evidências arqueológicas de uma revolução criativa que inclui desde os espetaculares desenhos nas cavernas até os rituais de sepultamento dos mortos. "Naquele período, era preciso definir quem pertencia à família ou não, e com quem se deveriam compartilhar os alimentos. Portanto, era necessário criar regras específicas", disse a VEJA a arqueóloga Olga Soffer, da Universidade de Illinois. "Podemos afirmar que as primeiras regras sobre propriedade foram criadas nessa fase. Enquanto o território pertencia ao grupo, algumas categorias de objetos passaram a ser individuais", diz o antropólogo Ian Tattersall, curador do Museu Americano de História Natural, em Nova York. Boa parte das regras de convivência social que hoje recheiam os manuais tem como base esse conjunto de normas ancestrais: não mate, não roube, respeite pai e mãe, proteja-se do desconhecido, tema o invisível... As religiões em seu aspecto comunitário nada mais são do que criadoras e garantidoras do cumprimento de regras sob pena da punição divina. Os Dez Mandamentos, base do judaísmo e do cristianismo, são um exemplo notável disso. As regras menores desciam a detalhes quase inimagináveis, como a proibição de usar uma vestimenta feita com dois materiais diferentes, conforme prescreve o Velho Testamento.

É impossível imaginar, portanto, o avanço da civilização humana sem o estabelecimento de regras. Elas nos trouxeram até aqui. Paradoxalmente, a quebra de regras também propiciou grandes saltos evolutivos (veja o quadro`abaiixo). Mas, mesmo quando elas são quebradas, precisam ser substituídas por outras. Isso porque as regras garantem não só a ordem e a proporção como a transmissão de conhecimento. São famosos os exemplos de duas escolas inglesas, Summerhill e Dartington, criadas no início do século XX, na Inglaterra. Elas tentaram formar jovens livres da imposição de regras e pregavam o "autogoverno" dos alunos. Eles não eram obrigados a assistir às aulas, não precisavam fazer o dever de casa e só compareciam às provas se quisessem. Intelectuais como o filósofo Bertrand Russell e o escritor Aldous Huxley apressaram-se em enviar seus filhos para estudar em Dartington. Nos anos 60 e 70, décadas da contracultura, Summerhill chegou, inclusive, a ser considerada uma referência para a modernização das escolas do mundo todo. Dartington foi fechada em 1987, depois de uma série de escândalos envolvendo drogas e sexo entre menores de idade. Summerhill ainda funciona, mas vive ameaçada de fechamento pelo governo britânico, sob a alegação de que os estudantes deixam a escola sem os conhecimentos necessários para entrar na universidade. Ou seja, o vazio de regras leva ao vácuo comportamental e intelectual. "Quanto mais complexa e diversificada uma sociedade, maior a necessidade de regras que equilibrem direitos, deveres e privilégios", diz o antropólogo Roberto DaMatta, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

A questão que se coloca, hoje, não é sobre a necessidade ou não de regras. É se não estão sendo criadas regras demais, além da conta mesmo num mundo mais complicado que o de cinqüenta anos atrás. Pautar-se pelos manuais de auto-ajuda, o aspecto mais visível do excesso de normas, não tornaria a existência mais burocrática e previsível? O psicoterapeuta Eduardo Ferreira-Santos, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, acha que sim. Diz ele: "A busca pelas regras prontas sufoca a espontaneidade, a capacidade humana de encontrar respostas novas para novas perguntas. Os manuais com regras para relacionamentos amorosos e educação infantil, por exemplo, desprezam o fato de que nem todos os pais e filhos são iguais. Cada um tem uma história e uma personalidade diferentes". Correto. Regras rígidas levam ao aprisionamento do físico e da alma. Elas são essenciais, porém, para a criação de uma base comum de entendimento da realidade. Elas ajudam a valorizar e a medir os eventos naturais e humanos, dando-lhes uma gradação. O que separa o acrobata de circo do ginasta olímpico? Ora, as regras. Um acrobata pode encantar, mesmerizar, tirar o fôlego da platéia. Outro acrobata entra no picadeiro e desperta as mesmas emoções. Quem é o melhor? Ninguém sabe. Talvez a intensidade dos aplausos seja um indicador de quem mais agradou, mas a questão de quem é o melhor permanece em aberto. Em uma Olimpíada as regras ajudam a apontar, sem muita contestação, quem é o melhor. O atleta olímpico é obrigado a desempenhar uma série mínima de rotinas seguidas de outras manobras que podem ser metrificadas e comparadas e recebe uma nota de zero a 10. O fenômeno que ocorre no mundo atual com uma força avassaladora é justamente esse. Nos mais recônditos domínios da vida humana, as regras e as notas estão substituindo o que antes era apenas uma avaliação mais livre das coisas. O que era apenas graça e ousadia está se tornando cada vez mais treino e segurança. Isso é ruim? Isso é bom? Nem um nem outro. É inevitável.

