{"id":4532,"date":"2013-10-03T05:18:32","date_gmt":"2013-10-03T05:18:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/?p=4532"},"modified":"2018-09-13T14:40:26","modified_gmt":"2018-09-13T17:40:26","slug":"v5n1a1","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/v5n1a1\/","title":{"rendered":"V5N1A1"},"content":{"rendered":"<h3 align=\"left\"><strong>Sobre Ang\u00fastia e Libido<br \/>\n<\/strong><\/h3>\n<p align=\"left\"><strong>Lucas Bullara Martins da Silva<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Instituto de Psicologia, Universidade de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p align=\"left\">lucas.bmsilva@gmail.com<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"left\"><strong>RESUMO<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O presente trabalho tem como objetivo fazer um estudo da evolu\u00e7\u00e3o do conceito de ang\u00fastia dentro da obra freudiana, priorizando como foco de an\u00e1lise a rela\u00e7\u00e3o entre ang\u00fastia e libido. Esse estudo ser\u00e1 dividido em tr\u00eas momentos distintos: uma investiga\u00e7\u00e3o inicial sobre as chamadas neuroses atuais; um aprofundamento nas hip\u00f3teses sustentadas ao longo das duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX; e, por fim, uma elucida\u00e7\u00e3o das repercuss\u00f5es da invers\u00e3o metapsicol\u00f3gica apresentada no texto <em>Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ansiedade<\/em>. Ao fim, o enfoque dado na tem\u00e1tica ang\u00fastia-libido, considerando-se os diferentes pontos de vista ao longo do percurso te\u00f3rico de Freud, nos permitir\u00e1 produzir algumas conclus\u00f5es e levantar novos problemas que merecer\u00e3o futura an\u00e1lise.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-Chave: <\/strong>Freud; Psican\u00e1lise; Metapsicologia; Ang\u00fastia; Libido.<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"left\"><strong>ABSTRACT<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">The aim of this paperwork is tocarry out a study of the evolution of the concept of anguish inside the Freudian work, prioritizing the relation between anguish and libido as the analysis\u2019s focus. This study will be divided in three different moments: an initial investigation about the so-called topical neurosis; a deepening into the hypothesis supported along the two first decades of the twentieth century; and, lastly, an elucidation of the metapsychological inversion\u2019s repercussions presented in the text <em>Inhibitions, Symptoms and Anxiety<\/em>. At the end, the priority given to the theme anguish-libido, taking into account the different points of view along Freud\u2019s theoretical path, will allow us to produce some conclusions and raise new problems which will deserve future analysis.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"en-US\" xml:lang=\"en-US\"><strong>Key-Words: <\/strong><\/span><span lang=\"en-US\" xml:lang=\"en-US\">Freud; Psychoanalysis; Metapsychology; Anguish; Libido.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nO objetivo do presente trabalho \u00e9 fazer um estudo te\u00f3rico do problema da ang\u00fastia dentro da obra freudiana, tomando como foco a rela\u00e7\u00e3o entre os conceitos de ang\u00fastia e libido. Os estudiosos de Freud n\u00e3o se deixar\u00e3o enganar pela aparente simplicidade desse objetivo e reconhecer\u00e3o a verdadeira dificuldade de uma empreitada como essa. Dentro de uma produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica t\u00e3o extensa como a freudiana, n\u00e3o \u00e9 raro que mesmo a tentativa mais modesta de dissec\u00e7\u00e3o de apenas um conceito tenha como resultado um trabalho confuso e infrut\u00edfero, em especial quando essa tentativa nos obriga a mergulhar em um campo t\u00e3o complexo como o da metapsicologia.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nAcompanhar o pensamento freudiano em rela\u00e7\u00e3o ao tema da ang\u00fastia significa partir de textos que remontam a per\u00edodos bem iniciais de sua obra, deslocando-se at\u00e9 textos muito mais tardios: um percurso por 40 anos de evolu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Num deslocamento dessa esp\u00e9cie, necessariamente o pesquisador deparar-se-\u00e1 com o desafio de considerar o conjunto te\u00f3rico no qual seu tema de pesquisa est\u00e1 inserido, de modo a reconhecer e desenvolver os pontos de tang\u00eancia conceituais; no entanto, tal empreitada traz para o pesquisador o risco de se perder ao longo desse caminho tortuoso. Aqui, de forma a evitar esse risco, foi estabelecido um enfoque privilegiado de orienta\u00e7\u00e3o neste trabalho: a rela\u00e7\u00e3o entre ang\u00fastia e libido. Embora seja fato que essa escolha restrinja em demasiado a amplitude que um estudo aprofundado sobre ang\u00fastia poderia atingir, toda pesquisa sempre trabalha com um recorte e consideramos que s\u00e3o decis\u00f5es assim que possibilitam, exatamente por interm\u00e9dio dessa restri\u00e7\u00e3o, a elabora\u00e7\u00e3o de trabalhos produtivos que, muito provavelmente, s\u00e3o aqueles que mais contribuem para evitar estagna\u00e7\u00f5es na pesquisa te\u00f3rica.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nUm esclarecimento deve ser feito antes que se possa continuar. No \u00e2mbito desse artigo, a escolha de um objetivo cujo cerne est\u00e1 ancorado num estudo te\u00f3rico n\u00e3o deve passar despercebida, nem ser considerada indiferente. Para que se possa ser feito um estudo te\u00f3rico v\u00e1lido, \u00e9 necess\u00e1rio assumir um determinado m\u00e9todo de trabalho que guie a leitura dos textos e a an\u00e1lise dos mesmos. O m\u00e9todo aqui desenvolvido \u00e9 inspirado naquilo que Foucault chama de an\u00e1lise geneal\u00f3gica<sup>1<\/sup>. Isso significa tratar a teoria como uma fic\u00e7\u00e3o que produz e veicula \u201cverdades\u201d em rela\u00e7\u00e3o a um campo de acontecimentos sociais. Dessa forma, busca-se n\u00e3o apenas a ideia, mas tamb\u00e9m o contexto no qual ela foi produzida e os diferentes contextos nos quais ela \u00e9 transformada. N\u00e3o nos interessa em si a \u201corigem\u201d da ideia ou mesmo sua forma dita \u201cfinal\u201d, tanto quanto a investiga\u00e7\u00e3o das<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">possibilidades de exist\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o da mesma<\/span><\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nDe fato, o mais apropriado seria realizar uma an\u00e1lise geneal\u00f3gica do problema da ang\u00fastia em Freud, investigando quais os conhecimentos produzidos em cada contexto hist\u00f3rico do discurso freudiano e utilizando estratos que embasassem nossas constru\u00e7\u00f5es, tudo isso por interm\u00e9dio da an\u00e1lise de cada texto no qual a ang\u00fastia \u00e9 problematizada. Contudo, um estudo assim demanda um tempo e um espa\u00e7o que n\u00e3o est\u00e3o previstos na elabora\u00e7\u00e3o de um artigo, e tal tarefa dever\u00e1 ser reservada para outra ocasi\u00e3o. Por esse motivo, o presente texto, embora possua uma certa voca\u00e7\u00e3o geneal\u00f3gica na sua busca pelas condi\u00e7\u00f5es de possibilidade dos conceitos e das constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas, deve ser caracterizado mais corretamente como um coment\u00e1rio<sup>2<\/sup> da obra de Freud, que trata dos diferentes pontos de vista desse autor a respeito da ang\u00fastia, no que se refere \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com a libido.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\"><br \/>\nQuando nos propomos a fazer um estudo acerca do tema da ang\u00fastia<\/span><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">3<\/span><\/sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"> dentro do campo de pesquisa freudiano, o primeiro eixo de an\u00e1lise com o qual nos deparamos \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o j\u00e1 consagrada entre duas teorias da ang\u00fastia \u2013 assunto que pode ser encontrado na introdu\u00e7\u00e3o de James Strachey, editor das obras completas de Freud da IMAGO, ao texto<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ansiedade<\/span><\/em>(Freud, 1926\/1969), ou no dicion\u00e1rio de Laplanche e Pontalis<sup>4<\/sup><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">.<\/span>Tomando inicialmente esse eixo anal\u00edtico, \u00e9 poss\u00edvel distinguir dois pontos de vista distintos no pensamento de Freud em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 explica\u00e7\u00e3o dada ao fen\u00f4meno da ang\u00fastia: primeiramente, desde os primeiros escritos de Freud at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 20, o surgimento da ang\u00fastia era explicado como sendo o resultado da transforma\u00e7\u00e3o do ac\u00famulo da excita\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o foi descarregada, ou por que n\u00e3o teve acesso ao plano ps\u00edquico, ou por que foi contida pela repress\u00e3o; posteriormente, com o texto<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ansiedade<\/span><\/em>(Freud, 1926\/1969), \u201c&#8230; Freud desiste da teoria que sustentara por tanto tempo. Ele n\u00e3o considerava mais a ansiedade como libido transformada, mas como uma rea\u00e7\u00e3o sobre um modelo espec\u00edfico a situa\u00e7\u00f5es de perigo.