trataSegundo pesquisadora, diagnóstico do câncer de mama e seus desdobramentos exigem auxílio psicológico imediato

Por Vitória Batistoti
Edição e revisão por Islaine Maciel e Maria Isabel da Silva Leme

Receber o diagnóstico de câncer de mama não é fácil. Este tipo de câncer atinge homens e mulheres, embora seja muito mais frequente nas mulheres, devido a um maior desenvolvimento do tecido mamário. O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum entre elas no mundo e é o responsável pelo maior número de mortes femininas. Os procedimentos médicos são invasivos e, em estágios avançados, é comum a manifestação de dores intensas na vítima.

Ainda que a medicina tenha evoluído em tratamentos para remissão e sobrevida dos pacientes acometidos, o diagnóstico de câncer é sempre recebido como um choque e acompanhado pelo estigma da morte. Nas mais de 100 formas de acometimento da doença, o tratamento oncológico costuma ser doloroso e os efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia são conhecidos. A ocorrência de deterioração física e cognitiva são algumas das sequelas provocados pelo tratamento que interferem na aceitação do adoecimento. Portanto, além da saúde, outras perdas são incitadas. Nas pacientes com câncer de mama em especial, essas perdas também estão relacionadas aos aspectos da feminilidade, condição que intensifica o sofrimento psíquico.

Diante de tal conjectura, as pacientes acometidas pela doença necessitam de ajuda psicológica urgente, é o que diz Nirã dos Santos Valentim em sua tese de doutorado. Em sua pesquisa, Valentim se propõe a investigar os efeitos terapêuticos e a eficiência da Psicoterapia Breve Operacionalizada (PBO) no atendimento de mulheres diagnosticadas com câncer de mama e em tratamento oncológico. A PBO é um método de intervenção psicodinâmico de curta duração que busca propiciar adaptação e diminuição do sofrimento psíquico de mulheres que precisam conviver com a doença. Com a adesão a um tratamento desgastante, tanto do ponto de vista físico quanto psicológico, “a perda da saúde, o estigma da morte, as sequelas da linfadenectomia (extração cirúrgica de parte do sistema linfático) e a perda da mama – símbolo de feminilidade e sensualidade para a mulher – geram sentimentos de ansiedade, desesperança e depressão que precisam de pronto auxílio psicológico devido à gravidade deste quadro”, relata Valentim.

Estudos sobre mulheres com câncer de mama que se utilizaram de intervenções terapêuticas, como a PBO, demonstram que essa intervenção é satisfatoriamente eficaz se comparada ao tratamento apenas medicamentoso da depressão. Além disso, compreendeu-se que, com a psicoterapia, as mulheres alcançam uma melhor aceitação da doença e dos efeitos do tratamento.

A pesquisa contou com 17 mulheres, com idades entre 30 e 65 anos, que estavam em tratamento da doença. Os resultados finais demonstram que mais de 80% das participantes obtiveram evoluções positivas através da PBO. A eficiência do tratamento dentre as participantes atingiu todas as idades, estados civis, escolaridades, tempos de diagnóstico, fases de tratamento oncológico e tipos de cirurgia. Além do trabalho de Valentim, o uso de intervenções terapêuticas como a PBO tem se mostrado efetivo em outros estudos, o que demonstra a importância da atuação de psicólogos em todas as fases da doença. “Faz-se urgente, então, o atendimento psicológico da mulher com câncer, tanto na ocasião do diagnóstico, como antes e depois da mastectomia e no pós-operatório, para que os efeitos do tratamento na sua qualidade de vida sejam acompanhados”, conclui a pesquisadora.