O desafio que se coloca ao bom senso de cada um é justamente definir quando as regras estão deixando de ser balizamentos saudáveis para se tornar uma prisão. Isso vale para os relacionamentos, para as dietas de emagrecimento e para a política de uso dos computadores pelas crianças da casa. Vale para o código de conduta esperado dos filhos e dos amigos. Vale para o modo de se vestir. Qual o limite? Depende de cada um e de todos, pois as regras só são regras quando aceitas por unanimidade. As mais simples são sempre as melhores. Um livro com o título Como um Cavalheiro Deve Se Vestir pode parecer algo do século XIX, tão anacrônico quanto as polainas, tão inútil como os tílburis. Mas um livro com esse nome existe e é sucesso de vendas na cadeia de lojas de roupas masculinas Brooks Brothers dos Estados Unidos. Seus conselhos são práticos e sábios. No capítulo "Como deve se vestir um cavalheiro para uma entrevista de trabalho", o livro informa que ele deve se vestir da maneira como se vestem as pessoas que já ocupam a posição que ele busca. Ou seja, seria um erro vestir-se como um professor de pré-primário quando se é entrevistado por um selecionador de uma empresa de advocacia. Sábio conselho.

A mesma atitude se deve adotar para diferenciar os manuais de auto-ajuda que contêm regras válidas e razoáveis daqueles que são meros caça-níqueis. O melhor aval, naturalmente, são as qualificações do autor. O médico americano Michael Roizen, considerado uma sumidade na área da longevidade humana, tornou-se um bem-sucedido autor de manuais de auto-ajuda sobre saúde. Seu lançamento mais recente, O Corpo Inteligente, em parceria com o colega Mehmet Oz, vendeu 2,5 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos. Ninguém duvida das qualificações de Roizen e, portanto, seus manuais de popularização da medicina, recheados de regras práticas para viver mais e melhor, desfrutam credibilidade. A Universidade Harvard, uma das mais conceituadas instituições de ensino americanas, edita regularmente uma série de manuais médicos com conselhos e regras sobre os mais variados aspectos relacionados à saúde. Escritos com rigor científico, mas em linguagem para leigos, também são um bom exemplo de auto-ajuda.

Outro critério para se orientar no cipoal das obras de auto-ajuda é a longevidade de seu sucesso. Em nenhuma área a febre de consumir regras é tão evidente quanto no mundo dos negócios. Uma miríade de manuais chega às livrarias todo ano, e a maioria deles cai no esquecimento. Uma das obras pioneiras do gênero, Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, do vendedor americano Dale Carnegie (1888-1955), foi lançada em 1937 e já vendeu 50 milhões de cópias. Até hoje é usada em cursos de treinamento profissional de executivos. Seu segredo é o grande conhecimento que o autor tem das relações humanas. As regras que sugere são gerais e versam basicamente sobre a arte de se comunicar. "Conselhos muito específicos podem levar um funcionário ou executivo a decisões que vão contra os interesses da empresa", diz a paulista Lilian Guimarães, ex-diretora de recursos humanos de um grande banco. A psicóloga Lídia Aratangy, autora de O Anel que Tu Me Deste – O Casamento no Divã, avalia que os manuais com conselhos e regras para casais devem ser olhados com especial desconfiança. "Inclusive porque há muitas oposições impossíveis de ser contempladas. O que para um é respeito para o outro é pouco-caso ou abandono. O que para um é demonstração de carinho para o outro é invasão de privacidade", ela comenta.

