{"id":4875,"date":"2014-07-03T19:29:11","date_gmt":"2014-07-03T19:29:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/?p=4875"},"modified":"2018-09-13T14:44:25","modified_gmt":"2018-09-13T17:44:25","slug":"v5n1a5","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/v5n1a5\/","title":{"rendered":"V5N1A5"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><br \/>\nConsidera\u00e7\u00f5es metapsicol\u00f3gicas sobre o autoerotismo, o narcisismo e a escolha objetal<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\">Metapsychological considerations about the auto-erotism, the narcissism and the object-choice<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><strong><br \/>\nKelly Cristina Pereira Puertas<\/strong><\/p>\n<p><a style=\"background-color: transparent;\" href=\"mailto:kellypuertas@hotmail.com\">kellypuertas@hotmail.com<\/a><\/p>\n<p>Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM)<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"left\"><strong>RESUMO<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Objetivamos discutir o autoerotismo, o narcisismo e a escolha de objeto como momentos pr\u00e9-ed\u00edpicos de constitui\u00e7\u00e3o do eu. Levaremos em conta a imbrica\u00e7\u00e3o entre a emerg\u00eancia de um eu no aparelho ps\u00edquico e a libido. Para tanto, buscaremos dar contornos metapsicol\u00f3gicos aos conceitos apresentados recorrendo, inclusive, \u00e0s hip\u00f3teses apresentadas no <em>Projeto de uma Psicologia<\/em>, de 1895. O eu seria entendido como n\u00e3o estando constitu\u00eddo como unidade desde o in\u00edcio da vida. As etapas que a crian\u00e7a vivencia seriam momentos de constru\u00e7\u00e3o\/complexifica\u00e7\u00e3o de um eu no aparato an\u00edmico, ou ainda, de uma diferencia\u00e7\u00e3o a partir do isso pelo contato com o meio externo. O vi\u00e9s de aproxima\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o do investimento libidinal no eu e no primeiro objeto de amor elencado a partir da viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-Chave:\u00a0<\/strong>eu; autoerotismo; narcisismo; escolha objetal; metapsicologia.<\/p>\n<hr \/>\n<p align=\"left\"><strong>ABSTRACT<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">This paper discusses the auto-erotism, the narcissism and the object-choice as pre-Oedipal moments of the ego constituition. We will consider the overlap between the emergence of an ego in the psychic apparatus and the libido. To this end, we will seek to give metapsychological shape to the presented concepts resorting, inclusively, to the assumptions made in the <em>Project of a Psychology<\/em>, from 1895. The ego would be understood as not being constituted as unit since the beginning of life. The steps which the child experiences would be moments of an ego construction\/complexification in the psychic apparatus, or yet, of a differentiation from this on through the contact whit the external environment. The bias approximation will be the one of the libidinal investment of the ego and in the first love object chosen from the experience of satisfaction on.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span lang=\"en-US\" xml:lang=\"en-US\"><strong>Key-Words:\u00a0<\/strong><\/span><span lang=\"en-US\" xml:lang=\"en-US\">ego; auto-erotism; narcissism; object-choice; metapsychology.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<div id=\"ftn4\">\n<p style=\"margin-left: 120px; text-align: right;\"><em><br \/>\nNa pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o est\u00e1 a presen\u00e7a do outro; essas for\u00e7as que movem o sujeito a partir de dentro inscreveram as determina\u00e7\u00f5es da estrutura intersubjetiva.<br \/>\n<\/em>Hornstein<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos por objetivo levantar algumas hip\u00f3teses relativas a eventos do pr\u00e9-\u00c9dipo, quais sejam o autoerotismo, o narcisismo e a escolha de objeto, embasadas nos pressupostos concernentes ao modelo de aparelho ps\u00edquico delineados no texto <em>Projeto de uma Psicologia<\/em>, escrito (mas n\u00e3o publicado) em 1895 por Sigmund Freud. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentar possibilidades de entendimento metapsicol\u00f3gico ao tema para al\u00e9m dos aspectos descritivos com vistas a ancorar, ou ainda, mergulhar nos aspectos din\u00e2mico, t\u00f3pico e econ\u00f4mico em busca do substrato que o sustenta. Para a realiza\u00e7\u00e3o de tal empreitada utilizar-nos-emos da pesquisa bibliogr\u00e1fica enfocando a obra freudiana e de alguns de seus comentadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de adentrarmos \u00e0 discuss\u00e3o do tema proposto, vemos a necessidade de justificar a escolha do modelo de aparelho [neuro]ps\u00edquico apresentado no <em>Projeto de uma Psicologia<\/em> (doravante designado de <em>Projeto<\/em>). Cremos, apoiados em Monzani (1989), Gabbi Jr. (1995) e Caropreso e Simanke (2009), que os pressupostos apresentados neste texto n\u00e3o foram simplesmente superados e abandonados, mas sim aprimorados no decorrer da obra de Freud. &#8220;\u0080\u009cO fato de que Freud tenha introduzido adi\u00e7\u00f5es, retifica\u00e7\u00f5es, conceitos cl\u00ednicos novos, n\u00e3o precisa afetar, em princ\u00edpio, o estatuto das bases e dos fundamentos te\u00f3ricos sobre os quais o discurso psicanal\u00edtico est\u00e1 estruturado&#8221;\u0080\u009d (Monzani, 1989, p. 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim sendo, interessa-nos as possibilidades de articula\u00e7\u00e3o metapsicol\u00f3gica que o modelo de aparelho [neuro]ps\u00edquico apresentado neste texto \u2013 no <em>Projeto<\/em> \u00a0nos permite. Em especial, destacamos a \u00eanfase dada ao eu e seu modo de funcionamento no referido modelo, visto que a aproxima\u00e7\u00e3o ao tema proposto \u00e9 atravessada pelas diferencia\u00e7\u00f5es e complexifica\u00e7\u00f5es no bojo do eu-inst\u00e2ncia em constitui\u00e7\u00e3o. Acreditamos haver justificado a elei\u00e7\u00e3o do modelo de aparato an\u00edmico para este trabalho e acrescentamos que agregaremos a hip\u00f3tese neuronal de Freud aos desenvolvimentos te\u00f3ricos subseq\u00fcentes do autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Discorreremos a respeito do autoerotismo, do narcisismo e do investimento em um primeiro objeto de amor. Essa delimita\u00e7\u00e3o nestes tr\u00eas per\u00edodos pode ser verificada na defini\u00e7\u00e3o de narcisismo, apresentada por Freud em <em>Apontamentos Psicanal\u00edticos Sobre<\/em><em> um Caso de Paran\u00f3ia (Dementia Paranoides) Descrito Autobiograficamente<\/em> (Freud, 1911\/2004, p. 56) como &#8220;\u0080\u009cum est\u00e1dio na hist\u00f3ria evolutiva da libido, est\u00e1dio pelo que se atravessa no caminho que vai do autoerotismo ao amor de objeto&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorrendo os passos em dire\u00e7\u00e3o a objetos desde o nascimento, podemos list\u00e1-los assim: o autoerotismo como um per\u00edodo em que n\u00e3o haveria investimento de objeto, o narcisismo no qual o eu \u00e9 objeto de investimento libidinal e o per\u00edodo em que j\u00e1 se faz poss\u00edvel ao indiv\u00edduo o investimento em objetos externos. O vi\u00e9s de acesso a estes per\u00edodos ser\u00e1 o do desenvolvimento <a id=\"1b\" href=\"#1a\"><sup>1<\/sup><\/a> do eu atrelado aos investimentos libidinais. Se falamos em eu, ent\u00e3o temos de considerar o ser, o indiv\u00edduo em desenvolvimento e suas intera\u00e7\u00f5es com o(s) outro(s) e o meio circundante. Isto porque consideramos, ancorados em Freud (1895\/1995, 1905\/2003, 1914\/2003, 1923\/2003, 1926\/2003, 1940\/2003), que a emerg\u00eancia da inst\u00e2ncia que chamamos de eu s\u00f3 pode dar-se por interm\u00e9dio