IPUSP promove terapia em grupo através de Danças Circulares | 8/8/2017 Imprimir E-mail
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      Desde 2006 acontece no Instituto de Psicologia da USP um projeto de atendimento terapêutico em grupo que utiliza-se de danças circulares, buscando assim que busca um o melhor entendimento de si mesmo e do outro. Os encontros semanais são conduzidos pela psicóloga e pesquisadora Tânia Pessoa Lima. A atividade é um serviço oferecido pelo Laboratório de Estudos da Personalidade (LEP), que é coordenado pela Profa. Laura Villares de Freitas.

       As danças circulares são na verdade danças tradicionais de povos de diferentes culturas que têm em comum o fato de serem realizadas em roda e em um grupo.Essa prática sempre existiu na humanidade, mas a reunião dessas danças teve início com Bernhard Wosien, onde ele adotou para essa prática um caráter ritualístico. O pesquisador levou sua proposta de trabalho grupal para a Fundação Findhord na Escócia, conhecido por seu viés espiritual e holístico. Lá esse exercício tinha como objetivo primordial alcançar uma experiência com o sagrado. As danças circulares passaram a ser divulgadas em diversas partes do mundo e seus praticantes procuram manter o objetivo inicial.

       Tânia procurou inserir as danças circulares na teoria psicologia analítica junguiana, que trabalha com a visão de que a psicologia deve ser praticada em ambientes diversos, indo além da clínica. Assim o potencial de contribuição para o processo de amadurecimento e individuação é estimulado.

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Foto tirada do grupo durante uma dança (Foto: IP Comunica)

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       Os encontros funcionam de forma simples; todos os participantes se reúnem em círculo, fazem o aquecimento e relaxamento, e começam as danças. Não há preocupações com os passos ou ritmo, todos dançam da melhor forma que puderem, pois o objetivo principal não é aprender a dança em si, mas a experiência de dançá-la. Com o fim da música, todos dão as mãos e compartilham os sentimentos suscitados durante a dança, as imagens que foram geradas e as lembranças trazidas à tona.

       É um momento de abertura e compartilhamento mútuo, onde todos ouvem e assimilam. E então outra dança é escolhida, e o processo continua até o fim do encontro. É uma experiência de terapia conjunta que busca o aprofundamento do seu próprio ser e o reconhecimento do outro. É a procura pelo entendimento recíproco. “Aqui essas danças têm um objetivo terapêutico”  ressalta Tânia.

       Em 2016, o SUS reconheceu as Danças Circulares como um processo terapêutico por meio da portaria nº 404. A prática é muito bem recebida pelos participantes, sendo que alguns continuam se inscrevendo no grupo semestralmente. “É onde eu tiro um momento pra mim, e esse pra mim no grupo, onde a gente interage, onde a gente cria, onde a gente comemora, e é muito importante porque no dia a dia a gente não tem esse tempo (...) que a gente possa parar e se perceber, e aqui é o espaço onde eu tenho para isso, e sou muito grata.” afirma uma das participantes, que fez parte do grupo do primeiro semestre de 2017.

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Participantes de mãos dadas durante o diálogo pós dança (Foto: IP Comunica)

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        E nesse vínculo criado, novas ideias surgiram buscando enriquecer esse processo terapêutico em conjunto. Uma dessas ideias foi a fabricação de Worry Dolls, que são pequenas bonecas típicas da Guatemala fabricadas manualmente com palitos, lãs e tecido. Segundo a tradição, antes de dormir todos os problemas são ditos em voz alta a essas bonecas, e por fim são colocadas debaixo do travesseiro. Assim, acredita-se que as bonecas absorvem as preocupações, permitindo que a pessoa durma em paz. No grupo vivencial, as bonecas foram feitas pelos participantes e colocadas no meio da roda e então as danças são feitas. Essa foi uma ideia de uma das participantes do grupo.

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Ao lado das bonecas são colocados papéis com o nome das danças que serão executadas e suas origens. (Foto: IP Comunica)

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         Uma outra iniciativa do grupo foi confeccionar ponchos para serem doados aos moradores de rua durante o inverno.Os participantes produziram todos os ponchos durante os encontros e em suas próprias casas. Quando tudo foi terminado, foi feita uma dança em volta das vestes, e os entregaram à ONG Caridade da Madrugada na noite do dia 6 de junho.

         É consenso entre os membros que todo o processo é positivo. A sensação de amizade e solidariedade é muito grande. Todas afirmaram que a participação no grupo havia mudado suas vidas e que acreditavam que saíram transformadas ao fim do curso. Uma das participantes declarou “a experiência mais significativa que eu posso dizer que tive é o acolhimento”.

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Serviço 

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Por Mariana Navarro

 


Instituto de Psicologia da USP

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Cidade Universitária - São Paulo - SP

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