\u201d (Introdu\u00e7\u00e3o do Editor Ingl\u00eas ao texto <em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ansiedade<\/span><\/em>, p. 98). A gera\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia est\u00e1, nesse momento da obra freudiana, relacionada com a fuga da repeti\u00e7\u00e3o de uma certa situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica e \u00e9 pensada como emiss\u00e3o de um sinal de<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">perigo<\/span><\/em>que aciona o processo de repress\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nSeguindo esse modelo, \u00e9 valido considerar mais uma poss\u00edvel linha de an\u00e1lise. Tomando apenas as situa\u00e7\u00f5es descritas por Freud nas quais h\u00e1 evid\u00eancia de que um processo ps\u00edquico ocorre, \u00e9 poss\u00edvel organizar as explica\u00e7\u00f5es freudianas para a ang\u00fastia em torno do conceito de repress\u00e3o: num primeiro momento, a ang\u00fastia \u00e9 considerada efeito da repress\u00e3o, a consequ\u00eancia sintom\u00e1tica de uma perturba\u00e7\u00e3o na economia libidinal da mente; e, num segundo momento, a ang\u00fastia \u00e9 explicada como um sinal emitido pelo ego para colocar em andamento o processo defensivo, uma invers\u00e3o metapsicol\u00f3gica que agora coloca a ang\u00fastia como causa da repress\u00e3o e n\u00e3o mais efeito. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nNo entanto, propomos um novo eixo de an\u00e1lise que que seja complementar aos modelos acima expostos, mas que tamb\u00e9m traga algo al\u00e9m do j\u00e1 cristalizado discurso dicot\u00f4mico \u201clibido transformada em ang\u00fastia x ang\u00fastia como sinal\u201d. Pensamos que uma apresenta\u00e7\u00e3o mais detalhada de como o conceito de libido \u201cinvade\u201d a conceitualiza\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia, considerando tal entrela\u00e7amento pelos diferentes momentos hist\u00f3ricos do pensamento freudiano, possa servir a esse prop\u00f3sito. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nIsso nos imp\u00f5e diferentes tarefas, que podem ser realizadas em tr\u00eas momentos distintos. Num primeiro momento, devemos buscar nas origens da Psican\u00e1lise, em textos iniciais localizados num terreno metapsicol\u00f3gico ainda pouco desenvolvido, de que forma se apresenta a quest\u00e3o da ang\u00fastia, por quais motivos surge esse problema e como ele \u00e9 desenvolvido e explicado. Podemos j\u00e1 adiantar que esse passo inicial \u00e9 dado dentro do campo das indaga\u00e7\u00f5es referentes \u00e0s chamadas neuroses atuais, localizado no final do s\u00e9culo XIX, mais especificamente no ano de 1895. Com a publica\u00e7\u00e3o do cl\u00e1ssico artigo sobre \u201cneurose de ang\u00fastia\u201d, Freud n\u00e3o s\u00f3 prop\u00f5e uma nomenclatura nosogr\u00e1fica in\u00e9dita e uma explica\u00e7\u00e3o inicial para a ang\u00fastia, como tamb\u00e9m nos proporciona um ponto de partida para a presente pesquisa, indicando j\u00e1 as primeiras pistas da liga\u00e7\u00e3o \u00edntima, ou mesmo \u201cantag\u00f4nica\u201d, entre ang\u00fastia e libido. Embora enfoquemos nosso estudo nesse texto, \u00e9 imprescind\u00edvel relacion\u00e1-lo com textos da mesma \u00e9poca que circundam o tema e se relacionam com ele. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nNum segundo momento, nossos esfor\u00e7os se concentram na an\u00e1lise de uma das Confer\u00eancias Introdut\u00f3rias sobre Psican\u00e1lise, a Confer\u00eancia XXV, cujo t\u00edtulo \u00e9 \u201cA ansiedade\u201d. Ponto nodal das formula\u00e7\u00f5es freudianas sobre ang\u00fastia, esse texto situa-nos em 1917, ano em que j\u00e1 podemos localizar nosso tema dentro um edif\u00edcio metapsicol\u00f3gico s\u00f3lido. O pr\u00f3prio t\u00edtulo da confer\u00eancia indica o mergulho que ser\u00e1 dado na tentativa de organiza\u00e7\u00e3o dos pontos de vista acerca do problema da ang\u00fastia, que vinha em pleno desenvolvimento desde a descri\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico do pequeno Hans, al\u00e9m de j\u00e1 ser poss\u00edvel notar tamb\u00e9m nesse texto certos ind\u00edcios da futura explica\u00e7\u00e3o para esse afeto. Aqui tamb\u00e9m n\u00e3o perderemos o foco: a rela\u00e7\u00e3o entre libido e ang\u00fastia. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nPor fim, num terceiro e \u00faltimo momento, buscamos o que muda a partir do texto de 1926,<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ansiedade<\/span><\/em>. Ap\u00f3s o desenvolvimento da segunda t\u00f3pica da estrutura metal e da segunda teoria pulsional, esse texto aparece como um reordenador das hip\u00f3teses anteriores, colocando o problema da ang\u00fastia sob novo ponto de vista, com um novo operador te\u00f3rico: o sinal de perigo. O que acontece com a liga\u00e7\u00e3o libido-ang\u00fastia nesse novo estado de coisas? <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nMuito mais do que apenas organizar um coment\u00e1rio fechado a respeito desse problema na obra freudiana, as trilhas de an\u00e1lise aqui propostas visam a inquietar, provocar, encontrar talvez alguma poeira escondida debaixo do tapete. Num tema t\u00e3o complexo, dentro de uma obra t\u00e3o poderosa, h\u00e1 sempre a possibilidade de n\u00e3o atingir tal expectativa. N\u00e3o nos abstemos desse risco.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 12pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\"><br \/>\n<strong>A excita\u00e7\u00e3o transbordada<\/strong><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; line-height: 17.6000003814697px; text-align: justify; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">O artigo sobre \u201cneurose de ang\u00fastia\u201d, de 1895, \u00e9 o trabalho no qual podemos encontrar uma primeira tentativa oficial de lan\u00e7ar luz sobre o problema da ang\u00fastia. Dizemos tentativa oficial, pois \u00e9 poss\u00edvel rastrear a ess\u00eancia de grande parte das hip\u00f3teses apresentadas nesse artigo em cartas remetidas a Fliess, em especial os rascunhos B e E, de datas anteriores<\/span><\/span><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\"><sup style=\"line-height: 17.6000003814697px; text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 8pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">5<\/span><\/sup><span style=\"font-size: 8.5pt; line-height: 17.6000003814697px; text-align: justify; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 12pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">Ainda numa fase que se costuma chamar de \u201cpr\u00e9-psicanal\u00edtica\u201d, onde o conceito de inconsciente ainda n\u00e3o teve seu desenvolvimento estruturado, esse texto \u00e9 escrito como cr\u00edtica \u00e0 imprecis\u00e3o que girava em torno da caracteriza\u00e7\u00e3o da chamada neurastenia, tend\u00eancia quase que generalizada nas pr\u00e1ticas m\u00e9dicas da \u00e9poca; nas palavras de Freud que iniciam o texto: \u201c\u00c9 dif\u00edcil fazer qualquer asser\u00e7\u00e3o de validade geral sobre a neurastenia, na medida em que usemos esse nome para cobrir todas as coisas que Beard<sup>6<\/sup>incluiu sob ele.\u201d (Freud, 1895b\/1969, p. 107). Dito de outra forma, segundo Freud, a medicina colocava no dom\u00ednio da neurastenia uma gama demasiado diversa de fen\u00f4menos cl\u00ednicos obscuros, dificultando assim a possibilidade de entendimento dos mesmos. O t\u00edtulo do artigo j\u00e1 tem em si a concretude do que ser\u00e1 trabalhado:<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">\u201cSobre os crit\u00e9rios para destacar da neurastenia uma s\u00edndrome particular intitulada \u2018neurose de ang\u00fastia\u2019\u201d<\/span><\/em>(1895b\/1969)<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">.