"Psicóloga traça trajetória de casais homossexuais juntos há décadas" Imprimir E-mail
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Eles estão juntos desde os anos 1980, quando relacionamentos homoafetivos ainda eram tabu, e permanecem unidos até hoje

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Entre outras conclusões, estudo mostrou que os casamentos eram românticos, com vínculos protetivos e de afeto. Como não podiam assumir publicamente seus relacionamentos, havia mais cumplicidade e necessidade de proteção dos cônjuges – Foto: Il Fatto Quotidiano / Flickr-CC

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Embora tivessem que conviver na obscuridade social, casais homossexuais longevos se ajustaram e viveram bem suas relações amorosas. Uma pesquisa feita no Instituto de Psicologia (IP) da USP traçou um panorama da vida conjugal de casais homossexuais femininos e masculinos que estabeleceram vínculos afetivos nos anos 1980 e 1990, época em que havia menor abertura para o tema relacionamentos homoafetivos, muitas vezes tratado como patologia.

20171026 02 homossexualidade 300x300Por meio de entrevistas, a psicóloga Déa Bertran Munhoz, autora da pesquisa, coletou informações de quatro casais, dois masculinos e dois femininos, com e sem filhos, vindos de relações heterossexuais anteriores e com mais de vinte e cinco anos de vida em comum. O convite para participar da pesquisa foi feito por meio de redes sociais, o que propiciou disposição dos entrevistados quanto ao fornecimento das informações.

A ideia foi compreender a construção do vínculo amoroso entre pessoas comuns, casais do mesmo sexo, que conviveram em uma sociedade heteronormativa, ou seja, em que a heterossexualidade é ditada como a Norma, e que, apesar das            Dea Bertran Munhoz: “Por viverem em ambiente                       dificuldades que enfrentaram,                    
social não permissivo, os casais tiveram que                              permaneceram juntos por 20,
recorrer ao uso do disfarce e da vida dupla                                30 e 40 anos de vida em comum.
como estratégia de sobrevivência”                                            Segundo a pesquisadora, por viverem
Foto: Jorge Maruta/USP Imagens                                              em ambiente social não permissivo,

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os casais tiveram que recorrer ao uso do disfarce e da vida dupla como estratégia de sobrevivência. Apesar disso, os resultados mostraram que os casamentos eram românticos, com vínculos protetivos e de afeto. Como não podiam assumir publicamente seus relacionamentos, tanto as mulheres quanto os homens tinham mais cumplicidade e necessidade de proteção de seus cônjuges. Sem padrões de papéis sociais de gênero preestabelecidos, os afazeres domésticos e o gerenciamento de despesas, por exemplo, eram divididos igualitariamente, dependendo apenas da aptidão e da disponibilidade de cada pessoa.

Nancy e Dani, as mulheres de uma das relações femininas, que estão juntas há 40 anos, disseram ter vivido relativamente fechadas socialmente. Possuíam poucos amigos, porém de muitos anos, em geral gays casados e de mesmo nível socioeconômico. Elas moravam em casas confortáveis e viajavam regularmente. Conheciam praticamente o mundo todo. Não tinham amigos heterossexuais e, durante muitos anos, as amizades eram apenas com homens, situação que mudou há duas décadas, quando passaram a manter amizade também com casais de mulheres.

Dea avalia que o estilo de vida social adotado pelos casais foi uma forma de proteção de seus relacionamentos. Embora acredite que a revelação de ser gay fosse um passo importante para a consolidação da identidade, a invisibilidade poupava-lhes de estranhamentos e críticas, conflitos com os quais nem sempre queriam lidar.

Sobre projeção de futuro, uma das mulheres disse que tinha uma boa aceitação sobre sua condição, mas que o envelhecimento e a maturidade haviam lhe mostrado que o assunto já não tinha mais importância. “Estava tranquila, não precisava mais provar nada para ninguém, seu caminho já estava feito.”

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Nos casais entrevistados, a invisibilidade poupava-lhes de estranhamentos e críticas, conflitos com os quais nem sempre queriam lidar – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Nestor e Otávio formavam um dos casais com filhos de relações heterossexuais anteriores. Eram casados legalmente e somavam ao todo 33 anos de relação amorosa. Tiveram que lidar com grandes crises conjugais, inclusive uma separação: enfrentaram o litígio com a ex-mulher de Nestor, com a presença dos três filhos e o envelhecimento cheio de doenças do pai de Otávio, que demandou atenção por anos, inclusive a estada do idoso na residência do casal. No decorrer da entrevista, Otávio contou com pesar que um dia um dos filhos de seu companheiro falou que o avô dele dissera que “ele deveria ir à casa da bicha rica, e pegar o que ele pudesse e o que ele quisesse”.

O pai de Otávio, antes da morte e ante o cuidado afetuoso de Nestor, veio a considerar a relação amorosa deles, o que aconteceu também com os filhos de Nestor, embora com distanciamento. Segundo a pesquisadora, o casamento dos dois foi atravessado por interferências genealógicas (problemas  com o pai de Otávio e com os filhos do Nestor), além de viverem em ambiente social hostil. Embora houvesse uma possível aceitação do pai de Otávio e dos filhos de Nestor, as marcas das feridas ficaram presentes. Depois da morte do pai e das obrigações cumpridas com os filhos crescidos, eles tinham o sonho de poderem viver um para o outro na terceira idade, sem mais concessões de terceiros.

"Com todas as singularidades que possam existir em qualquer relação humana, a história e a trajetória de vida dos quatro casais mostram que, independentemente da opinião de terceiros, eles conseguiram realizar os encontros que se propuseram a fazer" conclui a pesquisadora.

A tese A constituição do vínculo e o legado familiar hetenormativo em casais homossexuais longevos, femininos e masculinos foi apresentada no Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia (IP) da USP, sob orientação da professora Isabel Cristina Gomes.

Mais informações: e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , com Déa Bertran Munhoz

Fonte: Jornal da USP

 


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