{"id":2014,"date":"2010-09-14T17:43:00","date_gmt":"2010-09-14T17:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/?p=2014"},"modified":"2018-09-11T10:29:22","modified_gmt":"2018-09-11T13:29:22","slug":"v3n1a03-a-genese-do-conceito-de-resistencia-na-psicanalise","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/v3n1a03-a-genese-do-conceito-de-resistencia-na-psicanalise\/","title":{"rendered":"V3N1A03 &#8211; A g\u00eanese do conceito de resist\u00eancia na psican\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Artigos Originais<\/strong><\/p>\n<p><strong>A g\u00eanese do conceito de resist\u00eancia na psican\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p>The genesis of the concept of resistance in psychoanalysis<\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Santana Mattos<\/strong>1<\/p>\n<p>Instituto de Psicologia, Universidade Federal da Bahia<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n<p>Neste ensaio, s\u00e3o exploradas as condi\u00e7\u00f5es em que o conceito de resist\u00eancia se constituiu na psican\u00e1lise. Para investigar a g\u00eanese do conceito, foi realizada uma pesquisa bibliogr\u00e1fica nos escritos iniciais de Freud, de onde se depreendeu diferenciados usos do termo &#8216;resist\u00eancia&#8217;, apresentados como &#8216;a resist\u00eancia da doen\u00e7a&#8217;, &#8216;a resist\u00eancia do organismo&#8217;, &#8216;a resist\u00eancia \u00e0 hipnose e \u00e0 sugest\u00e3o&#8217;, &#8216;a constitui\u00e7\u00e3o do conceito psicanal\u00edtico&#8217; e &#8216;a concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica&#8217;. Partindo destas diferentes concep\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia que conviveram no pensamento de Freud, quando a psican\u00e1lise ainda encontrava-se em gesta\u00e7\u00e3o, o autor discute em que medida se pode tra\u00e7ar uma genealogia deste conceito na psican\u00e1lise, sugerindo que este re\u00fane caracter\u00edsticas de todos os diferentes usos do conceito feitos por Freud, os quais tiveram sua influ\u00eancia na constitui\u00e7\u00e3o do conceito psicanal\u00edtico de resist\u00eancia. O autor ainda traz \u00e0 reflex\u00e3o quest\u00f5es como a legitimidade da resist\u00eancia na psican\u00e1lise e a sua rela\u00e7\u00e3o com o bin\u00f4mio sa\u00fade-doen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: Resist\u00eancia; psican\u00e1lise; Freud<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>ABSTRACT<\/strong><\/p>\n<p>In this essay, it is explored the conditions in which the concept of resistance was constituted in psychoanalysis. To investigate the genesis of the concept, the author made a bibliographic research on the first writings of Freud, where it was acknowledged different uses of the word &#8216;resistance&#8217;, presented as &#8216;resistance of the disease&#8217;, &#8216;resistance of the organism&#8217;, &#8216;resistance to hypnosis and suggestion&#8217;, &#8216;the constitution of the psychoanalytical concept&#8217; and &#8216;the neurological conception&#8217;. Standing from these different conceptions of resistance that lived together in the thought of Freud, the author discusses in what measure we can outline a genealogy of this concept, suggesting that it gathers characteristics of all the different uses made by Freud of the word, which had their influence in the constitution of the psychoanalytical concept of resistance. The author also brings to consideration the legitimacy of resistance on psychoanalysis and its relation to the binomial health-disease.<\/p>\n<p><strong>Key-words<\/strong>: resistance; psychoanalysis; Freud<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A palavra &#8216;resist\u00eancia&#8217; comporta diversos significados, seja no seu uso pelo senso comum, seja no sentido que toma em campos espec\u00edficos do conhecimento, como a mec\u00e2nica e a eletricidade2. Na psican\u00e1lise, entretanto, esta palavra toma um sentido bem particular e bem difundido, merecendo o status de um importante conceito psicanal\u00edtico. Numa s\u00edntese das defini\u00e7\u00f5es de dois dicion\u00e1rios psicanal\u00edticos, podemos dizer que o conceito de resist\u00eancia, na psican\u00e1lise, designa &#8220;o conjunto das rea\u00e7\u00f5es de um analisando cujas manifesta\u00e7\u00f5es, no contexto do tratamento, criam obst\u00e1culos ao desenrolar da an\u00e1lise&#8221; (Roudinesco &amp; Plon, 1998, p. 659), ou &#8220;tudo o que, nos actos e palavras do analisando, se op\u00f5e ao acesso deste ao seu inconsciente&#8221; (Laplanche &amp; Pontalis, 1988, p. 595-6).<br \/>\nOs autores de ambos os dicion\u00e1rios afirmam a import\u00e2ncia do fen\u00f4meno da resist\u00eancia no nascimento da psican\u00e1lise, o qual j\u00e1 se configurava como um obst\u00e1culo desde a pr\u00e1tica da hipnose e da sugest\u00e3o. Delineam, de modo similar, as modalidades em que o conceito se apresenta na obra de Freud, seja enquanto um fen\u00f4meno constitutivo da pr\u00e1tica anal\u00edtica, seja em sua elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, particularmente a forma que assumiu a partir da segunda t\u00f3pica, ou mesmo compreendido como um fen\u00f4meno al\u00e9m da dimens\u00e3o cl\u00ednica, designando a oposi\u00e7\u00e3o que suas id\u00e9ias enfrentaram, de um modo geral.<\/p>\n<p>Desse modo, o conceito psicanal\u00edtico de resist\u00eancia parece estar bem delineado. Por\u00e9m, devo notar que os autores n\u00e3o mencionaram a utiliza\u00e7\u00e3o deste conceito, por Freud, em um texto escrito em 1895, que ficou conhecido por n\u00f3s como,\u00a0<em>Projeto para uma psicologia cient\u00edfica<\/em>. Seguindo as pistas fornecidas nos dicion\u00e1rios e motivado pelo interesse quanto ao uso do conceito de resist\u00eancia no <em>Projeto<\/em>, pretendo, neste ensaio, buscar tra\u00e7ar as origens deste conceito e o modo como se estabeleceu na psican\u00e1lise, realizando uma pesquisa bibliogr\u00e1fica nos escritos iniciais de Freud. Utilizarei, aqui, a Edi\u00e7\u00e3o <em>Standard<\/em> Brasileira das suas obras completas e os dicion\u00e1rios de Roudinesco e Plon (1998) e de Laplanche e Pontalis (1988) como refer\u00eancias adicionais.