<\/span><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nPartindo de uma exposi\u00e7\u00e3o sintomatol\u00f3gica detalhada, Freud argumenta a validade de se considerar a neurose de ang\u00fastia uma entidade cl\u00ednica separada, cujos \u201ccomponentes podem ser agrupados em torno do sintoma principal da ansiedade\u201d (Freud, 1895b\/1969, p. 108). Esse pensamento n\u00e3o \u00e9 novo, remonta a 1893: \u201c&#8230; a quest\u00e3o \u00e9 saber se o surgimento proeminente desse fator ansiedade, sem os outros sintomas estarem especialmente desenvolvidos, n\u00e3o deveria ser destacado como uma \u2018neurose de ang\u00fastia\u2019 independente&#8230;\u201d (<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Rascunho B<\/span><\/em>, 1893\/1969, p. 252). Expectativa ansiosa, ataques de ansiedade, vertigem, entre outros, s\u00e3o alguns dos sintomas enumerados para caracterizar essa s\u00edndrome particular. No entanto, j\u00e1 revelando seu interesse na busca pelas causas profundas em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 observa\u00e7\u00e3o limitada dos sintomas, Freud vai al\u00e9m e prop\u00f5e uma explica\u00e7\u00e3o etiol\u00f3gica para a enfermidade, buscando j\u00e1 organizar uma teoria inicial sobre a neurose de ang\u00fastia. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nSempre tendo em vista a discuss\u00e3o sobre os fatores heredit\u00e1rios e os adquiridos na explica\u00e7\u00e3o das neuroses, o autor foca a sua investiga\u00e7\u00e3o nas evid\u00eancias que o ap\u00f3iam a pensar a neurose como adquirida, e encontra no \u201cconjunto de perturba\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias da<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">vida sexual<\/span><\/em>\u201d (Freud, 1895b\/1969, p. 117, it\u00e1lico do autor) os fatores etiol\u00f3gicos que operam na causa\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. De fato, j\u00e1 era bem conhecida a influ\u00eancia dos fatores da vida sexual na explica\u00e7\u00e3o da neurastenia. Contudo, Freud apresenta condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de perturba\u00e7\u00f5es na esfera sexual, de natureza quantitativa (\u201c<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Uma r\u00e9plica \u00e0s cr\u00edticas do meu artigo sobre neurose de ang\u00fastia<\/span><\/em>\u201d, Freud, 1895c\/1969, p. 151), que contribuem direta e necessariamente para a irrup\u00e7\u00e3o da neurose:<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">coitus interruptus, coitus reservatus, excita\u00e7\u00e3o n\u00e3o consumada<\/span><\/em>etc. Sem entrar em detalhes em cada um desses casos, podemos dizer que todos se referem a situa\u00e7\u00f5es nas quais n\u00e3o h\u00e1 efetiva satisfa\u00e7\u00e3o sexual. \u00c9 com essa id\u00e9ia que Freud conjectura a neurose de ang\u00fastia como efeito de uma \u201c<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">deflex\u00e3o da excita\u00e7\u00e3o sexual som\u00e1tica da esfera ps\u00edquica, com um conseq\u00fcente emprego anormal dessa excita\u00e7\u00e3o<\/span><\/em>\u201d (Freud, 1895b\/1969, p. 126, it\u00e1lico do autor). Em outras palavras, com o ac\u00famulo de excita\u00e7\u00e3o sexual som\u00e1tica n\u00e3o podendo atingir a esfera ps\u00edquica (diminui\u00e7\u00e3o do desejo ps\u00edquico, da \u201clibido\u201d <sup>7<\/sup> sexual), h\u00e1 um escoamento dessa excita\u00e7\u00e3o pela via corporal, na forma de ang\u00fastia. Como j\u00e1 dissemos, essa proposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dita no pensamento freudiano. J\u00e1 em seu<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Rascunho<\/span><\/em><em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">E <\/span><\/em>(n\u00e3o datado, mas possivelmente de 1894) encontramos a seguinte passagem:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\n\u201cDepois de constatar o fato de que mesmo mulheres fr\u00edgidas est\u00e3o sujeitas a ansiedade ap\u00f3s coitus interruptus, \u00e9-se levado a dizer que se trata de uma quest\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o de excita\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u2013 isto \u00e9, uma<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">acumula\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o sexual f\u00edsica<\/span><\/em>. (&#8230;)a situa\u00e7\u00e3o se define dizendo-se que a<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">ansiedade<\/span><\/em>surgiu por<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">transforma\u00e7\u00e3o<\/span><\/em>, a partir da tens\u00e3o sexual acumulada.\u201d (Freud, 1894a\/1969, p. 264, it\u00e1lico do autor)<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nNesse ponto, dois coment\u00e1rios precisam ser feitos. Primeiramente, esse texto sobre neurose de ang\u00fastia \u00e9 escrito na mesma \u00e9poca em que Freud realizava a tentativa de descrever os processos ps\u00edquicos em termos neurol\u00f3gicos, que pode ser encontrada em seu artigo p\u00f3stumo \u201cProjeto de uma Psicologia\u201d(1950 [1895]\/2003). A influ\u00eancia dessa tentativa no texto de neurose de ang\u00fastia \u00e9 evidente: quais s\u00e3o as conseq\u00fc\u00eancias de um ac\u00famulo de tens\u00e3o num aparelho neurol\u00f3gico cujo funcionamento \u00e9 regido pelo princ\u00edpio da const\u00e2ncia, pelo esfor\u00e7o em manter o n\u00edvel de quantidade de excita\u00e7\u00e3o o mais baixo e est\u00e1vel poss\u00edvel? Al\u00e9m disso, trabalha-se muito a no\u00e7\u00e3o de \u201ca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica\u201d como \u00fanica via de descarga que efetivamente diminui por um per\u00edodo maior de tempo as exig\u00eancias dos est\u00edmulos internos (Freud, 1895b\/1969, p. 127), ideia essencial no seu \u201cProjeto de uma Psicologia\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o ao segundo coment\u00e1rio, trazemos em nosso aux\u00edlio James Strachey, que nos lembra em sua nota introdut\u00f3ria ao texto em atual exame que, na \u00e9poca, Freud ainda considerava \u201clibido\u201d como algo exclusivamente ps\u00edquico, n\u00e3o sendo sup\u00e9rflua a separa\u00e7\u00e3o que o autor faz no texto entre libido sexual (desejo ps\u00edquico) e excita\u00e7\u00e3o sexual som\u00e1tica. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nAp\u00f3s essa breve exposi\u00e7\u00e3o, talvez imprecisa e incompleta, podemos voltar nossa aten\u00e7\u00e3o para o ponto espec\u00edfico que propomos no presente estudo, a saber, a rela\u00e7\u00e3o entre ang\u00fastia e libido. Ang\u00fastia, nesse momento, \u00e9 sintoma. Mais que isso, \u00e9 um sintoma espec\u00edfico de um ac\u00famulo de excita\u00e7\u00e3o sexual que transbordou para o corpo pela impossibilidade de descarga e de elabora\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, ou seja, transforma\u00e7\u00e3o dessa excita\u00e7\u00e3o em libido sexual ou desejo ps\u00edquico. Precavidos pelo alerta dado por James Strachey, uma leitura cuidadosa do texto permite deduzir inicialmente que ang\u00fastia e libido se relacionam pela posi\u00e7\u00e3o diametralmente oposta que ocupam como destinos distintos da excita\u00e7\u00e3o sexual som\u00e1tica. Assim, vale atentar ao fato de que, da forma como \u00e9 proposta, essa primeira concep\u00e7\u00e3o sobre ang\u00fastia se configura como uma explica\u00e7\u00e3o quase que fisiol\u00f3gica; a produ\u00e7\u00e3o desse afeto \u00e9 resultado de um processo f\u00edsico. A aus\u00eancia de trabalho ps\u00edquico impossibilita afirmar a ang\u00fastia, nessas primeiras explica\u00e7\u00f5es, como efeito da repress\u00e3o, um fen\u00f4meno ps\u00edquico por excel\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nObviamente, n\u00e3o nos apegaremos cegamente a essas primeiras impress\u00f5es por dois motivos. Primeiro, o pr\u00f3prio texto de Freud traz momentos nos quais se pode levantar a d\u00favida se de fato nenhum processo ps\u00edquico est\u00e1 em jogo na produ\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia. Isso pode ser corroborado por trechos em que o autor localiza sintomas de ang\u00fastia misturados com sintomas de defesa (por exemplo, na ansiedade em pessoas voluntariamente abstinentes). \u00c9 de fato colocada a possibilidade da atua\u00e7\u00e3o de uma \u201crepress\u00e3o intencional do c\u00edrculo de id\u00e9ias sexuais, a qual uma mulher abstinente com freq\u00fc\u00eancia deve ter em mente, na sua luta contra a tenta\u00e7\u00e3o\u201d (Freud, 1895b\/1969, p.130). Em si, o que tal obje\u00e7\u00e3o traz para a discuss\u00e3o \u00e9 um tema interessante, mas nem por isso pouco controverso: a rela\u00e7\u00e3o entre as neuroses atuais e as psiconeuroses, rela\u00e7\u00e3o para a qual guardamos um aprofundamento em outra ocasi\u00e3o. Vale apenas dizer que n\u00e3o se pode ignorar o fato de nessa \u00e9poca Freud estar completamente envolvido com as quest\u00f5es das diferentes neuroses e suas inter-rela\u00e7\u00f5es, como, por exemplo, no artigo<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">As neuropsicoses de defesa<\/span><\/em>(1894b\/1969). J\u00e1 nesses primeiros textos, Freud reconhecia que o fen\u00f4meno cl\u00ednico correspondia mais corretamente a casos de neuroses mistas (Freud, 1894b\/1969, p. 73), embora sempre refor\u00e7asse que isso n\u00e3o diminu\u00eda a import\u00e2ncia da descri\u00e7\u00e3o \u201chipot\u00e9tica\u201d de neuroses puras. \u00c9 interessante verificar isso no final do artigo sobre neurose de ang\u00fastia, em que Freud tenta pensar as v\u00e1rias rela\u00e7\u00f5es e pontos em comum existentes entre a enfermidade descrita e a histeria; em suas palavras: \u201cSe se penetra o mecanismo das duas neuroses, na medida do que tem sido poss\u00edvel descobrir at\u00e9 aqui, v\u00eam \u00e0 luz aspectos que sugerem que a neurose de ang\u00fastia \u00e9 realmente a contraparte som\u00e1tica da histeria.