Para uma revolução no complexo de posse que corrói a humanidade | Blog da Boitempo, 29/3/2017 Imprimir E-mail
Notícias - Na Mídia


"Em seu novo livro, Giorgio Agamben oferece um modelo para uma revolução no complexo de posse que corrói a humanidade, um paradigma para a reinvenção do que significa 'comum'."

|

“A obra do escravo é o uso de seu corpo.” Em O uso dos corposcom sua característica habilidade para comentar os antigos de modo a torná-los mais que contemporâneos, Giorgio Agamben faz dessa afirmação de Aristóteles um ponto de partida para rediscutir o estatuto do que significam posse e propriedade. Esse trabalho sem obra, vida sem memória e desejo sem criação é uma espécie de último capítulo inconcluso e perspectivo da maior saga filosófica do século XXI, conhecida como Homo sacer.
|

Neste volume, o filósofo italiano, mestre da filologia retórica – herança heideggeriana –, reinventa, foucaultianamente, a problemática do cuidado de si e do conhecimento de si, introduzindo um terceiro termo: o uso de si. Do sadomasoquismo em Freud ao gozo em Hegel, passando pela disciplina estóica da corporeidade, Agamben dedica-se ao estudo da subalternidade da noção de uso. “O si não é mais que o uso de si”, máxima pragmática que reformula nossa concepção concêntrica entre narcisismo e individualismo.

|

O uso precede quer a essência, quer a existência. É pelo uso que passamos de escravos a senhores. É pelo uso, essa contemplação sem conhecimento, que praticamos uma forma de vida, na qual subordinamos hábitos e saberes. Curiosa potência irônica se esconderá por trás do uso: quanto mais tomamos o mundo e o outro como instrumento, mais nos sentimos usados – pequena tragédia do romance moderno. Nada menos do que o sacrifício de Cristo segue essa máxima do uso, do meio e do instrumento da vontade do Outro. Origem também do caráter bífido da relação entre técnica e arte, o dispositivo do uso parece uma sítnese disjuntiva entre zoè e bios, entre physis e nomos.

|

Contudo, o ponto crucial da investigação aqui realizada é a pesquisa urgente de uma forma de relação com o corpo que não seja de propriedade. Em vez do corpo próprio, o corpo impróprio. O autor oferece um modelo para uma revolução no complexo de posse que corrói a humanidade, um paradigma para a reinvenção do que significa “comum”. O leitor de língua portuguesa tem agora à disposição uma obra que é, antes de tudo, um ajuste de contas e também o tributo de Agambem a todos os que tornaram possível seu pensamento.

|

alt

Por Christian Ingo Lenz Dunker.

 


Instituto de Psicologia da USP

Av. Prof. Mello Moraes 1721
CEP 05508-030
Cidade Universitária - São Paulo - SP

Your are currently browsing this site with Internet Explorer 6 (IE6).

Your current web browser must be updated to version 7 of Internet Explorer (IE7) to take advantage of all of template's capabilities.

Why should I upgrade to Internet Explorer 7? Microsoft has redesigned Internet Explorer from the ground up, with better security, new capabilities, and a whole new interface. Many changes resulted from the feedback of millions of users who tested prerelease versions of the new browser. The most compelling reason to upgrade is the improved security. The Internet of today is not the Internet of five years ago. There are dangers that simply didn't exist back in 2001, when Internet Explorer 6 was released to the world. Internet Explorer 7 makes surfing the web fundamentally safer by offering greater protection against viruses, spyware, and other online risks.

Get free downloads for Internet Explorer 7, including recommended updates as they become available. To download Internet Explorer 7 in the language of your choice, please visit the Internet Explorer 7 worldwide page.