<\/p>\n<p><strong>2. O conceito de resist\u00eancia na obra de Freud<\/strong><\/p>\n<p>A palavra alem\u00e3 Widerstand, usada por Freud, foi traduzida para o portugu\u00eas como &#8216;resist\u00eancia&#8217;, e a sua tradu\u00e7\u00e3o para as demais l\u00ednguas neolatinas e para o ingl\u00eas s\u00e3o bem semelhantes ao portugu\u00eas3, <span style=\"color: #808080;\">o que sugere que n\u00e3o h\u00e1 grandes controv\u00e9rsias sobre a tradu\u00e7\u00e3o do termo, como h\u00e1 em outros casos. Com base nisto, acredito que o uso da tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas das obras de Freud n\u00e3o trar\u00e1 grandes preju\u00edzos \u00e0 an\u00e1lise do termo, somando-se a este argumento o fato de que o termo n\u00e3o \u00e9 comumente abordado por autores que discutem outros termos mais problem\u00e1ticos do alem\u00e3o de Freud<\/span>4.<\/p>\n<p>Dentre os usos feitos por Freud da palavra &#8216;resist\u00eancia&#8217;, abordarei aqui aqueles que considero poderem ser relacionados efetivamente \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do conceito psicanal\u00edtico. Apresent\u00e1-los-ei sob as denomina\u00e7\u00f5es de &#8216;resist\u00eancia da doen\u00e7a&#8217;, &#8216;resist\u00eancia do organismo&#8217;, &#8216;resist\u00eancia \u00e0 hipnose e \u00e0 sugest\u00e3o&#8217;, &#8216;a constitui\u00e7\u00e3o do conceito psicanal\u00edtico&#8217; e &#8216;a concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica&#8217;. Eles est\u00e3o agrupados de acordo com seus significados e contextos de uso, por\u00e9m tentarei, na medida do poss\u00edvel, estabelecer um encadeamento cronol\u00f3gico \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Das concep\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia que constam entre os usos de Freud da palavra, a primeira que apresento \u00e9 a da &#8216;resist\u00eancia da doen\u00e7a&#8217;, a resist\u00eancia de uma doen\u00e7a ao tratamento, \u00e0 cura, mas pode-se notar que ainda n\u00e3o se referia ao tratamento psicanal\u00edtico. Em 1888, em um verbete sobre a histeria, falava que &#8220;um sistema nervoso hist\u00e9rico oferece, em regra geral, uma grande resist\u00eancia \u00e0 influ\u00eancia qu\u00edmica por meio da medica\u00e7\u00e3o interna&#8221; (Freud, 1888\/1987, p. 74), e, mais adiante, menciona uma &#8220;histeria local e resistente&#8221; (<em>ibid., p. 81<\/em>). <em>Nos Estudos sobre a histeria<\/em>, em 1895, tamb\u00e9m viria falar de coisa semelhante, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a da Srta. Caecilie, que sofria de uma nevralgia facial que &#8220;resistia a qualquer esp\u00e9cie de tratamento e cessava abruptamente&#8221; (Breuer &amp; Freud, 1895\/1987, p. 185).<\/p>\n<p>O referido uso do conceito de resist\u00eancia tem uma grande semelhan\u00e7a com o conceito psicanal\u00edtico, na medida em que este tamb\u00e9m consiste na resist\u00eancia ao tratamento, por\u00e9m por parte do doente, n\u00e3o da doen\u00e7a. Parece, contudo, que este uso do conceito tem uma influ\u00eancia significativa na concep\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica que se encontrava em gesta\u00e7\u00e3o, e creio que merece um lugar numa &#8220;equa\u00e7\u00e3o geneal\u00f3gica&#8221; do conceito de resist\u00eancia na psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Outro dos usos que Freud faz da palavra &#8216;resist\u00eancia&#8217;, em seus escritos iniciais, \u00e9 no sentido de uma &#8216;resist\u00eancia do organismo&#8217;, ou do paciente, assim poder\u00edamos dizer \u2013 uma resist\u00eancia do organismo \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Os primeiros exemplos que trago est\u00e3o no caso cl\u00ednico da Sra. Emmy von N., escrito em 1894, relatado nos <em>Estudos sobre a histeria<\/em>. Buscando assegurar a paciente contra o seu medo de uma reca\u00edda ap\u00f3s o t\u00e9rmino do tratamento, Freud afirma &#8220;que ela se tornara mais sadia e mais capaz de ter resist\u00eancia&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 101); mais adiante, afirma que, apesar da alta sugestionabilidade da paciente durante seu sonambulismo, ela &#8220;estava longe de exibir uma aus\u00eancia patol\u00f3gica de resist\u00eancia&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 120). O outro exemplo \u00e9 de 1895, quando apresenta as causas auxiliares da tuberculose: &#8220;Qualquer coisa que diminua a resist\u00eancia \u2013 tanto as emo\u00e7\u00f5es como as supura\u00e7\u00f5es ou resfriados&#8221; (Freud, 1895c\/1987, p. 130).<\/p>\n<p>Vemos, nestes trechos, uma concep\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia que tem uma conota\u00e7\u00e3o positiva, sem d\u00favida, relacionada diretamente \u00e0 sa\u00fade, ao enfrentamento da doen\u00e7a, o que \u00e9 not\u00e1vel, por parecer quase oposta \u00e0 concep\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica como geralmente a conhecemos.<\/p>\n<p>Voltemos agora nossa aten\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8216;resist\u00eancia \u00e0 hipnose e \u00e0 sugest\u00e3o&#8217;. Laplanche e Pontalis (1988) apontam, como a raz\u00e3o de Freud ter renunciado \u00e0 hipnose e \u00e0 sugest\u00e3o, o fato de que &#8220;a resist\u00eancia maci\u00e7a que lhes apunham certos pacientes lhe parecia ser por um lado leg\u00edtima, e, por outro, n\u00e3o poder ser superada nem interpretada&#8221; (p. 596).<\/p>\n<p>Freud (1889\/1987) j\u00e1 mencionava a resist\u00eancia enquanto um obst\u00e1culo \u00e0 hipnose na sua resenha do livro Hipnotismo, de August Forel, onde escreve que &#8220;essa influ\u00eancia apenas raramente se efetua sem resist\u00eancia da parte da pessoa hipnotizada&#8221; (p. 118). Em seu artigo <em>Hipnose<\/em>, de 1891, afirma que &#8220;sempre que surge uma intensa resist\u00eancia contra o uso da hipnose, devemos renunciar ao m\u00e9todo e esperar at\u00e9 que o paciente, sob a influ\u00eancia de outras informa\u00e7\u00f5es, aceite a id\u00e9ia de ser hipnotizado&#8221; (Freud, 1891\/1987, p. 125).