\u201d (Freud, 1895b\/1969, p. 134). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nEm segundo lugar, o conceito de libido tem o seu desenvolvimento mais completo naquilo que se costuma entender pelo termo em \u00e9poca posterior, em especial com a publica\u00e7\u00e3o em 1905 dos<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade<\/span><\/em>. A oposi\u00e7\u00e3o radical entre excita\u00e7\u00e3o sexual som\u00e1tica e libido sexual ser\u00e1 colocada em xeque com a cria\u00e7\u00e3o do conceito de puls\u00e3o, o que nos leva a n\u00e3o superestimar nossas conclus\u00f5es primeiras. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nDe maneira geral, \u00e9 poss\u00edvel apreender desse primeiro exame que a ang\u00fastia est\u00e1 absolutamente imersa no campo da sexualidade, como um efeito inadequado de uma perturba\u00e7\u00e3o na mesma. \u00c9 excita\u00e7\u00e3o sexual som\u00e1tica transformada pela n\u00e3o emerg\u00eancia da mesma no plano ps\u00edquico do desejo e da \u201clibido\u201d. J\u00e1 tomando o conceito posterior de libido, ter\u00edamos de nos perguntar novamente em que estado se encontra a rela\u00e7\u00e3o entre libido e ang\u00fastia, intuindo a pergunta: ang\u00fastia \u00e9 libido transformada? Seria mais prudente ainda n\u00e3o fazer tal afirma\u00e7\u00e3o, embora fiquemos com ela em suspenso.<\/span><\/p>\n<p>Do vinho ao vinagre<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nN\u00e3o seria exagero afirmar que a Confer\u00eancia XXV, de 1917, \u00e9 um dos trabalhos mais completos de Freud sobre ang\u00fastia. \u00c9 por essa raz\u00e3o que escolhemos esse texto como foco estrat\u00e9gico de an\u00e1lise.<br \/>\nO leitor atento n\u00e3o deixar\u00e1 de perceber que demos um salto de mais de 20 anos de produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e poder\u00e1 se sentir menos confiante com rela\u00e7\u00e3o ao que ser\u00e1 dito adiante. No estudo dessa confer\u00eancia buscaremos centrar a investiga\u00e7\u00e3o no p\u00f3lo ang\u00fastia-libido, trazendo de textos anteriores e posteriores ao menos os aspectos mais essenciais para nossa discuss\u00e3o, de forma a diminuir a apreens\u00e3o do leitor e manter sua confian\u00e7a. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nO primeiro problema com o qual nos deparamos na leitura dessa confer\u00eancia \u00e9 a distin\u00e7\u00e3o colocada por Freud entre<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">ang\u00fastia real\u00edstica<\/span><\/em>e<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">ang\u00fastia neur\u00f3tica<\/span><\/em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">.<\/span><sup>8<\/sup>. A primeira, em linhas gerais, \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o emocional frente a uma situa\u00e7\u00e3o de perigo; pode ocorrer de forma apropriada, limitada a um sinal, que serve de estado de prepara\u00e7\u00e3o para uma a\u00e7\u00e3o frente ao perigo, ou ocorre de forma inadequada, como gera\u00e7\u00e3o excessiva de ang\u00fastia que paralisa a pessoa em face da situa\u00e7\u00e3o perigosa (Freud, 1917\/1969, p. 459-461). Na verdade, j\u00e1 nesse texto Freud come\u00e7a a suspeitar que, \u201conde h\u00e1 ansiedade, deve haver algo que se teme\u201d (Freud, 1917\/1969, p. 468). O segundo tipo de ang\u00fastia, a neur\u00f3tica, \u00e9 aquela que o autor descreve melhor e que em si nos interessa mais nesse momento. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nPara organizar sua discuss\u00e3o, Freud divide a descri\u00e7\u00e3o desse tipo de ang\u00fastia em tr\u00eas an\u00e1lises separadas, e acompanharemos o autor nessa divis\u00e3o. A primeira, que nada apresenta de novo para n\u00f3s, diz respeito aos casos em que se encontra a ang\u00fastia num estado livre, flutuante, pronta a se ligar a qualquer ideia apropriada. Ele se refere \u00e0 \u201cexpectativa ansiosa\u201d, entrando novamente no campo das neuroses atuais, mais especificamente a neurose de ang\u00fastia. A liga\u00e7\u00e3o estabelecida com os textos de 1895 \u00e9 evidente: \u201cUma desmesurada quantidade de ansiedade, por\u00e9m, comp\u00f5e um aspecto constante de um dist\u00farbio nervoso ao qual dei o nome de \u2018neurose de ang\u00fastia\u2019 e que incluo entre as neuroses \u2018atuais\u2019.\u201d (Freud, 1917\/1969, p.464). Na verdade, as hip\u00f3teses levantadas naqueles textos s\u00e3o reafirmadas na presente confer\u00eancia, agora colocadas dentro de um conjunto metapsicol\u00f3gico muito mais estruturado. A segunda an\u00e1lise contempla os casos nos quais a ang\u00fastia \u00e9 psiquicamente ligada, vinculada a situa\u00e7\u00f5es ou objetos espec\u00edficos. Entramos no campo das fobias. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nSeria interessante abrir aqui um par\u00eantese e fazer um breve coment\u00e1rio. O problema da fobia tamb\u00e9m encontra lugar nas reflex\u00f5es freudianas desde muito cedo. Ver, por exemplo, al\u00e9m do j\u00e1 citado<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">As neuropsicoses de defesa<\/span><\/em>(1894b\/1969), o texto<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Obsess\u00f5es e Fobias: seu mecanismo ps\u00edquico e sua etiologia<\/span><\/em>(1895a\/1969). Contudo, queremos restringir nosso coment\u00e1rio e chamar aten\u00e7\u00e3o para outros dois pontos espec\u00edficos dessas reflex\u00f5es, de 1909 e de 1915, que se mostrar\u00e3o indispens\u00e1veis para nossos objetivos. De fato, o conte\u00fado do que \u00e9 dito na confer\u00eancia XXV sobre fobia remete quase na sua totalidade a essas reflex\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\n\u00c9 na apresenta\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico do<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Pequeno Hans<\/span><\/em>(1909\/1969) que Freud arrisca sua elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica mais extensa acerca das fobias. Sem delongas, posiciona a fobia como um tipo de neurose estruturada psicologicamente da mesma forma que a histeria de convers\u00e3o, um dist\u00farbio onde tamb\u00e9m o mecanismo da repress\u00e3o tem papel central na produ\u00e7\u00e3o de sintomas; n\u00e3o \u00e0 toa, prop\u00f5e o novo nome \u201chisteria de ang\u00fastia\u201d. H\u00e1 apenas uma diferen\u00e7a: \u201cNa histeria de ang\u00fastia, a libido, que tinha sido libertada do material patog\u00eanico pela repress\u00e3o, n\u00e3o \u00e9<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">convertida<\/span><\/em>(isto \u00e9, desviada da esfera mental para uma inerva\u00e7\u00e3o som\u00e1tica), mas \u00e9 posta em liberdade na forma de<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">ansiedade<\/span><\/em>.\u201d (Freud, 1909\/1969, p. 122, it\u00e1lico do autor). Na fobia, a ativa\u00e7\u00e3o do mecanismo da repress\u00e3o, com a separa\u00e7\u00e3o entre afeto e representa\u00e7\u00e3o, tem como resultado a seguinte equa\u00e7\u00e3o: \u201cA forma\u00e7\u00e3o substitutiva da parte ideativa [da representante do instinto] realizou-se pela via do<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">deslocamento<\/span><\/em>ao longo de uma cadeia de rela\u00e7\u00f5es determinada de certa maneira. A parte quantitativa n\u00e3o desapareceu, mas sim converteu-se em ang\u00fastia\u201d (Freud,<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">A repress\u00e3o<\/span><\/em>, 1915d\/2010, p. 95, it\u00e1lico do autor).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nA terceira an\u00e1lise de casos de ang\u00fastia neur\u00f3tica coloca em quest\u00e3o os casos de histeria de convers\u00e3o e neurose obsessiva. O mecanismo de produ\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia n\u00e3o seria muito diferente daquele elaborado para explicar a fobia, muito embora esses casos fossem mais enigm\u00e1ticos naquele momento pela falta de conex\u00e3o entre a ang\u00fastia e o perigo. A solu\u00e7\u00e3o desse enigma, estendida como hip\u00f3tese para todos os casos de ang\u00fastia neur\u00f3tica, \u00e9 coerente: \u201c&#8230; na ansiedade neur\u00f3tica, o ego faz uma tentativa de fuga da exig\u00eancia feita por sua libido, que o ego trata este perigo interno como se fora externo.