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Departamento de Psicologia Experimental – PSE
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O laboratório desenvolve pesquisas sobre o comportamento de invertebrados sociais, focalizadas atualmente no comportamento de formigas (Ponerinae, Ectatominnae e Dorylinae).

Pós-graduação:

Orientadores de Mestrado e Doutorado do Programa em Psicologia Experimental do IP e do Mestrado em Etologia da Universidade Paris 13, Paris, França

Linhas de pesquisa

Psicoetologia dos Insetos Sociais: Efeitos dos estados internos motivacionais e emocionais sobre as habilidades cognitivas, tomada de decisões e modulação do comportamento individual e coletivo.


A existência de emoções básicas em vertebrados não humanos e seu efeito sobre as decisões comportamentais são atualmente bem aceitos por pesquisadores do comportamento animal. No entanto, em insetos a questão é mais controversa. Evidências de efeitos de estados internos sobre as tomadas de decisão foram descritas em abelhas de várias espécies e outros poucos gêneros, como Drosophila. Insetos sociais são modelos adequados para testar esses paradigmas, já que a vida social apresenta altas demandas cognitivas e de flexibilidade comportamental. Porém, no momento, testes controlados nunca foram feitos em formigas. Assim, através de uma abordagem Psicoetológica e integrativa, investigaremos como os estados internos dos indivíduos, como motivação e emoções primárias, associados às habilidades cognitivas, experiência e percepção do ambiente irão influenciar as tomadas de decisões e as interações dentro e entre os grupos sociais e modular a natureza e a expressão do comportamento em formigas, desde o nível individual até o colonial, intra e interespecífico..

Evolução dos sistemas de comunicação e estudo do comportamento em contextos de reconhecimento social e dos conflitos reprodutivos intra-coloniais.

Nessa linha, estudamos os mecanismos de formação de hierarquias de dominância, a importância de processos de aprendizado no reconhecimento de parceiras de ninhos e os sinais usados durante as tomadas de decisões comportamentais. Os métodos usados incluem experimentos em situação controlada de laboratório, como encontros diádicos, observação ad libitum de colônias inteiras assim que experimentos de campo.


Impacto de infraestruturas lineares e da agricultura nos serviços ambientais de áreas protegidas


As estradas estão entre as alterações da paisagem mais onipresentes em todo o mundo e prosseguem em expansão acentuada. Novas estradas previstas até 2050 representam acréscimo de 60% na malha viária. Inevitavelmente, remanescentes e área protegidas sofrerão o impacto dessa expansão. As estradas provocaram uma rápida transformação da paisagem da Mata Atlântica, tornando-a extremamente fragmentada e suas terras altamente valorizadas, economicamente. Atualmente, a Mata Atlântica é caracterizada por remanescentes de cobrem apenas 11 a 16% de sua área original, sendo que mais de 80% dos fragmentos existentes possuem menos de 50 hectares, causando sérios riscos às populações de espécies nativas. A Amazônia segue o modelo similar de desenvolvimento pelo qual passou a Mata Atlântica, com grandes impactos ambientais e conflitos sociais. Uma grande malha de empreendimentos lineares está sendo instalada na Amazônia. Neste cenário, mais de 95% do desmatamento, dos incêndios e das emissões de carbono atmosféricos na Amazônia brasileira ocorre a menos de 50 quilômetros de uma estrada, demostrando que estes empreendimentos funcionam efetivamente como vetores de impactos ambientais secundários.O impacto mais visível é o atropelamento, mas as a perda de habitat é muito maior do que a área coberta por elas, já que áreas adjacentes tornam-se menos adequadas para muitas espécies animais. Ademais, as estradas restringem o fluxo gênico entre populações, limitando os deslocamentos necessários para manutenção de uma diversidade genética saudável. No contexto das espécies vegetais, o amplamente documentado efeito de borda e a FAPES – Projeto – 2 de 21 intensidade desse efeito atingem distâncias variadas a depender do tamanho dos remanescentes e fatores ambientais. A agricultura também afeta de forma importante o seu entorno e interior de áreas protegidas, principalmente em relação à intensidade do manejo adotado nas áreas adjacentes aos fragmentos (práticas de mobilização do solo e uso de insumos) que exerce efeito negativo sobre os processos ecológicos a partir do efeito de borda nos remanescentes florestais. A alteração da fertilidade do solo nos remanescentes, a depender do seu tamanho e condições ambientais, pode alterar a composição florística, aumentando as taxas de mortalidade de espécies de plantas nativas, reduzindo a diversidade funcional e possibilitando o estabelecimento de espécies invasoras. Consequentemente, em efeito progressivo, afeta outras espécies, solos e os serviços ecossistêmicos associados. A presente proposta visa compreender os efeitos e consequências das estradas e da agricultura no entorno e no interior de áreas protegidas abrangendo todo o ecossistema, flora, fauna e solos. Ênfase será direcionada às espécies ameaçadas e cinegéticas da flora e fauna, espécies bioindicadoras de impactos ambientais e espécies com habitat original fragmentado, buscando entender os efeitos das perturbações relacionadas às estradas e à agricultura nos processos ecossistêmicos, contextualizando ainda sua conseqüência nas funções ambientais do solo. A multidisciplinaridade indissociável e inerente do presente projeto que será conduzido em rede, será reunida em um metodologia robusta preconizada pelo Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) consolidando bases sólida para produção e comparabilidade dos conhecimentos gerados pelo presente projeto. Como resultado, espera-se gera informações consistentes como subsídios para políticas públicas de uso e ocupação dos solos e manejo e ações de conservação da biodiversidade da flora e fauna nas áreas protegidas harmonizando desenvolvimento econômico e serviços ambientais.

Flexibilidade das estratégias de forrageamento em formigas.

Nessa linha a flexibilidade individual nas tomadas de decisões e a integração coletiva do comportamento alimentar são estudadas por meio de experimentos de laboratório e testes em situações naturais. Essa linha inclua testes sobre cognição espacial.

Métricas de socialidade em aranhas sociais.

As aranhas do gênero Anelosimus exibem uma diversidade ampla no nível de cooperação entre os indivíduos do grupo, sendo assim um excelente modelo para avaliar medidas de socialidade. Através de experimentos no laboratório, buscamos avaliar em vários contextos essa flexibilidade (forrageamento, construção da teia, cuidado parental) e, mais importante, quantificá-la a fim de classificar de uma maneira mais adequada os níveis de cooperação.