<\/p>\n<p>A resist\u00eancia \u00e0 hipnose era, sem d\u00favida, uma resist\u00eancia consciente, o que a afasta da concep\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica. A psican\u00e1lise, por seu lado, parece ter encontrado no inconsciente uma forma de deslegitimar a resist\u00eancia, interpretada como \u00edntima ao mecanismo do recalque. Creio que nos cabe perguntar, portanto, qual a legitimidade que devemos dar \u00e0 resist\u00eancia, e advertir quanto ao perigo de atribuir ao inconsciente resist\u00eancias que seriam conscientes, que tamb\u00e9m poderiam vir ao processo de an\u00e1lise, assim como ocorriam na hipnose.<\/p>\n<p>Apesar de considerar que o sentido eminentemente psicanal\u00edtico do conceito de resist\u00eancia s\u00f3 apare\u00e7a nos Estudos sobre a <em>histeria<\/em>, talvez possamos considerar um precursor o seguinte trecho, de 1893: &#8220;A quantidade de afeto que devotamos \u00e0 primeira associa\u00e7\u00e3o de um objeto oferece resist\u00eancia a que ela entre numa nova associa\u00e7\u00e3o com outro objeto [&#8230;]&#8221; (Freud, 1893\/1987, p. 190). Apesar de ter rela\u00e7\u00e3o com a resist\u00eancia \u00e0 associa\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, \u00e0 lembran\u00e7a, que, como veremos, s\u00e3o elementos do conceito psicanal\u00edtico de resist\u00eancia, a passagem n\u00e3o \u00e9 muito elucidativa, portanto podemos prosseguir para &#8216;a constitui\u00e7\u00e3o do conceito psicanal\u00edtico&#8217;.<\/p>\n<p><em>Os Estudos sobre a histeria<\/em> cont\u00eam cinco casos cl\u00ednicos, por\u00e9m o fen\u00f4meno da resist\u00eancia s\u00f3 vem se configurar efetivamente no \u00faltimo dos cinco relatados, o da Srta. Elisabeth von R., cujo tratamento se iniciou no outono de 1892 e foi descrito por Freud como sua &#8220;primeira an\u00e1lise integral de uma histeria&#8221;, como nos informa o editor ingl\u00eas5. <span style=\"color: #808080;\">A situa\u00e7\u00e3o que nos interessa aqui se inicia com o epis\u00f3dio em que Freud n\u00e3o \u00e9 bem sucedido em p\u00f4r a paciente em hipnose profunda e, portanto, lan\u00e7a m\u00e3o da t\u00e9cnica da press\u00e3o. A princ\u00edpio, a t\u00e9cnica pareceu funcionar bem, fornecendo bastante conte\u00fado para a an\u00e1lise da paciente, por\u00e9m, em algumas situa\u00e7\u00f5es, como escreveu Freud, &#8220;parecia haver impedimentos de cuja natureza eu n\u00e3o desconfiava na \u00e9poca&#8221; (Breuer &amp; Freud, 1895\/1987, p. 166). Se estas ocorr\u00eancias eram inicialmente vistas por ele como decorrentes de um dia desfavor\u00e1vel, suas observa\u00e7\u00f5es da paciente durante a aplica\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de press\u00e3o o levaram a concluir que o m\u00e9todo n\u00e3o falhava, mas que havia algum processo mental em curso, o qual a Srta. Elisabeth tentava reprimir. Ap\u00f3s tentar dissuadi-la, sem sucesso, a comunicar os seus pensamentos, Freud (<em>ibid<\/em>., p. 167) nos conta a solu\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p>Por fim, eu declarava saber muito bem que algo lhe havia ocorrido e que ela o estava ocultando de mim, mas que jamais se livraria de suas dores enquanto escondesse qualquer coisa. Ao insistir dessa maneira, consegui que, a partir dessa \u00e9poca minha press\u00e3o sobre sua cabe\u00e7a jamais falhasse.6<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, finalmente, relata que come\u00e7ou &#8220;a atribuir maior import\u00e2ncia \u00e0 resist\u00eancia oferecida pela paciente na reprodu\u00e7\u00e3o de suas lembran\u00e7as e a compilar cuidadosamente as ocasi\u00f5es em que era particularmente acentuada&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 167). Com o desenvolvimento da an\u00e1lise do caso, ent\u00e3o, Freud tira a seguinte conclus\u00e3o: &#8220;A resist\u00eancia que ela havia repetidamente oferecido \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o das cenas que atuaram de forma dram\u00e1tica correspondera, na verdade, \u00e0 energia com que a representa\u00e7\u00e3o incompat\u00edvel fora expulsa de suas associa\u00e7\u00f5es&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 170). Fala-nos ainda que a paciente &#8220;ofereceu forte resist\u00eancia \u00e0 tentativa de se promover uma associa\u00e7\u00e3o entre o grupo ps\u00edquico isolado e o resto do conte\u00fado de sua consci\u00eancia&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 177).<\/p>\n<p>Estes usos do conceito de resist\u00eancia se referem principalmente \u00e0 lembran\u00e7a, ou, mais precisamente, \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o de lembran\u00e7as, que implicam a associa\u00e7\u00e3o, tema do \u00faltimo trecho citado.<\/p>\n<p>J\u00e1 no seu ensaio sobre &#8220;A psicoterapia da histeria&#8221;, \u00faltima parte do seu livro com Breuer, Freud (<em>ibid<\/em>., p. 264) traz a quest\u00e3o da resist\u00eancia um pouco mais sistematizada:<\/p>\n<p>[&#8230;] a situa\u00e7\u00e3o conduziu-me de imediato \u00e0 teoria de que, <em>por meio de meu trabalho ps\u00edquico, eu tinha de superar uma for\u00e7a ps\u00edquica nos pacientes que se opunha a que as representa\u00e7\u00f5es patog\u00eanicas se tornassem conscientes (fossem lembradas)<\/em>. [&#8230;] De tudo isso emergiu, como que de forma autom\u00e1tica, a id\u00e9ia de defesa.<\/p>\n<p>De fato, a defesa, que se havia tornado um importante crit\u00e9rio na classifica\u00e7\u00e3o das neuroses por Freud, estava intimamente relacionada \u00e0 resist\u00eancia. Creio que seja pertinente a observa\u00e7\u00e3o de que os dois conceitos chegam a se confundir em alguns momentos, como no trecho a seguir: &#8220;[&#8230;] e durante todo o tempo tenho negligenciado de tal maneira o aspecto da defesa ou resist\u00eancia&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 272). De fato, se restringirmos o conceito de resist\u00eancia ao fen\u00f4meno do afastamento de certas representa\u00e7\u00f5es da consci\u00eancia, este ser\u00e1 bem parecido com o de defesa, assim como com o de recalque. Entretanto, o conceito de resist\u00eancia \u00e9 mais amplo, e usado em m\u00faltiplos contextos.