\u201d (Freud, 1917\/1969, p. 472). A exig\u00eancia libidinal interna \u00e9 vista como um<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">perigo<\/span><\/em>e tratada como um \u201cperigo\u201d externo. Uma passagem semelhante j\u00e1 prenunciava essa id\u00e9ia em 1915, quando o autor dizia que \u201c&#8230; podemos sublinhar o ponto de vista interessante de que atrav\u00e9s do mecanismo de defesa posto em a\u00e7\u00e3o foi alcan\u00e7ada uma proje\u00e7\u00e3o do perigo instintual para fora\u201d (Freud,<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">O inconsciente<\/span><\/em>, 1915f\/2010, p. 124). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nCom rela\u00e7\u00e3o ao foco de investiga\u00e7\u00e3o desse artigo, a d\u00edade ang\u00fastia-libido, o pr\u00f3prio desenvolvimento do tema j\u00e1 toca naturalmente na quest\u00e3o, como p\u00f4de ser notado acima: a implica\u00e7\u00e3o direta entre esses conceitos, nesse momento da teoria, torna praticamente imposs\u00edvel falar de um sem se remeter ao outro. Temos as pr\u00f3prias palavras de Freud na confer\u00eancia como apoio para sintetizar claramente qual o ponto de vista em voga na \u00e9poca:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\n\u201cNossas observa\u00e7\u00f5es a respeito da neurose de ang\u00fastia levaram-nos a concluir que a deflex\u00e3o da libido de seu emprego normal, que causa o desenvolvimento da ansiedade, se passa na regi\u00e3o dos processos som\u00e1ticos [p\u00e1g. 470]. An\u00e1lises de histeria e neurose obsessiva apresentaram a conclus\u00e3o adicional de que uma reflex\u00e3o semelhante, com o mesmo efeito, tamb\u00e9m pode ser resultado de uma rejei\u00e7\u00e3o por parte das inst\u00e2ncias<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">ps\u00edquicas<\/span><\/em>. Portanto, isto \u00e9 tudo o que sabemos acerca da origem da ansiedade neur\u00f3tica.\u201d (Freud, 1917\/1969, p. 471, it\u00e1lico do autor).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nO exemplo dado por Freud ao final da confer\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 interessante como tamb\u00e9m possui um poder heur\u00edstico grande. O beb\u00ea, ao ver um rosto estranho, n\u00e3o tem um ataque de ang\u00fastia por estar com medo da figura estranha; \u00e9 no n\u00e3o reconhecimento da figura materna, alvo de investimento da libido (objeto de amor), que se encontra o centro da quest\u00e3o: \u201c&#8230; \u2013 sua libido, de fato, que se tornou inaplic\u00e1vel, n\u00e3o podendo assim, ser mantida em estado de suspens\u00e3o, sendo descarregada sob forma de ansiedade\u201d (Freud, 1917\/1969, p. 474). <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nNo final da se\u00e7\u00e3o anterior deixamos a resposta de uma pergunta em suspenso, por prud\u00eancia. Depois do exposto, seria um excesso de cautela esquivar-se da pergunta novamente. O quadro geral da teoria \u00e9 claro: ang\u00fastia \u00e9 libido transformada<sup>9<\/sup>. Aos mais c\u00e9ticos, uma nota de rodap\u00e9 de 1920 aos<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade<\/span><\/em>pode servir de argumento infal\u00edvel:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\n\u201cUm dos resultados mais importantes da pesquisa psicanal\u00edtica \u00e9 esta descoberta de que a ansiedade neur\u00f3tica se origina da libido, que \u00e9 produto de uma transforma\u00e7\u00e3o desta e que, assim, se relaciona com ela da mesma forma que o vinagre com o vinho.\u201d (Freud, 1905\/1969, p. 231)<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nA descri\u00e7\u00e3o feita nesse cap\u00edtulo pode ter dado a impress\u00e3o de que a conceitua\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia nesse momento \u00e9 \u201csimples\u201d e coesa, livre de contradi\u00e7\u00f5es, diverg\u00eancias ou confus\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 bem assim. Dentro do mesmo texto em que se procura organizar uma concep\u00e7\u00e3o coesa de ang\u00fastia, encontramos rastros de novas quest\u00f5es e problemas que fragilizam essa mesma organiza\u00e7\u00e3o. Qual a rela\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia com o perigo? E com a no\u00e7\u00e3o de sinal? As sementes das futuras id\u00e9ias est\u00e3o colocadas. A pr\u00f3pria descri\u00e7\u00e3o do caso do Homem dos Lobos (1918\/2010) pode nos servir como exemplo. Publicado em 1918, apenas um ano depois da confer\u00eancia XXV, o texto traz uma certa maneira de tratar a antiga fobia de lobos do paciente russo, diversa do que poder\u00edamos esperar. A antiga enfermidade do garoto \u00e9 vista como um todo din\u00e2mico, e o papel do sintoma de ang\u00fastia parece ser tratado quase como que um precursor, um \u201csinal\u201d que prepara a futura obsessividade religiosa. N\u00e3o podemos entrar em detalhes no assunto, caso contr\u00e1rio poder\u00edamos come\u00e7ar novo artigo. Apenas ressaltamos: a teoria freudiana \u00e9 hist\u00f3rica, mas antes de tudo\u00a0<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">viva<\/span><\/em>.<\/span><\/p>\n<p>Perigo: tens\u00e3o esmagadora e incontrol\u00e1vel<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">Para completar o percurso investigativo que propusemos na introdu\u00e7\u00e3o desse trabalho devemos agora focar nossa aten\u00e7\u00e3o no texto de 1926, no qual Freud opera uma mudan\u00e7a central em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s hip\u00f3teses j\u00e1 formuladas sobre ang\u00fastia. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nComo vimos, ind\u00edcios j\u00e1 podiam ser encontrados, na pr\u00f3pria confer\u00eancia XXV e em outros textos dessa \u00e9poca, de que diferentes perspectivas e perguntas incomodavam Freud ao final da d\u00e9cada de 10, mas a teoria carecia de um ou mais conceitos que pudessem embasar uma formula\u00e7\u00e3o coesa sobre essas novas tend\u00eancias. \u00c9, por esse motivo, absolutamente crucial localizarmos o texto de 1926 no momento hist\u00f3rico das concep\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas de Freud. Sem tal esfor\u00e7o, ficaria muito dif\u00edcil entender como poderiam ter sido propostas as mudan\u00e7as operadas em 1926. Em especial, queremos chamar a aten\u00e7\u00e3o para as consequ\u00eancias de dois textos, ainda n\u00e3o escritos \u00e0 \u00e9poca da confer\u00eancia XXV, na metapsicologia freudiana. Consequ\u00eancias que, arriscando uma asser\u00e7\u00e3o, formam a<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">possibilidade<\/span><\/em>da organiza\u00e7\u00e3o da nova concep\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nO texto de 1923,<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">O ego e o id<\/span><\/em>, mant\u00eam conex\u00e3o direta com o texto de 1926, sendo condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a possibilidade da formula\u00e7\u00e3o da nova teoria da ang\u00fastia. Com a nova t\u00f3pica da estrutura mental, muitas dificuldades e pontos obscuros de anteriormente encontrar\u00e3o solu\u00e7\u00e3o na opera\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o conceitual do aparelho ps\u00edquico em<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">ego<\/span><\/em>,<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">id<\/span><\/em>, e<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">superego<\/span><\/em>, e nas consequentes rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia entre tais inst\u00e2ncias. Chamamos a aten\u00e7\u00e3o para um ponto: o conceito de ego. A import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica de uma inst\u00e2ncia ps\u00edquica organizada e organizadora como o ego nas formula\u00e7\u00f5es sobre a ang\u00fastia ter\u00e1 papel incontest\u00e1vel, como veremos a seguir. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nEm 1920, com o texto <em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/span><\/em>, a teoriza\u00e7\u00e3o de uma nova dualidade pulsional coloca em xeque a anterior hip\u00f3tese da oposi\u00e7\u00e3o puls\u00f5es sexuais-puls\u00f5es de autoconserva\u00e7\u00e3o, que, de fato, j\u00e1 vinha em decl\u00ednio desde o aparecimento do texto<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Introdu\u00e7\u00e3o ao Narcisismo<\/span><\/em>(1914b\/2010) com a conjectura de uma libido investida no pr\u00f3prio eu. O que temos aqui de essencial para nossa pesquisa: n\u00e3o s\u00f3 uma nova concep\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e conflitos do ponto de vista econ\u00f4mico da vida mental, mas principalmente uma nova hip\u00f3tese a respeito da situa\u00e7\u00e3o din\u00e2mica e econ\u00f4mica do ego, que \u00e9 poss\u00edvel recolocar e repensar a partir de 1923. Essa mudan\u00e7a talvez nos interesse, na medida em que nos d\u00e1 novo ponto de vista para pensarmos a pr\u00f3pria ideia de libido, ego, narcisismo, ang\u00fastia, junto com suas rela\u00e7\u00f5es, e faremos as devidas considera\u00e7\u00f5es (<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">problematiza\u00e7\u00f5es?