do contato com o meio externo e as figuras que o povoam. Desta maneira, nos propomos a revisitar os per\u00edodos e as figuras que comp\u00f5em o quadro geral de cada uma destas etapas iniciais de constitui\u00e7\u00e3o do eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\nO aparelho [neuro]ps\u00edquico do <em>Projeto<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elencaremos algumas no\u00e7\u00f5es a respeito das teses apresentadas no <em>Projeto<\/em> visando obter subs\u00eddios que nos permitam ampliar as discuss\u00f5es a respeito do modo como um eu \u00e9 erigido no aparelho ps\u00edquico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud (1895\/1995) atesta que o objetivo ao escrever o <em>Projeto<\/em> \u00e9 &#8220;apresentar os processos ps\u00edquicos como estados quantitativamente determinados de partes materiais capazes de serem especificadas&#8221;\u0080\u009d (p. 09). As partes\/part\u00edculas materiais seriam os neur\u00f4nios e a quantidade [Q] seria uma grandeza que diferenciaria atividade de repouso e estaria submetida \u00e0 lei geral do movimento. Dois processos derivariam da forma de circula\u00e7\u00e3o da quantidade no aparato an\u00edmico. Os processos prim\u00e1rios objetivariam libertar o neur\u00f4nio de quantidade, permitindo um livre fluxo. Tal forma de funcionamento prim\u00e1rio seria uma fic\u00e7\u00e3o, conforme destaca Freud (1900\/2004), pois as necessidades oriundas de est\u00edmulos end\u00f3genos \u2013 fome, sede, respira\u00e7\u00e3o <a id=\"2b\" href=\"#2a\"><sup>2<\/sup><\/a> \u2013 se imporiam ao organismo e n\u00e3o poderiam ser saciadas pelos esfor\u00e7os do beb\u00ea, fazendo-se necess\u00e1rio a interven\u00e7\u00e3o de uma figura externa que cumprisse a a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Por a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica entende-se aquela realizada no meio externo e que tem por finalidade o cancelamento da eleva\u00e7\u00e3o da quantidade end\u00f3gena que resultou do carecimento. Tais necessidades impeliriam o organismo a funcionar em outro n\u00edvel \u2013 secund\u00e1rio \u2013 \u00a0no qual a tend\u00eancia \u00e0 in\u00e9rcia seria substitu\u00edda por uma tend\u00eancia \u00e0 const\u00e2ncia, ou seja, a livre circula\u00e7\u00e3o de quantidade estaria barrada, o que geraria armazenamento quantitativo no aparato ps\u00edquico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Freud (1895\/1995, p.17), \u00a0&#8220;\u0080\u009co sistema nervoso tinha desde o in\u00edcio duas fun\u00e7\u00f5es: receber est\u00edmulos de fora e eliminar excita\u00e7\u00f5es originadas endogenamente&#8221;\u0080\u009d . Isto implica que para o organismo sair deste circuito de livre escoamento de quantidade, para haver desenvolvimento do sistema nervoso, as necessidades da vida ter\u00e3o de impor-se ao sistema, demandando um armazenamento que ter\u00e1 de ser tolerado at\u00e9 momento prop\u00edcio para a descarga. O autor apresenta, ent\u00e3o, duas classes de neur\u00f4nios: f e y. A primeira classe seria composta de neur\u00f4nios perme\u00e1veis, os neur\u00f4nios f, que permitiriam o livre curso de quantidade e estariam em conex\u00e3o com o meio externo. A segunda classe seria composta por neur\u00f4nios imperme\u00e1veis, que possuem a capacidade de permitir que apenas parte da quantidade que chega \u00e0 eles escoe \u2013 pela a\u00e7\u00e3o das barreiras de contato \u2013 \u00a0e est\u00e3o em conex\u00e3o com o interior do organismo (y do n\u00facleo) e com os neur\u00f4nios f (y do manto). Haveria ainda um terceiro sistema de neur\u00f4nios, os neur\u00f4nios w, respons\u00e1veis pela consci\u00eancia, pela qualidade\/sensa\u00e7\u00e3o. O desprazer poderia ser identificado a um aumento de quantidade [Q]. Haveria uma tend\u00eancia do aparelho a evitar o desprazer desembara\u00e7ando-se da sobrecarga quantitativa que o inundaria. Este processamento que primaria pela livre circula\u00e7\u00e3o quantitativa no aparato seria o princ\u00edpio de in\u00e9rcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As viv\u00eancias de dor e de satisfa\u00e7\u00e3o ocorreriam em per\u00edodos arcaicos da forma\u00e7\u00e3o an\u00edmica e forneceriam par\u00e2metros para seu funcionamento posterior. Por serem t\u00e3o primitivas, possuiriam funcionamento prim\u00e1rio, ou seja, visariam elimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 120px;\">As a\u00e7\u00f5es humanas est\u00e3o fundadas em duas viv\u00eancias fundamentais: a busca de prazer e a esquiva da dor. A primeira \u00e9 designada por Freud de viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o e ser\u00e1 fundamental para introduzir a no\u00e7\u00e3o de desejo. A segunda, chamada de viv\u00eancia de dor, \u00e9 &#8230; logicamente anterior e tem a fun\u00e7\u00e3o de estabelecer o contorno conceitual da no\u00e7\u00e3o de repress\u00e3o (<em>Verdr\u00e4ngung<\/em>). Todas as duas tem uma \u00fanica motiva\u00e7\u00e3o: evitar a morte (Gabbi Jr., 1995, p. 132, grifo no original).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratemos primeiramente da viv\u00eancia mais origin\u00e1ria, a viv\u00eancia de dor. A dor seria a resultante de uma Q muito elevada que \u00a0adentraria o sistema nervoso a partir do mundo exterior (via sistema f) que, por sua grande magnitude, n\u00e3o poderia ser barrada. \u00a0Adentraria o sistema y e, por fim, atingiria o sistema w provocando sensa\u00e7\u00f5es de desprazer. O grande fluxo de quantidade penetraria em y levando \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios neur\u00f4nios, o que produziria uma inclina\u00e7\u00e3o \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o em diversas dire\u00e7\u00f5es. Em y formar-se-ia uma facilita\u00e7\u00e3o entre os caminhos privilegiados de elimina\u00e7\u00e3o e a imagem recordativa do objeto hostil, aquele que produziu o est\u00edmulo que excitou a dor. Ap\u00f3s haver deixado atr\u00e1s de si tal trilhamento, quando ocorrer nova ocupa\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios que comp\u00f5em a imagem recordativa do objeto hostil, produzir-se-\u00e1 um estado de desprazer, bem como a inclina\u00e7\u00e3o a libertar-se da quantidade. Da viv\u00eancia de dor restaria a defesa prim\u00e1ria, uma tend\u00eancia \u00e0 evita\u00e7\u00e3o do desprazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o os neur\u00f4nios de y do n\u00facleo seriam ocupados com quantidade proveniente do interior do corpo continuamente. A acumula\u00e7\u00e3o de quantidade em y chega em w gerando desprazer como qualidade. Dar-se-ia uma tentativa de eliminar a quantidade acumulada. Acontece que o beb\u00ea n\u00e3o teria como se desembara\u00e7ar de maneira eficiente dessa quantidade, pois seu incremento seria cont\u00ednuo. Por ser inicialmente desamparado, o ser humano no princ\u00edpio da vida necessitaria de um outro, um auxiliador do meio externo que empreenderia por ele uma a\u00e7\u00e3o que cancelaria o incremento \u00a0quantitativo desencadeado pelo carecimento end\u00f3geno. &#8220;\u009cEla [a a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica] se efetua por <em>ajuda alheia<\/em>, na medida em que, atrav\u00e9s da elimina\u00e7\u00e3o pelo caminho da altera\u00e7\u00e3o interna, um indiv\u00edduo experiente [o outro, proveniente do meio externo] atenta para o estado da crian\u00e7a&#8221;\u0080\u009d (Freud, 1895\/1995, p. 32, grifos no original).