<\/p>\n<p>Ainda neste ensaio, Freud apresenta a tarefa do terapeuta como a de superar a &#8220;resist\u00eancia \u00e0 associa\u00e7\u00e3o&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 265), e vem salientar a import\u00e2ncia do fator afetivo entre as motiva\u00e7\u00f5es do m\u00e9dico para superar a resist\u00eancia do paciente.<\/p>\n<p>Nas cartas a Fliess e nas publica\u00e7\u00f5es posteriores aos Estudos, at\u00e9 1899, podemos encontrar diversas refer\u00eancias \u00e0 resist\u00eancia, relacionadas principalmente \u00e0 lembran\u00e7a, \u00e0 emerg\u00eancia de conte\u00fados \u00e0 consci\u00eancia, assim como a resist\u00eancia \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, que se tornaria bem mais freq\u00fcente em A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos.<\/p>\n<p>De fato, \u00e9 em <em>A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos<\/em>, publicado em 1900, que o conceito de resist\u00eancia, que havia sido esbo\u00e7ado nos Estudos sobre a histeria, toma uma forma mais elaborada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria e \u00e0 pr\u00e1tica da psican\u00e1lise. Munido de uma maior experi\u00eancia cl\u00ednica propriamente psicanal\u00edtica, Freud p\u00f4de implicar o conceito em \u00e2mbitos que se tornariam caracter\u00edsticos de sua pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, posso apontar uma condi\u00e7\u00e3o que, segundo Freud, &#8220;deve ser atendida pelos elementos dos pensamentos do sonho que penetram no sonho: <em>eles t\u00eam que escapar da censura imposta pela resist\u00eancia<\/em>&#8221; (Freud, 1900\/1987, p. 297). De fato, a resist\u00eancia mantinha uma rela\u00e7\u00e3o estreita com a censura, que era freq\u00fcentemente descrita como imposta ou causada pela resist\u00eancia. Desse modo, Freud menciona os &#8220;pensamentos involunt\u00e1rios&#8221;, que estariam aptos &#8220;a liberar uma resist\u00eancia muito violenta, que procura impedir seu surgimento&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 124). Situando esta resist\u00eancia entre os sistemas <em>Ics<\/em>. e <em>Pcs<\/em>., ele afirma (<em>ibid<\/em>., p. 496):<\/p>\n<p>Se o que permite aos pensamentos on\u00edricos conseguir isso [obter acesso \u00e0 consci\u00eancia] fosse o fato de haver durante a noite, uma diminui\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia que guarda a fronteira entre o inconsciente e o pr\u00e9-consciente, ter\u00edamos sonhos que seriam da ordem das id\u00e9ias e n\u00e3o possuiriam o car\u00e1ter alucinat\u00f3rio em que ora estamos interessados.<\/p>\n<p>Outra forma de resist\u00eancia que se apresenta constantemente \u00e9 a resist\u00eancia \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o (dos sonhos, no caso), como vemos na afirma\u00e7\u00e3o que segue: &#8220;Sua opini\u00e3o de que o sonho \u00e9 absurdo significa apenas que voc\u00ea tem uma resist\u00eancia interna contra a interpreta\u00e7\u00e3o dele&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 154); e tamb\u00e9m nesta: &#8220;Lembrei-me de minha resist\u00eancia em proceder \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, de quanto a havia odiado, e de como declarara que o sonho era puro absurdo&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 156). Freud fala tamb\u00e9m do sentido dos sonhos &#8220;com um est\u00edmulo dental&#8221;, onde &#8220;havia invariavelmente resist\u00eancias fort\u00edssimas a sua interpreta\u00e7\u00e3o&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 363).<\/p>\n<p>Por final, o \u00faltimo sentido que o conceito assume no seu livro sobre os sonhos \u00e9 o da resist\u00eancia ao tratamento, ou \u00e0 an\u00e1lise, de uma forma geral, como nas afirma\u00e7\u00f5es seguintes: &#8220;Portanto, eu estivera comparando minha paciente Irma com duas outras pessoas que tamb\u00e9m teriam sido resistentes ao tratamento&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 131); &#8220;Esse sonhador pertencia a um tipo de pessoas cujas perspectivas terap\u00eauticas n\u00e3o s\u00e3o favor\u00e1veis: at\u00e9 certo ponto, n\u00e3o oferecem absolutamente nenhuma resist\u00eancia \u00e0 an\u00e1lise [&#8230;]&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 344-5). Ou esta resist\u00eancia pode ser dirigida especificamente ao analista: &#8220;[&#8230;] quando um paciente se encontra num estado de resist\u00eancia a mim [&#8230;]&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 170).<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, poderemos ver o efetivo estabelecimento do conceito de resist\u00eancia na psican\u00e1lise, como se expressa, por fim, na seguinte afirma\u00e7\u00e3o: &#8220;A psican\u00e1lise \u00e9 justificadamente desconfiada. Uma de suas regras \u00e9 que <em>tudo o que interrompe o progresso do trabalho anal\u00edtico \u00e9 uma resist\u00eancia<\/em>&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 475).<\/p>\n<p>Paralelamente ao estabelecimento do conceito de resist\u00eancia no contexto da cl\u00ednica psicanal\u00edtica, o termo vinha sendo usado por Freud para se referir \u00e0s oposi\u00e7\u00f5es que seu conhecimento enfrentava no p\u00fablico geral, especialmente na &#8220;medicina acad\u00eamica oficial&#8221;, \u00e0 qual se refere quando fala que &#8220;tem-se que estar preparado para enfrentar resist\u00eancias quando se arrisca empreender uma tentativa de tornar fidedigno para outras pessoas algo que elas poderiam descobrir por si mesmas, sem nenhuma dificuldade&#8221; (Freud, 1895c\/1987, p. 120). Em 1920, no pref\u00e1cio \u00e0 quarta edi\u00e7\u00e3o dos <em>Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade<\/em>, quando a psican\u00e1lise j\u00e1 havia percorrido um longo caminho, Freud (1905\/1987, p. 126) afirma:<\/p>\n<p>Mas conv\u00e9m lembrar ainda que parte do conte\u00fado deste escrito \u2013 a saber, sua insist\u00eancia na import\u00e2ncia da vida sexual para todas as realiza\u00e7\u00f5es humanas e a amplia\u00e7\u00e3o aqui ensaiada do conceito de sexualidade \u2013 tem constitu\u00eddo, desde sempre, o mais forte motivo para a resist\u00eancia