10 jun 2020

 

Cada vez mais, crises de ciúme com relação ao celular do parceiro ou da parceira têm virado um problema. É o que aponta Antonio Belamoglie, psicanalista do Núcleo de Terapia Viva Bem. “As redes sociais são os meios de comunicação do momento, em sintonia com a agilidade dos acontecimentos e das mudanças que ocorrem no mundo. Então, desgastes nas relações devido aos celulares têm sido um conflito frequente, aumentaram muito. Mas têm muito mais a ver com o perfil de relacionamento do que como aparelho em si.”

A cantora Paula Fernandes, por exemplo, já falou, tempos atrás, que descobriu que estava sendo traída depois que mexeu no celular do então namorado. Para o especialista, se o cenário é este, o ideal é conversar. “Quando há desconfiança, o primeiro passo é a conversa e, junto, o casal estabelecer que tipo de relação quer ter. Paralelamente, é necessário se desfazer do padrão atual e mudar para um novo tipo de comportamento e de convivência”, opina o psicanalista.

Segundo especialistas, porém, há dicas para manter uma relação saudável. E uma das primeiras é estabelecer limites logo de cara: todo o mundo tem direito a manter sua privacidade, e isso não quer dizer que há algo a esconder. “Invasão de privacidade é algo sério e tem acontecido bastante. É preciso tomar cuidado. Há fatores envolvidos nesse contexto, como a imaturidade e a insegurança. Se o casal tiver uma relação estável, não faz sentido ter restrições quanto a uma boa conversa para deixar claro o que incomoda”, aconselha Leila Tardivo, psicóloga e professora do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo).

Esse tipo de abuso e invasão aconteceu com a hoteleira Rachell Bigi. Ela passou maus bocados com um ex-namorado. Durante uma briga em uma viagem, ele acessou o celular dela e usou o computador para monitorar as mensagens dela no aplicativo de conversas WhatsApp. “Ele era ciumento, às vezes, mas isso foi uma invasão, eu não fazia nada de errado”, diz ela. Por conta do episódio, o relacionamento chegou ao fim. “Ele disse que a gente deveria ter o celular aberto, sem senha, mas fiquei muito brava”, conta. “Nunca tinha passado por isso em outros relacionamentos”, afirma.

Para Nelson Destro Fragoso, professor de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, casos como este são caracterizados pelo desrespeito. “Uma coisa é não confiar no outro. Outra coisa é a pessoa ser obrigada a partilhar suas informações. Não tem de existir essa obrigação”, analisa Destro.

 

Por Leonardo Volpato

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