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em fun\u00e7\u00e3o do cancelamento do est\u00edmulo end\u00f3geno, a sensa\u00e7\u00e3o de desprazer tamb\u00e9m cessaria. Os neur\u00f4nios ocupados a partir dos movimentos produzidos no interior do corpo pelo cancelamento do estado de car\u00eancia formariam em y do manto uma imagem recordativa da satisfa\u00e7\u00e3o, da elimina\u00e7\u00e3o da quantidade. Tamb\u00e9m os neur\u00f4nios ocupados em y do manto a partir de fora formariam uma representa\u00e7\u00e3o de objeto. Estes dois grupos de neur\u00f4nios ocupados mais o grupo dos neur\u00f4nios de y do n\u00facleo, relativos ao estado de tens\u00e3o engendrado pela necessidade, constituiriam um circuito, um caminho facilitado que tenderia a ser percorrido sempre que uma nova eleva\u00e7\u00e3o na quantidade em y do n\u00facleo viesse a ocorrer. A ocupa\u00e7\u00e3o em y do manto e em y do n\u00facleo seria simult\u00e2nea, com vistas \u00e0 recria\u00e7\u00e3o da viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o. Resta da viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o essa tend\u00eancia a recri\u00e1-la, a atra\u00e7\u00e3o de desejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratamos sobre a forma de funcionamento prim\u00e1rio relativo \u00e0s viv\u00eancias de dor e de satisfa\u00e7\u00e3o. Mas a necessidade da vida imporia ao sistema nervoso um funcionamento em n\u00edvel secund\u00e1rio, promovendo a reten\u00e7\u00e3o da quantidade (e n\u00e3o mais a livre circula\u00e7\u00e3o). Agora, postula-se que deveria haver um n\u00edvel quantitativo \u00f3timo que precisaria ser mantido para o funcionamento do sistema nervoso; estamos nos dom\u00ednios do princ\u00edpio de const\u00e2ncia. Os trilhamentos (facilita\u00e7\u00f5es entre neur\u00f4nios) deixados pelas duas viv\u00eancias fundamentais formariam organiza\u00e7\u00f5es neuronais em y que Freud (1895\/1995) chama de <em>eu<\/em>. Usando os termos do autor, &#8220;\u0080\u009c&#8230; cabe definir o eu como a totalidade das respectivas ocupa\u00e7\u00f5es y, na qual se separa uma parte permanente de uma vari\u00e1vel&#8221;\u0080\u009d (p. 36-37). De acordo com Gabbi Jr. (1995), a parte permanente seria formada pelos neur\u00f4nios constantemente ocupados, a partir do interior do corpo, de y do n\u00facleo <a id=\"3b\" href=\"#3a\"><sup>3<\/sup><\/a>. A parte vari\u00e1vel do eu seria composta pelos neur\u00f4nios ocupados em y do manto. Deste modo, a parte vari\u00e1vel do eu sofreria altera\u00e7\u00f5es por meio de est\u00edmulos provenientes de duas dire\u00e7\u00f5es: do interior do pr\u00f3prio corpo e do meio externo (via sistema f).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como essa organiza\u00e7\u00e3o em y barraria o livre escoamento de quantidade? Freud (1895\/1995) fala de outra possibilidade de ocupa\u00e7\u00e3o neuronal em y: a ocupa\u00e7\u00e3o lateral. De acordo com esta suposi\u00e7\u00e3o, um neur\u00f4nio adjacente ocupado ao que estaria facilitado \u2013 devido \u00e0s viv\u00eancias de satisfa\u00e7\u00e3o ou de dor &#8211; agiria <em>como se<\/em> fosse uma facilita\u00e7\u00e3o, desviando o curso de quantidade da trilha deixada pelas viv\u00eancias. Assim sendo, uma ocupa\u00e7\u00e3o lateral serviria \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de inibir o curso da quantidade que seguiria o caminho demarcado pelas facilita\u00e7\u00f5es, ou seja, evitar-se-ia que o curso prim\u00e1rio de quantidade se concretizasse. Nas palavras de Freud (1895\/1995), &#8220;\u0080\u009c&#8230; se existir um eu, ele tem de inibir processos ps\u00edquicos prim\u00e1rios&#8221;\u0080\u009d (p.37). A inibi\u00e7\u00e3o do livre escoamento de quantidade \u00e9 denominada de processos ps\u00edquicos secund\u00e1rios e estariam a cargo do eu. Sintetizando o que dissemos sobre os processos prim\u00e1rios e secund\u00e1rios:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 120px;\">O funcionamento regido unicamente pelo princ\u00edpio de in\u00e9rcia, que se caracterizaria pelo livre fluxo das quantidades de excita\u00e7\u00e3o nervosa entre os neur\u00f4nios, tendo em vista a descarga mais imediata poss\u00edvel, consistiria no que Freud chama de <em>processo prim\u00e1rio<\/em>. Com a substitui\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio de in\u00e9rcia pela tend\u00eancia \u00e0 const\u00e2ncia, o processo prim\u00e1rio seria substitu\u00eddo pelo secund\u00e1rio. Neste \u00faltimo, o fluxo da excita\u00e7\u00e3o estaria parcialmente inibido, de forma que certo n\u00edvel de quantidade seria retido nos neur\u00f4nios \u2013 em outras palavras, essa quantidade se encontraria, doravante em estado \u00e2\u0080\u009cligado\u00e2\u0080\u009d. (Caropreso &amp; Simanke, 2009, p. 129, grifos no original).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cremos haver destacado um m\u00ednimo necess\u00e1rio dos supostos freudianos presentes no <em>Projeto<\/em>, os quais nos ser\u00e3o \u00fateis para a compreens\u00e3o dos momentos formativos do eu e dos investimentos libidinais a eles atrelados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\nA Teoria da Libido<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em raz\u00e3o de intentar alguma sistematiza\u00e7\u00e3o \u00e0s etapas e o modo como a libido \u00e9 endere\u00e7ada\/investida em cada uma delas, primeiramente destaquemos o que se entende por libido. Hornstein (1989) esclarece que a sexualidade seria &#8220;\u0080\u009c&#8230; toda uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es presentes desde a inf\u00e2ncia que produzem prazer, que excedem a necessidade&#8230;&#8221;\u0080\u009d (p. 138). Dito de outro modo, em termos psicanal\u00edticos, por sexualidade compreende-se um conjunto de atividades prazerosas que estariam presentes desde a mais tenra inf\u00e2ncia. Pelas hip\u00f3teses freudianas, tais atividades teriam sua origem em outras vitais para a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie, mas as extrapolariam partindo das car\u00eancias ordin\u00e1rias em dire\u00e7\u00e3o a um &#8220;\u0080\u0098para al\u00e9m&#8221;\u0080\u0099, a um <em>plus<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No terceiro dos <em>Tr\u00eas Ensaios de Teoria Sexual<\/em>, a libido \u00e9 definida como &#8220;\u0080\u009cuma for\u00e7a quantitativamente vari\u00e1vel que poderia medir os processos e transforma\u00e7\u00f5es ocorrentes no \u00e2mbito da excita\u00e7\u00e3o sexual&#8221;\u0080\u009d (Freud, 1905\/2003, p. 205). Utilizando os termos do <em>Projeto<\/em>, a estimula\u00e7\u00e3o que chegaria proveniente do meio externo, bem como as estimula\u00e7\u00f5es oriundas do interior do corpo, seria decodificada psiquicamente como um acr\u00e9scimo quantitativo. Neste sentido, a estimula\u00e7\u00e3o de todo o corpo \u2013 e n\u00e3o apenas dos \u00f3rg\u00e3os genitais \u00a0\u2013 \u00a0forneceria excita\u00e7\u00e3o sexual. Este acr\u00e9scimo logo seria sentido como desprazeroso, o que engendraria uma busca pela descarga da quantidade excedente que invadiria o aparato ps\u00edquico. A descarga abrupta da quantidade geraria uma sensa\u00e7\u00e3o de prazer, a satisfa\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a libera\u00e7\u00e3o do excesso de quantidade restaurar-se-ia o fluxo quantitativo m\u00ednimo, que manteria o aparelho em marcha. Mas, brevemente as estimula\u00e7\u00f5es end\u00f3genas e ex\u00f3genas promoveriam um novo incremento quantitativo e a busca pela satisfa\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia novamente teria lugar. Estamos tratando da fonte (som\u00e1tica), da for\u00e7a (a quantidade) e da meta (a satisfa\u00e7\u00e3o) relativas \u00e0 puls\u00e3o <a id=\"4b\" href=\"#4a\"><sup>4<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 esclarecemos que a libido seria uma for\u00e7a concernente \u00e0 excita\u00e7\u00e3o sexual e apresentamos a hip\u00f3tese do <em>Projeto <\/em>a respeito da origem de tal for\u00e7a \u2013 os deslocamentos quantitativos. Vejamos, nos