que se op\u00f5e \u00e0 psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Chegando ao derradeiro dos sentidos, &#8216;a concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica&#8217; de resist\u00eancia, como a estou denominando, est\u00e1 presente, sobretudo, na contribui\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de Breuer aos <em>Estudos sobre a histeria e no Projet<\/em>o de Freud e, em alguns momentos, parece se relacionar \u00e0 concep\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia do organismo \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Em suas &#8220;Considera\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas&#8221; aos <em>Estudos<\/em>, Breuer (Breuer &amp; Freud, 1895\/1987, p. 210) afirma:<\/p>\n<p>[O sistema nervoso] forma em toda a sua extens\u00e3o um todo interligado, mas em muitos de seus pontos interp\u00f5em-se grandes resist\u00eancias, embora n\u00e3o insuper\u00e1veis, que impedem a distribui\u00e7\u00e3o geral uniforme da excita\u00e7\u00e3o. Assim, nas pessoas normais em estado de vig\u00edlia, a excita\u00e7\u00e3o no \u00f3rg\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa para os \u00f3rg\u00e3os da percep\u00e7\u00e3o: essas pessoas n\u00e3o t\u00eam alucina\u00e7\u00f5es. A bem da seguran\u00e7a e da efici\u00eancia do organismo, os plexos nervosos dos complexos de \u00f3rg\u00e3os que s\u00e3o de import\u00e2ncia vital \u2013 os aparelhos circulat\u00f3rio e digestivo \u2013 s\u00e3o separados por fortes resist\u00eancias dos \u00f3rg\u00e3os de representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00ea-se que as resist\u00eancias t\u00eam duas fun\u00e7\u00f5es importantes na manuten\u00e7\u00e3o de um organismo saud\u00e1vel: impedir a alucina\u00e7\u00e3o e separar a inerva\u00e7\u00e3o dos sistemas circulat\u00f3rio e digestivo do &#8220;\u00f3rg\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o&#8221;. Em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro, Breuer invoca a teoria da regress\u00e3o[7 <span style=\"color: #808080;\">para explicar a alucina\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que considera que as dores hist\u00e9ricas s\u00e3o, na verdade, &#8220;alucina\u00e7\u00f5es de dor&#8221;; esta teoria seria abordada tamb\u00e9m por Freud, no Projeto. Quanto \u00e0 segunda fun\u00e7\u00e3o, Breuer a invoca para explicar a convers\u00e3o hist\u00e9rica como uma express\u00e3o anormal do afeto, decorrente de uma falha na prote\u00e7\u00e3o das resist\u00eancias, e ent\u00e3o afirma, sobre a descarga deste afeto (<em>ibid<\/em>., p. 214)<\/span>:<\/p>\n<p>O que \u00e9 que determina a descarga de afeto de tal forma que um espec\u00edfico reflexo anormal \u00e9 produzido em vez de algum outro? Nossas observa\u00e7\u00f5es respondem a essa pergunta, em muitos casos, revelando que novamente aqui a descarga segue o &#8220;princ\u00edpio da menor resist\u00eancia&#8221; e ocorre ao longo das vias cujas resist\u00eancias j\u00e1 foram enfraquecidas por circunst\u00e2ncias coincidentes.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil dizer em que sentido caminharam as influ\u00eancias entre Breuer e Freud acerca desta concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica, se Breuer o influenciou ou se estas id\u00e9ias j\u00e1 eram partilhadas por ambos. Podemos remeter, entretanto, a uma influ\u00eancia que parece ser de grande import\u00e2ncia a ambos; a saber, um outro neurologista vienense chamado Sigmund Exner. Exner havia publicado, em 1894, um texto que \u00e9 citado tr\u00eas vezes por Breuer em sua contribui\u00e7\u00e3o aos Estudos e poderia ser considerado um precursor, ou ao menos uma inspira\u00e7\u00e3o, do <em>Projeto<\/em> de Freud8.<\/p>\n<p>De todo modo, o conceito de resist\u00eancia \u00e9 elaborado de um modo bem mais minucioso no <em>Projeto<\/em>, o que requer uma aten\u00e7\u00e3o especial. Ap\u00f3s enunciar os dois postulados principais da psicologia que propunha \u2013 a concep\u00e7\u00e3o quantitativa e a teoria do neur\u00f4nio \u2013, Freud traz o advento das resist\u00eancias \u00e0 descarga, localizadas nos contatos entre os neur\u00f4nios (barreiras de contato), para explicar a fun\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria do sistema nervoso, que demanda a acumula\u00e7\u00e3o de quantidades. A teoria das barreiras de contato levaria \u00e0 divis\u00e3o dos neur\u00f4nios em duas classes, conforme a explica\u00e7\u00e3o de Freud (1895a\/1987, p. 319):<\/p>\n<p>Assim, existem neur\u00f4nios <em>perme\u00e1veis<\/em> (que n\u00e3o oferecem resist\u00eancia e nada ret\u00eam), destinados \u00e0 percep\u00e7\u00e3o, e <em>imperme\u00e1veis<\/em> (dotados de resist\u00eancia e retentivos de Q?), que s\u00e3o portadores da mem\u00f3ria e, com isso, provavelmente tamb\u00e9m dos processos ps\u00edquicos em geral. Daqui por diante chamarei ao primeiro sistema de neur\u00f4nios de ? e, ao segundo, de ?.<\/p>\n<p>O conceito de resist\u00eancia tem, no <em>Projeto<\/em>, rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com o de facilita\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, com a &gt;mem\u00f3ria, como o seguinte trecho nos mostra (<em>ibid<\/em>., p. 320):<\/p>\n<p>Descreveremos esse estado das barreiras de contacto como grau de <em>facilita\u00e7\u00e3o [Bahnung]<\/em>. Pode-se ent\u00e3o dizer: a <em>mem\u00f3ria est\u00e1 representada pelas facilita\u00e7\u00f5es existentes entre os neur\u00f4nios<\/em> ?.<\/p>\n<p>Suponhamos que todas as barreiras de contacto ? estejam igualmente facilitadas ou (o que vem a dar no mesmo) ofere\u00e7am resist\u00eancia id\u00eantica; nesse caso, evidentemente, as caracter\u00edsticas da mem\u00f3ria n\u00e3o emergiriam.