Se os manuais de auto-ajuda são desprezados por muita gente, não falta quem diga que teve a vida transformada por suas regras. O exemplo mais célebre é o do americano Morris Goodman, um ex-corretor de seguros. Em 1981, sofreu um desastre de avião que o deixou paralisado numa cama. Embora ele estivesse consciente, todas as suas funções vitais eram monitoradas por aparelhos. Apenas oito meses depois do acidente, Goodman saiu do hospital andando e ganhou o apelido de "Miracle Man" (Homem-Milagre). Ele credita sua recuperação às intermináveis horas que passou ouvindo os conselhos de Zig Ziglar, um palestrante motivacional que presta serviços a grandes empresas americanas. "O principal conteúdo das fitas eram mensagens de esperança, de inspiração, embutidas em regras para a manutenção de uma atitude de persistência, de nunca desistir. Essas regras ajudaram a me concentrar nos meus objetivos e desligar a mente de todas as coisas negativas que eu vinha escutando da equipe médica", contou Goodman a VEJA. É evidente que a recuperação de Goodman se deve aos tratamentos que recebeu e à capacidade de recuperação de seu organismo, mas as fitas que ouvia certamente o ajudaram a atravessar os longos meses de agonia. Esse é o papel da auto-ajuda: fornecer regras para levantar o astral nos momentos difíceis. No mundo complexo de hoje, eles são cada vez mais freqüentes. Mas é preciso que cada um selecione as normas que mais lhe convêm e que elas não se transformem em camisas-de-força. Romper com certas regras em determinados momentos é também uma norma a ser observada, para quem busca o sucesso e a felicidade pessoal e profissional.

Equipe motivada
Foto: Fabiano Accorsi
Durante um ano, a empresária paulista Heldy Cardoso Jubanski, dona de uma microempresa de informática, participou de um programa de formação de líderes baseado nos livros de Roberto Tranjan, um conhecido autor de obras de auto-ajuda corporativa. Heldy aplicou na sua empresa as regras que aprendeu e diz ter obtido muito sucesso. As que mais a ajudaram foram aquelas que ensinam a lidar com os funcionários e a motivar a equipe. Passou a conversar com todos os empregados antes de tomar uma decisão importante e a demonstrar ter confiança neles. Também elaborou uma carta de valores da empresa juntamente com a equipe. "Com essas atitudes, consegui criar um ambiente de trabalho mais agradável", ela conta.
De obeso a esportista

Foto: Oscar Cabral



A rotina corrida e o stress levaram o gerente de produção Leandro Medeiros a engordar e a adquirir vários problemas de saúde. Em 2004, aos 32 anos, foi internado com hipertensão. Estava obeso, tinha colesterol alto e dores na coluna. Foi quando leu o manual de auto-ajuda A Semente da Vitória, do preparador físico Nuno Cobra, e resolveu seguir as regras do livro. Entre elas estava dormir no mínimo oito horas por noite, parar de beber, fazer meditação diariamente e andar na corda bamba – literalmente – para treinar o equilíbrio.

"Hoje me sinto saudável, tornei-me esportista e até participo de corridas", diz Leandro. Ele também fez um curso baseado nas regras do livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, de Stephen Covey. Costuma dar palestras a sua equipe, de 400 funcionários, sobre as regras que aprendeu com os dois gurus da auto-ajuda.
Subindo na vida
Foto: Oscar Cabral

A administradora de empresas carioca Andréia Fialho, de 33 anos, credita seu sucesso profissional à leitura de livros de auto-ajuda. O primeiro que leu, As Sete Leis Espirituais do Sucesso, de Deepak Chopra, chegou às suas mãos quando trabalhava como recepcionista num spa. "Eu era muito insegura. Tinha acabado de me formar em administração de empresas e me achava incapaz de executar até mesmo as tarefas mais elementares", ela diz. Um ano após ler o livro, Andréia já era gerente da área financeira do spa. Depois, fez MBA, mudou de emprego e hoje é executiva da área financeira de uma empresa de eventos. "Agora sei que basta batalhar por aquilo que quero para crescer profissionalmente", ela diz. Atualmente, sua leitura de cabeceira é O Amor Não É um Jogo de Criança, que ensina a lidar melhor com as próprias emoções.