termos apresentados em <em>Introdu\u00e7\u00e3o do Narcisismo <\/em>e <em>O Eu e o Isso <\/em>as hip\u00f3teses gen\u00e9ticas sobre a libido. No texto de 1914, a concep\u00e7\u00e3o freudiana era de que haveria um investimento [quantitativo] origin\u00e1rio no eu. Mas em 1923 esta concep\u00e7\u00e3o \u00e9 revista e o autor declara que a libido proviria originariamente do isso nos seguintes termos: &#8220;&#8230; logo da separa\u00e7\u00e3o entre o <em>eu<\/em> e o <em>isso<\/em>, devemos reconhecer ao isso como o grande reservat\u00f3rio da libido&#8230;&#8221;\u0080\u009d (Freud, 1923\/2003, p.32, grifos no original). Parece-nos que estamos em face de contradi\u00e7\u00e3o [aparente] nas teses do autor. Supomos que a concep\u00e7\u00e3o de eu apresentada em <em>Introdu\u00e7\u00e3o do Narcisismo <\/em>coadunaria com a hip\u00f3tese do &#8220;\u0080\u0098grande y&#8221;\u0080\u0099 do <em>Projeto<\/em> no qual a no\u00e7\u00e3o de eu ali expressa n\u00e3o seria necessariamente a mesmo que o eu-inst\u00e2ncia de <em>O Eu e o Isso<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud (1940\/2004), em <em>Esquema de Psican\u00e1lise<\/em>, descreve o estado inicial da libido no organismo como estando presente no complexo eu-isso indiferenciado. Tamb\u00e9m em <em>A Interpreta\u00e7\u00e3o<\/em><em> dos Sonhos<\/em>, Freud (1900\/2004) remetia \u00e0 indistin\u00e7\u00e3o na crian\u00e7a entre sistemas Pr\u00e9-consciente\/Consciente e Inconsciente. Pensando, ent\u00e3o, em fases precoces do desenvolvimento libidinal, \u00e9-nos l\u00edcito inferir que a separa\u00e7\u00e3o entre eu e isso ainda n\u00e3o tenha se processado, visto estarmos tratando de um eu d\u00e9bil, em seus momentos de complexifica\u00e7\u00e3o. Assim, a no\u00e7\u00e3o de eu discutida em 1914 parece-nos ser compat\u00edvel com um todo ainda indiferenciado, ou ainda, um todo ps\u00edquico fragmentado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retomemos a afirma\u00e7\u00e3o de 1923 e agreguemos os esclarecimentos acima. Freud (1923\/2003) acentua que o isso deve ser tomado como o reservat\u00f3rio da libido &#8220;\u0080\u009clogo da separa\u00e7\u00e3o entre o <em>eu<\/em> e o <em>isso<\/em>&#8220;\u0080\u009d (p. 32). Isto implica que: 1\u00ba) haveria um per\u00edodo em que ter\u00edamos de considerar que eu e isso seriam indissoci\u00e1veis; 2\u00ba) que antes de se processar a separa\u00e7\u00e3o entre as inst\u00e2ncias n\u00e3o seria poss\u00edvel definir com precis\u00e3o de onde proviriam as for\u00e7as libidinais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio das formula\u00e7\u00f5es freudianas a respeito das puls\u00f5es, havia uma oposi\u00e7\u00e3o entre puls\u00f5es de autoconserva\u00e7\u00e3o (ou do eu) e puls\u00f5es do objeto, sendo as primeiras despregadas do conte\u00fado sexual. N\u00e3o \u00e9 a essa acep\u00e7\u00e3o que nos afixaremos, ao contr\u00e1rio, entendemos que as puls\u00f5es do eu tamb\u00e9m possuem natureza er\u00f3tica, haja vista sua origem a partir do isso e a possibilidade do eu ser tomado como objeto de investimento libidinal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin-left: 120px;\">era preciso ver no eu mais um grande reservat\u00f3rio de libido, desde o qual esta \u00faltima era enviada aos objetos, e que sempre estava disposto a acolher a libido que reflui desde os objetos. Portanto, tamb\u00e9m as puls\u00f5es de autoconserva\u00e7\u00e3o eram de natureza libidinosa; eram puls\u00f5es sexuais que haviam tomado como objeto ao eu pr\u00f3prio em vez dos objetos externos. (Freud, 1923[1922]\/2004, p.252)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideramos haver desembara\u00e7ado a no\u00e7\u00e3o geral de libido <a id=\"5b\" href=\"#5a\"><sup>5<\/sup><\/a> e estarmos aptos a discorrer sobre os investimentos libidinais concernentes aos per\u00edodos autoer\u00f3tico, narc\u00edsico e de estabelecimento de objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\nO per\u00edodo autoer\u00f3tico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud (1911\/2004) apresenta-nos, no texto <em>Apontamentos Psicanal\u00edticos Sobre um Caso de Paran\u00f3ia (Dementia Paranoides) Descrito Autobiograficamente,<\/em> que o autoerotismo \u00e9 considerado um per\u00edodo anterior \u00e0 escolha de objeto. Se concordarmos com a suposi\u00e7\u00e3o de que o estabelecimento da representa\u00e7\u00e3o de objeto de desejo seja efetivado no aparelho ps\u00edquico pelas repeti\u00e7\u00f5es da viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 l\u00edcito pensar uma \u00e9poca arcaica deste aparelho quando esta representa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o estava plenamente instaurada. Vejamos como faremos estas hip\u00f3teses de trabalho convergirem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As manifesta\u00e7\u00f5es sexuais autoer\u00f3ticas podem ser assinaladas nos prim\u00f3rdios da sexualidade infantil. De acordo com a concep\u00e7\u00e3o freudiana apresentada no segundo dos <em>Tr\u00eas Ensaios de Teoria Sexual, <\/em>intitulado <em>A sexualidade infantil,<\/em> o autoerotismo seria um estado no qual a puls\u00e3o utilizar-se-ia do pr\u00f3prio corpo para obten\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o sexual. O chuchar (ou sugar com deleite) seria o prot\u00f3tipo do autoerotismo: a crian\u00e7a utilizaria como meio para obter satisfa\u00e7\u00e3o uma parte de seu pr\u00f3prio corpo, a mucosa bucal, zona esta pass\u00edvel de domina\u00e7\u00e3o e controle muscular pela crian\u00e7a, em oposi\u00e7\u00e3o ao mundo externo sobre o qual ela ainda n\u00e3o exerce dom\u00ednio. Duas quest\u00f5es devem ser consideradas quando tratamos de autoerotismo: primeiro, \u00e9 um tipo de satisfa\u00e7\u00e3o obtida no pr\u00f3prio organismo sem que haja a media\u00e7\u00e3o de um objeto externo a ele e, segundo, o local, o \u00f3rg\u00e3o, no qual emerge a excita\u00e7\u00e3o \u00e9 o mesmo no qual se dar\u00e1 a satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A suposi\u00e7\u00e3o de organismos que funcionem apenas norteados por processos prim\u00e1rios seria uma fic\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, pois tal funcionamento concorreria para o aniquilamento do organismo. O que cogitamos \u00e9 que o per\u00edodo autoer\u00f3tico seria o modelo mais pr\u00f3ximo do funcionamento prim\u00e1rio no beb\u00ea. A aproxima\u00e7\u00e3o entre o funcionamento autoer\u00f3tico e o funcionamento prim\u00e1rio do aparelho ps\u00edquico pode ser depreendida colocando-se em tela a afirma\u00e7\u00e3o de Freud (1914\/2003) segundo a qual &#8220;\u0080\u009c&#8230; as puls\u00f5es autoer\u00f3ticas s\u00e3o iniciais, primordiais&#8221;\u0080\u009d (p. 74), de modo an\u00e1logo aos processos ps\u00edquicos prim\u00e1rios, que teriam predom\u00ednio de funcionamento bem como primazia temporal sobre os processos secund\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Freud (1895\/1995), a princ\u00edpio existiria um eu origin\u00e1rio formado por y do n\u00facleo. Ap\u00f3s a viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o, a parte do manto de y come\u00e7aria a ser desenvolvida, complexifica\u00e7\u00e3o esta que possibilitaria que processos inibit\u00f3rios do eu \u2013 o funcionamento secund\u00e1rio \u00a0\u2013 \u00a0tivessem lugar. No autoerotismo, o descarregar dos excessos de quantidade ocorreria no pr\u00f3prio corpo sem a necessidade de elei\u00e7\u00e3o de um objeto <a id=\"6b\" href=\"#6a\"><sup>6<\/sup><\/a> que mediasse essa descarga. Assim sendo, podemos pensar algo an\u00e1logo ao processo prim\u00e1rio. Retomemos o chuchar \u2013 o modelo para o autoerotismo destacado por Freud (1905\/2003) \u2013 \u00a0para compreender