<\/p>\n<p>Para bem delimitar o contexto e aplica\u00e7\u00e3o do conceito no <em>Projeto<\/em>, \u00e9 interessante ressaltar a afirma\u00e7\u00e3o de Freud de que as resist\u00eancias das barreiras de contato s\u00e3o da mesma ordem de magnitude dos est\u00edmulos intercelulares que passam pelos neur\u00f4nios. Entretanto, o conceito aparece sob um novo n\u00edvel de complexidade na segunda parte do <em>Projeto<\/em>, sobre os processos psicopatol\u00f3gicos (<em>ibid<\/em>., p. 366-7):<\/p>\n<p>Se investigarmos o estado da [id\u00e9ia] recalcada B, comprovaremos que \u00e9 f\u00e1cil encontr\u00e1-la e lev\u00e1-la \u00e0 consci\u00eancia. [&#8230;] Mas se, como de costume, B for um complexo de catexias, surgir\u00e1 ent\u00e3o uma resist\u00eancia, extraordinariamente forte e dif\u00edcil de vencer, contra a atividade de pensamento com B.<\/p>\n<p>Essa resist\u00eancia de que fala Freud, no trecho acima, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 redut\u00edvel \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o nas barreiras de contato, mas toma a forma de uma resist\u00eancia ao pensamento associado a uma id\u00e9ia recalcada, que se aproxima da forma propriamente psicanal\u00edtica que o conceito tomava.<\/p>\n<p>Tendo exposto brevemente a no\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia elaborada no <em>Projeto<\/em>, cabe pontuar alguns usos do conceito em outros momentos, por Freud, tamb\u00e9m em sua concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica. Num artigo escrito ainda em 1894, ele afirma que a excita\u00e7\u00e3o som\u00e1tica &#8220;tem que atingir uma certa altura para poder vencer a resist\u00eancia da via de condu\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria at\u00e9 o c\u00f3rtex cerebral e expressar-se como um est\u00edmulo ps\u00edquico&#8221; (Freud, 1895b\/1987, p. 106). Mais tarde, em <em>A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos<\/em>, a concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica ser\u00e1 novamente posta em uso, quando Freud (1900\/1987) menciona os &#8220;elementos do material bruto da mem\u00f3ria&#8221; e os &#8220;graus de resist\u00eancia de condu\u00e7\u00e3o erguida contra a passagem da excita\u00e7\u00e3o proveniente desses elementos&#8221; (p. 494). V\u00ea-se, desse modo, que esta concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi completamente abandonada ap\u00f3s o <em>Projeto<\/em>.<\/p>\n<p><strong>3. A &#8220;equa\u00e7\u00e3o geneal\u00f3gica&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Os bons conhecedores da obra de Freud notar\u00e3o que este t\u00edtulo \u00e9 uma alus\u00e3o \u00e0 express\u00e3o &#8220;equa\u00e7\u00e3o etiol\u00f3gica&#8221;, usada por ele para designar &#8220;as inter-rela\u00e7\u00f5es entre as diferentes esp\u00e9cies de causas envolvidas na gera\u00e7\u00e3o de uma neurose&#8221; (Freud, 1895c\/1987, p. 117, ver a Nota do Editor Ingl\u00eas), ou qualquer outra doen\u00e7a. Este reconhecimento da complexidade e da multiplicidade causal de um fen\u00f4meno \u00e9 o que procuro trazer para a compreens\u00e3o da g\u00eanese do conceito de resist\u00eancia na psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Ao longo deste ensaio, apresentei o uso do conceito de resist\u00eancia nos escritos iniciais de Freud a partir de seus diferentes contextos e significados, agrupando-os em cinco classes: a resist\u00eancia da doen\u00e7a, a resist\u00eancia do organismo, a resist\u00eancia \u00e0 hipnose e \u00e0 sugest\u00e3o, a constitui\u00e7\u00e3o do conceito psicanal\u00edtico e a concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica. Cabe, agora, tecer as rela\u00e7\u00f5es existentes entre eles e tentar tra\u00e7ar uma esp\u00e9cie de genealogia que nos permita compreender as circunst\u00e2ncias nas quais ocorreu a apropria\u00e7\u00e3o deste conceito pela psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>O que denominei por &#8216;resist\u00eancia do organismo&#8217;, que pode ser melhor definida como a resist\u00eancia de um paciente \u00e0 doen\u00e7a, parece ter rela\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas com a concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica, que explorarei mais adiante, mas tamb\u00e9m com a resist\u00eancia \u00e0 hipnose e \u00e0 sugest\u00e3o, que, como apontam Roudinesco e Plon (1998), era legitimada por Freud, que compreendia a atitude dos pacientes diante da amea\u00e7a tir\u00e2nica da sugest\u00e3o, os quais procuravam preservar, de um modo ou de outro, sua sa\u00fade.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia da doen\u00e7a tem muito pouca semelhan\u00e7a com aquela do organismo, e ambas podem ser consideradas at\u00e9 &#8220;inimigas&#8221;. Tamb\u00e9m quase n\u00e3o h\u00e1 semelhan\u00e7a com a resist\u00eancia \u00e0 hipnose e \u00e0 sugest\u00e3o ou com a concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica. Entretanto, a meu ver, o que chamo de &#8216;resist\u00eancia da doen\u00e7a&#8217; ser\u00e1, talvez, a maior influ\u00eancia na constitui\u00e7\u00e3o do conceito psicanal\u00edtico.<\/p>\n<p>Volto agora minha aten\u00e7\u00e3o \u00e0 concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica, cuja influ\u00eancia na g\u00eanese do conceito psicanal\u00edtico de resist\u00eancia parece t\u00e3o duvidosa e dif\u00edcil de tra\u00e7ar. De fato, j\u00e1 \u00e9 por demais curioso o modo como essas duas concep\u00e7\u00f5es caminharam em paralelo no curto per\u00edodo em que foram esbo\u00e7adas \u2013 a saber, os anos de 1894 e 1895, dado que os casos cl\u00ednicos dos <em>Estudos sobre a histeria<\/em> j\u00e1 estavam prontos em meados de 1894. Poder\u00edamos afirmar que uma nada tinha a ver com a outra, que trilhavam caminhos sem qualquer conex\u00e3o rec\u00edproca \u2013 neurologia e psican\u00e1lise \u2013, que a concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica n\u00e3o influenciou a psicanal\u00edtica e simplesmente &#8220;n\u00e3o vingou&#8221;? Dificilmente, acredito, mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples.<\/p>\n<p>Como afirmei anteriormente, a concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica parece fundir-se, em alguns momentos, com a no\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia do organismo \u00e0 doen\u00e7a, como fica evidente na seguinte passagem do ensaio de Freud sobre &#8220;A psicoterapia da histeria&#8221;, nos <em>Estudos<\/em>, que parece sofrer influ\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de Breuer: &#8220;Tudo depende de refor\u00e7ar a capacidade de resistir do sistema nervoso do paciente, e devemos lembrar que a exist\u00eancia de um sintoma hist\u00e9rico significa uma diminui\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia do sistema nervoso e representa um fator que predisp\u00f5e \u00e0 histeria&#8221; (Breuer &amp; Freud, 1895\/1987, p. 260-1).