10 dicas para se tornar um líder           

Em 1937, o vendedor americano Dale Carnegie publicou Como Fazer Amigos & Influenciar Pessoas, um guia para comerciantes. O livro foi adotado em cursos de treinamento profissional e se tornou um fenômeno que já vendeu 50 milhões de exemplares no mundo. Considerado o precursor da auto-ajuda, serve para situações diversas da vida. Abaixo, dez de seus principais ensinamentos:           

1) Seja receptivo a idéias
Isso o torna mais simpático e mostra que a opinião dos outros importa para você           

2) Admita seus erros
É uma maneira eficiente de convencer os outros a mudar de comportamento e de mostrar que você é igual a eles           

3) Seja um bom ouvinte
Incentive as pessoas a falar sobre elas mesmas           

4) Elogie
É a melhor maneira de potencializar a capacidade das pessoas           

5) Prometa apenas o que possa cumprir
Não atender às expectativas diminui a confiança que os outros têm em você

6) Memorize o nome das pessoas
Esquecer ou trocar o nome de uma pessoa sinaliza que ela não significa nada para você           

7) Sorria sempre
Isso mostra que você é uma pessoa agradável            

8) Evite mostrar que está irritado
Não controlar os impulsos causa má impressão em todo mundo                     

9) Não critique ninguém na frente de outros
A pessoa se sentirá menosprezada e ficará magoada com você           

10) Respeite a opinião alheia
Nem sempre as pessoas pensam como você, e isso não significa que estão necessariamente erradas   

Comentário da psicanalista Maria Cecília Faria, professora do Departamento de Psicologia da PUC-SP:
Por meio de regras simples e de bom senso, que realmente funcionam mas muitas vezes são esquecidas, o livro trata basicamente da arte de se comunicar. O autor mostra ter um grande conhecimento das relações humanas. Para ser um bom líder e fazer amigos, é preciso mostrar real interesse pelo outro.10 lições para educar os filhos           
Educando e Elogiando Meninas e Educando e Elogiando Meninos são os livros mais recentes da educadora inglesa Elizabeth Hartley-Brewer, autora de vários best-sellers na área de educação infantil e colaboradora dos jornais The Independent e The Observer.

Seus principais conselhos:           

1) Demonstre orgulho pelas conquistas de seus filhos. Essa atitude é importante para a auto-estima deles
           
2) Elogie a criança. Mas prefira elogiar o processo que levou ao sucesso (as muitas horas de estudo), e não apenas o resultado (a boa nota na prova)
           
3) Dê atenção à criança e esteja sempre presente, para que ela se sinta amada e valorizada
           
4) Ajude seu filho a atingir objetivos e incentive-o a desenvolver habilidades
           
5) Lembre-se de que são as aspirações da criança, e não as suas, que importam para o desenvolvimento dela. Não projete suas expectativas nos filhos
           
6) Encoraje seu filho tanto a ser sociável quanto a se posicionar diante de situações de conflito               

7) Valorize a imaginação das crianças, aceite a criatividade delas e até a bagunça, mas não a indisciplina
           
8) Recompense seu filho não apenas com presentes, mas com gestos ou olhares que demonstrem afeto

9) Incentive a amizade entre os irmãos

10) Nunca de sarcasmo com as crianças. Elas não têm discernimento para entender esse tipo de humor           


Comentário de Ceres Alves de Araújo, professora da pós-graduação em psicologia clínica da PUC-SP:

A vantagem das dicas contidas nos dois novos livros de Elizabeth Hartley-Brewer é que elas são universais, servem a famílias de qualquer país ocidental. Não estão vinculadas à cultura de nenhum país específico. As obras apresentam, de forma direta e clara, 100 regras úteis para a educação dos filhos.