o modo como ocorre o processo de desfazer-se da quantidade. Consideremos, juntamente com Freud (1895\/1995, 1905\/2003), a fome como modelo para a car\u00eancia. A necessidade nutr\u00edcia engendra um incremento quantitativo proveniente de n\u00edveis intra e intercelulares que \u00e9 sentido como algo desprazeroso. \u00c9 uma tend\u00eancia prim\u00e1ria do organismo vivo descarregar o excesso quantitativo que inunda o aparelho ps\u00edquico. O beb\u00ea, em estado desvalido, desamparado, pois n\u00e3o pode por si s\u00f3 obter o alimento que saciaria a car\u00eancia, tenta uma manobra visando aplacar a necessidade: toma uma parte de seu corpo (habitualmente a m\u00e3o e\/ou os dedos) com o fim de sug\u00e1-la. Ao buscar a satisfa\u00e7\u00e3o, mesmo na aus\u00eancia do alimento, podemos pensar em um rebaixamento de quantidade descolada deste alimento e atrelada ao processo motor envolvido. O \u00f3rg\u00e3o-fonte, no qual a excita\u00e7\u00e3o foi originada, ser\u00e1 utilizado para descarregar a quantidade excedente. Assim, uma estimula\u00e7\u00e3o motora do \u00f3rg\u00e3o provocar\u00e1 a elimina\u00e7\u00e3o e apaziguar\u00e1, mesmo que momentaneamente, o desprazer gerado pelo ac\u00famulo da quantidade. O intento da crian\u00e7a \u00e9 recriar a viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o propiciada pela amamenta\u00e7\u00e3o. Mas esta manobra n\u00e3o cancela o carecimento e brevemente o incremento quantitativo n\u00e3o ser\u00e1 tolerado pelo organismo. Deixado por si mesmo, o beb\u00ea sucumbiria \u00e0 morte <a id=\"7b\" href=\"#7a\"><sup>7<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud (1914\/2003) declara que, para que o narcisismo constitua-se, algo teria de ser agregado ao autoerotismo: &#8220;\u0080\u009cuma nova a\u00e7\u00e3o ps\u00edquica&#8221;\u0080\u009d (p. 74), a constitui\u00e7\u00e3o de um eu. Na se\u00e7\u00e3o subseq\u00fcente, discorreremos sobre o porqu\u00ea e como um eu emerge no aparelho ps\u00edquico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\nO narcisismo, ou dos rudimentos de um eu nos prim\u00f3rdios da vida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <em>O eu e o Isso<\/em>, Freud (1923\/2003) considera que no in\u00edcio da vida o que se poderia pensar seria a exist\u00eancia de um &#8220;\u0080\u0098eu d\u00e9bil&#8221;\u0080\u0099, rudimentar em suas fun\u00e7\u00f5es. Paradoxalmente, em 1914, no texto dedicado ao estudo do <em>Narcisismo<\/em>, Freud (1914\/2003) levanta a suposi\u00e7\u00e3o de que nos prim\u00f3rdios da vida n\u00e3o haveria uma &#8220;\u0080\u009cunidade compar\u00e1vel ao eu&#8221;\u0080\u009d (p. 74). Ao retrocedermos mais ainda na obra freudiana at\u00e9 1895, a concep\u00e7\u00e3o apresentada no <em>Projeto<\/em> \u00e9 a da exist\u00eancia de um eu desde o princ\u00edpio da vida. A que ter\u00edamos de atribuir tais contradi\u00e7\u00f5es no pensamento do autor? Ou n\u00e3o se tratariam de contradi\u00e7\u00f5es? Fa\u00e7amos estes supostos trabalharem. Parece-nos que o que ocorre \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o apenas aparente. Argumentamos que a suposi\u00e7\u00e3o de 1895 de que no princ\u00edpio da vida j\u00e1 existe um eu pode coadunar com a suposi\u00e7\u00e3o de 1914 se atentarmos para um aspecto levantado pelo autor: no in\u00edcio da vida o que <em>n\u00e3o h\u00e1<\/em> \u00e9 uma <em>unidade<\/em> relativa ao eu. Assim sendo, podemos inferir que haveria uma falta de unicidade desse eu quando do nascimento. Temos ainda que destacar que estamos na vig\u00eancia da Primeira T\u00f3pica na qual o eu ainda n\u00e3o teria <em>status<\/em> de inst\u00e2ncia ps\u00edquica. A declara\u00e7\u00e3o freudiana no texto de 1923, divisor de \u00e1guas entre Primeira e Segunda T\u00f3picas, acentua o car\u00e1ter d\u00e9bil do eu no in\u00edcio da vida. O que se apresenta \u00e9 um eu rudimentar que ainda n\u00e3o estaria de posse de suas fun\u00e7\u00f5es em virtude de pouca complexifica\u00e7\u00e3o. Em outros termos, poder-se-ia considerar a exist\u00eancia de um eu desde os prim\u00f3rdios da vida, mas um eu inicialmente d\u00e9bil, fr\u00e1gil e que se fortalecer\u00e1 com a complexifica\u00e7\u00e3o do aparelho por interm\u00e9dio do contato com o meio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com as hip\u00f3teses apresentadas no <em>Projeto<\/em>, o eu seria uma organiza\u00e7\u00e3o em y que se estrutura, em complexifica\u00e7\u00e3o crescente no aparelho [neuro]ps\u00edquico, via contato com o entorno do organismo. \u00c9 assim que partimos do pressuposto de um desenvolvimento da organiza\u00e7\u00e3o em y cada vez mais diferenciada e elaborada, ou, nos termos utilizados na Segunda T\u00f3pica, um eu-inst\u00e2ncia <a id=\"8b\" href=\"#8a\"><sup>8<\/sup><\/a> que comporta diversas fun\u00e7\u00f5es entre as quais o controle da motilidade, a consci\u00eancia e a repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amparados nas teses do <em>Projeto<\/em>, podemos dizer que no in\u00edcio da vida os processos prim\u00e1rios seriam dominantes. Que eventos conduziriam \u00e0 paulatina configura\u00e7\u00e3o demarcada pelos processos secund\u00e1rios? Ou, em outras palavras, que eventos concorreriam para que um eu possa constituir-se no aparelho? Dir-nos-\u00e1 Freud (1923\/2003) que &#8220;\u0080\u009c&#8230; o eu \u00e9 a parte do isso alterada pela influ\u00eancia do mundo exterior, com media\u00e7\u00e3o de P-Cc [do sistema Percep\u00e7\u00e3o-Consci\u00eancia]&#8230;&#8221; (p. 27). Ent\u00e3o, seriam as limita\u00e7\u00f5es impostas pelo meio ao beb\u00ea que promoveriam a diferencia\u00e7\u00e3o do eu a partir do isso. Lembremos que nos prim\u00f3rdios da vida o ser humano \u00e9 desamparado, n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas de subsistir por si s\u00f3 e necessita de ajuda de um outro presente no meio. Estas condi\u00e7\u00f5es impostas pelo meio externo seriam impedimentos \u00e0 descarga do excesso quantitativo que invade o beb\u00ea em decorr\u00eancia dos carecimentos e, consequentemente, \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o imediata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fa\u00e7amos um adendo e levantemos que poder\u00edamos considerar que em per\u00edodos t\u00e3o arcaicos do desenvolvimento do eu existiria, por parte do beb\u00ea, uma indiferencia\u00e7\u00e3o entre meio interno e meio externo. No texto <em>Puls\u00f5es e Destinos de Puls\u00e3o<\/em>, Freud (1915\/2003) aponta que na medida em que o beb\u00ea tem a capacidade de satisfazer (mesmo que parcialmente) em si mesmo suas demandas pulsionais, \u00e2\u0080\u009co eu n\u00e3o necessita do mundo exterior\u00e2\u0080\u009d (p. 130). Se considerarmos a tese defendida em 1914, segundo a qual no in\u00edcio da vida n\u00e3o haveria uma estrutura unificada do eu, tal afirma\u00e7\u00e3o torna-se consistente. Isto porque o eu \u00e9 a estrutura respons\u00e1vel pela media\u00e7\u00e3o meio interno\/meio externo (Freud, 1923\/2003). As proposi\u00e7\u00f5es de 1895 apontam para tal media\u00e7\u00e3o, pois seria a aquisi\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o em y que barraria o livre escoamento de quantidade \u2013 o processo prim\u00e1rio \u2013 o que permitiria que o beb\u00ea adquirisse condi\u00e7\u00f5es de aguardar a interven\u00e7\u00e3o do agente da a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que lhe promover\u00e1 o cancelamento da necessidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud (1914\/2003) apresenta a exist\u00eancia de dois tipos de investimento libidinal: no eu e em objetos. &#8220;\u0080\u009cN\u00f3s formamos assim a imagem de um investimento [<em>Besetzung<\/em>] libidinal origin\u00e1rio do <em>eu<\/em>, cedido depois aos objetos &#8230;&#8221; (Freud, 1914\/2003, p. 73). Este suposto de uma carga libidinal origin\u00e1ria do eu que, posteriormente, poderia ser cedida aos objetos leva \u00e0 considera\u00e7\u00e3o de uma oposi\u00e7\u00e3o entre libido do eu e libido do objeto. Tamb\u00e9m pode ocorrer uma reconvers\u00e3o da libido que havia sido investida em objetos externos em um retorno para o investimento no eu. Apesar da oposi\u00e7\u00e3o demarcada, o autor infere uma imbrica\u00e7\u00e3o entre libido do eu e libido do objeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A libido narcisista ou libido do eu se nos aparece como o grande reservat\u00f3rio desde o qual s\u00e3o emitidos os investimentos de objeto e ao qual voltam a recolher-se; e o investimento libidinal narcisista do eu, como o estado origin\u00e1rio realizado na primeira inf\u00e2ncia, que \u00e9 s\u00f3 ocultado pelos envios posteriores da libido, mas se conserva no fundo atr\u00e1s deles(Freud, 1905\/2003, p. 198).