<\/span><\/em>) mais \u00e0 frente. Por enquanto, prosseguimos com a an\u00e1lise proposta para esse cap\u00edtulo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\n<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ansiedade<\/span><\/em>(1926\/1969) \u00e9 um dos escritos cl\u00ednicos de Freud mais importantes. Trabalha detalhadamente as diferen\u00e7as entre inibi\u00e7\u00f5es e sintomas, retoma os casos cl\u00ednicos de Hans, do homem dos ratos e do homem dos lobos para destrinchar os processos de forma\u00e7\u00e3o de sintomas, reposicionando o papel da ang\u00fastia nessa forma\u00e7\u00e3o. \u00c9 esse \u00faltimo ponto que nos importa mais. <\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nPara organizar nosso racioc\u00ednio, comecemos devagar. Como na confer\u00eancia de 1917, ele ressalta no texto a possibilidade de se considerar o ato do nascimento como prot\u00f3tipo do afeto de ang\u00fastia. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o marcada por um aumento esmagador da excita\u00e7\u00e3o interna, que n\u00e3o tem previs\u00e3o poss\u00edvel de cessar, um estado de<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">perigo<\/span><\/em>, e cujo efeito \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o afetiva de ang\u00fastia<sup><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">10<\/span><\/sup>, que causa<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">desprazer<\/span><\/em>. Essa situa\u00e7\u00e3o configura a irrup\u00e7\u00e3o da agora chamada<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">ang\u00fastia autom\u00e1tica<\/span><\/em>. Com essa constru\u00e7\u00e3o em m\u00e3os, Freud se coloca uma pergunta e a responde prontamente: \u201c&#8230; qual a fun\u00e7\u00e3o da ansiedade e em que ocasi\u00f5es ela se reproduz? A resposta \u00e9 \u00f3bvia e convincente: a ansiedade surgiu originalmente como uma rea\u00e7\u00e3o a um estado de<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">perigo<\/span><\/em>e \u00e9 reproduzida sempre que um estado dessa esp\u00e9cie se repete\u201d (Freud, 1926\/1969, p. 157, it\u00e1lico do autor). Toda produ\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia nos neur\u00f3ticos ser\u00e1 explicada agora como uma tentativa do ego de enviar um<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">sinal<\/span><\/em>de maneira a evitar uma situa\u00e7\u00e3o parecida com essa inicial, traum\u00e1tica, de impossibilidade de supress\u00e3o de uma tens\u00e3o interna crescente e incontrol\u00e1vel. Freud abandona aqui a tentativa de pensar a<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">produ\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia<\/span><\/em>pelo ponto de vista econ\u00f4mico, ou seja, pelo fluxo de libido; privilegia-se o aspecto din\u00e2mico da situa\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\n\u201c&#8230; embora antigamente acreditasse que a ansiedade, de maneira invari\u00e1vel, surgisse automaticamente por um processo econ\u00f4mico, minha presente concep\u00e7\u00e3o de ansiedade como um sinal emitido pelo ego a fim de tornar afetivo a inst\u00e2ncia do prazer-desprazer elimina a necessidade de considerar o fator econ\u00f4mico\u201d (Freud, 1926\/1969, p.164). Dito de outra forma, a ang\u00fastia aparece como um sinal emitido pelo ego em face de uma situa\u00e7\u00e3o de<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">perigo<\/span><\/em>que poderia causar um estado de tens\u00e3o crescente sem vista ao al\u00edvio, um estado de completo desamparo, e que coloca em andamento o processo defensivo. \u00c9 o que acontece na neurose obsessiva e na histeria<sup>11<\/sup>. Anulam-se os est\u00edmulos cuja satisfa\u00e7\u00e3o corresponderia ao desencadeamento concreto da repeti\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica e \u00e0 irrup\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia autom\u00e1tica<sup>12<\/sup>. O sinal de ang\u00fastia provoca a repress\u00e3o. Nas palavras de Freud: \u201cSeria mais verdadeiro dizer que se criam os sintomas a fim de evitar uma<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">situa\u00e7\u00e3o de perigo<\/span><\/em>cuja presen\u00e7a foi assinalada pela gera\u00e7\u00e3o de ansiedade.\u201d (Freud, 1926\/1969, p. 152, it\u00e1lico do autor). Na neurose de ang\u00fastia, por alguma debilidade do ego, esse sinal n\u00e3o \u00e9 emitido, tendo como resultado um estado de irrup\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia autom\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nO exemplo citado na confer\u00eancia XXV \u00e9 retomado nesse texto, com nova explica\u00e7\u00e3o: a aus\u00eancia do rosto familiar da m\u00e3e \u00e9, de fato, vista como aus\u00eancia da figura que a crian\u00e7a sabe, por experi\u00eancia, que satisfaz todas as suas necessidades. \u201cA situa\u00e7\u00e3o, portanto, que ela considera como \u2018perigo\u2019 e contra a qual deseja ser protegida \u00e9 a de n\u00e3o satisfa\u00e7\u00e3o, de uma<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">crescente tens\u00e3o devida \u00e0 necessidade<\/span><\/em>, contra a qual ela \u00e9 inerme\u201d (Freud, 1926\/1969, p. 161, it\u00e1lico do autor).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nA prop\u00f3sito de nossos objetivos, o que aconteceu com a influ\u00eancia da libido na produ\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia? Pela an\u00e1lise do desenvolvimento do texto, percebe-se um eco de que a teoria da transforma\u00e7\u00e3o da libido em ang\u00fastia \u00e9 abandonada. J\u00e1 nos primeiros cap\u00edtulos Freud \u00e9 claro:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\n\u201cO problema de como surge a ansiedade em rela\u00e7\u00e3o com a repress\u00e3o pode n\u00e3o ser simples, mas podemos legitimamente apegar-nos com firmeza \u00e0 id\u00e9ia de que o ego \u00e9 a sede real da ansiedade, e abandonar nosso ponto de vista anterior de que a energia catexial do impulso reprimido \u00e9 automaticamente transformada em ansiedade.\u201d (Freud, 1926\/1969, p. 114).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nEncontramos no texto ainda uma pista que fala em favor da n\u00e3o completa refuta\u00e7\u00e3o da antiga teoria. O tema em exame s\u00e3o as neuroses de ang\u00fastia:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\n\u201cVemos, ent\u00e3o, que n\u00e3o se trata tanto de remontarmos aos nossos primeiros achados, mas de p\u00f4-los em harmonia com as descobertas mais recentes. Constitui ainda um fato ineg\u00e1vel que na abstin\u00eancia sexual, na interfer\u00eancia impr\u00f3pria no curso da excita\u00e7\u00e3o sexual, ou se esta for desviada de ser elaborada psiquicamente, a ansiedade surge diretamente da libido; em outras palavras, que o ego fica reduzido a um estado de desamparo em face de uma tens\u00e3o excessiva devida \u00e0 necessidade, como ocorreu na situa\u00e7\u00e3o do nascimento, e que a ansiedade \u00e9 ent\u00e3o gerada. Mais uma vez aqui, embora o assunto seja de somenos import\u00e2ncia, \u00e9 bem poss\u00edvel que o que encontra descarga na gera\u00e7\u00e3o de ansiedade \u00e9 precisamente o excedente da libido n\u00e3o utilizada.\u201d (Freud, 1926\/1969, p. 165)<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nCaso algu\u00e9m fique feliz com essa pista e se sinta confiante em dizer que n\u00e3o h\u00e1 verdadeira ruptura com a id\u00e9ia de libido transformada em ang\u00fastia, devemos alert\u00e1-lo: \u00e0 \u00e9poca, tal felicidade n\u00e3o teria durado mais que sete anos. O pr\u00f3prio trecho, se analisado com cuidado, \u00e9 transparente: \u201co assunto \u00e9 de<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">somenos import\u00e2ncia<\/span><\/em>\u201d. Na rela\u00e7\u00e3o com a ang\u00fastia, o conceito de libido \u00e9 relegado para segundo plano. Como Strachey nos chama a aten\u00e7\u00e3o em sua introdu\u00e7\u00e3o ao texto<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ansiedade<\/span><\/em>(Freud, 1926\/1969, p. 98), destacando as palavras de Freud em sua Confer\u00eancia XXXII, citamos esse curto trecho dessa confer\u00eancia de 1933:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\n\u201cN\u00e3o mais sustentaremos ser a libido que \u00e9 transformada em ansiedade, em tais casos [neurose de ang\u00fastia]. No entanto, n\u00e3o posso ver como objetar contra a exist\u00eancia de uma dupla origem da ansiedade \u2013 uma, como conseq\u00fc\u00eancia direta do momento traum\u00e1tico, e a outra, como sinal que amea\u00e7a com uma repeti\u00e7\u00e3o de um tal momento.\u201d (Freud, 1933\/1969, p. 119).