12 normas para ser promovido no emprego  
         
Escrito em 2002 pelo consultor britânico Richard Templar, o livro As Regras do Trabalho — Tudo o que Você Precisa Saber para Crescer Profissionalmente foi publicado em 27 países e vendeu 500 000 exemplares. A obra apresenta 100 regras para se destacar na empresa e conseguir uma promoção. Abaixo, as principais delas:           

1) Não deixe transparecer que você se esforça muito para apresentar bons resultados
           
2) Tenha consciência de que está sendo avaliado o tempo todo
           
3) Prometa pouco e produza muito
           
4) Aprenda alguma coisa que os outros não sabem
           
5) Anote num papel tudo o que for solicitado pelo chefe. Ele vai reparar nisso
           
6) Pense duas vezes antes de se oferecer como voluntário. Avalie se a tarefa contará pontos a seu favor ou se será apenas aborrecida
           
7) Saiba a diferença entre a verdade e toda a verdade
           
8) Identifique as pessoas que têm importância para seus objetivos e ganhe a simpatia delas
           
9) Vista-se e fale como seus superiores          
           
10) Diga “nós” em vez de “eu”, para reforçar o espírito de equipe
           
11) Saiba quando ficar até tarde e quando chegar cedo
           
12) Passe mais tempo com seus superiores
           
           
Comentário da empresária Danute Gardziulis, proprietária de uma firma de headhunters em São Paulo:
           
Nem todas as regras são adequadas para quem quer conquistar uma promoção. Em vez de prometer pouco, por exemplo, é preciso se comprometer sempre, mas tentar surpreender entregando antes do prazo. Já conquistar a confiança de quem toma decisões é, de fato, a chave para ter um projeto aprovado. A regra 10 é essencial para ser reconhecido como líder.7 mantras das pessoas de sucesso           
Lançado em 1989, o livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, do administrador de empresas americano Stephen Covey, se tornou uma bíblia da auto-ajuda. Com mais de 15 milhões de exemplares vendidos, a obra esteve na lista de best-sellers dos Estados Unidos durante oito anos consecutivos.

Eis os conselhos de Covey:           

1) Seja proativo. Faça mais do que esperam de você
           
2) Tenha sempre um objetivo em mente. Persiga metas
           
3) Estabeleça prioridades para tudo
           
4) Adote comportamentos que tragam benefícios para todas as pessoas à sua volta, e não apenas para você
           
5) Aprenda a ouvir. Compreenda o outro antes de ser compreendido
           
6) Crie sinergias. Invista nas relações pessoais. Agregue as pessoas
           
7) Busque o equilíbrio na vida: cuide de e você nos aspectos físicos, mentais, espirituais e emocionais
           
           
Comentário de Carlos Diz, consultor e ex-executivo de empresas como Philips, Pepsico e Citibank:

Embora não traga idéias revolucionárias, o livro ordena de forma linear e lógica hábitos que ajudam a alcançar a realização pessoal. Ele mostra como os hábitos se complementam e imprime um sentido ao processo de executá-los.7 maneiras de superar o fim de um relacionamento            Encarregado de construir os personagens masculinos do seriado Sex and the City, o roteirista americano Greg Behrendt aproveitou a experiência para escrever o livro Ele Simplesmente Não Está a Fim de Você, com conselhos para quem termina um namoro ou casamento. Lançado em 2004, o manual vendeu 2 milhões de exemplares. O mais recente livro de Behrendt, Termina Quando Acaba, versa sobre o mesmo tema. O autor indica caminhos para dar a volta por cima após o fim de uma relação           
1) Não veja o ex nem fale com ele por dois meses
            Esse é o tempo necessário para superar emocionalmente a ausência do antigo parceiro no dia-a-dia
           
           
2) Procure os amigos
Desabafar com eles é fundamental para assimilar o fim do relacionamento           

3) Encaixote as lembranças
Se você se obrigar a lembrar do antigo companheiro todos os dias, não conseguirá tirá-lo de sua vida           