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, segundo as teses propostas em 1923, o reservat\u00f3rio da libido seria o isso e o narcisismo seria secund\u00e1rio ao investimento em objetos. Como pensar essas afirma\u00e7\u00f5es paradoxais? Retornemos ao apresentado em <em>Esquema de Psican\u00e1lise<\/em>: no in\u00edcio da vida haveria uma indiferencia\u00e7\u00e3o eu-isso. Agreguemos a hip\u00f3tese de um narcisismo origin\u00e1rio apresentada em 1914, descrito por Laplanche e Pontalis (1992) nos seguintes termos: &#8220;\u0080\u009c&#8230; um estado precoce em que a crian\u00e7a investe toda sua libido em si mesma&#8221;\u0080\u009d (p. 290). De acordo com Freud (1895\/1995), originariamente o eu consistiria de neur\u00f4nios nucleares &#8211; de y do n\u00facleo &#8211; que recebem e descarregam quantidades de origem end\u00f3gena. Haveria, ent\u00e3o, um estado origin\u00e1rio em que toda a quantidade end\u00f3gena chegaria a y do n\u00facleo e seria ali mesmo descarregada, portanto, um funcionamento prim\u00e1rio. Esse eu origin\u00e1rio, constando da por\u00e7\u00e3o de y do n\u00facleo, anterior \u00e0 sua complexifica\u00e7\u00e3o sob a forma de ocupa\u00e7\u00f5es em y do manto, pode dar-nos subs\u00eddios que permitam \u00a0entend\u00ea-lo \u00a0como abarcando a proposi\u00e7\u00e3o relativa ao isso, de 1923. Desta maneira, seria essa ocupa\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria no eu-isso que poderia dispor de quantidades e endere\u00e7\u00e1-las a objetos exteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>\nO primeiro objeto de amor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esclarecemos como o eu se constitui no aparato an\u00edmico em seu entrela\u00e7amento com o seu entorno e destacamos a presen\u00e7a do outro neste meio externo ao indiv\u00edduo. Nesta se\u00e7\u00e3o apresentaremos a maneira como este outro \u00e9 constitutivo do ser e demarcaremos a Teoria do Apoio como momento da emerg\u00eancia da puls\u00e3o sexual, a qual estaria atrelada ao outro primordial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud (1905\/2003, 1914\/2003, 1940\/2004) aponta que o primeiro objeto sexual da crian\u00e7a prov\u00e9m das viv\u00eancias de satisfa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, as primeiras satisfa\u00e7\u00f5es sexuais do beb\u00ea seriam vivenciadas imbricadas \u00e0s fun\u00e7\u00f5es vitais de conserva\u00e7\u00e3o, ou seja, conjuntamente \u00e0 sacia\u00e7\u00e3o dos grandes carecimentos. As puls\u00f5es de autoconserva\u00e7\u00e3o e as puls\u00f5es sexuais estariam, a princ\u00edpio, indiferenciadas <a id=\"9b\" href=\"#9a\"><sup>9<\/sup><\/a>. Sacia\u00e7\u00e3o da necessidade e satisfa\u00e7\u00e3o er\u00f3tica ocorreriam simultaneamente. A separa\u00e7\u00e3o entre estas puls\u00f5es seria secund\u00e1ria. Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o das puls\u00f5es, o objeto a investir eroticamente seria remanescente da fun\u00e7\u00e3o nutriz: a m\u00e3e (ou quem quer que cumpra essa fun\u00e7\u00e3o). Deste modo, segundo as premissas freudianas, a sexualidade se constituiria apoiada, arrimada nas fun\u00e7\u00f5es vitais do indiv\u00edduo e a primeira escolha objetal <a id=\"10b\" href=\"#10a\"><sup>10<\/sup><\/a> se daria via apoio ou an\u00e1clise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O menino (e o adolescente) elege seus objetos sexuais tomando-os de suas viv\u00eancias de satisfa\u00e7\u00e3o. As primeiras satisfa\u00e7\u00f5es sexuais autoer\u00f3ticas s\u00e3o vivenciadas a reboque de fun\u00e7\u00f5es vitais que servem \u00e0 autoconserva\u00e7\u00e3o. As puls\u00f5es sexuais se ap\u00f3iam a princ\u00edpio na satisfa\u00e7\u00e3o das puls\u00f5es do eu, e s\u00f3 mais tarde se tornam independentes delas; agora bem, esse apoio segue mostrando-se no fato de que as pessoas encarregadas da nutri\u00e7\u00e3o, o cuidado e a prote\u00e7\u00e3o do menino ser\u00e3o os primeiros objetos sexuais: s\u00e3o, sobretudo, a m\u00e3e ou seu substituto (Freud, 1914\/2003, p. 84).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apresentemos uma possibilidade de compreens\u00e3o da Teoria do Apoio a partir das teses do <em>Projeto<\/em> e para tanto revisitaremos o modelo da fome e agregaremos informa\u00e7\u00f5es a respeito do agente da a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Quando um carecimento nutr\u00edcio ocorre, este chega aos neur\u00f4nios nucleares como quantidade em acr\u00e9scimo constante que dentro em breve sobrecarregar\u00e1 o aparelho e ser\u00e1 sentido como desprazer. A princ\u00edpio o beb\u00ea tentar\u00e1 se desembara\u00e7ar do excedente quantitativo por meio do espernear e do choro. Esses movimentos apenas promovem rebaixamentos quantitativos paliativos, pois os carecimentos apresentam uma incid\u00eancia continuada sobre o aparato ps\u00edquico. Acontece que o outro auxiliar da crian\u00e7a \u2013 a m\u00e3e \u2013 associa o choro a uma necessidade e promove a a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que cancela o carecimento por meio da amamenta\u00e7\u00e3o. Por interm\u00e9dio das muitas mamadas, o beb\u00ea formar\u00e1 um registro intraps\u00edquico \u2013 uma representa\u00e7\u00e3o \u2013 deste agente auxiliar e este ser\u00e1 ansiado como forma de promover a sacia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ser\u00e1 apenas a sacia\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 ansiada. O abrupto desvencilhar da quantidade promove a satisfa\u00e7\u00e3o [er\u00f3tica], ent\u00e3o todo e qualquer incremento quantitativo que provoque desprazer far\u00e1 com que a crian\u00e7a busque recriar a viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o. Para tanto, a representa\u00e7\u00e3o intraps\u00edquica da figura nutriz ser\u00e1 evocada. Ela compor\u00e1 um conglomerado neuronal relativo \u00e0 viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o. Podemos dizer que essa figura representada intrapsiquicamente \u00e9 o que chamamos de objeto. Na vig\u00eancia do desprazer esse objeto ser\u00e1 almejado como forma de obter satisfa\u00e7\u00e3o, esteja a crian\u00e7a em presen\u00e7a de um carecimento ou n\u00e3o. A crian\u00e7a buscar\u00e1 atingir o <em>plus<\/em>, o a mais \u2013 a satisfa\u00e7\u00e3o \u2013 que resultou do cancelamento da necessidade e para tanto, a figura da m\u00e3e ser\u00e1 evocada pela ocupa\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios que comp\u00f5e tal representa\u00e7\u00e3o. Este caminho facilitado pelas ocupa\u00e7\u00f5es em y, por trilhamento via viv\u00eancias de satisfa\u00e7\u00e3o, Freud (1895\/1995) chamar\u00e1 de <em>desejo<\/em>. Gabbi Jr. (1995) esclarece a quest\u00e3o do circuito formado no sistema nervoso pela viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os tr\u00eas registros, puls\u00e3o [a quantidade end\u00f3gena que atinge y], objeto [representa\u00e7\u00e3o intraps\u00edquica do agente da a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica] e interrup\u00e7\u00e3o [not\u00edcia da satisfa\u00e7\u00e3o], \u00e9 criado um circuito com melhor facilita\u00e7\u00e3o. Eles formam um caminho preferencial de elimina\u00e7\u00e3o, onde a ordem de constitui\u00e7\u00e3o foi puls\u00e3o-objeto-interrup\u00e7\u00e3o. Se a puls\u00e3o era cega, agora ela visa o objeto, pois, como j\u00e1 vimos, um motivo exprime-se na psicologia quantitativa como um caminho preferencial de elimina\u00e7\u00e3o (p. 133).