<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, a resist\u00eancia do sistema nervoso \u00e9 concebida exatamente como a resist\u00eancia de um organismo \u00e0 doen\u00e7a. Entretanto, essa vis\u00e3o favor\u00e1vel da resist\u00eancia j\u00e1 havia sido confrontada, no caso cl\u00ednico da Sra. Emmy von N., com a contradi\u00e7\u00e3o que se apresenta quando a resist\u00eancia se opunha ao tratamento de fen\u00f4menos patol\u00f3gicos (<em>ibid<\/em>., p. 121):<\/p>\n<p>Se penetrarmos no mecanismo das &#8220;<em>id\u00e9es fixes<\/em>&#8220;, constataremos que se acham baseadas e apoiadas por tantas experi\u00eancias, que atuam com tal intensidade, que n\u00e3o nos podemos surpreender ao descobrir que essas id\u00e9ias s\u00e3o capazes de opor uma resist\u00eancia bem-sucedida \u00e0 id\u00e9ia contr\u00e1ria apresentada pela sugest\u00e3o, que s\u00f3 est\u00e1 revestida de poderes limitados. Apenas de um c\u00e9rebro verdadeiramente patol\u00f3gico \u00e9 que se poderiam varrer por mera sugest\u00e3o produtos t\u00e3o bem fundamentados de eventos ps\u00edquicos intensos.<\/p>\n<p>Desse modo, a resist\u00eancia n\u00e3o parecia se encaixar em nenhum dos p\u00f3los do bin\u00f4mio sa\u00fade-doen\u00e7a \u2013 atravessava-os. Se, por um lado, um sistema nervoso t\u00e3o sugestion\u00e1vel seria patol\u00f3gico, por outro, a resist\u00eancia que o torna saud\u00e1vel impede o tratamento de elementos patol\u00f3gicos. Uma pista na resolu\u00e7\u00e3o do impasse \u00e9 o fato de que Freud usou, no trecho citado, a sugest\u00e3o como par\u00e2metro para falar de um c\u00e9rebro patol\u00f3gico. Se o ato de deixar-se \u00e0 plena influ\u00eancia da sugest\u00e3o pode ser atribu\u00eddo ao \u00e2mbito da doen\u00e7a, talvez possamos considerar que deixar-se \u00e0 influ\u00eancia do m\u00e9todo psicanal\u00edtico esteja no lado da cura, e que seria &#8220;racional&#8221; resistir \u00e0 desmedida influ\u00eancia na hipnose, enquanto no tratamento psicanal\u00edtico n\u00e3o ter\u00edamos porque resistir, pois os poderes que se abatem sobre n\u00f3s prov\u00eam de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Essas tentativas de resposta nos levam por interessantes caminhos, mas nada nos dizem acerca da poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o entre as resist\u00eancias das barreiras de contato dos neur\u00f4nios e aquelas enfrentadas por pacientes hist\u00e9ricos ao tentar recordar eventos que foram recalcados, mas n\u00e3o esquecidos.<\/p>\n<p>Se partirmos da concep\u00e7\u00e3o propriamente psicanal\u00edtica da resist\u00eancia, tentando reduzi-la a fen\u00f4menos cada vez mais simples, at\u00e9 que cheg\u00e1ssemos aos fen\u00f4menos neuronais, s\u00f3 conseguir\u00edamos dar dois passos. A resist\u00eancia ao tratamento psicanal\u00edtico se expressa em fen\u00f4menos como: (1) a censura, ou seja, o impedimento que certos conte\u00fados acedam \u00e0 consci\u00eancia, o que toma a forma de uma resist\u00eancia \u00e0 lembran\u00e7a de certos eventos; (2) a resist\u00eancia \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o, seja dos sonhos ou de quaisquer outros fen\u00f4menos em uma an\u00e1lise; e (3) a simples resist\u00eancia a associar livremente, como ocorria no caso da Srta. Elizabeth von R. Estes tr\u00eas fen\u00f4menos, por sua vez, t\u00eam no seu cerne a resist\u00eancia a estabelecer associa\u00e7\u00f5es com conte\u00fados recalcados.<\/p>\n<p>Quando chegamos ao recalque, fica dif\u00edcil dar mais um passo inteiro adiante, como poderemos ver na tentativa de sua elucida\u00e7\u00e3o que Freud faz no <em>Projeto<\/em>. Na segunda parte do Projeto, dedicada aos processos psicopatol\u00f3gicos, a terceira se\u00e7\u00e3o procura elucidar &#8220;A Defesa Patol\u00f3gica&#8221;, ou seja, o recalque. Freud segue uma pista para explicar o recalcamento hist\u00e9rico, relacionando-o \u00e0 &#8220;<em>forma\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos, o deslocamento <\/em>para outros neur\u00f4nios&#8221; (Freud, 1985a\/1987, p. 368), mas logo aponta a solu\u00e7\u00e3o como falha ao notar que h\u00e1 recalcamento sem forma\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos. A sua frase, que encerra a se\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m nos servir\u00e1 como conclus\u00e3o inconclusiva: &#8220;o processo de recalcamento continua sendo o cerne do enigma&#8221; (<em>ibid<\/em>., p. 368).<\/p>\n<p><strong>4. Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p>O que pude esbo\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o de uma &#8220;equa\u00e7\u00e3o geneal\u00f3gica&#8221; do conceito de resist\u00eancia na psican\u00e1lise trouxe algumas quest\u00f5es importantes para a reflex\u00e3o, ao colocar o conceito psicanal\u00edtico lado a lado com outras concep\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia presentes em escritos do pr\u00f3prio Freud, considerados pr\u00e9-psicanal\u00edticos.