4) Saia de casa diariamente
Um dos efeitos colaterais do fim de um relacionamento é tempo livre demais, que se não for bem usado pode se converter em tristeza
           
          
5) Vista-se bem
 O primeiro passo para demonstrar que você está batalhando para sair do fundo do poço é não abrir mão da aparência
           
6) Nada de recaídas
Um encontro amoroso com o antigo parceiro equivale a reabrir uma ferida que já estava começando a cicatrizar
           
7) Fortaleça a auto-estima
            Somente quando acreditar que não é uma pessoa desinteressante só porque foi abandonada você estará pronta para um novo relacionamento            Comentário de Ailton Amélio da Silva, professor de relacionamento amoroso do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e autor do livro Para Viver um Grande Amor:
            Alguns dos conselhos sugeridos são bons, como cercar-se de amigos, forçar-se a sair de casa e não relaxar no figurino. Mas certos relacionamentos que aparentemente chegaram ao fim têm boa chance de ser retomados. Por isso, não vale a pena cortar relações com o ex de maneira tão abrupta.10 caminhos para melhorar a vida sexual            Os conselhos abaixo foram elaborados por médicos da Universidade Harvard, a mais prestigiada instituição de ensino americana
           
            1) Escolha o momento apropriado para conversar com o parceiro sobre sexo. Reclamações ou relatos de dificuldades nas relações devem ser feitos longe dos lençóis
            2) Evite criticar o desempenho sexual do companheiro. Em vez de ressaltar o que ele faz de errado, enfatize o que você gosta que ele faça
            3) Conte ao parceiro sobre mudanças em seu corpo, como a ocorrência de secura vaginal ou dificuldade de ereção. Admitir o problema é melhor do que deixá-lo pensar que o desejo diminuiu
            4) Não tire conclusões sobre os sentimentos do companheiro com relação a você baseando-se apenas no desempenho sexual. O sexo não é termômetro do amor
            5) Leia sobre sexo. Há boa literatura científica a respeito do assunto. Esse tipo de leitura pode ajudar o casal a superar dificuldades na cama
            6) Não exija de si próprio um desempenho sexual sempre impecável. Com o passar dos anos, é normal que a excitação ou o orgasmo demorem mais a acontecer
            7) Acaricie o parceiro. A intimidade decorrente do toque pode melhorar a vida sexual
            8) Um vibrador pode ajudar a mulher a se conhecer melhor e, dessa forma, aprimorar a qualidade da vida sexual
            9) Tente relaxar antes do sexo. A descontração melhora o desempenho
            10) Experimente posições diferentes na cama. Mudar a rotina aumenta o interesse do parceiro            Comentário de Gerson Lopes, sexólogo da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia:
            O embasamento científico e a chancela de uma instituição renomada como a Harvard dão credibilidade aos conselhos. Além disso, todas as regras apresentadas são de muito bom senso.7 regras para conseguir manter uma dieta            A série de livros com dicas sobre saúde dos médicos americanos Michael Roizen e Mehmet Oz é um enorme sucesso em todo o mundo. O Corpo Inteligente, o mais recente título da dupla publicado no Brasil, vendeu 2 milhões de exemplares nos Estados Unidos. Abaixo, uma das listas contidas no livro, destinada a quem vive lutando contra a balança — e freqüentemente é derrotado:            1) Evite estratégias radicais
            As batalhas alimentares são ganhas com inteligência, não com desatinos
           
          
 2) Torne seu programa alimentar automático

      Após duas semanas de treino, fazendo as escolhas certas à mesa, o organismo torna esse comportamento um hábito           
3) Atenção ao tamanho da barriga

    A circunferência da cintura é um indicador mais relevante de riscos à saúde do que o peso           
4) Informe-se sobre o mecanismo do seu corpo

    Saber como funcionam os órgãos internos é o primeiro passo para ajudá-los a trabalhar a seu favor           
5) Não passe fome

    Comer (pouco) de três em três horas ajuda o metabolismo a não desacelerar, facilitando a perda de peso           
6) Crie um ambiente favorável à dieta

     Convoque a família e os amigos para colaborar com seu esforço           
7) Ao se desviar da dieta, não se desespere

    Mas retorne rápido ao caminho certo Comentário do endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do Ambulatório de Obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo:
O principal mérito de Roizen e Oz é apresentar, de maneira objetiva e bem-humorada, regras que a maioria das pessoas já conhece mas não se lembra de seguir. Os dois médicos estão sintonizados com o que os profissionais de saúde mais atualizados preconizam. Para emagrecer e manter-se magro, é preciso promover mudanças à mesa e também nos cuidados com o corpo e a saúde ao longo de todo o dia. Dietas radicais estão fora de cogitação.