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a internaliza\u00e7\u00e3o da figura materna sob a forma de uma representa\u00e7\u00e3o, esta poder\u00e1 ser tomada como pass\u00edvel de investimento libidinal. Cabe deixar claro que uma representa\u00e7\u00e3o \u00e9 um complexo neuronal em tr\u00e2nsito, capaz de sofrer altera\u00e7\u00f5es em sua estrutura por meio de novas complexifica\u00e7\u00f5es. Esses ganhos seriam obtidos por meio de novas percep\u00e7\u00f5es que adentrariam o aparelho ps\u00edquico, as quais ampliariam as possibilidades de reconhecimento do objeto no meio por acompanhar e captar diferentes \u00e2ngulos perceptivos bem como altera\u00e7\u00f5es processadas na figura\/pessoa em quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cremos haver deslindado os mecanismos pelos quais uma figura do meio pode ser internalizada e tomada como objeto de investimento libidinal. Parece-nos que esta concep\u00e7\u00e3o da teoria do apoio e da elei\u00e7\u00e3o do objeto sexual n\u00e3o sofreu maiores elabora\u00e7\u00f5es ap\u00f3s 1923. Assim Freud (1940\/2004) sintetiza a quest\u00e3o em <em>Esquema de Psican\u00e1lise<\/em>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro objeto er\u00f3tico do menino [e tamb\u00e9m da menina] \u00e9 o peito materno nutr\u00edcio; o amor se engendra apoiado na necessidade de nutri\u00e7\u00e3o satisfeita. Por certo que ao come\u00e7o o peito n\u00e3o \u00e9 distinguido do pr\u00f3prio corpo, e quando tem que ser divorciado do corpo, transladado para <em>&#8220;\u0080\u009cfora&#8221;\u0080\u009d<\/em> pela freq\u00fc\u00eancia com que o menino nota sua falta, toma consigo, como <em>&#8220;\u0080\u009cobjeto&#8221;\u0080\u009d<\/em>, uma parte do investimento libidinal originariamente narcisista. Este primeiro objeto se completa logo na pessoa da m\u00e3e, quem n\u00e3o s\u00f3 nutre, sen\u00e3o tamb\u00e9m cuida e provoca no menino tantas outras sensa\u00e7\u00f5es corporais, assim prazerosas como despraz\u00edveis. No cuidado do corpo, ela torna-se a primeira sedutora do menino. Nestas duas rela\u00e7\u00f5es [nutri\u00e7\u00e3o e sexual] enra\u00edza a significa\u00e7\u00e3o \u00fanica da m\u00e3e, que \u00e9 incompar\u00e1vel e se fixa imut\u00e1vel para toda a vida; como o primeiro e mais intenso objeto de amor, como arqu\u00e9tipo de todos os v\u00ednculos posteriores de amor&#8230; em ambos os sexos. (p. 188, grifos no original)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decorrer deste percurso que empreendemos nos meandros da teoria psicanal\u00edtica abordamos a \u00edntima rela\u00e7\u00e3o entre o desenvolvimento de um eu e a elei\u00e7\u00e3o de objetos a investir. Partimos da inexist\u00eancia de um eu como unidade (com o que pudemos inferir que se poderia falar de um eu fragmentado e ainda fr\u00e1gil, o que seria consistente com as teses apresentadas nos textos <em>Projeto de uma Psicologia<\/em> e <em>Esquema de Psican\u00e1lise<\/em>) do per\u00edodo auto-er\u00f3tico, chegamos ao per\u00edodo narc\u00edsico no qual pressup\u00f5e-se que j\u00e1 exista uma unidade relativa ao eu, a qual pode ser tomada como objeto de amor pelas puls\u00f5es sexuais e adentramos \u00a0uma etapa da constitui\u00e7\u00e3o desse eu na qual objetos externos a ele podem tamb\u00e9m ser tomados como representa\u00e7\u00f5es\/objetos aos quais a libido seria direcionada. O liame que buscamos realizar foi o da emerg\u00eancia da puls\u00e3o sexual e suas possibilidades de investimentos com vistas \u00e0 obten\u00e7\u00e3o da meta de uma puls\u00e3o, qual seja, a satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensamos que o recurso ao <em>Projeto<\/em> nos serviu de ancoragem conceitual, como respaldo para a compreens\u00e3o da metapsicologia subjacente ao descritivo. Entendemos que, como pesquisadores, necessitamos aclarar os processos por detr\u00e1s da apar\u00eancia dos fen\u00f4menos que se nos apresentam. S\u00e3o estes empreendimentos que alicer\u00e7am a teoria, um dos apoios do trip\u00e9 destacado por Freud (1923[1922]\/2004) no verbete no qual esclarece de que se trataria a psican\u00e1lise: um procedimento de investiga\u00e7\u00e3o dos processos an\u00edmicos, um m\u00e9todo de tratamento e como um conhecimento que gradualmente se unifica em uma disciplina cient\u00edfica. Uma teoria n\u00e3o pode ser est\u00e1tica e a busca por recursos, mesmo que seja retrocedendo a teses iniciais dos autores (como tentamos demonstrar ao nos ampararmos no <em>Projeto<\/em>) para coloc\u00e1-las em tela juntamente com os avan\u00e7os te\u00f3ricos, pode servir-nos de avatar para novos progressos. No dizer de Freud (1923[1922]\/2004), a psican\u00e1lise seria um campo, uma teoria &#8220;\u0080\u009csempre inacabada e sempre disposta a corrigir ou variar suas doutrinas &#8230; suporta que seus conceitos m\u00e1ximos n\u00e3o sejam claros, que suas premissas sejam provis\u00f3rias, e espera do trabalho futuro sua melhor precis\u00e3o&#8221;\u0080\u009d (p. 249). Cerca de 90 anos ap\u00f3s tal afirma\u00e7\u00e3o continuamos a rever as doutrinas, aclarar e explicitar conceitos, considerar os conhecimentos adquiridos como provis\u00f3rios. Este \u00e9 um fazer, um constante refazer, com vistas ao horizonte, \u00e0 supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong style=\"background-color: transparent;\"><br \/>\nRefer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caropreso, F.; Simanke, R. T. (2009). A rela\u00e7\u00e3o entre a consci\u00eancia e a representa\u00e7\u00e3o na metapsicologia: as m\u00faltiplas dimens\u00f5es de um problema. In C. P. Murta, F. V. Bocca &amp; Simanke, R. T. (Org.), <em>Psican\u00e1lise em Perspectiva<\/em> (1\u00aa ed.)(p. 121-154). Curitiba: Editora CVR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud, S. (1995). <em>Projeto de uma psicologia<\/em>. (Tradu\u00e7\u00e3o de Osmyr Faria Gabbi Jr.). Rio de Janeiro: Imago. Originalmente publicado em 1895.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________(2003). Tres Ensayos de Teor\u00eda Sexual. <em>Obras Completas<\/em> (2\u00aa ed.). Volume 7. p. 109-224. Buenos Aires: Amorrortu. Originalmente publicado em 1905.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________(2003<em>). <\/em>Introducci\u00f3n del Narcisismo. <em>Obras Completas<\/em> (2\u00aa ed.). Volume 14. p. 71-98.\u00a0 Buenos Aires: Amorrortu. Originalmente publicado em 1914.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________ (2003<em>). <\/em>Pulsiones y Destinos de Pulsi\u00f3n. <em>Obras Completas<\/em> (2\u00aa ed.). Volume 14. p. 105-134.\u00a0 Buenos Aires: Amorrortu. Originalmente publicado em 1915.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________ (2003). El Yo y el Ello. <em>Obras Completas<\/em> (2\u00aa ed.). Volume 19. p. 01-66.\u00a0 Buenos Aires: Amorrortu. Originalmente publicado em 1923.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________ (2004). Sobre la Psicologia de los Procesos On\u00edrico In La Interpretaci\u00f3n de los Sue\u00f1o <em>Obras Completas<\/em> (2\u00aa ed.). Volume 5. p. 504-611. Buenos Aires: Amorrortu. Originalmente publicado em 1900.