<\/p>\n<p>A contraposi\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia na psican\u00e1lise \u00e0 resist\u00eancia na hipnose p\u00f5e em quest\u00e3o a sua legitimidade. Com a concep\u00e7\u00e3o que Freud trouxe no contexto da hipnose e sugest\u00e3o, podemos constatar que existiam resist\u00eancias ao tratamento que podiam ser consideradas leg\u00edtimas, portanto creio que seja recomend\u00e1vel cautela em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua afirma\u00e7\u00e3o de que &#8220;<em>tudo o que interrompe o progresso do trabalho anal\u00edtico \u00e9 uma resist\u00eancia<\/em>&#8221; (Freud, 1900\/1987, p. 475). O conceito psicanal\u00edtico de resist\u00eancia ainda problematiza, como j\u00e1 observei, o bin\u00f4mio sa\u00fade-doen\u00e7a, reunindo em si algo como uma s\u00edntese da resist\u00eancia do organismo e da resist\u00eancia da doen\u00e7a, e mostrando que esta compreens\u00e3o dualista n\u00e3o d\u00e1 conta do fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>Posso sugerir, de modo sint\u00e9tico, que a concep\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia do organismo \u00e0 doen\u00e7a esbo\u00e7ou uma fus\u00e3o com a concep\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica, configurando uma unidade que, por sua vez, realizaria uma esp\u00e9cie de fus\u00e3o com a no\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia da doen\u00e7a, formando a concep\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica que poderia ser considerada como uma resist\u00eancia do paciente\/organismo\/doente. Em paralelo a tudo isso, certamente a resist\u00eancia enfrentada na pr\u00e1tica da hipnose tamb\u00e9m teve uma influ\u00eancia bem significativa.<\/p>\n<p>Entretanto, dificilmente poder-se-ia considerar tal esbo\u00e7o uma solu\u00e7\u00e3o efetiva para uma tal equa\u00e7\u00e3o, dado que a &#8220;pedra angular da psican\u00e1lise&#8221; \u2013 o recalque \u2013 ainda se mostra como uma pedra no nosso caminho.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Breuer, J., &amp; Freud, S. (1895\/1987). Estudos sobre a histeria. In S. Freud, <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em> (Vol. 2) (2a ed.). Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Freud, S. (1888\/1987). Histeria. In S. Freud, <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em> (Vol. 1, pp. 63-83) (2a ed.). Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Freud, S. (1889\/1987). Resenha de <em>Hipnotismo<\/em>, de August Forel. In S. Freud, <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em> (Vol. 1, pp. 109-121) (2a ed.). Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Freud, S. (1891\/1987). Hipnose. In S. Freud, <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em> (Vol. 1, pp. 123-133) (2a ed.). Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Freud, S. (1893\/1987). Algumas considera\u00e7\u00f5es para um estudo comparativo das paralisias motoras org\u00e2nicas e hist\u00e9ricas. In S. Freud, <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em> (Vol. 1, pp. 175-191) (2a ed.). Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Freud, S. (1895a\/1987). Projeto para uma psicologia cient\u00edfica. In S. Freud, <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em> (Vol. 1, pp. 301-409) (2a ed.). Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Freud, S. (1895b\/1987). Sobre os fundamentos para destacar da neurastenia uma s\u00edndrome espec\u00edfica denominada &#8220;neurose de ang\u00fastia&#8221;. In S. Freud, <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em> (Vol. 3, pp. 87-114) (2a ed.). Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Freud, S. (1895c\/1987). Respostas \u00e0s cr\u00edticas a meu artigo sobre a neurose de ang\u00fastia. In S. Freud, <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em> (Vol. 3, pp. 115-132) (2a ed.). Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Freud, S. (1900\/1987). A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos. In S. Freud, <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em> (Vols. 4-5) (2a ed.). Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Freud, S. (1905\/1987). Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. In S. Freud, <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em> (Vol. 7) (2a ed.). Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Gabbi Jr., O. F. (2003). <em>Notas a Projeto de uma Psicologia: as origens utilitaristas da psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Hanns, L. A. (1996). <em>Dicion\u00e1rio comentado do alem\u00e3o de Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p>Houaiss, A., &amp; Villar, M. S. (2001). <em>Dicion\u00e1rio Houaiss da l\u00edngua portuguesa<\/em>. Rio de Janeiro: Objetiva.<\/p>\n<p>Laplanche, J., &amp; Pontalis, J.-B. (1988). <em>Vocabul\u00e1rio da psican\u00e1lise<\/em> (10a ed.). S\u00e3o Paulo: Martins Fontes.<\/p>\n<p>Roudinesco, E., &amp; Plon, M. (1998). <em>Dicion\u00e1rio de psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<\/p>\n<p>Souza, P. C. (1998). <em>As palavras de Freud<\/em>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica.<\/p>\n<p>1 Estudante de gradua\u00e7\u00e3o do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia &#8211; <a href=\"mailto:and_mat@hotmail.com\">and_mat@hotmail.com<\/a><\/p>\n<p>2 Cf. o <em>Dicion\u00e1rio Houaiss da l\u00edngua portuguesa<\/em> (Houaiss &amp; Villar, 2001).<\/p>\n<p>3 R\u00e9sistance, em franc\u00eas; <em>resistencia<\/em>, em espanhol; <em>resistenza<\/em>, em italiano; e <em>resistance<\/em>, em ingl\u00eas (Laplanche &amp; Pontalis, 1988).<\/p>\n<p>4 Ver, a este respeito, as obras de Luiz Hanns (1996) e Paulo C\u00e9sar de Souza (1998).<\/p>\n<p>5 Cf. a Introdu\u00e7\u00e3o do editor ingl\u00eas aos <em>Estudos sobre a histeria<\/em> (Breuer &amp; Freud, 1895\/1987).<\/p>\n<p>6 Todos os grifos em cita\u00e7\u00f5es s\u00e3o do autor.<\/p>\n<p>7 &#8220;Essa excita\u00e7\u00e3o &#8216;retrogressiva&#8217;, que emana do \u00f3rg\u00e3o da mem\u00f3ria e atua sobre o aparelho perceptivo [&#8230;]&#8221; (Breuer &amp; Freud, 1895\/1987, p. 198).<\/p>\n<p>8 Gabbi Jr. (2003) chama a aten\u00e7\u00e3o para a refer\u00eancia impl\u00edcita, no in\u00edcio do <em>Projeto<\/em>, ao texto de Exner, traduzindo o seu t\u00edtulo alem\u00e3o para <em>Projeto de uma explica\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica dos fen\u00f4menos ps\u00edquicos.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigos Originais A g\u00eanese do conceito de resist\u00eancia na psican\u00e1lise The genesis of the concept of resistance in psychoanalysis Andr\u00e9 Santana Mattos1 Instituto de Psicologia, Universidade Federal da Bahia RESUMO Neste ensaio, s\u00e3o exploradas as condi\u00e7\u00f5es em que o conceito de resist\u00eancia se constituiu na psican\u00e1lise. 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