O jogo da invenção

O mundo se move por meio daqueles que criam as regras e dos que as transgridem. Os exemplos mais claros desse movimento pendular estão no mundo das artes

CINEMA

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A criiação – O filme O Encouraçado Potemkin (1925), do cineasta russo Sergei Eisenstein, lançou as bases do cinema moderno ao introduzir o conceito de montagem, o modo como se juntam duas imagens no cinema. Em vez de mostrar seqüências lineares de fatos, ele justapôs imagens diferentes para criar significados na narrativa. Isso conferiu força e agilidade à linguagem cinematográfica.
A ransgressão – Cidadão Kane (1941), filme de estréia de Orson Welles, caiu como uma bomba no meio cinematográfico por suas múltiplas transgressões. Pela primeira vez, uma história era contada em flashback do ponto de vista de vários personagens. Sua técnica fotográfica permitia colocar os atores em diferentes planos de profundidade numa mesma cena. Efeitos sonoros foram usados como recurso dramático.
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PINTURA
A criação – As pinturas figurativas do Renascimento, que têm sua expressão máxima na obra de Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael, foram durante séculos a referência de perfeição artística, com suas medidas precisas, clareza, profundidade e exatidão dos contornos. A transgressão – No século XIX, as obras impressionistas de artistas como Claude Monet e Auguste Renoir diluíram os contornos de figuras humanas e paisagens, criando um novo paradigma na técnica e na estética da pintura. Isso preparou terreno para o abstracionismo – a negação total da arte renascentista.

MÚSICA


A crriação –
A obra do compositor barroco Johann Sebastian Bach (1685-1750) assentou as bases da música erudita tal como é conhecida hoje. Seus concertos, missas e variações para piano foram as fontes nas quais beberam Mozart, Beethoven e Mendelssohn
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A transgressão –
A chamada atonalidade, criada pelo austríaco Arnold Schoenberg no princípio do século XX, revolucionou a estrutura musical. No novo sistema, em vez de usar um ou dois tons como pontos focais da música, usam-se todos os doze tons. Nenhuma nota predomina, nem há uma hierarquia de importância entre os tons.


TEATRO
A criação – As peças do dramaturgo Ésquilo (525 a.C. a 456 a.C.) formataram a tragédia grega com base na unidade de tempo, lugar e ação. Foram as primeiras a basear-se em mitos e fatos históricos – caso de Os Persas– e introduziram a participação do coro como personagem.

A transgressão – As peças de William Shakespeare (1564-1616) desvirtuaram os dogmas do teatro grego: eliminaram o coro, há saltos de tempo e de lugar entre uma cena e outra e apresentam os personagens diante de seus próprios pensamentos. mlet, o príncipe torturado da Dinamarca, é o melhor exemplo disso.
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LITERATURA

A crriação – Publicado em 1605, Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, é o marco zero do romance moderno. Antes dessa obra, o que havia eram os "romanças de cavalaria", um apanhado de histórias sem preocupação com o perfil psicológico dos personagens.

A transgressão –
Ulisses, lançado por James Joyce em 1922, revolucionou a literatura ao introduzir novos recursos de narração, como capítulos escritos no formato de pergunta e resposta, trechos sem pontuação e o chamado fluxo de consciência – quando a narrativa acompanha a livre associação do pensamento do personagem em vez dos fatos exteriores.

Okky de Souza e Vanessa Vieira

Com reportagem de Roberta de Abreu Lima, 
Paula Neiva, Marcio Orsolini e Daniel Salles


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