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________ (2004). Puntualizaciones Psicoanal\u00edticas Sobre um Caso de Paranoia (Dementia Paranoides) Descrito Autobiograficamente. <em>Obras Completas<\/em> (2\u00aa ed.). Volume 12. p. 1-76. Buenos Aires: Amorrortu. Originalmente publicado em 1911.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________ (2004).\u00a0 Dos art\u00edculos de enciclop\u00e9dia: \u00e2\u0080\u009cPsicoan\u00e1lisis\u00e2\u0080\u009d y \u00e2\u0080\u009cTeoria de la libido\u00e2\u0080\u009d. <em>Obras Completas<\/em> (2\u00aa ed.). Volume 18. p. 227-254. Buenos Aires: Amorrortu. Originalmente publicado em 1923[1922].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________ (2004).\u00a0 Inhibici\u00f3n, S\u00edntoma y Angustia. <em>Obras Completa<\/em> (2\u00aa ed.). Volume 20. p. 83-164. Buenos Aires: Amorrortu. Originalmente publicado em 1926.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________ (2004). Esquema del Psicoan\u00e1lisis <em>Obras Completas<\/em> (2\u00aa ed.). Volume 23. p. 135-209. Buenos Aires: Amorrortu. Originalmente publicado em 1940.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gabbi Jr., O. F. (1995). Notas cr\u00edticas sobre Entwurf Einer Psychologie. In \u00a0Freud, <em>Projeto de uma psicologia <\/em>(pp. 103-225). Rio de Janeiro: Imago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hornstein, L. (1989). <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Psican\u00e1lise<\/em>. S\u00e3o Paulo: Escuta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Laplanche; Pontalis (1992). <em>Vocabul\u00e1rio da Psican\u00e1lise.<\/em> S\u00e3o Paulo: Martins Fontes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monzani, L. R. (1989). <em>Freud: o movimento de um pensamento.<\/em> Campinas: editora da UNICAMP.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><a id=\"1a\" style=\"text-align: justify; background-color: #ffffff;\" href=\"#1b\"><sup>1<\/sup><\/a><span style=\"text-align: justify;\">\u00a0O termo desenvolvimento n\u00e3o ser\u00e1 aqui utilizado no sentido de um abandono das formas primeiras de atua\u00e7\u00e3o no aparelho, mas sim no sentido de uma complexifica\u00e7\u00e3o na estrutura. \u00c9 \u00a0nessa complica\u00e7\u00e3o nos modos de funcionamento do aparelho ps\u00edquico, que o advento de um eu como inst\u00e2ncia instala, que nos interessa para os fins deste trabalho.<\/span><\/p>\n<p><a id=\"2a\" style=\"text-align: justify;\" href=\"#2b\"><sup>2<\/sup><\/a><span style=\"text-align: justify;\">\u00a0Neste momento das teses freudianas a sexualidade era pensada como emergindo a partir do per\u00edodo da adolesc\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p id=\"ftn22\"><a id=\"3a\" style=\"text-align: justify;\" href=\"#3b\"><sup>3<\/sup><\/a><span style=\"text-align: justify;\">\u00a0Podemos justapor a no\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o constante em y do n\u00facleo, oriunda do interior do corpo, \u00e0 no\u00e7\u00e3o de puls\u00e3o. Assim, a fonte da puls\u00e3o seria som\u00e1tica, a for\u00e7a seria a quantidade, a finalidade seria a satisfa\u00e7\u00e3o (o desembara\u00e7ar-se da quantidade, a libera\u00e7\u00e3o) e o objeto seria aquele definido pela atra\u00e7\u00e3o de desejo (a representa\u00e7\u00e3o em y do manto). Podemos ainda considerar,\u00a0<\/span><em style=\"text-align: justify;\">grosso modo<\/em><span style=\"text-align: justify;\">, que esta seria a parte que, a partir da Segunda T\u00f3pica, Freud denominar\u00e1 de isso.<\/span><\/p>\n<p id=\"ftn23\"><a id=\"4a\" style=\"text-align: justify;\" href=\"#4b\"><sup>4<\/sup><\/a><span style=\"text-align: justify;\">\u00a0O quarto elemento da puls\u00e3o seria o objeto, o qual ser\u00e1 apresentado na discuss\u00e3o em momento oportuno.<\/span><\/p>\n<p id=\"ftn24\"><a id=\"5a\" style=\"text-align: justify;\" href=\"#5b\"><sup>5<\/sup><\/a><span style=\"text-align: justify;\">\u00a0Esclarecemos que n\u00e3o apresentamos a diferencia\u00e7\u00e3o entre libido do eu e libido do objeto para inserir tais no\u00e7\u00f5es no decorrer das se\u00e7\u00f5es seguintes, nas quais, consideramos, seriam mais pertinentes.<\/span><\/p>\n<p id=\"ftn25\"><a id=\"6a\" style=\"text-align: justify;\" href=\"#6b\"><sup>6<\/sup><\/a><span style=\"text-align: justify;\">\u00a0Cabe deixar claro que n\u00e3o estamos dizendo que o per\u00edodo autoer\u00f3tico seja\u00a0<\/span><em style=\"text-align: justify;\">anobjetal<\/em><span style=\"text-align: justify;\">, mas que o modo de satisfa\u00e7\u00e3o d\u00e1-se sem a interfer\u00eancia de um objeto externo a quem direcionar a puls\u00e3o. Apresentamos na se\u00e7\u00e3o 1 que as repeti\u00e7\u00f5es das viv\u00eancias de dor e de satisfa\u00e7\u00e3o deixam marcas no aparato an\u00edmico sob a forma de representa\u00e7\u00e3o de objeto.<\/span><\/p>\n<p id=\"ftn26\"><a id=\"7a\" style=\"text-align: justify;\" href=\"#7b\"><sup>7<\/sup><\/a><span style=\"text-align: justify;\">\u00a0A maneira como o beb\u00ea ter\u00e1 a car\u00eancia satisfeita ser\u00e1 objeto de aprecia\u00e7\u00e3o na se\u00e7\u00e3o 5.<\/span><\/p>\n<p id=\"ftn27\"><a id=\"8a\" style=\"text-align: justify;\" href=\"#8b\"><sup>8<\/sup><\/a><span style=\"text-align: justify;\">\u00a0Para sermos mais exatos, n\u00e3o \u00e9 apenas o eu-inst\u00e2ncia que seria desenvolvido, isto porque a parte do aparelho [neuro]ps\u00edquico recoberto pelo que Freud (1895\/1995) denomina eu abranger\u00e1, na Segunda T\u00f3pica, as inst\u00e2ncias isso, eu e supereu.<\/span><\/p>\n<p id=\"ftn28\"><a id=\"9a\" style=\"text-align: justify;\" href=\"#9b\"><sup>9<\/sup><\/a><span style=\"text-align: justify;\">\u00a0A hip\u00f3tese defendida no primeiro dualismo pulsional era a de que haveria uma oposi\u00e7\u00e3o entre puls\u00f5es do eu e puls\u00f5es do objeto. No segundo dualismo pulsional pretende-se que a oposi\u00e7\u00e3o d\u00ea-se entre puls\u00e3o de vida e puls\u00e3o de morte.<\/span><\/p>\n<p id=\"ftn6\"><a id=\"10a\" style=\"text-align: justify;\" href=\"#10b\"><sup>10<\/sup><\/a><span style=\"text-align: justify;\">\u00a0Trata-se aqui da escolha de um objeto externo a ele, pois com a tese do narcisismo temos de considerar que o eu tamb\u00e9m \u00e9 pass\u00edvel de investimento. Freud (1914\/2003) destaca a exist\u00eancia de dois objetos sexuais origin\u00e1rios: o pr\u00f3prio indiv\u00edduo (ou melhor, seu eu tomado como objeto) e a m\u00e3e.\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considera\u00e7\u00f5es metapsicol\u00f3gicas sobre o autoerotismo, o narcisismo e a escolha objetal Metapsychological considerations about the auto-erotism, the narcissism and the object-choice Kelly Cristina Pereira Puertas kellypuertas@hotmail.com Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM) RESUMO Objetivamos discutir o autoerotismo, o narcisismo e a escolha de objeto como momentos pr\u00e9-ed\u00edpicos de constitui\u00e7\u00e3o do eu. Levaremos em conta a imbrica\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":9,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[13,279],"tags":[],"class_list":["post-4875","page","type-page","status-publish","hentry","category-publicacoes","category-revista-transformacoes"],"acf":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4875","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4875"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24662,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4875\/revisions\/24662"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ip.usp.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}