{"id":16636,"date":"2016-12-08T14:22:28","date_gmt":"2016-12-08T17:22:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/?page_id=16636"},"modified":"2016-12-08T14:23:58","modified_gmt":"2016-12-08T17:23:58","slug":"laboratorio-de-psicofisiologia-sensorial-3","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/laboratorio-de-psicofisiologia-sensorial-3\/","title":{"rendered":"Laborat\u00f3rio de Psicofisiologia Sensorial"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>Este laborat\u00f3rio dedica-se ao estudo das bases neurais da vis\u00e3o. O interesse central \u00e9 o estudo dos mecanismos neurais da vis\u00e3o de cores, principalmente o da vis\u00e3o no ultravioleta em vertebrados. Essa capacidade, conhecida antes s\u00f3 em artr\u00f3podes, foi descoberta recentemente em vertebrados, tendo sido demonstrada em aves, peixes, r\u00e9pteis e at\u00e9 em alguns mam\u00edferos. Parece que talvez apenas os primatas sejam exce\u00e7\u00e3o. Sua descoberta suscitou muitas perguntas: como \u00e9 utilizada no comportamento do animal? porque surgiu na evolu\u00e7\u00e3o? como modifica o conhecimento sobre o processamento neural da vis\u00e3o de cores na retina e no sistema nervoso central? Ser\u00e3o tetra- ou pentacrom\u00e1ticos os peixes, r\u00e9pteis e aves antes tidos como tricrom\u00e1ticos (com tr\u00eas receptores, como o homem)? V\u00e1rios projetos est\u00e3o sendo conduzidos no laborat\u00f3rio utilizando peixe e tartaruga para examinar as respostas eletrofisiol\u00f3gicas de diferentes neur\u00f4nios da retina \u00e0s cores do espectro e utilizando beija-flor para estudar a capacidade de discrimina\u00e7\u00e3o de cores.<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>O conhecimento de como funciona a retina normal permite tamb\u00e9m que esta sirva de modelo para estudar determinadas patologias. Em estreita conex\u00e3o com o trabalho do Laborat\u00f3rio da Vis\u00e3o: Psicof\u00edsica e Eletrofisiologia Visual Cl\u00ednica, estamos desenvolvendo um modelo animal para o estudo da contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario na retina.<\/p>\n<div>\n<h4>Mecanismos Visuais B\u00e1sicos &#8211; Vis\u00e3o de Cores<\/h4>\n<ul>\n<li>A capacidade de ver no UV<\/li>\n<\/ul>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 70 descobriu-se quase por acaso que o pombo conseguia distinguir entre duas luzes brancas que eram id\u00eanticas para o observador humano, uma contendo a faixa do UV e outra n\u00e3o. A elimina\u00e7\u00e3o do UV era feita com um filtro que bloqueava esses componentes. O pombo, que recebia alimento se bicasse na luz que continha UV e n\u00e3o era refor\u00e7ado quando bicava na outra, foi capaz de um desempenho discriminativo com 100% de acerto (Wright, 1972). O mesmo foi confirmado, treinando-se o pombo para receber refor\u00e7o na luz sem UV. A descoberta da capacidade de discriminar est\u00edmulos com e sem UV foi inesperada pois acreditava-se que essa habilidade, demonstrada muito antes em abelhas e outros insetos, e tamb\u00e9m em crust\u00e1ceos e invertebrados em geral, fosse restrita aos invertebrados.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Embora o achado tenha ocorrido h\u00e1 quase 30 anos, durante os anos 70 quase n\u00e3o houve progresso, apenas um estudo em 1978 confirmando com maiores detalhes que pombos discriminam no UV. Foi a partir da d\u00e9cada de 80 que surgiram numerosos estudos procurando responder perguntas geradas por esta descoberta.<\/p>\n<h4>Mecanismos neurais, comportamento, utilidade<\/h4>\n<div>\n<ul>\n<li>Os fotorreceptores<\/li>\n<\/ul>\n<p>A primeira das perguntas consiste em demonstrar que existe um fotorreceptor UV, com capacidade de m\u00e1xima de absor\u00e7\u00e3o de luz no ultravioleta, al\u00e9m dos fotorreceptores do azul, verde e vermelho, conhecidos desde os anos 60. A identifica\u00e7\u00e3o espectral de um fotorreceptor pode ser realizada de diferentes formas complementares. A microespectrofotometria fornece a descri\u00e7\u00e3o da curva de absor\u00e7\u00e3o do fotopigmento e da got\u00edcula de \u00f3leo, dependendo da esp\u00e9cie; pela eletrofisiologia conhece-se a sa\u00edda el\u00e9trica da c\u00e9lula, ou seja, a mensagem que ela envia \u00e0 c\u00e9lula seguinte; finalmente t\u00e9cnicas morfol\u00f3gicas associadas \u00e0s fisiol\u00f3gicas permitem saber em que neur\u00f4nio foram obtidas as respostas fisiol\u00f3gicas.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>Processamento na retina<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m de identificar o fotorreceptor do UV, \u00e9 tamb\u00e9m preciso conhecer o desempenho das outras c\u00e9lulas da retina quando se acrescenta a regi\u00e3o do UV aos demais est\u00edmulos espectrais. Que tipos de codificadores crom\u00e1ticos passariam a existir? Em que tipos celulares existiria tetracromacia? Em que c\u00e9lulas \u00e9 encontrada opon\u00eancia de resposta entre a regi\u00e3o do UV e as demais?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>Comportamento<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em ainda outro n\u00edvel, o conhecimento da sensibilidade espectral e da capacidade de discrimina\u00e7\u00e3o de cores atrav\u00e9s do comportamento pode confirmar ou sugerir hip\u00f3teses sobre os mecanismos de integra\u00e7\u00e3o neural.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>Valor funcional para a esp\u00e9cie<\/li>\n<\/ul>\n<p>Finalmente, um exame dos est\u00edmulos naturais mais relevantes para os animais estudados, tais como os objetos de forrageamento (flores, insetos) e a apar\u00eancia crom\u00e1tica de co-espec\u00edficos (padr\u00f5es coloridos em aves, peixes, r\u00e9pteis ) pode fornecer ind\u00edcios sobre aspectos funcionais da vis\u00e3o de cores.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este laborat\u00f3rio dedica-se ao estudo das bases neurais da vis\u00e3o. O interesse central \u00e9 o estudo dos mecanismos neurais da vis\u00e3o de cores, principalmente o da vis\u00e3o no ultravioleta em vertebrados. Essa capacidade, conhecida antes s\u00f3 em artr\u00f3podes, foi descoberta recentemente em vertebrados, tendo sido demonstrada em aves, peixes, r\u00e9pteis e at\u00e9 em alguns mam\u00edferos. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[401],"tags":[],"class_list":["post-16636","page","type-page","status-publish","hentry","category-laboratorios-2"],"acf":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/16636","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16636"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/16636\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16639,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/16636\/revisions\/16639"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16636"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16636"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16636"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}