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\"><br \/>\nOs resqu\u00edcios da velha teoria agora desaparecem. O autor \u00e9 claro. Ao que parece, com essa afirma\u00e7\u00e3o nosso estudo sobre as rela\u00e7\u00f5es entre libido e ang\u00fastia se encerraria. Ou n\u00e3o? Compartilhamos com o leitor desconfiado a opini\u00e3o de que muitos pontos est\u00e3o sem n\u00f3. N\u00e3o estamos convencidos. <\/span><\/p>\n<p>Considera\u00e7\u00f5es Finais, ou \u201cIniciais\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nA exposi\u00e7\u00e3o acima de maneira alguma nos agrada como satisfat\u00f3ria. Muitos pontos essenciais ficaram sem exame e, como estudo te\u00f3rico, ele permanece incompleto e demanda uma genealogia conceitual cuidadosa. Contudo, tamb\u00e9m n\u00e3o foi infrut\u00edfero. O enfoque na rela\u00e7\u00e3o ang\u00fastia-libido nos permitiu \u201cextrair\u201d algumas conclus\u00f5es interessantes e nos instigou a outras quest\u00f5es pertinentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nOs tr\u00eas eixos de an\u00e1lise seguidos levaram-nos a construir uma proposi\u00e7\u00e3o distinta daquela j\u00e1 estabelecida sobre duas teorias da ang\u00fastia. Pensamos em quatro momentos distintos, ao menos no que diz respeito \u00e0 conex\u00e3o entre ang\u00fastia e libido: 1- ang\u00fastia e libido<sup>13<\/sup> como os dois destinos diferentes da excita\u00e7\u00e3o som\u00e1tica; 2- libido transformada em ang\u00fastia como efeito do processo de repress\u00e3o; 3- ang\u00fastia como um sinal emitido pelo ego que causa a repress\u00e3o, um meio de evitar a irrup\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia autom\u00e1tica, essa \u00faltima sendo produto da transforma\u00e7\u00e3o do excedente de libido; 4- ang\u00fastia exclusivamente como efeito do desamparo frente a uma situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica de excita\u00e7\u00e3o extrema, ou como sinaliza\u00e7\u00e3o eg\u00f3ica, uma tentativa de evitar a repeti\u00e7\u00e3o daquela situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica, agora sem nenhuma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia com a libido.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nNo entanto, d\u00favidas e inquieta\u00e7\u00f5es surgem. Se for o excesso de excita\u00e7\u00e3o sem previs\u00e3o de al\u00edvio que gera ang\u00fastia autom\u00e1tica, um evento traum\u00e1tico vivido em desamparo, por que abandonar a hip\u00f3tese da transforma\u00e7\u00e3o da libido em ang\u00fastia? \u00c9 interessante notar que ele abandona o ponto de vista econ\u00f4mico para explicar a ang\u00fastia, mas mant\u00e9m esse mesmo ponto de vista para explicar a situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica. Ou seja, o problema n\u00e3o est\u00e1 efetivamente no ponto de vista econ\u00f4mico, mas sim na din\u00e2mica econ\u00f4mica da ang\u00fastia? De fato, n\u00e3o havia problema em pensar a gera\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia autom\u00e1tica como excedente de libido transformada, como ele mesmo sugeriu, mas isso traz um enorme problema conceitual: como explicar a gera\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia como sinal do ego? Al\u00e9m disso, o conceito de ego trabalhado para explicar a emiss\u00e3o do sinal de ang\u00fastia, que reage ao<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">perigo<\/span><\/em>, parece restrito \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de autoconserva\u00e7\u00e3o: qual o papel da parte eg\u00f3ica investida libidinalmente nesse processo? A id\u00e9ia de uma libido investida no pr\u00f3prio ego n\u00e3o teria muito a \u201ccomplicar\u201d esse novo ponto de vista te\u00f3rico aparentemente t\u00e3o s\u00f3lido e fechado? Acho que j\u00e1 circunscrevemos o problema o suficiente para que se intua a pr\u00f3xima pergunta, que sintetiza o n\u00facleo da quest\u00e3o \u2013 como pensar com o conceito de narcisismo essa fic\u00e7\u00e3o freudiana da din\u00e2mica mental?<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nMas as quest\u00f5es n\u00e3o param por ai. Pelo pr\u00f3prio intrincamento te\u00f3rico-conceitual da obra freudiana, as indaga\u00e7\u00f5es tendem a continuar e a se multiplicar. No entanto, h\u00e1 apenas mais um ponto que queremos destacar, pela sua rela\u00e7\u00e3o direta com a provoca\u00e7\u00e3o acima e tamb\u00e9m pelo seu car\u00e1ter enigm\u00e1tico. Ao enfocar a rela\u00e7\u00e3o entre ang\u00fastia e libido, apenas tangenciamos o tema da<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">puls\u00e3o<\/span><\/em>na discuss\u00e3o. Pelo dom\u00ednio amplo que pode ter esse conceito, suscitaremos no momento apenas uma faceta: em que ponto os conceitos de puls\u00e3o de vida e puls\u00e3o de morte se tornam inevitavelmente parte da nossa discuss\u00e3o a respeito da ang\u00fastia, da libido, do ego? O assunto \u00e9 delicado. Mas ele pede investiga\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil encerrar um texto que deixou a desejar em tantos pontos e ficou com tantas quest\u00f5es pendentes. Mesmo que possa parecer ousadia usar as palavras de outro autor para essa \u00faltima tarefa, n\u00e3o vemos nenhuma maneira melhor:<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><em><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\"><br \/>\n\u201cSe n\u00e3o conseguimos ver as coisas mais claramente, pelo menos veremos claramente quais s\u00e3o as obscuridades.\u201d (Freud, 1926\/1969, p. 147, it\u00e1lico nosso)<\/span><\/em><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">Foucault, M. (1971\/1996).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">A Ordem do Discurso<\/span><\/em>. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1950[1895]\/2003). Projeto de uma Psicologia. In: GABBI JUNIOR, O. F.<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Notas a Projeto de uma Psicologia: as origens utilitaristas da psican\u00e1lise<\/span><\/em>. Rio de Janeiro: Imago Ed..<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1893\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Rascunho B<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. I. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1894a\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Rascunho E<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. I. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1894b\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">As neuropsicoses de defesa<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. III. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1895a\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Obsess\u00f5es e Fobias: seu mecanismo ps\u00edquico e sua etiologia<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. III. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1895b\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Sobre os crit\u00e9rios para destacar da neurastenia uma s\u00edndrome particular intitulada \u2018neurose de ang\u00fastia\u2019<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. III. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1895c\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Uma r\u00e9plica \u00e0s cr\u00edticas do meu artigo sobre neurose de ang\u00fastia<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. III. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1905\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. VII. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1909\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">An\u00e1lise de uma fobia em um menino de cinco anos<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. X. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1914a\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Sobre o narcisismo: uma introdu\u00e7\u00e3o<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. XIV. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1914b\/2010).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Introdu\u00e7\u00e3o ao narcisismo<\/span><\/em>. Sigmund Freud, Obras completas, Vol. 12. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1915a\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Os instintos e suas vicissitudes<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. XIV. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1915b\/2010).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Os instintos e seus destinos<\/span><\/em>. Sigmund Freud, Obras completas, Vol. 12. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1915c\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Repress\u00e3o<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. XIV. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1915d\/2010).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">A repress\u00e3o<\/span><\/em>. Sigmund Freud, Obras completas, Vol. 12. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1915e\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">O Inconsciente<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. XIV. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1915f\/2010).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">O inconsciente<\/span><\/em>. Sigmund Freud, Obras completas, Vol. 12. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1917\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Confer\u00eancias Introdut\u00f3rias sobre Psican\u00e1lise<\/span><\/em>. Confer\u00eancia XXV. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. XVI. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1918\/2010).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Hist\u00f3ria de uma neurose infantil (\u201cO homem dos lobos\u201d)<\/span><\/em>. Sigmund Freud, Obras completas, Vol. 14. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1919a\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">O \u2018estranho\u2019<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. XVII. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1919b\/2010).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">O inquietante<\/span><\/em>. Sigmund Freud, Obras completas, Vol. 14. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1920\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. XVIII. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1923\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">O ego e o id<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. XIX. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1926\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ansiedade<\/span><\/em>. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. XX. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nFreud, S. (1933\/1969).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Novas Confer\u00eancias Introdut\u00f3rias sobre Psican\u00e1lise<\/span><\/em>. Confer\u00eancia XXXII. Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas, Vol. XXII. Rio de Janeiro: IMAGO.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"><br \/>\nLaPlanche J.; Pontalis, J. B. (1996).<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Vocabul\u00e1rio de Psican\u00e1lise<\/span><\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><sup><strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">1 <\/span><\/strong><\/sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Foucault, M.<em>A Ordem do Discurso<\/em>(1971\/1996).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">2 <\/span><\/sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Ibidem..<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">3 <\/span><\/sup><\/strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">H\u00e1 grande discuss\u00e3o, ainda hoje, acerca da tradu\u00e7\u00e3o do termo alem\u00e3o<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Angst<\/span><\/em>para o portugu\u00eas. N\u00e3o entraremos em detalhes nessa discuss\u00e3o. Contudo, vale explicar ao leitor que no presente texto, embora substancialmente baseado na tradu\u00e7\u00e3o das obras freudianas da Standard, optamos pela tradu\u00e7\u00e3o<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">ang\u00fastia<\/span><\/em>, em contraste com a proposi\u00e7\u00e3o<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">ansiedade<\/span><\/em>(<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">anxiety<\/span><\/em>) dessa edi\u00e7\u00e3o. A escolha por esse termo baseia-se na tradu\u00e7\u00e3o em andamento da editora Companhia das Letras, direto do alem\u00e3o, das obras completas de Freud (coordenada por Paulo C\u00e9sar de Souza). A tradu\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo deste artigo para o ingl\u00eas<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">anguish<\/span><\/em>baseia-se no ap\u00eandice de Strachey ao texto de 1895 sobre neurose de ang\u00fastia (p. 137, 1895b\/1969).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">4<\/span><\/sup><\/strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"> Laplanche e Pontalis,<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Vocabul\u00e1rio de Psican\u00e1lise<\/span><\/em>(1996).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">5<\/span><\/sup><\/strong><em><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\"> Rascunho B<\/span><\/em><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">(Freud, 1893\/1969);<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Rascunho E<\/span><\/em>(Freud, 1894a\/1969).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">6<\/span><\/sup><\/strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"> [G. M. Beard (1839-83), o neurologista norte-americano, foi considerado o principal int\u00e9rprete da neurastenia. Cf. Beard, 1881 e 1884.].<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">7<\/span><\/sup><\/strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"> Ver coment\u00e1rio a seguir.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">8<\/span><\/sup><\/strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"> A rela\u00e7\u00e3o entre estes dois tipos de ang\u00fastia permanecia ainda muito obscura para Freud nessa confer\u00eancia e, bem como a ideia do nascimento como prot\u00f3tipo do afeto de ang\u00fastia, ser\u00e1 mais bem desenvolvida no texto<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">Inibi\u00e7\u00e3o, Sintoma e Ansiedade<\/span><\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">9<\/span><\/sup><\/strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\"> Outro texto tamb\u00e9m pode servir de base para um estudo mais aprofundado:<em>O estranho<\/em>(1919a\/1969).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">10<\/span><\/sup><\/strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333; border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\"> \u00c9 interessante notar a influ\u00eancia das id\u00e9ias presentes no texto \u201cProjeto para uma Psicologia\u201d(Freud, 1950 [1895], in: Gabbi Junior, 2003, p. 195\/196), em que Freud trata da viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o no beb\u00ea: aumento da excita\u00e7\u00e3o interna (preenchimento dos neur\u00f4nios nucleares em \u03c8) \u2013 trilha de altera\u00e7\u00e3o interna (express\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es) \u2013 elimina\u00e7\u00e3o passageira da excita\u00e7\u00e3o \u2013 ajuda externa \u2013 a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica \u2013 elimina\u00e7\u00e3o duradoura.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">11 <\/span><\/sup><\/strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">A exig\u00eancia libidinal interna \u00e9 visto como um<em><span style=\"border: 1pt none windowtext; padding: 0cm;\">perigo<\/span><\/em>, corresponde a uma situa\u00e7\u00e3o de perigo.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">12<\/span><\/sup><\/strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"> \u00c9 poss\u00edvel entrar em maiores detalhes nessa discuss\u00e3o, tratando dos temas espec\u00edficos que Freud trabalha no texto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s diferentes situa\u00e7\u00f5es de perigo ao longo da vida: ang\u00fastia frente \u00e0 aus\u00eancia da m\u00e3e, a ang\u00fastia de castra\u00e7\u00e3o, ang\u00fastia da perda do amor do objeto, ang\u00fastia frente ao superego. Ressaltando a import\u00e2ncia de tais temas, deixamos sua discuss\u00e3o para outro momento.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 13.2pt; vertical-align: baseline; background-color: white;\"><strong><sup><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\">13<\/span><\/sup><\/strong><span style=\"font-size: 8.5pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #333333;\"> Lembrar que libido, nesse momento, ainda se restringia a algo exclusivamente ps\u00edquico.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre Ang\u00fastia e Libido Lucas Bullara Martins da Silva Instituto de Psicologia, Universidade de S\u00e3o Paulo lucas.bmsilva@gmail.com RESUMO O presente trabalho tem como objetivo fazer um estudo da evolu\u00e7\u00e3o do conceito de ang\u00fastia dentro da obra freudiana, priorizando como foco de an\u00e1lise a rela\u00e7\u00e3o entre ang\u00fastia e libido. Esse estudo ser\u00e1 dividido em tr\u00eas momentos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":14,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[13,279],"tags":[],"class_list":["post-4532","page","type-page","status-publish","hentry","category-publicacoes","category-revista-transformacoes"],"acf":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4532","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4532"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4532\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24654,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4532\/revisions\/24654"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}